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Olhando o passado

Publicado em 02.02.2010 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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Muitos investidores tem se perguntado nas últimas semanas se a atual correção dos preços nos mercados é apenas um ajuste temporário ou se de fato estamos diante de uma nova onda de baixas. Difícil prever o futuro, mas algumas observações podem ser feitas.

Primeiramente,devemos fazer uma distinção entre o pânico e os “bear markets” (mercados com tendência de baixa). A diferença entre pânico e bear market não é o estrago causado nos preços, mas a duração e o impacto na psicologia dos agentes de mercado. Nos mercados financeiros, costuma-se dizer que pânicos devem ser usados como boas oportunidades de compra, enquanto “bear markets”  devem ser vendidos tão logo são identificados. Sem dúvida, o difícil neste caso, é identificar corretamente ambos.

O passado nunca é um guia perfeito para o futuro, que é sempre incerto. Mas ignorar totalmente as lições do passado pode ser um erro fatal para o investidor. Pensando desta forma, resolvi estudar dois exemplos de “bear markets” para saber o que ocorreu durante estas épocas difíceis.

O primeiro exemplo, é o período entre 1997 e 1999 quando o Ibovespa se desvalorizou mais de 70 %. Mas, naquele período, ocorreram pelo menos quatro recuperações fortes.

IBOV

IBOV (1997-1999)

O segundo exemplo, é o período entre 2000 e 2002, quando a bolha da internet estourou e a Nasdaq caiu aproximadamente 80%. No entanto, também ocorreram quatro fases de recuperação no período.

nasdaq

Nasdaq (2000-2002)

Acredito que estes exemplos nos mostram que existe muita volatilidade em “bear markets” e que uma entrada prematura para investidores afoitos pode ser o caminho mais rápido para a desgraça.

Uma verdadeira tendência de baixa pode demandar muitos meses de ajustes “dolorosos”. Durante esta fase de limpeza dos excessos da bonança, ocorrem recuperações nos mercados que podem iludir os mais otimistas. Saber quando se está diante de um “bear market” rali, ou quando uma nova fase de otimismo sustentável começou, faz toda a diferença no resultado. Acertar com exatidão as viradas dos mercados é praticamente impossível. Mas muitos investidores acabam enganados pelas falsas viradas, fases de acelerada recuperação dos ativos durante um cenário ainda desfavorável.

Em resumo, quando entramos em uma grande e duradoura correção dos preços, várias fases de recuperação e expressivas altas podem coexistir. Sem dúvida, estas oscilações representam uma grande oportunidade para os traders rápidos que não se apegam aos ativos. Mas, por outro lado, representam também um grande perigo para o investidor de longo prazo que passa a acreditar que o pior já passou e que está diante de uma importante virada sustentável, enquanto está apenas verificando uma recuperação dentro de um mercado ainda negativo.

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Os treasuries e o ISM

Publicado em 27.10.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Estratégias, Informações, Opinião

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treasuries

ism

Spread entre Treas. 2Y e 10Y

ISM (Institute Suply Management)

Um interessante medidor econômico é a analise da relação dos treasuries americanos de 2 e 10 anos, juntamente com o ISM (Institute Suply Management).

Quando temos uma aproximação entre os rendimentos dos treasuries de 2 e 10 anos significa que o mercado passa por um momento de calmaria e que portanto a expectativa dos agentes do mercado é de crescimento econômico.

A política de juros do Fed influência diretamente o rendimento dos treasuries. Os notes de 2 anos se ajustam mais rapidamente à variação da taxa de juros do que os notes de 10 anos. Ou seja, em um período de recessão os notes de vencimento mais curto caem juntamente com a taxa de referência mais rapidamente que os notes mais longos.  Já em períodos de expansão econômica, acontece o inverso, ou seja, eles sobem mais rapidamente. No gráfico isso fica bem evidenciado se pensarmos, que em 2007/2008 visando combater a recessão que se avizinhava, o Fed cortou drasticamente a taxa básica de juros americana.

Desta forma, podemos concluir que:

Quando a diferença entre os Treas.10Yr e Treas.2Yr aumenta, a expectativa é que teremos um momento de queda na atividade econômica dos EUA.

Quando a diferença entre os Treas.10Yr e Treas.2Yr diminui, a expectativa é que teremos um momento de crescimento na atividade econômica dos EUA.

Já o ISM é considerado por muitos analistas o indicador mais importante divulgado nos EUA. Estudos comprovam que quando o ISM (seja de produção como de serviços) estiver abaixo de 43 por dois meses seguidos, significa que a economia americana se aproxima de uma recessão. Por outro lado, um ISM acima de 60 por dois meses seguidos, pode representar uma economia super aquecida e com um grande risco inflacionário.

Juntando estas informações podemos criar esta tabela de acompanhamento abaixo e tentarmos identificar em que estágio se encontra a saúde da economia americana e conseqüentemente criar uma estratégia para o mercado acionário:

tabela

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Ibov e as ADRs

Publicado em 22.10.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Estratégias, Opinião

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ibovxbr20

Correlação Ibov x  BR20 Titans

Este talvez seja o gráfico mais importante a ser acompanhado no momento. Ele apresenta a correlação entre o Ibov e o BR20 Titans que engloba a 20 principais ADRs brasileiras negociadas em Nova York.

Hoje, o jornal Valor Econômico traz uma matéria onde especialistas tributários confirmam que ao negociar com ADRs o investidor não pode ser taxado pelo IOF. Desta forma, o mercado americano (infelizmente) aparece como uma grande alternativa para o investidor externo adquirir ações de empresas brasileiras.

Até então a correlação entre os dois índices sempre foi muito estreita. Caso tenhamos uma mudança neste cenário, ficará claro a migração do capital para as ADRs.

É verdade que o número de empresas brasileiras que possuem ADRs é muito pequeno, mas com a facilidade de captar dinheiro externo este total pode aumentar.

Vamos ver até quando o governo (Guido Mantega) irá sustentar a viabilidade da medida de taxação do IOF. As justificativas estão acabando. A propósito, o dólar comercial (que deveria voltar a subir) continua caindo… no momento (11:25hs) –0,57%, cotado à R$1,734 !

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O perigo do IOF

Publicado em 20.10.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Informações, Opinião

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image A resolução: A partir de hoje todo investimento estrangeiro direcionado a aplicações em bolsas e títulos públicos será taxado em 2% de IOF. A medida não afeta os investimentos externos diretos (IED).

A intenção: Segundo o governo há um excesso de aplicações de estrangeiros na bolsa e a medida visa evitar a formação de uma bolha especulativa no mercado brasileiro. Segundo o ministro da Fazenda Guido Mantega, cerca de US$ 20 bilhões entraram no país para investimentos em ações no ano, entre janeiro e o começo deste mês. Além da bolha, com a nova taxação, a intenção dos senhores de Brasília é reduzir a valorização do real que atrapalha as exportações, tornando os produtos brasileiros menos competitivos.

Em um primeiro momento, julgo a medida como positiva. O capital estrangeiro que hoje em dia aporta no país visando aproveitar as oscilações de curto prazo da bolsa sentirá o peso dos 2% do novo tributo. Agora para aqueles que permanecerem por 12 meses ou mais, o IOF vai ser diluído no tempo e portanto não deixarão de investir.

Pensando mais a fundo sobre a questão, percebo que a medida pode afetar drasticamente a nossa bolsa. Os investimentos estrangeiros que ingressam no Brasil para a aquisição de ações e debêntures, apesar de inicialmente parecerem investimentos especulativos, têm um papel fundamental para a evolução do nosso mercado de capitais e para a competitividade das empresas brasileiras. Estes investimentos dão liquidez às ações e às debêntures, atraindo mais investidores para as bolsas e, portanto, fazendo com que a emissão de dívidas por parte das empresas se torne uma opção viável para a captação de recursos. Em um país com um custo bancário tão elevado, estas fontes adicionais de financiamento adquirem um papel relevante para a competitividade das empresas. Sem elas, muitas de nossas empresas não teriam conseguido realizar os investimentos relevantes que se materializaram nos últimos anos. A possível fuga do capital estrangeiro com a nova taxação e a consequente queda no valor das ações das empresas podem gerar um custo pesado para a economia como um todo.

É importante acompanhar como será o fluxo de capital estrangeiro nas próximas semanas. Vale lembrar que existem muitas empresas brasileiras listadas em Nova York, através das ADRs (American Depositary Receipts), o que pode atrair os recursos sem a incidência do novo imposto.

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Novo paradigma ?

Publicado em 13.10.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Estratégias, Opinião

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image O Nobel de economia divulgado hoje causou surpresa na maioria da comunidade econômica. Os ganhadores foram Elinor Ostrom, da Universidade de Indiana, primeira mulher a receber o Nobel de Economia e Oliver Williamson, da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Ostrom estudou como grupos de pessoas conseguem explorar recursos naturais de forma sustentável, mesmo sem regulação do governo ou privatização.

Já Williamson pesquisou como é o processo de decisão dentro das empresas e como, às vezes, isso funciona melhor do que deixar as decisões a cargo do livre mercado.

O interessante dos premiados é que o tipo de pesquisa de ambos não trata de assuntos relacionados a teoria econômica tradicional. Deixando claro que existe uma demanda crescente na sociedade e principalmente nos mercados por novas abordagens. Parece que os erros recentes que deflagraram a crise do subprime começam a ser combatidos. A idéia de conseguir administrar e controlar o risco do mercado apenas através de fórmulas matemáticas começa a perder seu espaço.

Nenhum modelo estatístico está verdadeiramente preparado para apontar a ocorrência de eventos catastróficos, que, como temos visto, ocorrem com certa frequência. Portanto, um conjunto de fórmulas matemáticas, por mais sofisticado que possa parecer, não pode ser a solução quando se fala em controle de riscos, especialmente quando derivativos são utilizados como parte da estratégia.

Cada vez mais saber interpretar a relação entre os agentes do mercado (indivíduos, empresas, mercado e grupos) se torna importante.  O Nobel de economia deste ano pode ser o início de um novo paradigma para as finanças, mais focado no comportamento das massas e menos refém de dogmas do passado.

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A incerteza do mercado

Publicado em 29.09.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Destaques, Estratégias, Opinião

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incerteza Manter um blog (e um twitter) sobre o mercado financeiro não é uma tarefa fácil. Muitas vezes me vejo tentado a fazer previsões simplistas sobre o andamento de determinado papel ou índice e não percebo que apesar do fundamento técnico ou fundamentalista, o mercado (principalmente no curto prazo) é regido pela incerteza.

Foi o que disse, o filósofo austríaco Karl Popper: “O futuro está em aberto; não é predeterminado e, deste modo, não pode ser previsto, a não ser por acidente”.

Esta é uma característica inerente a todo ser  humano. Precisamos criar modelos e fazer previsões para que possamos nos sentir mais seguros quando tomamos uma decisão. Assim buscamos cada vez mais informação, tentando dar respaldo a nossa opinião.

No mercado este tipo de atitude é muito comum. Não é raro investidores e traders analisarem determinado ativo mas apenas realizar a operação depois que um amigo ou uma comunidade na internet indicou o mesmo papel. É como se uma possível perda em conjunto fosse mais confortante que a perda individual.

Essa fome por regras e modelos ocorre porque precisamos reduzir a dimensão das questões para que possam entrar em nossas cabeças. Quando lemos um artigo ou assistimos a uma entrevista de um guru falando sobre o andamento futuro do mercado, criamos um cenário  e procuramos reduzir o grau de imprevisibilidade. A idéia é tentar criar uma ordem dentro do caos e da complexidade da experiência humana.

Mas não percebemos que este mesmo paradigma pode ser o responsável por nos cegar quando algo inesperado ocorrer.

Um bom exemplo são os momentos extremos do mercado. Os topos e fundos importantes. Quando o humor do investidor atinge o pico do medo ou do otimismo.

Em uma fase de bonança muitos investidores abraçam tardiamente a tendência do mercado, e projetam uma contínua era de ouro. A ganância domina o medo e, quando o cenário é revertido, vários investidores são pegos em cheio na contramão.

O contrário também é verdadeiro. Após um período de pânico, onde o preço das ações despenca, muitos investidores jogam a toalha, abraçam o pessimismo e extrapolam o caos momentâneo. E justamente quando quase todos estão adotando esse tom catastrófico, as coisas começam a melhorar.

Em resumo,o que quero passar neste texto não é a idéia de que toda análise ou previsão do mercado é inútil. Apenas que elas devem ser usadas com prudência e não permitir que elas limitem o nosso campo de visão e o nosso senso crítico.

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O Fed e o FOMC

Publicado em 24.09.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Informações, Opinião

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federal

Retomando o assunto sobre indicadores econômicos, neste artigo vou abordar a reunião que ocorre a cada 40 dias (aproximadamente) nos EUA e que define a taxa básica de juros americana.

O Fed e o seu diretório, nesta reunião, definem os rumos da economia americana. A definição se haverá um aumento ou uma redução da taxa depende basicamente de dois fatores: como anda o desemprego no país e se existem pressões inflacionárias.

Juntamente com a nova taxa básica de juros, o FOMC (Federal Open Market Committee) apresenta um relatório com algumas considerações sobre as ações tomadas. Um exemplo deste relatório pode ser visto, neste endereço: http://www.federalreserve.gov/newsevents/press/monetary/20090923a.htm . Este foi o relatório da reunião de ontem que manteve a taxa básica de juros americana em 0%-0,5%.

No final do relatório são apresentados os membros do diretório que participaram da votação. O fato de haver ou não unanimidade na votação é um aspecto muito observado pelo mercado. No caso da reunião de ontem, todos os participantes concordaram com a manutenção da atual taxa de juros.

A atitude de combater energicamente a inflação é chamada nos EUA de “hawkish attitude”, enquanto a ação para atacar o risco do desemprego assume o nome de “dovish attitude”.

Normalmente o Fed sobe a taxa de referência para contrastar um aquecimento da economia, e se o aumento não é isolado, ou seja se ele ocorre sucessivamente, os analistas interpretam que o Banco Central americano entrou em uma tendência de alta, chamada de “tightening corridor”. Por outro lado, se o Fed corta a taxa de referência, a intenção é combater uma contração da economia (como vem ocorrendo desde o ano passado) e da mesma forma, se a redução não é isolada, o mercado considera que o Banco Central entrou em uma tendência de baixa, chamada  de “easing corridor”.

Usando como parâmetro a decisão do FOMC e o relatório divulgado, o mercado costuma utilizar uma tabela de acompanhamento, como à apresentada abaixo, para entender os movimentos do Fed.

fed

Acredito que com esta tabela fique mais fácil de interpretar os rumos da principal economia do mundo. Faça um teste… utilize o relatório de ontem do Fed e me diga em que estágio estamos no momento? Sem dúvida, uma simulação muito interessante.

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Para facilitar os que não dominam o inglês, abaixo trago uma tradução do relatório realizado pela Agência Estado.

“A informação recebida desde que o Comitê Federal de Mercado Aberto se reuniu em agosto sugere que a atividade econômica acelerou após seu severo declínio. As condições nos mercados financeiros melhoraram mais e a atividade no setor de moradia aumentou. Os gastos das famílias parecem estar se estabilizando, mas permanecem limitadas pela perda em andamento do emprego, lento crescimento da renda, menor valor das residências e crédito apertado. As empresas ainda estão cortando investimento fixo e pessoal, embora em um ritmo mais lento; eles continuam a fazer progressos em trazer os estoques a um melhor alinhamento com as vendas. Embora a atividade econômica provavelmente vá se manter fraca por algum tempo, o Comitê antecipa que as ações de política para estabilizar os mercados financeiros e as instituições, estímulos fiscal e monetário e forças do mercado vão dar suporte a um fortalecimento do crescimento econômico e um gradual retorno a níveis mais altos de utilização dos recursos em um contexto de estabilidade de preço.
Como a substancial folga de recursos provavelmente vai continuar a esfriar a pressão de custos e com as expectativas de inflação no longo prazo estáveis, o Comitê espera que a inflação vá permanecer contida por algum tempo.
Nessas circunstâncias, o Federal Reserve continuará a empregar uma ampla variedade de instrumentos para promover a recuperação econômica e para preservar a estabilidade de preço. O Comitê vai manter a meta da faixa dos Fed Funds em zero a 0,15% e continuará a antecipar que as condições econômicas provavelmente vão garantir níveis excepcionalmente baixos das taxas dos Fed Funds por um período prolongado. Para proporcionar suporte ao empréstimo hipotecário e aos mercados de moradia e para melhorar as condições gerais nos mercados de crédito privado, o Federal Reserve vai comprar um total de US$ 1,25 trilhão de ativos lastreados em hipotecas de agências e até US$ 200 bilhões de dívida de agências. O Comitê vai gradualmente desacelerar o ritmo dessas compras com objetivo de promover uma suave transição nos mercados e antecipa que elas serão executadas até o final do primeiro trimestre de 2010.
Como anteriormente anunciado, as compras de US$ 300 bilhões de Treasuries pelo Federal Reserve serão completadas até o final de outubro de 2009. O Comitê vai continuar a avaliar o momento e volumes gerais de suas compras de ativos à luz do desenvolvimento da perspectiva econômica e das condições nos mercados financeiros. O Federal Reserve está monitorando o tamanho e composição de seu balanço patrimonial e fará ajustes nos seus programas de crédito e de liquidez conforme seja justificado.

A votação para a ação de política monetária no Fomc foi: Ben S. Bernanke, presidente; William C. Dudley, vice-presidente; Elizabeth A. Duke; Charles L.
Evans; Donald L. Kohn; Jeffrey M. Lacker; Dennis P. Lockhart; Daniel K. Tarullo; Kevin M. Warsh; e Janet L. Yellen.”

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O Trader e os indicadores econômicos

Publicado em 22.09.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Estratégias, Opinião

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numeros Conheço muitos traders que consideram a utilização de indicadores econômicos na criação de uma metodologia operacional completamente inútil. Estes operadores baseiam todas as estratégias exclusivamente nos gráficos. E sem dúvida, muitos deles conseguem obter resultados consistentes.

Mas a minha forma de encarar este assunto é um pouco diferente. O principal elemento de um trading system, independente do tipo de estratégia utilizada, é a volatilidade. Se os preços não se moverem com força dificilmente o trader conseguirá extrair lucro na operação.

Se olharmos para a divulgação de alguns indicadores econômicos (principalmente nos EUA) podemos notar claramente um aumento da volatilidade nos mercados.

Assim considero imprescindível conhecer com detalhes a agenda econômica da semana. Ela pode, sem dúvida, melhorar o timming do trader.

Saber a hora que teremos um incremento da volatilidade é muito importante, mas descobrir através dos indicadores econômicos qual será a direção do mercado é uma tarefa bem mais difícil. Nem sempre um número positivo (nos indicadores) pode representar um movimento para cima nos mercados. Muitas vezes, os mercados já anteciparam uma notícia positiva ou negativa e no momento da divulgação (de fato) é chegada a hora de encerrar a posição.

George Soros, no seu último livro, “O novo modelo para os mercados financeiros”, destaca que existe uma diferença entre querer entender a realidade (função cognitiva) e a função manipulativa, onde o individuo baseado naquilo que aprendeu persegue o seu interesse e desta forma manipula a realidade.

Resumindo, o que quero passar neste artigo, é que ao elaborar um cenário através dos indicadores macroeconômicos podemos reduzir e compreender os riscos e aumentar a probabilidade de descobrir um possível viés para o mercado. Porém a incerteza, relacionada aos eventos raros e extremos (cisnes negros de Nassim Taleb) pode muitas vezes contrariar uma explicação racional de um trend.

Fazendo mais uma citação, Nassim Taleb no maravilhoso livro “A lógica do Cisne Negro”, conclui: “ O risco pode ser assimilado no decorrer da história mas a incerteza representa um salto improvável, onde o que valia antes passa a não valer mais”.

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Gostaria muito de saber dos diversos traders que visitam o blog sobre o que pensam da utilização ou não dos indicadores econômicos nas estratégias operacionais.

Pretendo voltar a falar sobre este assunto e eventualmente mostrar quais indicadores eu costumo acompanhar mais de perto.

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Primeiro aniversário

Publicado em 15.09.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Destaques, Estratégias, Opinião

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bolo A exatamente 1 ano atrás a economia mundial parecia estar à beira da calamidade. No espaço de três dias, de 15 a 18 de setembro de 2008, o Lehman Brothers apresentou seu pedido de falência, o controle da mega-seguradora AIG foi assumido pelo governo dos EUA e o Merrill Lynch, ícone falido de Wall Street, foi absorvido pelo Bank of America numa transação intermediada e financiada pelo governo dos EUA. O pânico se instaurou e o crédito parou de circular. Companhias não conseguiam capital de giro, quanto mais recursos para investimentos de longo prazo. Uma depressão como aquela vista em 1929, parecia possível.

Hoje, a tempestade parece ter passado. Pelo menos, o temor de uma depressão foi descartado. Os principais bancos centrais do mundo impediram o colapso dos mercados financeiros fornecendo liquidez de curto prazo a outros bancos e a companhias industriais.

Os mercados reagiram de forma inusitada. No início se falava em uma recuperação na forma de “L”. Em seguida, se imaginou que seria possível o formato em “U”. Agora, alguns analistas já cogitam a idéia das principais bolsas do mundo apresentarem uma configuração do tipo em “V”.

Isso, tudo em “apenas” 365 dias.

Mas existe um custo para esta rápida reação. Os bancos centrais das maiores economias do mundo elevaram seus gastos visando compensar a queda no consumo das famílias e no investimento empresarial. Nos EUA, por exemplo, o pacote do governo superou US$ 1 trilhão aumentando consideravelmente o deficit orçamentário.

Não tem jeito… mas cedo ou mais tarde a conta precisará ser paga. Os problemas orçamentários nos EUA, obrigarão o governo, em um futuro próximo, a reduzir gastos ou elevar impostos. Além disso, a inflação deve voltar a dar as caras, obrigando o Fed a mexer na taxa básica de juros americana (hoje, praticamente zerada).

Portanto, neste primeiro aniversário do estopim da maior crise financeira do século XXI, acho que devemos ter uma comemoração contida. As decisões foram tomadas de maneira muito rápida e coordenada, acalmando as pressões recessivas. Porém novos desafios parecem estar próximos, e o mercado, como de costume, deve antecipar os fatos.

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Os extremos do mercado

Publicado em 01.09.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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extremos A aproximadamente 10 meses atrás o Ibovespa alcançava os 29435 pontos. Parecia o fim do mundo. A crise do subprime havia se transformado em uma crise financeira global. Todos os mercados, desenvolvidos ou em desenvolvimento, pareciam fadados à ruína.

O cenário era sombrio. As quedas acentuadas e sucessivas do Ibovespa geravam pânico em muitos investidores, que na sua maioria estavam acostumados com ganho, já que grande parte ingressou na bolsa a partir de 2003 e daí em diante só presenciou valorizações. Desde 2002 o investidor nunca havia visto o Ibovespa no território negativo no final do ano.

Naquela época escrevi um artigo, intitulado “O momento é agora”, onde reforçava a oportunidade que a queda do Ibovespa estava gerando para investidores de longo prazo. Recebi algumas críticas e perdi até alguns leitores insatisfeitos com o fato de eu sugerir investimentos em renda variável em um momento tão delicado da economia mundial.

Mas na minha cabeça a idéia estava clara. Os mercados vivem de ciclos. O investidor não pode se deixar contagiar. No final do ano passado, não havia  porque se desesperar, desde que não existisse a necessidade de utilização no curto prazo dos recursos aplicados em bolsa de valores.

No dia 28/10/08 escrevi outro artigo, intitulado “As crises do passado”, onde fazia uma retrospectiva dos “bear markets” dos últimos 15 anos no Ibovespa. Os gráficos deixavam claro que o mercado alternava ciclos altistas e baixista. O mais curioso é que, sem querer, o artigo foi publicado exatamente no dia que o Ibovespa encontrou o fundo da crise do subprime.

Seguindo o mesmo raciocínio, atualmente enxergo um certo exagero no movimento recente do Ibovespa. A alta de mais de 100% do IBOV dolarizado (veja gráfico abaixo) não encontra respaldo nos múltiplos das empresas e nos números macro-econômicos. Quando o mercado se comporta dessa maneira, temos como resultado o otimismo exagerado nos investidores, fazendo as pessoas subestimarem a possibilidade de quedas e a significância de eventos negativos. As finanças comportamentais chamam esse evento de limitações cognitivas. Ou seja, o investidor estima probabilidades a partir de amostras que não são verdadeiramente representativas da realidade objetiva.

Benjamim Graham, resumiu bem este comportamento cíclico dos mercado: “O mercado é um pêndulo que sempre oscila entre o otimismo insustentável e o pessimismo injustificável”.

IBOVdol

Ibov dolarizado

Nota: Importante frisar que as minhas operações especulativas de curto prazo (trading) nada tem haver com a minha visão de longo prazo do mercado. Faço uma clara distinção entre as duas abordagens.

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