Pular a navegação e ir direto para o conteúdo


Operando com opções

Publicado em 16.06.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

.

opcoes No mercado brasileiro o uso de estratégias envolvendo as opções de compra é muito comum. Sem dúvida, desde que realizadas com o devido acompanhamento, as opções de compra podem representar uma boa opção de proteção em momentos de forte volatilidade do mercado. Além das inúmeras possibilidades de se realizar travas (de alta ou de baixa) usando dois (ou mais) strikes, são muito frequentes, principalmente entre investidores pessoa física, as chamadas estratégias de “financiamento” e “taxa”, que combinam um ativo objeto e os seus respectivos derivativos.

Nos dois casos, possuímos (ou compramos) uma quantidade X de uma ação e em seguida vendemos uma opção de compra. Nesta operação esperamos que o mercado caia ou ande de lado. Até mesmo uma pequena subida, pode deixar a operação no lucro. Uma forte alta, determina o encerramento da trava.

Em mercados comportados, a probabilidade de êxito nas operações de financiamento é muito grande. Afinal de contas, o tempo está a nosso favor, o que significa dizer, que antes de desfazer uma operação antecipadamente é necessário pensar muito (pessoalmente, me arrependi em quase todas as vezes que o fiz).

Existe porém um outro tipo de operação com opções, pouco conhecido entre os investidores pessoa física, que envolve as opções de venda. Infelizmente, este tipo de derivativo, possui ainda muita pouca liquidez no mercado brasileiro, permitindo assim que apenas os grandes fundos possam participar da festa.

Um exemplo de estratégia comum usado pelos fundos  é o chamado “reverse convertible”, ou conversível reverso. O fundo pega o dinheiro do investidor e aplica em títulos públicos. Ao mesmo tempo, vende uma opção de venda de ações da Petrobras ou da Vale. Nesta operação, na data futura, ele tem a obrigação de comprar o papel por um preço fixado. No caso do fundo, ele se compromete a comprar o papel dali seis meses com desconto de 15%.

Por essa venda de opção, o fundo recebe um prêmio pago pelo comprador da opção. O dinheiro do prêmio é aplicado também e aumenta a remuneração do fundo. Se o papel não cair 15%, a opção vira pó, pois o comprador da opção não vai querer vender a ação por um preço abaixo do de mercado. O fundo embolsa, então, o prêmio e mais os juros da aplicação em renda fixa. Mas se o papel cai mais de 15%, o comprador da opção exerce o direito de vender o papel pelo preço fixado, acima do de mercado, e aí o fundo fica com as ações e o ganho na renda fixa.

Muito interessante, não acham ? Espero que o mercado brasileiro, acelere o processo de amadurecimento e que em breve, nós, pessoas comuns, possamos ter acesso também a esta modalidade de investimento.

.

Figuras do mercado

Publicado em 12.06.2009 por CHRinvestor na(s) categoria(s) Opinião

.

Ok, ok, todos já estão cansados de saber que eu considero o preparo mental de um trader ainda mais importante que o seu conhecimento técnico . Listo abaixo alguns tipos comuns ( e eu já me identifiquei com eles muitas vezes) do mercado. Eles são fruto das armadilhas mentais que encontramos pelo caminho.

Vou ficar só nos mais folclóricos:

O papel do vizinho é sempre mais verde – O trader entra em um papel do setor siderúrgico, digamos CSN. Enquanto Usiminas e Gerdau sobem muito, o seu escolhido parece travado. “Mas porque tinha que escolher logo o errado?” Muitos traders só registram esse sentimento e esquecem de notar que no dia seguinte CSN recuperou o terreno.

O apostador de páreo corrido: Normalmente nunca operou na vida e acha que é a maior moleza do mundo. Pode ser um amigo ou um chato qualquer. “Cara, como é que você não comprou XPTO4? Tava claro que ia subir. Se tivesse dinheiro sobrando na época teria entrado!” Ou pior: “Por que você não saiu quando teve 5% de lucro?” Ou quando subiu ainda mais: “Por que você vendeu com 30% de lucro? Chegou a dar 40%!!!”

O sempre vencedor: Só registra as vitórias nos fórum . Nunca foi visto errando, perdendo dinheiro. Nunca foi stopado com prejuízo. No mínimo, saiu no zero a zero. E tem um tipo ainda pior de vitoriosos: aqueles que para não encarar a verdade não registra as perdas na sua planilha de controle, apenas os trades vencedores.

O acertador de fundo e topo. O trader consegue comprar no fundo e vender no topo. Pra não dar muita bandeira ele posta no fórum a sua entrada  alguns centavos mais alto que o fundo e a saída alguns centavos abaixo do topo. Acertando assim, ficar rico é apenas uma questão de tempo…

Faça o que eu falo, mas não o que eu faço: É aquele que prega que tem q ter disciplina, seguir o plano, definir objetivos, registrar os trades, tudo como manda o manual , mas só vale para os outros. Sua vida de trader é totalmente desregrada, e, obviamente, não consegue ganhar dinheiro consistentemente.

O professor: Sempre tem um ensinamento, uma frase de efeito ou um novo set-up sofisticadíssimo. Sempre em busca de um cruzamento de médias deslocadas casado com divergência no IFR e no MACD e aliado à Gann, Fibo e Elliott plotados de cabeça pra baixo (também conhecido como ponta-cabeça). Quando esta conjunção astral acontece, ele posta o trade como se acabasse de inventar o rádio.

O perseguido: É o trader dedo-podre. Sempre acha que o que ele compra cai, o que ele vende sobe. Sempre na mão errada. Dá um azar danado e não entende por que está sendo perseguido. Acha que tem alguém lá em cima ou em qualquer canto só esperando ele agir pra derrubá-lo. Demora a estopar e quando o faz o papel volta a subir. Aí começam as elucubrações como “AT não funciona”, “o mercado é manipulado pelos tubarões”, “só quem ganha são os insiders” etc.

O otimista: Se esperar, o papel volta a subir, é só manter a calma. Esquece que alguns papéis nunca voltarão ao preço em que ele deveria ter sido estopado. Também não considera o custo de oportunidade, de ficar preso a um papel que não sai do lugar, enquanto vários outros sobem.

O mutante: O papel foi na direção contrária e a operação que começou como day trade, virou swing trade, passou pra position e agora só resta afirmar que ele comprou pensando no longo prazo. Casa com o papel e diz que é uma ótima empresa e que a ação vai voltar a subir.

O viciado em book de ofertas: passa o dia monitorando quem está comprando mais, quem está vendendo. Assusta-se com ordens enormes emitidas por pesos-pesados do mercado, achando que aquela será uma barreira intransponível. Entrega seus papéis por um preço abaixo do que estava planejando realizar por puro medo. Prestando atenção em coisas erradas, fica desconfiado quando tem corretora operando nas duas pontas. Não entende o que se passa e começa a achar que isso é manipulação do mercado.

O caçador do sistema perfeito: O trade começa no mercado, faz algumas operações vitoriosas porque o mercado está bastante favorável e acha que o seu sistema é infalível e que ficar rico é pura questão de tempo. Faz as contas: Se em um mês teve rentabilidade de 10%, logo, no fim de 5 anos mantendo este desempenho poderá comprar a sua lancha. Só que os trades começam a não dar tão certo. É estopado em uma, duas , várias operações. O problema, claro, é seu sistema que não funciona mais. Pula pra outro buscando um 100% a prova de falhas. Depois de alguns stops acionados, mais uma mudança de método. Agora vai ! Mais algumas perdas e o novato está destruído emocionalmente. Já desistiu dos seus sonhos. Ele só quer sair correndo dali. Aquilo não é para ele. Por fim, acaba abandonando o mercado.

O auto-destrutivo: Claro que não é uma decisão racional do tipo ” vou comprar essa LIXO4 pra perder dinheiro!” Mas inconscientemente ele se penaliza por algum motivo. Talvez isso passe por questões religiosas e de convenções sociais. Amarras como ” o trabalho dignifica o homem” ou “só dando muito duro é que se chega lá”, ou pior, “que ter muito dinheiro é pecado”. E essa é uma questão muito difícil de resolver, são gerações perpetuando conceitos distorcidos sobre trabalho, merecimento, recompensa. O que fazer nestes casos? Virar day-trade olhando o mercado e enviando ordens de compra e venda o dia todo? Não acho que seja esse o caminho… Alguns traders resolvem isso em suas cabeças estudando mais, se planejando mais, aprimorando planilhas, registrando os trades de forma mais detalhada.

O rei da calculadora: A cada duas horas ele faz contas de quanto já está ganhando. Engraçado é que quando está perdendo ele só faz conta a cada duas semanas. Quando o papel começa a corrigir ele tem duas atitudes: 1. Realiza o lucro no primeiro sinal de correção. 2. Como ele já registrou na sua mente o seu lucro máximo, não aceita menos do que já teve um dia, e assim não sai da operação quando o stop é acionado

O ídolo das corretoras: O trade que não consegue ficar um dia sem operar. Seria quase como dizer pra ele não comer ou respirar. Gera um monte de corretagem e não consegue ganhar dinheiro por não saber selecionar seus trades. Ganha dinheiro e o devolve ao mercado repetidamente.

E aí, se identificou com algum tipo? Com vários? Que bom, assim eu me sinto melhor… Contribua também e descreva alguma figuraça do mercado. A ideia é fazer uma auto-análise divertida e aprender com ela.

Grande abraço do Moore

A importância de um trading system

Publicado em 09.06.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Estratégias, Opinião

.

ts2 O desenvolvimento de um trading system pode ser definido como uma junção entre ciência e bom senso.  Ao implantar um sistema, procuramos formular um conceito baseado em uma boa performance no passado para que possamos continuar “performando” bem no futuro. Pensando desta forma, automatizar o processo é inevitável. O uso do computador e de sistemas robotizados, os chamados “robo-traders”, é uma exigência para qualquer indivíduo que queira se aventurar na área.

No Brasil, algumas empresas e corretoras já começaram a disponibilizar estes mecanismos automáticos para o investidor pessoa física. Infelizmente, a coisa ainda está muito incipiente. Mas vejamos, algumas vantagens para aqueles que decidem implementar um trading system automatizado:

  • Antes de mais nada, usando plataformas gráficas específicas é possível testar as próprias estratégias operacionais antes de colocá-las em uso; analisando a implantação da estratégia em uma série histórica podemos verificar o resultado, ao invés de colocar em risco o nosso capital. Olhando como o sistema se comportou no passado, podemos tomar decisões melhores toda vez que a mesma situação aparecer no presente.
  • Através de sistemas automatizados podemos ser mais racionais e menos emocionais. Muitas pessoas, fazem uma boa análise de um papel, mas tem dificuldade de colocar em prática a estratégia elaborada. Fazer uma análise sem comprometer um capital financeiro é fácil. Operar arriscando o próprio patrimônio é bem mais estressante. Desta forma, usar um computador (que é isento de emoções humanas) para executar as ordens de um sistema pré-programado pode ser bastante eficiente.
  • Com um trading system computadorizado que trabalha praticamente sozinho, podemos realizar outras atividades e consequentemente aumentar nossas oportunidades. Um abordagem mecânica exige menos tempo para ser aplicada do que uma abordagem subjetiva feita pelo trader. Além disso, com o ganho de tempo, podemos observar outros mercados e analisar outros sistemas.

Como já foi dito por mim aqui no blog outras vezes, não acredito que exista uma estratégia especulativa no mercado que não tenha uma abordagem quantitativa. Especular ou fazer trading na bolsa exige que o indivíduo opere todas as vezes que o seu sistema abrir uma posição. Ele não pode se dar ao luxo de ficar de fora do mercado, se quiser que a expectativa positiva do seu sistema trabalhe a seu favor.

Pensando desta forma, a mecanização das estratégias operacionais facilita em muito a vida do trader.

Dependendo do interesse que este artigo despertar no leitor do blog, da próxima vez, pretendo elaborar um artigo com os cinco pontos básicos para a formação de um trading system.

.

Comprando TH

Publicado em 05.06.2009 por CHRinvestor na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Estratégias, Opinião

.

Você quer estar comprado naqueles ativos que no fim do ano serão os campeões de rentabilidade ? Simples. É só comprar TH.

O TH é também conhecido como topo histórico. Pros menos familiarizados com expressões do meio, topo histórico quer dizer a maior cotação de determinado ativo em todos os tempos. Sua máxima histórica, seu ápice em termos de valor.

Agora vamos esmiuçar esta operação que, de tão banal, é simplesmente desprezada por 99% dos traders. Vamos analisar o que está por trás deste seletíssimo grupo de ações que estão sempre rompendo o TH.

Sempre escutamos que deve-se comprar no suporte e vender na resistência. Comprar barato e vender caro. Aqui é diferente. Vamos comprar caro pra vender mais caro ainda.

As ações que rompem o TH estão, obviamente, em tendência primária, secundária e terciária de alta. No mínimo, em tendência terciária lateral. Pra operar na ponta da compra, convém sempre procurar aquelas ações que estão com as tendências em alta. Muito mais seguro.  Se podemos escolher o que operar, pra que aumentar nosso risco ?

Graficamente, toda ação que rompe o TH tem caminho livre, já que não há resistências pela frente. O céu é o limite.

Operando dessa maneira estabelecemos um super filtro que vai pescar só as campeães. Quem compra TH compra ações com força. Muita disposição pra ir além dos preços atuais.

Os investidores fundamentalistas continuam achando que ela vale mais e mais. “Tá barata, vamos comprar que ainda tá barata !” “O preço-alvo tá longe. É uma pechincha.”

A ação também pode estar sendo catapultada pelo efeito manada da multidão, mas não vejo problema. Vamos surfar essa onda. Quando perceberem que ela está supervalorizada, seremos stopados (sim, fomos subindo nossos stops) e brindaremos ao belo movimento, cheios de grana no bolso

E se o mercado como um todo cair muito, ficando muito longe do TH ? Aí pode-se selecionar as que recuaram menos e entrar quando superarem o último topo (ou a máxima da semana anterior, se operar pelo gráfico diário). Elas, provavelmente, serão as primeiras a romper o TH. Mas opte sempre pela compra ao romper a máxima.

E o IFR ou qualquer indicador que esteja apontando que o papel está sobrecomprado ? Joga tudo fora. Atenha-se ao preço. Ele é o mais importante.

Queremos captar parte de um movimento mais longo, então o stop também não pode estar muito curto. E nada de vender porque acha que vai começar a cair. Só saio de uma operação desta quando sou jogado pra fora do mercado pelo stop

Como escolher uma entre várias que estão rompendo o TH ? Moleza. É por ordem de chegada. Rompeu primeiro é sua primeira compra. Rompeu em seguida, pronto, já comprou a segunda.

Foi stopado ? Faz parte. Entra em outra que esteja rompendo o TH. E assim segue. Duvido que no fim do ano você não tenha beliscado um bom lucro nas melhores do ano. É uma espécie de seleção natural de ativos. É também a famosa tentativa-erro, um jeito de operar de forma sistemática.

Rompimento de TH pra mim é imperdível. Só deixo passar quando não tenho mais capital pra investir.

Agora, por que o ser humano tenta complicar o simples ? Não faço idéia, mas já tentei dificultar por muito tempo também. Agora eu só faço o simples.

O trader e o jogador de pôquer. E também o surfista

Publicado em 29.05.2009 por CHRinvestor na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

.

poker2

O retorno recebido por conta do artigo “A arte da paciência” foi tão grande que eu resolvi abordar mais uma vez o tema. Percebi que os aspectos mentais da atividade de um trader são a principal preocupação da maioria dos traders que buscam o sucesso.

A forma como os traders profissionais encaram o mercado é igual a dos jogadores profissionais de pôquer. Dá pra fazer uma analogia.

Quem joga pôquer só pra se divertir, mas tem a curiosidade de acompanhar os campeonatos pela TV ou ler em sites especializados dicas pra melhorar seu jogo, sabe que ter sorte é o menos importante numa mesa. O que vale são estudo das probabilidades, método e disciplina. Muita disciplina.

No filme Cartas na Mesa, um clássico sobre pôquer, o protagonista, jogador profissional, diz, num certo momento, que ele pode, sim, perder algumas rodadas pros amadores, mas no fim da noite terá levado pra casa o maior prêmio. A sorte irá garantir algumas mãos vencedoras aos demais, mas serão eles capazes de administrar o capital acumulado com essa boa maré? Ou será que terão paciência pra esperar cartas que aumentem suas possibilidades de sucesso? Ficar rodada após rodada só assistindo aos outros ganharem e ele de fora? Acho bem improvável…

Parece com operar na Bolsa? Sim, é bem parecido com operar profissionalmente, sendo que no pôquer ainda se pode blefar, o que os profissionais fazem muito pouco, e no mercado, não. E operar profissionalmente não significa apenas viver disso, extrair seu sustento da atividade. Significa encarar de uma forma séria. Ter plano de entrada e de saída. Usar seu manejo de risco, gerenciar seu capital e saber admitir perdas. Estou falando de pôquer profissional ou de traders profissionais? Dos dois…

Tanto na Bolsa como no pôquer temos dinheiro, pressão, sentimentos como ganância e medo. Experimentem jogar com amigos sem valer dinheiro. Depois joguem a dinheiro, mas um cacife (valor inicial pra entrar) baixo. Algo em torno de R$ 10. Faz diferença. Agora experimentem jogar com um cacife em torno de R$ 100. O volume de dinheiro envolvido muda tudo.

O mesmo vale pra trades no papel, trades com o chamado dinheiro da cachaça e trades com dinheiro de verdade, o bastante pra fazer diferença em sua conta no fim do mês ou do ano. Aqueles que te fazem suar frio, te impedem de sair da frente do micro e te fazem vibrar ou lamentar como num jogo de futebol. Por isso é tão difícil viver exclusivamente disso. Difícil, mas perfeitamente possível. Desde que se faça o certo. O resultado consistente só vem com a prática do “fazer o certo”. Os lucros virão a reboque, acredite nisso.

Façam uma experiência. Joguem pôquer e só entrem nas rodadas com cartas boas. Abandonem as rodadas em que saírem com cartas ruins, mesmo que vocês já tenham colocado algum dinheiro no jogo. Joguem só as boas mãos. Quando saírem daquela rodada que lhes parecia desfavorável, memorizem suas cartas e acompanhem o desenrolar entre os demais que ficaram. Contabilizem quantas rodadas vocês iriam ganhar e quantas iriam perder se tivessem ido até o fim. Teriam ganho pouquíssimas mãos e perdido a maioria, com certeza.

Mudando de canal, o trader profissional é como um surfista profissional. Ele está num campeonato, atrás na contagem e faltando poucos minutos pra acabar a bateria. Só a onda certa o salva. Às vezes ela vem, às vezes, não. Mesmo quando ela não vem e ele perde a bateria, sai com a certeza de ter feito o certo, de ter esperado o momento ideal, mesmo que não tenha vindo.

Esse comportamento vai torná-lo vencedor. Sorte a longo prazo não tem importância, o que manda mesmo é a repetição da prática correta.

Os melhores, traders, jogadores ou surfistas, não são bons apenas tecnicamente, mas também contam com uma incrível capacidade de concentração, sangue-frio e disciplina. Mesmo que sejam vibrantes, extrovertidos, por dentro estão concentrados.

Nos campeonatos são sempre os mesmos que chegam às finais. Será coincidência? Aposto que não…

.

Mercado eficiente

Publicado em 26.05.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

.

wall Uma das teorias mais discutidas em finanças é a de que o mercado é eficiente. Conceitualmente, um mercado é eficiente quando nos preços dos ativos todas as informações estão refletidas. Já abordei “an passant” este assunto outras vezes aqui no blog (Fundo ativo ou passivo?), mas depois da crise finaceira mundial vivenciada recentemente, acho oportuno voltar ao tema.

Do ponto de vista prático, a grande discussão é se é possível superar o mercado. Basicamente, a questão que se coloca é se a gestão ativa de investimentos propicia um retorno superior à gestão passiva. Quanto maior o grau de eficiência do mercado menor seria a possibilidade de obtenção de uma taxa acima do benchmark.

Teoricamente, a tendência é que os mercados sejam cada vez mais eficientes, quer pela maior disseminação de informações, quer seja pela existência de regras mais claras e transparentes nas operações. Cabe também destacar que mercados mais desenvolvidos tendem a ser mais eficientes. Assim como os preços dos ativos mais líquidos tendem a refetir melhor as informações.

Um ponto interessante a ser comentado é que a idéia de eficiência de mercado não implica que os preços devam ser estáticos. Pelo contrário, ela determina que as mudanças nos preços dos ativos sejam aleatórias e devem refletir imediatamente a incorporação de novas informações nos preços. Assim, o que está por trás desse conceito é justamente a idéia de racionalidade, pois num modelo de racionalidade os preços dos ativos só mudariam em virtude de novas informações.

Não foi o que aconteceu no final do ano passado. Os investidores foram movidos pelo efeito manada (pânico) e deixaram  de lado o verdadeiro valor de cada empresa. A crise do subprime derrubou a idéia de que os mercados são perfeitos ou profundamente racionais. Agora, com a retomada dos preços e a volatilidade dos mercados voltando ao normal, as ações podem voltar a refletir melhor os fundamentos, porém ficou evidente que uma ferramenta capaz de interpretar a psicologia de massa é muito necessária na tomada de decisão.

Neste ponto, cabe uma reflexão por parte do leitor. Se você for adepto da eficiência de mercado, sua carteira poderia ser diversificada aleatoriamente, ou seja, você poderia ficar posicionado passivamente num índice amplo, como o PIBB11 (que reflete o IBX50) ou nos novos fundos ETF’s da Bovespa (BOVA11, MILA11, SMALL11 – veja artigo). Se, por outro lado, você acreditar que é possível bater o mercado, a sua estratégia seria ativa. Importante salientar que o fator tempo é importante nessa discussão, pois é relativamente fácil bater o mercado no curto prazo, mas vai ficando cada vez mais difícil quando os prazos vão se dilatando.

Existem gestores com um histórico de superação do benchmark de forma relativamente consistente. A questão básica parece ser não se o mercado é ou não eficiente, mas qual é o grau de eficiência do mercado. Assim, pode-se estabelecer uma política de investimentos que irá determinar até onde vale a pena garimpar na busca de retornos acima da média.

.

Swing trade ou position trade?

Publicado em 22.05.2009 por CHRinvestor na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Estratégias, Opinião

.

grafico

Tenho feito análises para swing trades, baseadas em gráficos diários, porém existe a opção de fazermos position trades, onde só é necessário analisar gráficos semanais.

Cada prazo operacional tem suas vantagens e desvantagens.

O swing trade dura, em média, de dois a seis dias, podendo se estender caso o stop que vai sendo ajustado não seja acionado.

O position trade dura, em média, de duas a doze semanas. Também pode ir além em movimentos bastante incisivos se o stop não for acionado.

A periodicidade de position é muito mais fácil de operar, menos sujeita a stops e que gera menor custo em corretagens. Sem contar, claro, do pequeno nível de estresse. Este é, sem dúvida, o prazo pra quem não tem muita experiência em operar. Melhor aprender a pilotar em um kart que em um F-1.

O trader que não tem tempo pra acompanhar o mercado o dia todo só deve pensar em fazer position trade. Basta analisar num fim de semana uma pequena lista de papéis, listar os que podem gerar compra na semana que vai entrar e colocar uma ordem start de compra no preço desejado.

O trader deve checar no fim do pregão para ter certeza que foi executada a ordem de compra em tal papel. Se atingiu o valor desejado e não foi executada por algum motivo, ele deve enviar uma ordem normal de compra naquele valor que desejaria ter pago.

Em tendências claras de alta, é sem dúvida, a mais rentável, pois estaríamos acompanhando o movimento mais amplo do ativo, não sendo atrapalhados pelos pequenos ruídos, movimentos de correção, normais em qualquer mercado. Estes ruídos, muitas vezes, tiram o trader da operação sem necessidade. E como muitas vezes os preços não recuam até o ponto desejado, o trader acaba não conseguindo voltar e ficando fora daquele movimento.

Em tendências laterais os swing trades são mais rentáveis. Compra-se no suporte e vende-se na resistência, sempre usando o stop com muita rigidez, mesmo que ele te tire da operação antes dos preços baterem na resistência. No prazo de position em mercados andando de lado, corre-se o risco de comprar um papel, começar a ter lucro e sair uma ou duas semanas tendo devolvido o mesmo lucro ao mercado.

Para evitar este ganha e perde muitos trades que preferem o prazo de position optam por realizar parte da posição num determinado preço-alvo. Se o preço do papel começar a cair ele já embolsou o lucro de parte da operação. Se continuar subindo ainda restou a outra parte pra “surfar” aquele movimento.

Outro ponto a ser analisado é o stop. Ser stopado frequentemente é normal em swing trades. Entrar numa operação e ser stopado, com o tempo pode ir minando a resistência dos trades que acabam relaxando nos stops e o resultado são perdas que podem doer um pouco no bolso ou doer tanto a ponto de tirar o iniciante do mercado para sempre.

Mas tem trader que gosta da emoção do jogo e não tem a paciência de entrar numa operação e só sair dela semanas depois. Não operar por um dia é quase como não comer o dia inteiro. Estes traders ou aprendem a dominar as emoções ou se especializam em swing trades ou mesmo day trades.

O melhor a fazer é achar o  tempo operacional que se encaixe no seu perfil. Ou ter duas carteiras, uma de swing e outra de position, de preferência em corretoras diferentes para não misturar as estações. Depois de um período  compare as duas e defina o melhor estilo, seja pela rentabilidade, seja pelo esforço demandado.

“Too big to fail”

Publicado em 19.05.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Destaques, Estratégias, Informações, Opinião

.

Pensando no artigo escrito pelo colaborador Rafael Valim e publicado ontem aqui no blog, sobre a queda da gigante GM, me ocorreu de escrever sobre o velho e surrado mito de que investimento seguro é investir nas grandes empresas.

Vocês ainda lembram da Kodak e da Xerox? Nos anos 70/80 quando se falava em fotografia e aparelhos de fotocópia, estas empresas eram a referência, ícones de sucesso. Hoje em dia, praticamente morreram na praia. A confiança na sustentabilidade eterna daquelas gigantes simplesmente se mostrou infundada.

As crises costumam ser responsáveis pelo óbito de muitas gigantes . Não poderia ser diferente na crise atual. Gigantes como a Fannie Mae, Freddie Mac, AIG e Citigroup assinaram seu atestado de óbito. Quem poderia pensar há poucos anos que as ações do conglomerado financeiro Citigroup chegassem a valer aproximadamente um mísero dólar (veja gráfico)? Até mesmo a General Electric, vista como grande exemplo de sucesso duradouro, viu suas ações desabarem vertiginosamente (gráfico). Atualmente, elas não chegam a valer um décimo do que já valeram poucos anos atrás.

citigroup

ge

Citigroup

General Eletric

Muitas vezes, nem mesmo o estigma, comumente utilizado pelos analistas americanos, de serem “too big to fail” ajuda estes grandes conglomerados a se salvar.

Neste ponto, a idéia de uma carteira de acumulação, que muitas vezes eu já defendi aqui no blog como uma boa opção para o longo prazo, precisa utilizar critérios de seleção rígidos e não apenas apostar nas chamadas blue chips do momento.

Não existe apenas uma estratégia de sucesso nos mercados financeiros. Existem especuladores com curto horizonte de tempo que ganham muito dinheiro, assim como investidores que focam no longo prazo e conseguem excelentes retornos também. Mas é preciso ter em mente que a estratégia de simplesmente apostar nas grandes empresas vencedoras de hoje e fechar os olhos, contando que seu sucesso será permanente, pode ser uma decisão muito arriscada.

.

A arte da paciência

Publicado em 08.05.2009 por CHRinvestor na(s) categoria(s) Opinião

.

42-21522291Quem opera no curtíssimo prazo sabe que bastam uma ou duas operações bem sucedidas no mês pra fazer algo em torno de 5% de rentabilidade. É pouco? Após alguns anos, com os 5% mensais você terá multiplicado o seu capital muitas vezes. Mas quem consegue esperar pelo momento ideal pra montar posição, o momento perfeito, quando aquela ação que você acompanha bate exatamente onde você queria? As médias móveis e as bandas de bollinger estão na posição ideal, o ativo fez o aguardado candle de reversão sobre forte suporte (para uma compra) ou junto a uma forte resistência (para uma venda) e ainda o Ibov ajudando… tudo como manda o manual…

Pode parecer incrível, mas todos os meses este “alinhamento dos astros” acontece. É só saber aguardar. Não acontece talvez em todas as ações, mas posso apostar que em uma das cinco ou dez selecionadas para acompanhamento isso irá ocorrer ao menos uma vez por mês. Por isso é tão importante não querer olhar dezenas delas. Claro que, com o tempo, seus filtros vão sendo ajustados, e basta uma rápida olhada pra descartar a maioria dos ativos. Assim se pode aumentar o número de ativos analisados. Para o trader iniciante, de cinco a dez estão de bom tamanho. Dessa forma não se deixa passar a oportunidade de ouro.

O problema é que operamos demais e vamos sendo machucados, minados pelo mercado. Não há quem suporte uma sucessão de stops com frieza de monge budista. Isso é da natureza humana. Talvez se fôssemos venusianos como o Dr. Spok (pros mais novos, um personagem sem emoções da série “Jornada nas estrelas”) seríamos imbatíveis. E é no controle emocional que bons analistas se distinguem de bons traders. Paper-trade é uma moleza, operar com dinheiro de verdade é outra história.

Quase todos já assistiram este filme: O trader perdedor entra numa operação. Ela vai contra o planejado, na maioria das vezes a saída nem foi planejada, o stop já ficou pra trás, as perdas vão crescendo, até que o trader finalmente estopa. Que alívio, se livrou desse abacaxi! Nesse momento, o mercado faz um fundo e começa a subir. E o trader está tão castigado de tanto ser stopado que nem consegue se mexer. O mercado sobe com vontade, nos fóruns todos ganhando dinheiro, e ele petrificado, incapaz de agir. Até que ele não agüenta mais e resolve entrar na festa. Mas a festa já está no fim e sobra pra ele arrumar a bagunça, expulsar os bêbados, botar o gato pra fora. E, pior, pagar a conta…

E o movimento se repete. Desliga o stop novamente, quando coloca no automático leva mais uma violinada, só ele fora da festa, o resto ganhando dinheiro, e por aí vai… Um movimento repetitivo até que ele desiste disso tudo e sai do mercado dizendo que os tubas querem comer as sardinhas, que tudo não passa de um jogo, e tem a telegangue, tem os market makers manipulando os preços e mais um monte de desculpas pra justificar seu fracasso.

Se alguém ainda não passou por situação semelhante é porque começou há pouco no mercado, e ainda não deu tempo.

Na verdade, o fracasso ou sucesso depende exclusivamente do próprio trader. De mais ninguém. A longo prazo, não importa se o mercado ajudou ou não. O que define o sucesso do trader é, em primeiro lugar, sua capacidade de sobreviver no mercado. E só se sobrevive admitindo os próprios erros. Em segundo lugar, sua capacidade de se adaptar a diferentes cenários e situações. Por último, sua capacidade de se aperfeiçoar. Estudar, treinar, estudar, treinar.

Curto e grosso, é aprender com as burradas, pois elas são inevitáveis. Todos já fizemos ou ainda iremos fazer. Cabe ao trader decidir por quanto tempo continuará cometendo-as e quando vai começar a levar realmente a sério esse negócio de operar na bolsa.

A volta do “Carry Trade”

Publicado em 28.04.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Destaques, Estratégias, Opinião

.

A crise financeira mundial ainda está longe de terminar, mas alguns indícios consistentes apontam que os mercados começam a voltar à normalidade.

Um bom exemplo, é o apetite dos investidores estangeiros em reativar as operações de “carry trade” nos mercados emergentes, e em especial no Brasil, que ainda é o detentor do título de país com maior taxa real de juros do mundo.

“Carry trade” são aquelas operações em que investidores tomam empréstimos em países com baixos juros, como Japão, Estados Unidos e zona do euro, para investir o dinheiro em economias com juros mais alto, caso do Brasil, Hungria, Africa do Sul, Nova Zelândia e Austrália. O risco do negócio é a oscilação da cotação entre as moedas dos países, que pode engolir o lucro. Por isso, umas das premissas é que a volatilidade cambial seja baixa.

No ano passado, os “especuladores” abandonaram a estratégia do “carry-trade” quando os BCs do mundo inteiro reduziram as taxas de juros para revitalizar o crescimento e num momento em que as oscilações cambiais aumentaram os riscos.

Apesar de no Brasil os juros apresentarem recentemente uma tendência de baixa,  a operação continua muito atrativa. Para se ter uma idéia, é possível tomar dólares pela taxa Libor, de 1,13% aa, e utilizar estes recursos para comprar reais e ganhar a taxa brasileira de três meses do interbancário, de 10,51%. Esta operação pode render, anualmente, 9,38%, pressupondo-se a estabilidade de ambas as moedas.

É interessante notar, que o a entrada de fluxo de capital estrangeiro no Brasil, teoricamente, valoriza o Real, tornando a operação de “carry trade” ainda mais atraente. Ou seja, estamos diante de um verdadeiro “processo de auto-alimentação”.

O arrefecimento da crise e a volta (parcial) da confiança do investidor, reacenderam o caminho da rota mundial de recursos através das operações de “carry trade” e beneficiando consequentemente a bolsa brasileira. Esperamos que o saldo positivo de recursos estrangeiros visto recentemente na Bovespa ainda persista por um bom tempo.

.


Página 3 de 20123456789101112...Última »