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Modelo de garimpagem

Publicado em 17.03.2010 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Análise Técnica, Aprendizado, Estratégias, Opinião

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image O Ibovespa se aproxima rapidamente do topo histórico nos 73920 pontos, atingido em 29 de maio de 2008. Ou seja, se considerarmos o fechamento de ontem, estamos a pouco mais de 5% da maior pontuação do principal índice da bolsa paulista. Se calcularmos a valorização do Ibov desde o fundo marcado em Outubro de 2008 (29435 pontos) superamos os 130% de valorização nos últimos 14 meses.

Diante deste cenário, as perguntas são inevitáveis: a bolsa está cara ou continua barata? Vale a pena investir agora ou é melhor esperar alguma correção? A bolsa vai continuar subindo ou vai cair?

A realidade é que não existe uma resposta única. Existem hoje na bolsa empresas que estão caras ao passo que há outras que continuam baratas. No pânico (como ocorreu no “bear market” de 2008), o mercado se desfez das ações de uma forma indiscriminada, pois nestes momentos a racionalidade deixa de prevalecer dando lugar ao comportamento de manada. E agora na euforia atual, a situação é muito parecida. Muitos investidores compram ativos influenciados pelo bom humor do mercado e não analisando os fundamentos e as perspectivas econômicas e gráficas do papel.

IBOV

Quando me refiro as perspectivas econômicas e gráficas do papel, quero dizer que não basta olhar apenas para os fundamentos de cada empresa. É necessário dimensionar o impacto de eventuais crises econômicas nos resultados futuros da empresa, e identificar a tendência do preço do ativo. Em linhas gerais o que pretendo é meclar os conceitos da escola fundamentalista e gráfica dentro de uma mesma estratégia.

Assim poderíamos criar o seguinte modelo de garimpagem:

  1. Selecionamos ativos com múltiplos atraentes.
  2. Encontramos ativos que tenham a capacidade de manter a lucratividade mesmo em um cenário macro-econômico mais adverso. Exemplo: empresas que conseguem manter a receita estável graças à monopólio, “market share” dominante, marca forte que permite a diferenciação do produto, etc. Exemplo2: Empresas que conseguem manter as margens porque possuem poder de barganha com fornecedores e desta forma podem repassar o aumento dos custos nos preços.
  3. Identificamos a tendência do ativo utilizando a análise gráfica e programamos o “momentum” de entrada.

Seguindo um modelo como este acho que o investidor pode sofrer menos com o movimento errático das bolsas e provavelmente conseguirá respostas para as duas primeiras perguntas do começo do artigo. Já uma resposta para a terceira e última pergunta duvido que alguém consiga dizer com grau de confiança satisfatório.

Risco x Lucro

Publicado em 22.02.2010 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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Cada oportunidade de ganho no mercado exige também tomar determinado risco. Grandes ganhos estão associados a grandes riscos.

A afirmação acima parece muito obvia, mas muitos traders (até experientes) se iludem com a expectativa de descobrirem um trade system infalível e livre das perdas.

Um trade system (TS) pode ser classificado dentro de três modelos básicos: trend following, contra-tendência e arbitragem.

Normalmente no modelo de trend following o trader se depara com pequenas perdas e pequenos ganhos. O sistema procura insistentemente um trend e sai rapidamente da operação assim que os preços começam a se mover na direção contrária. Desta forma, é normal ocorrerem um número maior de operações perdedoras do que vencedoras. Se aumentamos a nossa tolerância ao risco, ou seja, usando um trend mais lento ou um stop loss mais amplo, o TS vai apresentar um número maior de operações vencedoras, mas consequentemente perdas financeiras mais altas e uma maior volatilidade do próprio capital.

As estratégias contra-tendência normalmente assumem um risco maior. Os lucros são menores mas ocorrem com mais frequência do que as perdas. Porém, ao ser stopado o trader costuma sofrer um grande prejuízo. Na prática, a lógica da contra-tendência é a mesma do trend-following, apenas com o sinal invertido.

Já a arbitragem procura “eliminar” o risco comprando um determinado ativo e vendendo outro que tenha uma correlação negativa. Neste tipo de operação, a possibilidade de perda torna-se muito limitada, mas ao mesmo tempo o lucro também é muito reduzido.

Não existe um modelo secreto de trading capaz de produzir apenas operações vencedoras. Certamente alguns trade systems são melhores que outros, mas nenhum deles está imune de assumir riscos.

É inevitável… quanto maior o ganho, maior o risco… e a única forma de não correr nenhum risco é não operar no mercado.

tabela

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Olhando o passado

Publicado em 02.02.2010 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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Muitos investidores tem se perguntado nas últimas semanas se a atual correção dos preços nos mercados é apenas um ajuste temporário ou se de fato estamos diante de uma nova onda de baixas. Difícil prever o futuro, mas algumas observações podem ser feitas.

Primeiramente,devemos fazer uma distinção entre o pânico e os “bear markets” (mercados com tendência de baixa). A diferença entre pânico e bear market não é o estrago causado nos preços, mas a duração e o impacto na psicologia dos agentes de mercado. Nos mercados financeiros, costuma-se dizer que pânicos devem ser usados como boas oportunidades de compra, enquanto “bear markets”  devem ser vendidos tão logo são identificados. Sem dúvida, o difícil neste caso, é identificar corretamente ambos.

O passado nunca é um guia perfeito para o futuro, que é sempre incerto. Mas ignorar totalmente as lições do passado pode ser um erro fatal para o investidor. Pensando desta forma, resolvi estudar dois exemplos de “bear markets” para saber o que ocorreu durante estas épocas difíceis.

O primeiro exemplo, é o período entre 1997 e 1999 quando o Ibovespa se desvalorizou mais de 70 %. Mas, naquele período, ocorreram pelo menos quatro recuperações fortes.

IBOV

IBOV (1997-1999)

O segundo exemplo, é o período entre 2000 e 2002, quando a bolha da internet estourou e a Nasdaq caiu aproximadamente 80%. No entanto, também ocorreram quatro fases de recuperação no período.

nasdaq

Nasdaq (2000-2002)

Acredito que estes exemplos nos mostram que existe muita volatilidade em “bear markets” e que uma entrada prematura para investidores afoitos pode ser o caminho mais rápido para a desgraça.

Uma verdadeira tendência de baixa pode demandar muitos meses de ajustes “dolorosos”. Durante esta fase de limpeza dos excessos da bonança, ocorrem recuperações nos mercados que podem iludir os mais otimistas. Saber quando se está diante de um “bear market” rali, ou quando uma nova fase de otimismo sustentável começou, faz toda a diferença no resultado. Acertar com exatidão as viradas dos mercados é praticamente impossível. Mas muitos investidores acabam enganados pelas falsas viradas, fases de acelerada recuperação dos ativos durante um cenário ainda desfavorável.

Em resumo, quando entramos em uma grande e duradoura correção dos preços, várias fases de recuperação e expressivas altas podem coexistir. Sem dúvida, estas oscilações representam uma grande oportunidade para os traders rápidos que não se apegam aos ativos. Mas, por outro lado, representam também um grande perigo para o investidor de longo prazo que passa a acreditar que o pior já passou e que está diante de uma importante virada sustentável, enquanto está apenas verificando uma recuperação dentro de um mercado ainda negativo.

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Os treasuries e o ISM

Publicado em 27.10.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Estratégias, Informações, Opinião

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treasuries

ism

Spread entre Treas. 2Y e 10Y

ISM (Institute Suply Management)

Um interessante medidor econômico é a analise da relação dos treasuries americanos de 2 e 10 anos, juntamente com o ISM (Institute Suply Management).

Quando temos uma aproximação entre os rendimentos dos treasuries de 2 e 10 anos significa que o mercado passa por um momento de calmaria e que portanto a expectativa dos agentes do mercado é de crescimento econômico.

A política de juros do Fed influência diretamente o rendimento dos treasuries. Os notes de 2 anos se ajustam mais rapidamente à variação da taxa de juros do que os notes de 10 anos. Ou seja, em um período de recessão os notes de vencimento mais curto caem juntamente com a taxa de referência mais rapidamente que os notes mais longos.  Já em períodos de expansão econômica, acontece o inverso, ou seja, eles sobem mais rapidamente. No gráfico isso fica bem evidenciado se pensarmos, que em 2007/2008 visando combater a recessão que se avizinhava, o Fed cortou drasticamente a taxa básica de juros americana.

Desta forma, podemos concluir que:

Quando a diferença entre os Treas.10Yr e Treas.2Yr aumenta, a expectativa é que teremos um momento de queda na atividade econômica dos EUA.

Quando a diferença entre os Treas.10Yr e Treas.2Yr diminui, a expectativa é que teremos um momento de crescimento na atividade econômica dos EUA.

Já o ISM é considerado por muitos analistas o indicador mais importante divulgado nos EUA. Estudos comprovam que quando o ISM (seja de produção como de serviços) estiver abaixo de 43 por dois meses seguidos, significa que a economia americana se aproxima de uma recessão. Por outro lado, um ISM acima de 60 por dois meses seguidos, pode representar uma economia super aquecida e com um grande risco inflacionário.

Juntando estas informações podemos criar esta tabela de acompanhamento abaixo e tentarmos identificar em que estágio se encontra a saúde da economia americana e conseqüentemente criar uma estratégia para o mercado acionário:

tabela

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Ibov e as ADRs

Publicado em 22.10.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Estratégias, Opinião

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ibovxbr20

Correlação Ibov x  BR20 Titans

Este talvez seja o gráfico mais importante a ser acompanhado no momento. Ele apresenta a correlação entre o Ibov e o BR20 Titans que engloba a 20 principais ADRs brasileiras negociadas em Nova York.

Hoje, o jornal Valor Econômico traz uma matéria onde especialistas tributários confirmam que ao negociar com ADRs o investidor não pode ser taxado pelo IOF. Desta forma, o mercado americano (infelizmente) aparece como uma grande alternativa para o investidor externo adquirir ações de empresas brasileiras.

Até então a correlação entre os dois índices sempre foi muito estreita. Caso tenhamos uma mudança neste cenário, ficará claro a migração do capital para as ADRs.

É verdade que o número de empresas brasileiras que possuem ADRs é muito pequeno, mas com a facilidade de captar dinheiro externo este total pode aumentar.

Vamos ver até quando o governo (Guido Mantega) irá sustentar a viabilidade da medida de taxação do IOF. As justificativas estão acabando. A propósito, o dólar comercial (que deveria voltar a subir) continua caindo… no momento (11:25hs) –0,57%, cotado à R$1,734 !

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O perigo do IOF

Publicado em 20.10.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Informações, Opinião

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image A resolução: A partir de hoje todo investimento estrangeiro direcionado a aplicações em bolsas e títulos públicos será taxado em 2% de IOF. A medida não afeta os investimentos externos diretos (IED).

A intenção: Segundo o governo há um excesso de aplicações de estrangeiros na bolsa e a medida visa evitar a formação de uma bolha especulativa no mercado brasileiro. Segundo o ministro da Fazenda Guido Mantega, cerca de US$ 20 bilhões entraram no país para investimentos em ações no ano, entre janeiro e o começo deste mês. Além da bolha, com a nova taxação, a intenção dos senhores de Brasília é reduzir a valorização do real que atrapalha as exportações, tornando os produtos brasileiros menos competitivos.

Em um primeiro momento, julgo a medida como positiva. O capital estrangeiro que hoje em dia aporta no país visando aproveitar as oscilações de curto prazo da bolsa sentirá o peso dos 2% do novo tributo. Agora para aqueles que permanecerem por 12 meses ou mais, o IOF vai ser diluído no tempo e portanto não deixarão de investir.

Pensando mais a fundo sobre a questão, percebo que a medida pode afetar drasticamente a nossa bolsa. Os investimentos estrangeiros que ingressam no Brasil para a aquisição de ações e debêntures, apesar de inicialmente parecerem investimentos especulativos, têm um papel fundamental para a evolução do nosso mercado de capitais e para a competitividade das empresas brasileiras. Estes investimentos dão liquidez às ações e às debêntures, atraindo mais investidores para as bolsas e, portanto, fazendo com que a emissão de dívidas por parte das empresas se torne uma opção viável para a captação de recursos. Em um país com um custo bancário tão elevado, estas fontes adicionais de financiamento adquirem um papel relevante para a competitividade das empresas. Sem elas, muitas de nossas empresas não teriam conseguido realizar os investimentos relevantes que se materializaram nos últimos anos. A possível fuga do capital estrangeiro com a nova taxação e a consequente queda no valor das ações das empresas podem gerar um custo pesado para a economia como um todo.

É importante acompanhar como será o fluxo de capital estrangeiro nas próximas semanas. Vale lembrar que existem muitas empresas brasileiras listadas em Nova York, através das ADRs (American Depositary Receipts), o que pode atrair os recursos sem a incidência do novo imposto.

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Novo paradigma ?

Publicado em 13.10.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Estratégias, Opinião

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image O Nobel de economia divulgado hoje causou surpresa na maioria da comunidade econômica. Os ganhadores foram Elinor Ostrom, da Universidade de Indiana, primeira mulher a receber o Nobel de Economia e Oliver Williamson, da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Ostrom estudou como grupos de pessoas conseguem explorar recursos naturais de forma sustentável, mesmo sem regulação do governo ou privatização.

Já Williamson pesquisou como é o processo de decisão dentro das empresas e como, às vezes, isso funciona melhor do que deixar as decisões a cargo do livre mercado.

O interessante dos premiados é que o tipo de pesquisa de ambos não trata de assuntos relacionados a teoria econômica tradicional. Deixando claro que existe uma demanda crescente na sociedade e principalmente nos mercados por novas abordagens. Parece que os erros recentes que deflagraram a crise do subprime começam a ser combatidos. A idéia de conseguir administrar e controlar o risco do mercado apenas através de fórmulas matemáticas começa a perder seu espaço.

Nenhum modelo estatístico está verdadeiramente preparado para apontar a ocorrência de eventos catastróficos, que, como temos visto, ocorrem com certa frequência. Portanto, um conjunto de fórmulas matemáticas, por mais sofisticado que possa parecer, não pode ser a solução quando se fala em controle de riscos, especialmente quando derivativos são utilizados como parte da estratégia.

Cada vez mais saber interpretar a relação entre os agentes do mercado (indivíduos, empresas, mercado e grupos) se torna importante.  O Nobel de economia deste ano pode ser o início de um novo paradigma para as finanças, mais focado no comportamento das massas e menos refém de dogmas do passado.

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A incerteza do mercado

Publicado em 29.09.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Destaques, Estratégias, Opinião

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incerteza Manter um blog (e um twitter) sobre o mercado financeiro não é uma tarefa fácil. Muitas vezes me vejo tentado a fazer previsões simplistas sobre o andamento de determinado papel ou índice e não percebo que apesar do fundamento técnico ou fundamentalista, o mercado (principalmente no curto prazo) é regido pela incerteza.

Foi o que disse, o filósofo austríaco Karl Popper: “O futuro está em aberto; não é predeterminado e, deste modo, não pode ser previsto, a não ser por acidente”.

Esta é uma característica inerente a todo ser  humano. Precisamos criar modelos e fazer previsões para que possamos nos sentir mais seguros quando tomamos uma decisão. Assim buscamos cada vez mais informação, tentando dar respaldo a nossa opinião.

No mercado este tipo de atitude é muito comum. Não é raro investidores e traders analisarem determinado ativo mas apenas realizar a operação depois que um amigo ou uma comunidade na internet indicou o mesmo papel. É como se uma possível perda em conjunto fosse mais confortante que a perda individual.

Essa fome por regras e modelos ocorre porque precisamos reduzir a dimensão das questões para que possam entrar em nossas cabeças. Quando lemos um artigo ou assistimos a uma entrevista de um guru falando sobre o andamento futuro do mercado, criamos um cenário  e procuramos reduzir o grau de imprevisibilidade. A idéia é tentar criar uma ordem dentro do caos e da complexidade da experiência humana.

Mas não percebemos que este mesmo paradigma pode ser o responsável por nos cegar quando algo inesperado ocorrer.

Um bom exemplo são os momentos extremos do mercado. Os topos e fundos importantes. Quando o humor do investidor atinge o pico do medo ou do otimismo.

Em uma fase de bonança muitos investidores abraçam tardiamente a tendência do mercado, e projetam uma contínua era de ouro. A ganância domina o medo e, quando o cenário é revertido, vários investidores são pegos em cheio na contramão.

O contrário também é verdadeiro. Após um período de pânico, onde o preço das ações despenca, muitos investidores jogam a toalha, abraçam o pessimismo e extrapolam o caos momentâneo. E justamente quando quase todos estão adotando esse tom catastrófico, as coisas começam a melhorar.

Em resumo,o que quero passar neste texto não é a idéia de que toda análise ou previsão do mercado é inútil. Apenas que elas devem ser usadas com prudência e não permitir que elas limitem o nosso campo de visão e o nosso senso crítico.

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O Fed e o FOMC

Publicado em 24.09.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Informações, Opinião

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federal

Retomando o assunto sobre indicadores econômicos, neste artigo vou abordar a reunião que ocorre a cada 40 dias (aproximadamente) nos EUA e que define a taxa básica de juros americana.

O Fed e o seu diretório, nesta reunião, definem os rumos da economia americana. A definição se haverá um aumento ou uma redução da taxa depende basicamente de dois fatores: como anda o desemprego no país e se existem pressões inflacionárias.

Juntamente com a nova taxa básica de juros, o FOMC (Federal Open Market Committee) apresenta um relatório com algumas considerações sobre as ações tomadas. Um exemplo deste relatório pode ser visto, neste endereço: http://www.federalreserve.gov/newsevents/press/monetary/20090923a.htm . Este foi o relatório da reunião de ontem que manteve a taxa básica de juros americana em 0%-0,5%.

No final do relatório são apresentados os membros do diretório que participaram da votação. O fato de haver ou não unanimidade na votação é um aspecto muito observado pelo mercado. No caso da reunião de ontem, todos os participantes concordaram com a manutenção da atual taxa de juros.

A atitude de combater energicamente a inflação é chamada nos EUA de “hawkish attitude”, enquanto a ação para atacar o risco do desemprego assume o nome de “dovish attitude”.

Normalmente o Fed sobe a taxa de referência para contrastar um aquecimento da economia, e se o aumento não é isolado, ou seja se ele ocorre sucessivamente, os analistas interpretam que o Banco Central americano entrou em uma tendência de alta, chamada de “tightening corridor”. Por outro lado, se o Fed corta a taxa de referência, a intenção é combater uma contração da economia (como vem ocorrendo desde o ano passado) e da mesma forma, se a redução não é isolada, o mercado considera que o Banco Central entrou em uma tendência de baixa, chamada  de “easing corridor”.

Usando como parâmetro a decisão do FOMC e o relatório divulgado, o mercado costuma utilizar uma tabela de acompanhamento, como à apresentada abaixo, para entender os movimentos do Fed.

fed

Acredito que com esta tabela fique mais fácil de interpretar os rumos da principal economia do mundo. Faça um teste… utilize o relatório de ontem do Fed e me diga em que estágio estamos no momento? Sem dúvida, uma simulação muito interessante.

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Para facilitar os que não dominam o inglês, abaixo trago uma tradução do relatório realizado pela Agência Estado.

“A informação recebida desde que o Comitê Federal de Mercado Aberto se reuniu em agosto sugere que a atividade econômica acelerou após seu severo declínio. As condições nos mercados financeiros melhoraram mais e a atividade no setor de moradia aumentou. Os gastos das famílias parecem estar se estabilizando, mas permanecem limitadas pela perda em andamento do emprego, lento crescimento da renda, menor valor das residências e crédito apertado. As empresas ainda estão cortando investimento fixo e pessoal, embora em um ritmo mais lento; eles continuam a fazer progressos em trazer os estoques a um melhor alinhamento com as vendas. Embora a atividade econômica provavelmente vá se manter fraca por algum tempo, o Comitê antecipa que as ações de política para estabilizar os mercados financeiros e as instituições, estímulos fiscal e monetário e forças do mercado vão dar suporte a um fortalecimento do crescimento econômico e um gradual retorno a níveis mais altos de utilização dos recursos em um contexto de estabilidade de preço.
Como a substancial folga de recursos provavelmente vai continuar a esfriar a pressão de custos e com as expectativas de inflação no longo prazo estáveis, o Comitê espera que a inflação vá permanecer contida por algum tempo.
Nessas circunstâncias, o Federal Reserve continuará a empregar uma ampla variedade de instrumentos para promover a recuperação econômica e para preservar a estabilidade de preço. O Comitê vai manter a meta da faixa dos Fed Funds em zero a 0,15% e continuará a antecipar que as condições econômicas provavelmente vão garantir níveis excepcionalmente baixos das taxas dos Fed Funds por um período prolongado. Para proporcionar suporte ao empréstimo hipotecário e aos mercados de moradia e para melhorar as condições gerais nos mercados de crédito privado, o Federal Reserve vai comprar um total de US$ 1,25 trilhão de ativos lastreados em hipotecas de agências e até US$ 200 bilhões de dívida de agências. O Comitê vai gradualmente desacelerar o ritmo dessas compras com objetivo de promover uma suave transição nos mercados e antecipa que elas serão executadas até o final do primeiro trimestre de 2010.
Como anteriormente anunciado, as compras de US$ 300 bilhões de Treasuries pelo Federal Reserve serão completadas até o final de outubro de 2009. O Comitê vai continuar a avaliar o momento e volumes gerais de suas compras de ativos à luz do desenvolvimento da perspectiva econômica e das condições nos mercados financeiros. O Federal Reserve está monitorando o tamanho e composição de seu balanço patrimonial e fará ajustes nos seus programas de crédito e de liquidez conforme seja justificado.

A votação para a ação de política monetária no Fomc foi: Ben S. Bernanke, presidente; William C. Dudley, vice-presidente; Elizabeth A. Duke; Charles L.
Evans; Donald L. Kohn; Jeffrey M. Lacker; Dennis P. Lockhart; Daniel K. Tarullo; Kevin M. Warsh; e Janet L. Yellen.”

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O Trader e os indicadores econômicos

Publicado em 22.09.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Estratégias, Opinião

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numeros Conheço muitos traders que consideram a utilização de indicadores econômicos na criação de uma metodologia operacional completamente inútil. Estes operadores baseiam todas as estratégias exclusivamente nos gráficos. E sem dúvida, muitos deles conseguem obter resultados consistentes.

Mas a minha forma de encarar este assunto é um pouco diferente. O principal elemento de um trading system, independente do tipo de estratégia utilizada, é a volatilidade. Se os preços não se moverem com força dificilmente o trader conseguirá extrair lucro na operação.

Se olharmos para a divulgação de alguns indicadores econômicos (principalmente nos EUA) podemos notar claramente um aumento da volatilidade nos mercados.

Assim considero imprescindível conhecer com detalhes a agenda econômica da semana. Ela pode, sem dúvida, melhorar o timming do trader.

Saber a hora que teremos um incremento da volatilidade é muito importante, mas descobrir através dos indicadores econômicos qual será a direção do mercado é uma tarefa bem mais difícil. Nem sempre um número positivo (nos indicadores) pode representar um movimento para cima nos mercados. Muitas vezes, os mercados já anteciparam uma notícia positiva ou negativa e no momento da divulgação (de fato) é chegada a hora de encerrar a posição.

George Soros, no seu último livro, “O novo modelo para os mercados financeiros”, destaca que existe uma diferença entre querer entender a realidade (função cognitiva) e a função manipulativa, onde o individuo baseado naquilo que aprendeu persegue o seu interesse e desta forma manipula a realidade.

Resumindo, o que quero passar neste artigo, é que ao elaborar um cenário através dos indicadores macroeconômicos podemos reduzir e compreender os riscos e aumentar a probabilidade de descobrir um possível viés para o mercado. Porém a incerteza, relacionada aos eventos raros e extremos (cisnes negros de Nassim Taleb) pode muitas vezes contrariar uma explicação racional de um trend.

Fazendo mais uma citação, Nassim Taleb no maravilhoso livro “A lógica do Cisne Negro”, conclui: “ O risco pode ser assimilado no decorrer da história mas a incerteza representa um salto improvável, onde o que valia antes passa a não valer mais”.

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Gostaria muito de saber dos diversos traders que visitam o blog sobre o que pensam da utilização ou não dos indicadores econômicos nas estratégias operacionais.

Pretendo voltar a falar sobre este assunto e eventualmente mostrar quais indicadores eu costumo acompanhar mais de perto.

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