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Recentemente a Business Week, trouxe uma matéria onde apresentava algumas previsões feitas em 2008 que acabaram sendo uma tremenda furada.
São analistas, economistas e presidentes que fizeram uma leitura errada do cenário que se configurava.
A pergunta é: Se eles não diagnosticaram a doença, conseguirão descobrir a cura?
Abaixo, transcrevo as dez previsões “furadas” relatadas na revista americana:
1) “Um rali muito poderoso e estável está a caminho. Mas poderá ser preciso mais uns dois dias para ele começar. Se preparem e tenham fé!” – Richard Band, editor da “Profitable Investing Letter”, 27 de março de 2008.
Na data da previsão, o índice Dow Jones Industrial estava nos 12.300 pontos. No fim de dezembro ele estava em 8.500 pontos.
2) A AIG “poderá ter ganhos enormes no segundo trimestre.” – Bijan Moazami, analista da Friedman, Billings, Ramsey, 9 de maio de 2008.
A AIG acabou perdendo US$ 5 bilhões naquele trimestre e US$ 25 bilhões no trimestre seguinte. Ela teve seu controle assumido em setembro pelo governo americano, que vai gastar ou emprestar US$ 150 bilhões para manter a companhia operando.
3) “Eu acho que a Freddie Mac e a Fannie Mae estão fundamentalmente sólidas. Elas não correm o risco de afundar… Acho que elas estarão bem no futuro.” – Barney Frank (representante do partido Democrata por Massachusetts), presidente do comitê de serviços financeiros da Câmara dos Representantes, 14 de julho de 2008.
Dois meses depois, o governo interveio nas gigantes hipotecárias e prometeu investir até US$ 100 bilhões em cada uma.
4) “O mercado está em processo de autocorreção.” – presidente George W. Bush, em um pronunciamento feito em 14 de maio de 2008.
No resto do ano o mercado continuou se corrigindo… e corrigindo… e corrigindo.
5) “Não! Não! Não! O Bear Stearns não está com problemas.” – Jim Cramer, comentarista da rede CNBC em 11 de março de 2008.
Cinco dias depois, o JP Morgan Chase assumiu o controle do Bear Stearns com ajuda do governo, quase que exterminando os acionistas da instituição.
6) “Vendas de moradias já existentes tendem a crescer em 2008.” – Manchete de um “press release” da Associação Nacional dos Corretores de Imóveis em 9 de dezembro de 2007.
Em 23 de dezembro de 2008 o grupo disse que as vendas de novembro estavam em uma taxa anualizada de 4,5 milhões de unidades – queda de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior – , na pior retração registrada pelo setor imobiliário desde a Grande Depressão.
7) “Eu acho que o preço do petróleo estará em US$ 150 no fim do ano.” – T. Boone Pickens, 20 de junho de 2008.
O barril de petróleo custava na ocasião US$ 135. Hoje está baixo dos US$ 40.
8 ) “Eu acredito que haverá algumas falências… Não antecipo nenhum problema sério do tipo entre os grandes bancos ativos internacionalmente e que representam uma parte bastante substancial de nosso sistema bancário.” – Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed), em 28 de fevereiro de 2008.
Em setembro, a Washington Mutual tornou-se a maior instituição financeira a falir na história dos EUA. O Citigroup precisou de socorro ainda maior em novembro.
9) “No ambiente regulador de hoje, é praticamente impossível violar as regras.” – Bernard Madoff, gerente de investimentos, 20 de outubro de 2007.
Cerca de um ano depois, Madoff – ex-presidente do mercado de ações da Nasdaq – disse a investigadores que havia fraudado seus investidores em US$ 50 bilhões.
10) “A Bound Man: Why We Are Excited About Obama and Why He Can’t Win” (algo como “Um Homem Coagido: Por que Estamos Tão Animados com Obama e Por que Ele Não Conseguirá Vencer” – título de um livro do escritor e comentarista conservador Shelby Steele, publicado em 4 de dezembro de 2007.
Senhor Steele, gostaria de ser apresentado ao presidente eleito?
Com este artigo, não quero desmerecer a necessidade de se tentar prever o futuro. Fazer previsões é inevitável. Não apenas na economia, mas em qualquer campo da vida humana. Não podemos traçar um planejamento se não criarmos em nossas mentes uma idéia de cenário futuro.
O importante é lembrarmos que estas previsões possuem um alcance limitado e que acidentes de trajeto sempre ocorrerão nos obrigando a adequar nossas expectativas.
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