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EUA:Brasil aparece em 5º em posição de Treasury

Publicado em 16.03.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Informações, Opinião

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Muito interessante esta notícia divulgada agora a pouco.

O Brasil aumentou sua posição em títulos do Tesouro dos EUA em janeiro e assumiu a quinta posição no ranking, ultrapassando o Reino Unido, com US$ 133,5 bilhões desses títulos. Se pensarmos que o Brasil possui reservas na ordem de US$ 200 bilhões, os títulos do tesouro americano representam 67% da carteira. Podemos afirmar que a teoria da diversificação não agrada muito ao Banco Central brasileiro. ;)

Olhando para os primeiros dez colocados, encontraremos diversos países emergentes. Parece que cada vez mais, estamos diante de uma nova ordem mundial.

Outro ponto, que chama atenção é o volume enorme de recursos chineses nos títulos americanos. São mais de 700 bilhões de dólares. Não é a toa que a saúde econômica da terra do Tio Sam interessa tanto para os orientais.

Veja a tabela completa da participação de cada país nos treasuries, clicando aqui .

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Variações acumuladas

Publicado em 13.03.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Colaboradores, Informações, Opinião

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percentagem A bolsa de valores subiu 0,12% num dia, 0,24% no seguinte e 0,35% no terceiro; qual foi a taxa acumulada nesse período? E se a bolsa tivesse caído 0,1% no segundo dia?

A divisão de uma percentagem por 100 resulta em um fator decimal (também chamado de fator unitário). Se a percentagem em questão for inferior a 100%, o fator será menor do que 1. Se a percentagem for maior do que 100%, o fator será superior a 1. Quanto são 10% de 172? Transforme a percentagem em fator decimal (10 ÷ 100 = 0,10) e multiplique-a pelo valor de referência (no caso, 172). O resultado é 17,2 (172 x 0,10).

Se o Ibovespa estava em 37.000 pontos e subiu 1% ao fim do pregão, para quanto ele foi? O fator decimal, você já sabe, será 0,01 (1 ÷ 100). Se você multiplicá-lo pelo valor de referência (37.000), chegará à variação ocorrida naquele pregão: 370 pontos (0,01 x 37.000). Ora, se o índice estava em 37.000 e ganhou 370 pontos, então obviamente fechou o dia em 37.370.

Dado que um número dividido por ele mesmo é sempre igual a 1, teria sido mais prático transformar o fator decimal em fator de multiplicação, somando-o a 1, e multiplicar esse novo fator pelo valor de referência, chegando-se diretamente ao resultado e eliminando a adição intermediária. Testando: 37.000 x 1,01 = 37.370.

Agora imagine que o Ibovespa tenha se valorizado em 6% no 1º semestre e que um analista diga “No semestre que vem, a bolsa subirá 5% mais do que subiu neste”. Ele pode estar dizendo que a valorização no 2º semestre será de 11% (6 + 5), em cujo caso ambas as percentagens são valores absolutos, ou de 11,13% (6 × 1,05), em cujo caso a primeira percentagem é um valor absoluto e a segunda, um valor relativo.

Quando se opera com percentagens, é fundamental deixar claro se a percentagem em questão é um valor absoluto ou relativo, para evitar dubiedade como a que está implícita na afirmação desse analista imaginário. A melhor maneira de fugir do problema é falar em “pontos percentuais” quando a percentagem for um valor absoluto.

Na primeira situação, o analista diria que o aumento do semestre que vem será 5 pontos percentuais maior do que o deste e na segunda hipótese ele diria, aí sim, que o próximo incremento será 5% maior. Para não criar esse tipo de confusão, falaremos aqui em adição e subtração de percentagens como valores absolutos (usando sempre a expressão “pontos percentuais”) e de acumulação e extração de percentagens como valores relativos.

A adição e a subtração de percentagens não têm mistério algum, pois se trata de operações triviais com números que, por acaso, são percentagens. Como se viu, um aumento de 5 pontos percentuais acima de 6% será de 11%. Um aumento de 5 pontos percentuais a menos será de 1% (6 – 5).

A acumulação de percentagens se faz pela multiplicação dos fatores de multiplicação. É mais simples do que parece. Recordando: o Ibovespa subiu 0,12%, 0,24% e 0,35% em três dias; qual foi a taxa acumulada no período? Comecemos com os fatores:

0,12 ¸ 100 = 0,0012 + 1 = 1,0012

0,24 ¸ 100 = 0,0024 + 1 = 1,0024

0,35 ¸ 100 = 0,0035 + 1 = 1,0035

Agora basta multiplicá-los um pelo outro (lembrando que a ordem dos fatores não altera o produto, ou seja, a multiplicação pode se dar em qualquer seqüência):

1,0012 × 1,0024 × 1,0035 = 1,007115

Então o Ibovespa subiu 1,007115%? Não, o resultando da multiplicação de fatores de multiplicação é outro fator de multiplicação. Para convertê-lo em percentagem, faça o caminho inverso ao da transformação de um fator decimal em um fator de multiplicação: subtraia 1 e multiplique o resultado por 100, assim:

1,007115 – 1 = 0,007115 × 100 = 0,7115%

E se a bolsa tivesse caído 0,1% no segundo dia? A lógica não mudaria, apenas, nesse caso, um dos fatores de multiplicação seria inferior a 1 (-0,1 ¸ 100 = -0,001 + 1 = 0,999), o que daria:

1,0012 × 0,999 × 1,0035 = 1,0037 – 1 = 0,0037 × 100 = 0,37%

Bom, sabendo que em 3 dias a bolsa subiu 0,7115% e que, em um desses dias, a alta foi de 0,24%, calcule de quanto foi a alta acumulada nos dois dia restantes. Trata-se agora da extração de uma percentagem de outra, o que se faz pela divisão dos fatores de multiplicação.

1,007115 / 1,0024 = 1,004704

Para concluir, transforme o fator de multiplicação apurado em percentagem, da forma já conhecida:

1,004704 – 1 = 0,004704 x 100 = 0,4704%

Como sabemos a variação dia a dia, podemos confirmar esse resultado acumulando as altas de cada um daqueles dois dias:

1,0012 × 1,0035 = 1,004704 – 1 = 0,004704 x 100 = 0,4704%

Cuidado! Como a extração é uma divisão, dividir um fator por outro ou “outro por um” faz diferença. O numerador da fração (a parcela que será dividida) deve ser o valor que contém o outro, isto é, aquele do qual o outro será extraído. O divisor da fração (a parcela que dividirá a outra) deve ser o valor que será extraído.

Resumindo:

Fator decimal: percentagem / 100

Fator de multiplicação: fator decimal + 1

Acumulação de percentagens [1]:

{(fator de multiplicação 1 x fator de multiplicação 2) – 1} x 100

Extração de percentagens:

formula

________________________________
[1] Os parênteses e as chaves mostram a hierarquia entre as várias operações que uma fórmula contém. O que está entre parênteses ocorre antes do que está entre chaves, que ocorre antes do que está fora das chaves.

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Artigo escrito por Andrei Winograd – Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pós-graduado em Finanças pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ) e em Mercados Futuros e de Capitais pela Universidade Cândido Mendes. Atua como executivo e consultor, possuindo vasta experiência na avaliação econômico-financeira de empresas e projetos. Autor dos livros “Alfabetização Financeira”, lançado no dia 09/03 pela Editora Novatec, e “(F)Utilidades – Mistérios do dia-a-dia explicados”, publicado em 2006 pela Matrix Editora.

(alfabetizacao.financeira@sefer.net)

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Bancos americanos voltam a respirar

Publicado em 12.03.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Informações, Opinião

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Essa semana vem sendo marcada pela retomada das principais instituições financeiras americanas. Depois do Citigroup, ter noticiado resultados mais promissores nos dois primeiros meses do ano, ontem foi a vez do JP Morgan, através do seu presidente, dizer que a companhia teve lucro em Janeiro e Fevereiro.

Por sua vez, o presidente do Bank of America, Kenneth Lewis, vem se esforçando para mostrar ao mercado que a sua instituição não é o Citigroup. Ou seja, segundo o executivo, o BofA não precisa de mais dinheiro do governo (enquanto sugere que o Citi provavelmente precisará) e afirma que as tarifas bancárias pagas por seus 59 milhões de correntistas lhe permitirão vencer a crise.

Estas notícias influenciaram diretamente as ações das três instituições. Nos gráficos semanais abaixo, podemos notar a forte valorização. Na semana, Citigroup +57,28%, JP Morgan +44,26% e Bank of America +87,58%.*

citi

jpm

bofa

Citigroup

JP Morgan

Bank of America

* Cotações até às 16:45hs de hoje.

O interessante deste comportamento recente das ações dos bancos americanos, é o fato de que ainda não existe (ou não foi divulgada) uma solução definitiva para os ativos podres destas instituições.

De concreto, sabemos, que a idéia da estatização (entende-se aqui, controle acionário), parece descartada. A idéia deve portanto recair no plano de se criar um “banco agregador” que se encarregaria de remover os títulos tóxicos dos balanços dos bancos. Aliás esse parece o caminho do Citigroup, já que recentemente, o Departamento do Tesouro dos EUA, ampliou sua fatia para 36% no capital votante da empresa.

Essa demora ou falta de informação porém tem um aspecto positivo. Parece que a nova administração do governo Obama vai evitar os erros da administração anterior, não anunciando um programa antes que ele esteja bem elaborado.

O foco neste momento é reanimar os bancos do “profundo coma” em que se encontram. Só assim a confiança dos investidores voltará e eles poderão migrar novamente dos bônus do tesouro americano para a bolsa.

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Resultados 2008: Ambev

Publicado em 10.03.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) AMBV4, Análises, Estratégias, Opinião

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ambevlogDesde o ano passado a AB-Inbev, através da compra da americana Anheuser-Busch, se tornou a maior cervejaria do planeta. Uma tacada ousada , bem ao estilo do presidente executivo da multinacional, o brasileiro Carlos Brito.

Carlos Brito foi um dos executivos preferidos do mítico empresário Jorge Paulo Lemann, que juntamente com Beto Sicupira e Marcel Telles, criaram o modelo eficiente de negócios da GP Investimentos.

E é exatamente essa experiência em uma gestão enxuta que Carlos Brito precisará usar agora na AB-Inbev. Afinal de contas, a empresa assumiu uma dívida de US$54 bilhões ao comprar a cervejaria americana. Onde, quase a metade deste montante, vence agora em 2009. (veja calendário de pagamentos, abaixo)

ambev

A AB-Inbev, já conseguiu levantar cerca de US$4 bilhões com a emissão de bônus e a venda de participação de 20% na cervejaria chinesa Tsingtao à japonesa Asahi. O mercado porém, especula que novas vendas devem ocorrer. Os ativos mais prováveis para uma negociação seriam a cervejaria sul-coreana Oriental ou a cervejaria na Alemanha, que inclui a marca Beck’s. Além disso,os parques temáticos de diversões, SeaWorld, Bush Garden’s e Aquatica, parecem também fora dos planos da companhia de Carlos Brito.

Aqui no Brasil, os resultados da Ambev, mostraram (novamente) um recuo de 0,3% em participação de mercado no ano passado. Ainda assim, com mais de dois terços das vendas totais (67,5%), a companhia permanece muito distante da segunda colocada, a Schincariol, dona de 12,5%.

O lucro líquido subiu 8,6%, para R$ 3,06 bilhões no mesmo período. Considerando apenas o quatro trimestre, no entanto, o lucro líquido da companhia caiu 14,8% para R$ 964,4 milhões.

A Ambev justifica esse recuo especialmente pela adoção das novas práticas contábeis, impostas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que começam a impactar os balanços de 2008 das companhias abertas. Além disso, a empresa afirmou na conferência após a divulgação dos resultados, que o carnaval antecipado do ano passado, a lei seca e as chuvas no último trimestre, também prejudicaram o consumo de cerveja.

A empresa não parece muito preocupada com a perda do market share. No conference call, o gerente de RI, deixou claro que o foco da companhia é aumentar as margens da empresa, independente do volume consumido.

Nas outras unidades da empresa pelo mundo, destaque para a Quinsa, na Argentina. Aumento na receita líquida(+27,8%), no volume de vendas(+10,4%) e no ebitda (+34,4%).

A companhia trocará o euro pelo dólar como moeda de contabilidade do balanço, porque a maior parte de seu fluxo de caixa agora é na divisa americana.

Concluindo, em linhas gerais, o grande desafio da AB-Inbev é honrar a dívida contraída. E parece que a empresa está disposta a “cortar na própria carne” para alcançar este objetivo. Esta semana a AB-InBev anunciou que não haverá bônus neste ano para seu CEO, Carlos Brito, e principais executivos, porque não cumpriram as metas financeiras traçadas para 2008. Uma postura extremamete profissional e coerente que acaba reforçando a confiança do investidor no staff da companhia.

Gráfico Diário

AMBV4 AMBV4 – Após alcançar a mínima em Outubro do ano passado nos 75,67 reais, a AMBV4 apresentou uma boa recuperação e hoje trabalha próxima dos 100 reais. Olhando para o gráfico diário podemos notar que o recente fundo por volta dos R$90,00, representa uma zona de suporte importante. Neste patamar além de um suporte horizontal, se encontra a retração de 61,8% de Fibonacci da última perna de alta (dos 75,00 até os 113,00 reais). A retomada dos preços podem sinalizar a formação de um OCOI. Para isso o papel precisa romper a resistência nos 115,00 reais (neck line). Neste caso, os objetivos ficariam nos 128,00 e posteriormente nos 137,00 reais.
Enquanto não tivermos a confirmação da figura (OCOI), a AMBV4 se encontra dentro de uma longa zona de congestão, tendo como suportes  R$90,00, R$82,00 e R$75,00.

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Ensaios sobre a cegueira

Publicado em 09.03.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Colaboradores, Estratégias, Opinião

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cegueiraQuero começar pedindo licença a Saramago por utilizar não apenas o título de uma de suas obras, mas acima de tudo utilizar seu pensamento.

A cegueira por nós conhecida é algo físico, porém no livro de Saramago, bem como no filme fica claro que em muitos momentos agimos como cegos, uma cegueira que é do intelecto, algo que não apenas não vemos, não compreendemos, mas acima de tudo significa que não estamos prontos para a realidade iminente.

Conheço muita gente neste mercado, de traders profissionais até curiosos pelo mesmo, mantenho contato com todos, busco aprender e ensinar e de todo o amplo universo de mentes que operam neste mercado vejo uma profunda e negra nuvem que escurece os olhos e aflora os mais desesperados sentimentos.

Vejo a linearidade com que estratégias são desmanchadas e objetivos são esquecidos. E tudo isso ocorre porque os investidores são incapazes de agir com calma, buscar conhecimento e reflexão, buscar um feixe de luz no escuro.

O mercado não é algo tão simples como todo mundo tende a transformá-lo, porém fazemos parte dele querendo ou não, investindo ou não. Podemos fazer parte dele uma vez que como consumidores estamos à mercê de seus preços, mesmo sem investir em petróleo, café ou ouro, todos andamos de carro, tomamos café e usamos alianças ou outros objetos de ouro. Todos estes produtores tiveram seus preços determinados neste grande e global mercado do qual vivemos. É cego aquele que supõe não fazer parte do mercado simplesmente porque não é um investidor.

Mas e nós investidores, seríamos grandes sábios que vivem apenas na luz? Não vejo dessa forma, apesar de observar que muitos pensam assim. Na bolsa como em qualquer outro investimento é necessário saber três coisas: o que queremos extrair dele, como extrair e o quanto extrair.

Esses três fatores, ainda que não pareça, servem para qualquer investidor, qualquer perfil. Um especulador sabe muito bem essas três coisas, o objetivo é claro, a forma de se atingir ele idem e o quanto você quer retirar é tão fundamental que antecede toda a operação. Na realidade o quanto queremos extrair do mercado é o fator que todo ser humano pensa em primeiro lugar.

O investidor mais conservador, e sinceramente o que mais me preocupo neste momento, também leva ou deveria levar em conta estes três pontos. Para muitos deles o que eles querem extrair é uma aposentadoria, querem fazer isso correndo o menor risco possível e o quanto desejam extrair do mercado depende do estilo de vida que querem ter no futuro.

A cegueira começa a partir do momento que qualquer uma dessas variáveis apresente-se de forma distorcida. A maior parte não está pronta para o caos, não está pronta para o movimento que todo esse mercado global é capaz de proporcionar.

É incrível ver que tanta gente se desespere quando a bolsa varia pra baixo, investimos em renda variável, ela vai variar, é fundamental que varie, pois apenas assim podemos obter lucro. A mais de um século os mercados são assim… Problemas aparecem, resolvem-se e o mercado continua. Morrem empresas que precisam morrer, continua o que consegue continuar… Nascem novas empresas que irão produzir o futuro necessário.

Conheço muitos investidores que dizem assim: invisto em Vale porque é uma grande empresa e jamais vai quebrar, vou investir nela até me aposentar e irei me aposentar milionário. É estranho então observar que em menos de 2 ou 3 meses de crise todos tenham vendido, o mundo acabou, a Vale quebrou, quero me aposentar pobre.

A Vale está no mundo há mais tempo que grande parte de seus investidores, bem como a Petrobras. O que diríamos então de empresas como GE e Johnson&Johnson nos EUA, passaram por duas guerras mundiais e todas outras que os Estados Unidos conseguiu fazer, passaram por crises, depressões, má administração… E estão vivas há mais tempo que qualquer ser humano deste planeta.

Se você não agüenta uma oscilação de 10, 20, 30% e prefere sair do mercado e voltar quando tudo estiver mais calmo, você não é um investidor de LP, você é um investidor de MP. Ajam dentro daquilo que realmente são, busquem o auto-conhecimento, conversem em família, conversem com assessores e sigam em frente. Não sejam cegos em um tiroteio. É fundamental saber quem você é, só assim você saberá até onde pode ir, a pior coisa que você pode fazer é descobrir isso no meio da batalha, ou pior achar que tudo o que você idealizou estava errado. O mercado vai testá-los constantemente, estejam prontos para ele.

Em momentos de crise como esse, quando a visão fica completamente escura, é hora de aguçar os ouvidos, o tato, sentir o aroma do ar e tomar decisões coerentes. Sejam inteligentes e acendam uma vela, produzam sua própria luz. Jamais se desesperem, a única coisa que você não vai conseguir fazer quando estiver cego é enxergar.

Artigo escrito por Rafael Valim.

Rafael Valim, geógrafo e trader, opera no mercado financeiro e colabora eventualmente com o CHR Investor.

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Carteira de acumulação

Publicado em 03.03.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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A grande maioria dos leitores do blog não são profissionais do mercado. São investidores pessoa física, que procuram alguma orientação sobre como alocar os recursos de forma racional no mercado de renda variável.

Por não trabalharem diretamente na bolsa, não dispõem do tempo necessário para aproveitarem as oscilações de curto prazo. Precisam de uma abordagem de longo prazo. Precisam pensar em uma carteira de acumulação.

Já tratei deste assunto várias vezes por aqui. Muitas vezes, nas minhas consultorias, sou até chato e insistente.  Mas não me canso de repetir. Não posso me isentar de passar para o meu interlocutor, que o trading e a especulação são ótimos meios de remunerar o capital, mas exigem uma dedicação full time por parte do trader/investidor.

Para o investidor pessoa física o mais correto é pensar no longo prazo, acumulando ações.

E a história do mercado está a nosso favor neste aspecto. Abaixo eu trago o gráfico mensal dos últimos 17 anos do Ibovespa.

IBOV

tabela

A compra de ações após grandes quedas (como as assinaladas em rosa no gráfico)  e sua manutenção por períodos de três a cinco anos, gera retornos bastante elevados. Sei que é difícil acertar com precisão quando será o fundo do poço em um bear market, por isso resolvi considerar uma perda de 35% como um patamar hipotético de compra. Caso tivéssemos comprado a carteira do Índice Bovespa todas as vezes que ela chegasse a 35% de queda, na média, teríamos um retorno de 99% em três anos (33% ao ano em média) e 272% em cinco anos (54% ao ano em média).

Analisando os períodos de forma individualizada, a queda ocorrida em 1997 e a respectiva compra nos 35% teriam apresentado uma performance quase nula no período de 5 anos. Isso provavelmente devido a insegurança em 2002 quanto a eleição do presidente Lula.

Apesar desta exceção, na média, a conclusão é que o retorno do investimento em bolsa em momentos de crise tem alta probabilidade de ser elevado no longo prazo. Dessa forma, é recomendado que o investidor pessoa física considere a realocação ou o aumento da sua exposição em ações hoje ou em algum momento nos próximos meses. O ideal seria aplicar o capital de forma disciplinada ao longo de um período, como, por exemplo, 12 ou 24 meses. Nesse caso, o dinheiro seria dividido em 12 ou 24 parcelas e investido em ações em uma determinada data de cada mês. Dessa forma, o investidor poderia fazer preço médio ao longo de um período de alta incerteza para o mercado acionário.

Sei que tratar deste assunto, no momento em que o mercado brasileiro volta a apresentar sinais de fraqueza, não é fácil. Mas, apesar do sofrimento coletivo e da alta incerteza no curto prazo, se você ainda não pensou em uma carteira de acumulação, deveria começar a pensar. A história nos mostra que o investimento em ações “baratas” gera retornos elevados e consistentes ao longo do tempo. É aconselhável que aproveitemos tais momentos, pois não são muito freqüentes e, possivelmente, acontecerão cada vez menos.

Nota: Graças ao email do leitor Helder Fernandes, gostaria de acrescentar que os números de rentabilidade apresentados foram calculados usando a média simples. Considerando o ganho acumulado o resultado seria  de uma rentabilidade média em três anos de 25,78% aa e de 30,05% aa para os cinco anos.

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Resultados 2008: Vale

Publicado em 26.02.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análises, Informações, Opinião, VALE5

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logo-vale Apesar do forte abalo provocado pela crise americana nas cotações das commodities, os números da mineradora brasileira apresentados recentemente demonstram ainda a solidez financeira da companhia.

Com uma receita operacional bruta de R$ 17,9 bilhões no quarto trimestre, ante R$ 15,5 bilhões no mesmo trimestre de 2007, o lucro líquido ficou em R$ 10,4 bilhões. Embora, a margem operacional sem os efeitos de amortização e depreciação do quarto trimestre tenha caído  para 37%, ante 41% no mesmo período de 2007.

Se considerarmos o ano de 2008 o setor produtivo da Vale fez bonito. Registrou as maiores vendas na história em nove produtos: minério de ferro (253,6 milhões de toneladas métricas, pelotas (41,6 milhões de toneladas métricas), níquel (276.000 toneladas métricas), cobre (320.000 toneladas métricas), alumina (4,2 milhões de toneladas métricas), cobalto (3.100 toneladas métricas), metais preciosos (2,4 milhões de onças troy), metais do grupo da platina (410.000 onças troy) e carvão (4,1 milhões de toneladas métricas).

Mas nem tudo foram boas notícias… Olhando para o balanço anual, os resultados da Vale foram influenciados pelo ajuste por conta da nova lei contábil, em vigor desde 2008, que obriga a avaliação regular dos ativos das companhias. Desta forma, a Vale reduziu em R$ 2,4 bilhões o valor de sua subsidiária canadense Inco, adquirida em 2006, por US$ 18 bilhões.

Esse impacto é reflexo da adoção de uma das regras da nova lei contábil brasileira, o chamado teste de “impairment”, ou “valor recuperável” dos ativos. Na prática, isso nada mais é do que a companhia provar que ela consegue transformar o valor de seus ativos em lucro, seja com pela operação ou pela venda do negócio. A partir do balanço anual de 2008, as empresas são obrigadas a fazer testes e estudos para verificar a eficiência de seus registros.

Este ajuste teve impacto direto no  lucro líquido de 2008 que foi de R$ 21,2 bilhões (R$ 20 bilhões em 2007) com um lucro líquido por ação de R$ 4,08 ante R$ 4,14 em 2007.

quadro-vale

Apesar de uma boa gama de produtos, o minério de ferro continua sendo o carro chefe da companhia. No quadro ao lado, podemos notar como ele compreende 42,8% da receita bruta da companhia.

A Vale já a algum tempo vem demonstrando interesse na diversificação, adquirindo ativos que produzem outras commodities. Assim como ocorreu recentemente com as minas de potássio da Rio Tinto.

Mas diante do cenário global atual é importante muito cuidado com novas aquisições. Vale lembrar que no ano passado a mineradora brasileira quase fechou a compra da Xstrata por US$90 bilhões. Hoje esta mesma empresa está com suas ações  sendo negociadas por apenas 10% deste valor. Caso se realizasse e levando em consideração a nova lei do “impairment”, esta aquisição representaria um estrago imenso no caixa contábil da Vale.

Importante: O reajuste do minério de ferro para a China deve ocorrer até Abril. A negociação está entre queda de 10%, oferecido pelas mineradoras, e a queda de 40%, pedido pelas siderúrgicas. A Vale, ao contrário dos outros anos, disse que não vai liderar essas negociações e que dificilmente serão os primeiros a anunciar o preço fechado. A pressão da Vale será de que o diferencial de frete conseguido pelas australianas no ano passado seja devolvido para a mineradora brasileira, já que a diferença do frete caiu muito. A expectativa do mercado é de que o contrato seja fechado com uma queda de 20% nos preços do minério.

Gráfico Diário

VALE5 VALE5 perdeu o canal de alta, formado desde o fundo vindo de Dezembro/2008. A correção ocorreu com a formação de um pivot de baixa (em rosa) e a configuração de dois gaps. Hoje tivemos o fechamento do primeiro gap, por volta dos 27,30. Para fechar o segundo gap, o papel precisaria alcançar os 28,70, patamar onde se encontra a retração de 61,8% de um possível novo pivot de baixa (em azul claro). O objetivo deste segundo pivot ficaria próximo do suporte horizontal nos 25,20.

Uma retomada da tendência de alta de curto prazo, apenas voltando para dentro do canal e rompendo o topo anterior por volta dos 33,00 reais.

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Recompra de Ações

Publicado em 19.02.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Destaques, Estratégias, Opinião

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recompra Atualmente mais de 50 empresas listadas na bolsa de valores de São Paulo aderiram à programas de recompra de ações. O principal objetivo destas empresas é sinalizar ao mercado confiança no próprio negócio e indicar que os papéis estão abaixo do valor justo. Essa pelo menos é a alegação mais comum.

Na verdade muitas vezes, operações de recompra ocorrem apenas por alguns dias visando possibilitar a saída de grandes investidores. Empresas com baixa líquidez precisam acionar estes programas para evitar uma queda abrupta dos preços caso algum acionista de peso resolva se desfazer dos papéis.

No Brasil, as empresas podem comprar até 10% da parcela de seu capital negociado em bolsa, pelo prazo máximo de um ano, e guardar essas ações em tesouraria ou cancelá-las. Quando os papéis são cancelados os acionistas assumem um ganho de imediato, já que os lucros por ação aumentam e consequentemente o potencial de retorno dos dividendos também.

Teoricamente portanto, as recompras de ações representam uma ação tranquilizadora para os investidores e ajudam a elevar os preços das ações no curto prazo.

Uma questão porém precisa ser abordada. Será que o atual cenário global é o ideal para usar o caixa da empresa comprando ações ?

Sem dúvida, essa é uma pergunta que depende muito da saúde financeira de cada empresa. Mas pelo boom de recompras visto atualmente, eu desconfio que muitas empresas estão exagerando. Prova disso, são os derivativos vinculados ao desempenho das ações oferecidos por alguns bancos.

Como se já não bastasse todo o estrago provocado pelos derivativos cambiais, a idéia agora é aproveitar a onda de recompras de ações e oferecer às empresas para que façam seus programas sem usar um centavo sequer. Ou seja, a empresa não mexeria no próprio caixa e usaria o dinheiro emprestado pelo banco. Essa idéia é comparável a um investidor pessoa física entrar no cheque especial para aplicar na bolsa !

Portanto, apesar de em linhas gerais os programas de recompra de ações serem interessantes e mostrarem comprometimento da companhia é importante o investidor estar atento a maneira como os recursos necessários para a operação estão sendo levantados e posteriormente aplicados.

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O acaso do mercado

Publicado em 10.02.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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dados

As últimas semanas na bolsa paulista foram marcadas por uma grande arrancada dos principais ativos do índice. A VALE5, por exemplo, alcançou a incrível marca de 33% de valorização em menos de 40 dias. Diante desta valorização, todo investidor, analista e/ou economista busca, através das mais diversas ferramentas,  uma justificativa plausível para esse movimento.

Os players estão sempre procurando no mercado uma causa para tudo o que acontece. Em dias de forte valorização, a justificativa mais comum é a de que tudo já foi colocado no preço (precificado) e as ações estavam baratas demais. Em dias de realização de lucro, após fortes altas, não raro se explica o fato devido a indícios de recessão, como se ela fosse novidade e já não estivesse no preço dos ativos. Na verdade, o mercado, muitas vezes, tem razões que nem sempre se conhecem.

Desta forma, não se deve ter a expectativa de que os profissionais de finanças sejam sempre capazes de prever acertadamente os acontecimentos nos mercados a partir de seus conhecimentos teóricos e experiência pessoal. Muitas vezes a evolução de um índice de ações pode ser similar a uma seqüência de números aleatórios com determinado viés (“random walk“).

Nesse momento alguns defensores do investimento em valor diriam que essas oscilações momentâneas e aleatórias serão ajustadas com o tempo e os números contábeis da empresa voltarão ao normal. Os grafistas afirmariam que o patamar de preços reflete pontos de suporte/resistências intransponíveis e que em breve os graficos descontarão tudo.

A postura que se requer para dar conta do mercado tal como ele se expressa hoje em dia, não invalida as contribuições fundamentalistas e técnicas, mas indica um passo adiante para lidar com estes instrumentos. É preciso reconhecer que fatores imprevistos e desconhecidos podem influenciar as cotações das ações.

Assim, independentemente da formação acadêmica ou da vivência profissional, ao fazermos previsões temos de ter a humildade para conceber a possibilidade de discrepâncias e ao mesmo tempo a sabedoria para lidar com a incerteza.

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Resultados 2008: Bradesco

Publicado em 03.02.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análises, BBDC4, Informações, Opinião

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image Ontem, o Bradesco iniciou a safra de balanços brasileiros com os números do ano de 2008. Nos próximos dois meses, a maioria das principais empresas negociadas na bolsa paulista vão apresentar os resultados do ano passado.

Como já era esperado, o banco apresentou um lucro menor se comparado ao ano de 2007. O Bradesco teve lucro líquido de R$ 1,605 bilhão no quarto trimestre, acumulando R$ 7,62 bilhões no ano. O resultado do quarto trimestre é 27% inferior ao de igual período de 2007 e 16% menor do que o do terceiro trimestre de 2008. No ano, a queda foi de 4,9% em comparação com R$ 8,01 bilhões de 2007.

Mas o banco prefere trabalhar com os números do lucro líquido recorrente, que exclui fatores como a marcação a mercado dos papéis, causada pelo forte aumento da volatilidade, e o reforço das provisões. Nesse caso, também não entra na conta os ganhos obtidos com a venda das ações  da BM&F.

O lucro líquido ajustado de 2008 ficou em R$ 7,625 bilhões, 5,8% maior do que o resultado também ajustado de 2007, de R$ 7,210 bilhões.

Na verdade, o que importa como indicador para o setor de bancos é o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE). O ROAE no 4T08 ficou em 22,8%, representando queda de 2,3 % sobre o trimestre anterior e -6,6 %, em relação ao ano de 2007. Apesar da queda, os números são expressivos, ainda mais se pensarmos na crise que assolou a maioria das instituições financeiras no mundo.

Em entrevista e na conferência de hoje com analistas e investidores, o presidente da companhia, Marcio Cipriano, confirmou que pretende recuperar a liderança no setor privado, perdida recentemente pelo Itau-Unibanco, nos próximos 5 anos. E o mais impressionante… segundo o dirigente isso deve ocorrer através de um crescimento orgânico da empresa e não incorporando outros bancos. Para Cipriano, o mercado brasileiro não apresenta, no curto prazo, oportunidades de aquisição.

indicadores

Múltiplos setor bancário

Os números confirmam o contágio provocado pela crise americana, mas inegavelmente o setor bancário ainda se apresenta como um dos mais sólidos  e portando defensivos do mercado brasileiro. Até mesmo a redução dos juros no Brasil, deve ter um impacto reduzido nos próximos trimestres. Já que a expectativa que o fluxo de crédito volte a trabalhar dentro da normalidade  no segundo semestre e desta forma proporcionar um  maior retorno para o setor.

Gráficos

BBDC4

Graficamente, o BBDC4, respeitou a LTB vinda desde o topo histórico e se encontra no momento próxima a uma zona de suporte horizontal nos 20,00 / 19,80.

Todas as médias móveis acompanhadas (21,50,100,200) se encontram apontando para baixo, sinalizando claramente que a tendência de baixa persiste com força.

No curto prazo, o estocástico lento e o IFR se aproximam de uma zona sobre vendida, o que pode gerar um repique e uma retomada dos preços. A mudança da atual tendência, apenas quando conseguirmos “pivotear” acima da LTB e da média móvel de 100 períodos.

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Veja abaixo a lista das empresas que apresentarão resultados no mês de Fevereiro:

resultados


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