A mão do Estado
Publicado em 25.06.2012 por CHRistian na(s) categoria(s) Análises, Destaques, Opinião
O Ibovespa este ano chegou a se valorizar mais de 20% nos três primeiros meses do ano e agora, próximo do encerramento do semestre, perde 5%. Essa volatilidade assusta ainda mais quando comparamos a performance do Ibovespa com o Dow Jones. No gráfico abaixo, notamos a diferença entre os dois índices. Enquanto o Ibov já trabalha no campo negativo, o DJI ainda tem uma valorização no ano de aproximadamente 2%.
Essa diferença de performance não é exclusividade da bolsa americana. Ao analisarmos o iShares MSCI Brazil Index com o Ishares MSCI dos Países Emergentes é fácil perceber como os investidores tem uma visão mais pessimista da nossa bolsa.
Nos últimos 3 meses a aversão ao risco em relação a nossa bolsa aumentou muito.
Mas o que estaria acontecendo? Afinal de contas temos um economia sólida, uma taxa de desemprego baixa e um bom crescimento no poder de compra da população. Porque esse mau humor?
A crise da Europa e a desaceleração da China, apesar de serem as respostas mais óbvias, não me parecem suficientes. Afinal de contas, estes dois problemas afetam o mundo todo e não apenas o Brasil.
Talvez uma possível explicação seja o movimento intervencionista adotado pelo governo Dilma. O mercado não tolera às atividades governamentais excessivas.
Este ano, o governo brasileiro vem atuando de forma mais incisiva nas diretrizes que regem o mercado. A decisão do governo de incentivar os bancos públicos a reduzir suas taxas de juros sobre o crédito de forma a pressionar os bancos privados a adotarem a mesma estratégia, é um bom exemplo. Além disso, as constantes mudanças tributárias no mercado cambial afetam diretamente o preço do dólar frente ao real. A política de reajuste dos combustíveis e as recentes mudanças no cálculo da poupança, visando um corte mais acentuado dos juros, representam mais dois exemplos de ingerência governamental recente.
O investidor olhando para este cenário se retrai. Ele tem a expectativa (talvez utópica) de que o mercado precisa ser livre e independente.
Aliás a discussão entre o livre mercado versus a regulação financeira é um assunto que desperta grande paixão.
Por um lado, a recente crise do subprime mostrou que a falta de uma presença mais participativa do Estado, foi um dos fatores que contribuíram para aumentar o tamanho do problema e para facilitar a quantidade de abusos cometidos. Por outro lado, como preconizava Adam Smith, a “mão invisível” é a melhor juíza para resolver todas as distorções do mercado.
Acredito que a solução esteja no meio termo das duas correntes. As empresas e as instituições financeiras para operarem devem alcançar o máximo de liberdade no seu dia a dia, com nenhuma ou pouca interferência do Governo. Ao Estado cabe o papel de regulador, coibindo abusos e interferindo toda vez que o sistema estiver em perigo.
Em resumo, o Estado deve criar limites para a ganância nata dos mercados, mas em nenhum momento escolher os vencedores ou os perdedores. Isso cabe única e exclusivamente ao mercado, mediante a livre e saudável concorrência.
Infelizmente, utilizando apenas como parâmetro o movimento da nossa bolsa esse ano , parece que os agentes do mercado não enxergam essa visão na atual política governamental brasileira.
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Há algumas décadas atrás, quem se formava em física vislumbrava trabalhar em uma grande empresa de pesquisa ou ser professor universitário. Sua função era explorar os princípios básicos que governam a estrutura e o comportamento da matéria e da energia.
É comum visitantes do blog me perguntarem por email sobre a minha abordagem operacional no mercado financeiro. Invariavelmente, as perguntas são assim: “Mas afinal Christian, por usar tanto a AT como a AF, você é um investidor ou um trader? ”.










