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Anatomia de uma crise

Publicado em 01.10.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análises, Opinião

 

crise Vivemos um momento único. Estamos presenciando uma das mais graves crises financeiras da nossa história. Como investidor/trader estamos diante de uma experiência fundamental para a nossa formação.

Olhando para a literatura que aborda as crises do passado, percebo que a atual, não difere em quase nada das que a antecederam. Todas iniciaram quando oportunidades de lucros são aproveitadas até o exagero, de uma forma tão próxima à irracionalidade que se transformam em euforia. Então, quando a alta se torna excessiva, o sistema financeiro passa por um tipo de aflição, no curso da qual a corrida para reverter o processo de expansão pode tornar-se tão precipitada que se assemelha ao pânico.

Raymond Goldsmith, economista americano, definiu bem o nascimento de uma crise:

"… uma aguda, breve, ultracíclica deterioração de todos ou da maioria dos indicadores financeiros - taxas de juros de curto prazo, preços de ativos (ações, imóveis, terras), insolvência comercial ou falência de instituições financeiras…"

E se não bastasse a semelhança no surgimento das diversas crises, a solução parece sempre passar por uma intervenção do Estado. Na minha pesquisa, percebi que sempre que surge um crash financeiro, o papel do Estado é questionado. Alguns defendem o livre mercado, acreditam que os mercados são racionais, se auto-regulam. Outros defendem a participação do estado em momentos de stress exagerado.

A verdade é que para parar um estado de pânico, um órgão superior (no caso governamental) se faz necessário. O problema consiste na impressão deixada por este movimento. Se um mercado tem certeza que vai ser salvo por um fornecedor de empréstimos em último recurso, perde um pouco de sua autoconfiança. Pode ficar com a impressão de que sempre haverá um salvador da pátria e portanto as instituições trabalharão com menos eficiência, ficando mais suscetíveis a eventuais quebras.

Por fim, transcrevo abaixo um texto do presidente da Bolsa de Nova York em 1970, Bernard J. Lasker, onde fica evidente como os eventos financeiros se repetem. Por mais que as economias evoluam, o mundo se globalize e os governos regulem os mercados, as mazelas humanas (euforia e medo) serão sempre as responsáveis pelas incertezas financeiras do futuro.

"Posso sentir que está chegando toda uma nova onda especulativa, com todas as conhecidas etapas, pela ordem - boom das ações blue-chip, em seguida uma mania pelas emissões secundárias, então um jogo no balcão de vendas, outro no mercado secundário de novas emissões, e finalmente o crash inevitável. Não sei quando virá, mas posso sentir que está chegando. E maldição, não sei o que fazer a respeito."

Alguma semelhança com o ciclo vivido pela Bovespa nos últimos 5 anos, não é mera coincidência.

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Uma nova realidade

Publicado em 18.09.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Opinião

caminho A crise já se instaurou. As perdas financeiras monstruosas já são realidade. Agora a procura é pelos culpados.

Sem dúvida neste aspecto a figura do “ex-famoso” presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, aparece em destaque. Na sua administração ele permitiu que a bolha do crédito fosse inflada. Agora, no estouro, o mesmo Fed aparece como defensor dos pobres e oprimidos. Espero apenas que o herói, como nos filmes de ação, saia vencedor.

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Risco sistêmico

Publicado em 17.09.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análises

domino Hoje, pela primeira vez se falou de maneira mais contundente em risco sistêmico.

Risco Sistêmico: risco de que uma instituição financeira não tenha recursos suficientes, deixando de pagar a outra, causando um efeito cascata, “efeito dominó”, levando ao colapso toda a estrutura de bancos e financeiras.

Nem mesmo o resgate da seguradora AIG, encampada pelo Federal Reserve por US$ 85 bilhões e a compra de alguns ativos do concordatário Lehman Brothers pelo britânico Barclays acalmaram os mercados. Teme-se que mais instituições financeiras enfrentem problemas de solvência em razão de perdas com crédito imobiliário.

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Raio X da crise americana

Publicado em 24.01.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análises, Informações, Opinião

 

 

Aproveitando o dia mais tranquilo nos mercados, resolvi exercitar o meu modesto "economês" e tentar fazer um raio x do que eu imagino esteja acontecendo com a economia americana e consequentemente com a mundial. Dividindo em segmentos, faço um apanhado resumido das informações sobre essa crise que promete ser lembrada no futuro, como o estopim da retração da liquidez mundial.

Setor Imobiliário

A origem de tudo. A construção de novas casas, que representa 4% do PIB americano, despencou. A venda de residências novas continua em queda livre. Trazendo consigo os preços, que para muitos analistas, já começam a ficar interessantes em muitas regiões.
Desde 1997 os preços das residências mais que dobraram em termos reais. Em particular, a alta dos preços residenciais fornece aos consumidores a garantia de que precisam para um aumento enorme na tomada de crédito.
Em crises americanas do passado, o mercado imobiliário sempre foi o sintoma de que uma recessão se aproximava, e não a causa. Desta vez, a fonte do problema está no próprio estouro da bolha imobiliária.

Endividamentoraiox2

Em relação à sua renda, os consumidores vêm assumindo mais dívidas há décadas, uma vez que o sistema financeiro[bb] cada vez mais sofisticado dos EUA possibilita acesso ao crédito a mais pessoas. Mas o ritmo do endividamento subiu dramaticamente. A relação da dívida dos domicílios americanos com a renda disponível está agora acima dos 130%. No começo desta década, era de 100%; no começo da década de 90, era de 80%.

Consumo

Estudos sugerem que as mudanças nos preços das residências têm um impacto maior sobre os gastos do consumidor[bb] em países onde os mercados de crédito são mais desenvolvidos, como os EUA. Esses trabalhos concluem que uma queda de US$ 100 na riqueza financeira é tradicionalmente associada a uma queda de US$ 3 a US$ 5 nos gastos. Já uma queda equivalente no patrimônio habitacional acaba reduzindo os gastos em algo entre US$ 4 e US$ 9.
Considerando o tamanho do setor habitacional é possível prever que os gastos do consumidor cairiam quase dois pontos percentuais por ano.

Crédito

Por outro lado os bancos já estão reagindo. Segundo a pesquisa mais recente feita pelo Fed com funcionários de bancos americanos responsáveis por empréstimos, um quarto das instituições elevaram suas exigências para empréstimos ao consumidor. Assim  o americano começa a ter dificuldades de obter recursos emprestados.

Petróleo

Com a perda de liquidez, o americano deve torcer para que o petróleo continue com sua recente tendência de queda. Afinal de contas, qualquer aumento, por menor que seja, na gasolina, tem um forte impacto no poder de consumo da população. Segundo dados do Goldman Sachs, esse número pode chegar a 1,2% aa sobre os gastos do consumidor.

Mercado de Trabalho

Até o momento parece estar resistindo bem a toda a turbulência. A divulgação hoje, do número de pedidos de auxilio-desemprego, ficando abaixo da raioxexpectativa dos analistas,  reforça o fato que as empresas ainda não começaram a dispensar funcionários e a retrair drasticamente a produção.

Exportações

Boa parte da estabilidade do emprego se deve as exportações. As exportações americanas estão aquecidas enquanto o crescimento das importações diminuiu bastante. Isso reduziu o déficit comercial dos EUA e elevou a produção industrial. As exportações não continuarão crescendo às taxas alucinantes dos últimos meses, mas com o dólar dando sinais tímidos de recuperação e com as economias emergentes se mostrando particularmente resistentes, as exportações continuarão sendo um impulso importante.

Recessão

Juntando todo o exposto acima, teremos (ou já temos) uma recessão ? Difícil de dizer. O ponto em questão é que mesmo que a economia evite tecnicamente uma recessão, a maioria dos americanos terá a impressão que estar em meio a ela - uma vez que a queda virá do consumo. E isso representa uma mudança profunda. Os americanos não estão acostumados a terem que reduzir os gastos. Mesmo nas recessões anteriores, políticas de corte nos impostos, juros baixos e preço alto das residências, permitiram a população continuar gastando.
Agora as mesmas medidas vem sendo adotadas. Bush entrou em ação com um mega pacote tributário… Bernanke surpreende cortando os juros, em uma reunião extraordinária. Se serão suficientes esses eventos, em breve saberemos.
Uma coisa porém parece certa. Neste ano eleitoral, com recessão ou sem, os EUA têm uma estrada traiçoeira pela frente.

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