As Olimpíadas e a bolsa
Publicado em 19.08.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análises
Enquanto os atletas chineses vem apresentando números impressionantes nas Olimpíadas, desbancando os tradicionais campeões americanos das últimas edições dos jogos, no mercado financeiro, a bolsa de Shangai, amarga uma desvalorização impressionante de quase 65% nos últimos 10 meses, desde o seu último topo (6124 pontos).
Alguns fatores podem ser apontados como os responsáveis pelo pessimismo: a desvalorização das commodities, a subida do dólar e principalmente o fantasma da inflação chinesa.
Nos últimos anos as bolsas dos países emergentes subiram praticamente juntas. E agora parecem fazer o caminho inverso, da mesma forma.
A verdade é que apesar da recente queda do Ibov, o mercado brasileiro ainda se mostra menos penalizado do que os demais mercados.
Segundo estatísticas as quedas do Ibovespa corroem, em média, 60% (muito próximo da principal retração de Fibonacci, 61,8%) do movimento de alta. Além disso, o índice cai duas vezes mais rápido do que quando se valoriza - quer dizer, sobe de escada e desce de elevador. Se estes dois fatores se repetirem, sobre o último movimento de valorização de 67 meses (entre outubro de 2002 e maio último), é possível dizer que o Ibovespa cairá para os 34 mil pontos pelos próximos 30 meses, ou seja, até o fim de 2010.
Para este cenário sombrio acontecer as commodities precisariam perder valor na mesma proporção (ou muito próximo disso) do Ibov. O que, até o momento, me parece muito improvável. Para explicar o porquê desta minha opinião volto a citar a China e as recentes estatísticas e estudos apresentados no Financial Times, por Martin Wolf, respeitadíssimo editor chefe de economia do jornal.
Há pouco menos de 200 anos, em 1820, a China produzia aproximadamente um terço da produção mundial e a Índia, 16%. Os quatro grandes países europeus respondiam por 17% e os EUA, por menos de 2%. Em 1950, a fatia dos EUA havia aumentado para 27%, o da China havia caído para 5% e o da Índia, para 4%. Os quatro grandes europeus reivindicaram 19%.
Vejamos agora as projeções, em termos de paridade de poder de compra, para 2015. A produção da China, a 20%, se nivelará à dos EUA. Esses números podem se revelar inexatos, mas a direção é clara. Segundo alguns cálculos, a China ultrapassará facilmente os EUA antes de 2015.
Portanto senhores, a atual supremacia olímpica chinesa, pode representar o primeiro passo rumo a nova ordem econômica mundial. Pensando desta forma, a forte dependência das nossas empresas pela demanda asiática deixa o cenário futuro menos nebuloso para o Ibov..








