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As reservas internacionais do Brasil

Publicado em 09.04.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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A bolsa brasileira apresenta em 2009 uma das melhores performances do mundo.

Não quero entrar no mérito da polêmica tese sobre o descolamento. A minha intenção neste artigo, é mostrar algo que parece evidente: o Brasil, nos últimos anos, se comparado a outros países emergentes, assumiu um papel de destaque diante dos grandes investidores estrangeiros.

Os motivos para esta mudança de paradigma são inúmeros, mas vou me ater a questão do aumento considerável das reservas brasileiras.

Reservas internacionais
Reservas Internacionais

Até o final de Março as reservas internacionais do Brasil somavam R$190 Bilhões. Em Janeiro de 2007 eram apenas R$91 Bilhões (veja gráfico).

Estas reservas são muito importantes em momentos de crise, permitindo que o país forneça líquidez para o mercado de câmbio, evitando assim uma disparada da moeda americana. A partir de Setembro do ano passado, o Banco Central ampliou as intervenções. Desde então, o BC passou a divulgar as reservas internacionais em dois conceitos. Um deles é o conceito de caixa, que inclui os dólares prontamente disponíveis para intervir no câmbio. O outro conceito é o de liquidez internacional, que inclui aplicações que podem ser recuperadas em prazos mais longos.

O BC faz dois tipos de intervenção que não representam a venda definitiva de reservas. Numa, vende dólares com o compromisso de recompra. Noutra, empresta dólares aos bancos, que usam os recursos para financiar exportações.

Treasuries 10 anos
Treasuries 10 anos

Interesante notar como as reservas, desde o início da crise se mantiveram praticamente inalteradas. Apesar das pesadas vendas de dólar feitas pelo BC no mercado à vista (conceito de caixa), as reservas (conceito de liquidez internacional) registraram ganhos expressivos com a valorização das aplicações em títulos do Tesouro americano. Os juros dos papéis com prazo de dez anos (treasuries 10Y), por exemplo, caíram de 5,02% ao ano no fim de julho de 2007 para 2,92% ontem. A queda dos juros significa, para a autoridade monetária, a alta dos preços dos papéis, com efeitos positivos sobre o volume de reservas.

Por conseguinte, assim que a crise passar, a tendência é que os juros americanos voltem a subir, derrubando o preço dos papéis. Aliás, é o que parece estar já ocorrendo (veja gráfico).

Resumindo, a monitoração das reservas internacionais do Brasil é muito importante. Até o momento a estratégia entre os dois conceitos vem sendo bem utilizada. Porém, caso o Banco Central aumente os volumes de reservas dirigidos ao financiamento de exportadores e de empresas, os investidores estrangeiros passarão a questionar a solidez externa do país. Vale a pena, ficar de olho !

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A âncora do mercado

Publicado em 07.04.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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ancora Queria agradecer a grande participação dos leitores do blog na promoção do Acerte o Ibov. Até o momento foram muitos os lances para a pontuação do Ibov no dia 30/04. Ainda falta bastante tempo para o encerramento da promoção, faça também a sua aposta…

Pensando e olhando para os números já enviados, fiquei imaginando de que forma e que tipo de análise o investidor/trader usou para projetar a cotação do índice no final do mês. Independente da forma, com certeza esse número representa uma expectativa pessoal do indivíduo. Uma espécie de âncora, um referencial.

Até o momento, posso afirmar que os amigos do blog estão muito otimistas. A grande maioria espera o índice próximo ou acima do patamar atual.

Sem dúvida, esse resultado preliminar é reflexo da alta recente. Em finanças, estudos demonstram que o retorno de uma aplicação no período anterior influência as estimativas de desempenho futuro.

Um exemplo é a dificuldade que temos de identificar a formação de uma bolha especulativa. Ao comprarmos um ativo que se encontra sobrevalorizado, tomamos esse patamar apreciado como referência de valor e o associamos a um preço justo, visível e praticado pelo mercado. Quando a bolha estoura, percebemos que fizemos uma avaliação equivocada.

A âncora, definida por cada participante da promoção, é uma tentativa de abreviar o processo decisório. No caso da âncora, selecionamos uma estimativa inicial e, então, a ajustamos à medida que recebemos informações. Isso nos permite focalizar a atenção em uma pequena quantidade de dados. Em várias situações, essa dinâmica gera boas estimativas. Problemas surgem quando usamos âncoras irrelevantes, ou quando os ajustes feitos são insuficientes para nos aproximar da realidade.

Em resumo, muito mais importante que escolher um tipo de metodologia de análise, ao tentar acertar o ibov, o investidor deve fazer um levantamento amplo do mercado, resistindo à influência dos primeiros preços que tiver contato. Isso permite uma avaliação mais abrangente do espectro de valores. Uma âncora será inevitavelmente formada. Porém, o investidor terá sua âncora formada com base em uma coleta representativa do universo de flutuação esperado, reduzindo a chance de ficar preso a uma falsa âncora e, literalmente, “afundar com ela”.

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A primeira alavancagem

Publicado em 06.04.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Estratégias

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bebeNeste presente texto pretendo continuar as observações e a mesma análise de meu último artigo. Mas buscando dessa vez observar certos aspectos no que se refere a alavancagens operacionais.

Quando começamos a operar em bolsa é comum seguirmos alguns estudos e estratégias, é comum também termos cautela e, a soma da cautela com uma simples estratégia inicial acrescida do baixo capital e consequentemente de uma baixa restrição operacional, acaba quase sempre nos levando a lucros iniciais. Isso ocorre acima de tudo porque normalmente entramos no mercado quando este está amplamente divulgado nas mídias de massa como o melhor investimento do momento, ou seja, estamos em tendência de alta de longo prazo.

Com os primeiros resultados positivos e normalmente com um bom retorno que toda tendência de alta nos traz, segue-se a clássica e errônea comparação com os mais populares investimentos brasileiros – a poupança e o CDB; Nessa comparação nasce um novo mundo, um mundo onde certamente ser um milionário se faz presente e, acima de tudo, se faz possível.

Apesar de todas as recomendações que ouvimos no mercado e de sabermos que investir em bolsa é investir no longo prazo, vislumbramos que é possível ser milionário no curto prazo.

Ocorre então a genial idéia de captarmos grana e alocá-la no mercado de capitais. Uma vez que os juros bancários brasileiros são excelentes e promovem sua captação e consequentemente o seu investimento, recorremos a outro tipo de banco, o “banco paterno”.

Qual pai não gosta de ver e inspirar o sucesso de seus filhos? Promover isto é gratificante para todo pai. Mas nesta relação o que a maior parte dos investidores não compreendem e muito menos os pais é que operar pouco ou operar pequeno é uma restrição ao amplo e fantástico mundo das bolsas de valores, ao ampliarem o capital do jovem investidor de forma fácil estamos na verdade permitindo o acesso a todo um universo amplo e complexo, um universo que não permite despreparos.

Esse capital extra é a primeira alavancagem de todo pequeno investidor, ela não representa na verdade uma alavancagem financeira, ela representa uma alavancagem psicológica, o salto do pequeno e restrito mundo do passado para um amplo universo de possibilidades e de lucros surpreendentes.

O crescimento no mercado precisa ser sempre um crescimento cauteloso, baseado em investimentos seguros e de gestão de riscos, operar em bolsa é gerenciar riscos. O jovem investidor não enxerga isso, o que é natural, pois, o baixo capital do passado de certa forma não exige essa atenção e também não expõe o investidor ao verdadeiro universo de riscos.

A expansão do capital e a consolidação do mesmo ocorre sempre agregada de uma expansão intelectual, crescer financeiramente é crescer mental e psiquicamente, se você não expandir seus conhecimentos e suas habilidades o seu capital vai encolher. E se ele está encolhendo neste momento é porque alguma coisa está errada. É hora de se alavancar em conhecimento e colher os frutos futuros.

Escrevi este artigo em primeira pessoa porque ele é de certa forma parte da minha história. E gostaria de aproveitar a oportunidade e dedicá-lo a meus pais e meus avós que permitiram não apenas minha expansão financeira, bem como a expansão intelectual necessária para o mesmo. Dedico também a todos os investidores e peço que lembrem-se sempre: para expandir seu patrimônio é preciso se expandir na mesma proporção.

Artigo escrito por Rafael Valim.

Rafael Valim, geógrafo e trader, opera no mercado financeiro e colabora eventualmente com o CHR Investor.

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Mineração – Setor em foco

Publicado em 31.03.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análises, Estratégias, Informações, Opinião, VALE5

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O setor de mineração vive um período de forte turbulência e muita especulação. Se não bastasse as negociações envolvendo o preço do minério de ferro para 2009, agora a briga pelo controle da Rio Tinto esquenta os bastidores do mundo corporativo.

No ano passado a BHP Billiton ofereceu US$66 bilhões pela compra da Rio Tinto. Com a eclosão da crise mundial, o acordo não foi concluído.

Este ano, a Alluminum Corp. of China (Chinalco), maior siderúrgica do mundo, ofereceu US$ 19,5 bilhões à Rio Tinto, afim de ampliar sua participação para 18%. A Comissão Australiana do Consumidor e da Concorrência (ACCC, na sigla em inglês), primeiro órgão regulamentador a avaliar a questão, aprovou o investimento dizendo que o negócio entre as duas companhias não deve puxar para baixo os preços do minério de ferro. Será? Acho que com a verticalização do seu negócio, a Chinalco, sem dúvida, terá sim, maior poder de barganha com as demais mineradoras do mundo. Inclusive com a Vale, que apesar da qualidade do seu minério de ferro, com a conclusão da negociação, no futuro deve encontrar maiores barreiras comerciais para o reajuste de preço.

Antes porém da aprovação definitiva, o acordo ainda tem de passar pelo crivo do Conselho de Revisão do Investimento Estrangeiro da Austrália (FIRB, na sigla em inglês), que na semana passada ampliou em 90 dias o prazo para a revisão do negócio.

vale

riotinto

bhp

RIO (Adr Vale)

Rio Tinto

BHP Billiton

Este entusiasmo pelos ativos da Rio Tinto talvez explique a configuração gráfica mais atraente. As ações da empresa, parecem claramente seguir um rally altista, com a média móvel de 21 e 50 períodos apontando para cima. As adr’s da Vale e a BHP Billiton, sofrem ainda dentro de uma congestão.

Os próximos meses prometem… Enquanto isso, a Vale continua com o processo de diversificação, ampliando o mix de matéria primas do seu portfólio e tentando diminuir a dependência do minério de ferro na sua receita.

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Global Dow confirma nova ordem mundial

Publicado em 30.03.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Estratégias, Informações, Opinião

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global A algumas semanas, eu apresentei em um dos vídeos semanais o índice Global Dow. Este índice foi criado pela Dow Jones Indexes em Novembro de 2008, bem no meio da crise econômica, com a intenção de reunir as 150 companhias líderes no mercado mundial. O interessante é que a metodologia não se restringe apenas ao  momento atual. A idéia é incluir empresas que tem grandes chances de no futuro assumirem papel de destaque em seus setores.

E é pensando nisso, que hoje foi anunciada uma primeira revisão na carteira do Global Dow. Diante do cenário desolador das montadoras e do setor financeiro americano, a General Motors e o Citigroup deixam o seleto grupo. Além delas, a seguradora francesa AXA S.A., a construtora mexicana Cemex, a alemã de produtos industriais Deutsche Post, a petroleira espanhola Gamesa, a seguradora holandesa ING Groep N.V., o National Bank of Greece S.A. e o britânico Royal Bank of Scotland Group, também saíram do índice.

As companhias que serão adicionadas ao índice são: a norte-americana de cuidados com saúde Amgen Inc., a cervejaria Anheuser-Busch InBev, a Bridgestone Corp., a japonesa Canon Inc., a companhia de serviços públicos de Hong Kong CLP Holdings Ltd., a varejista chinesa Esprit Holdings Ltd., a norte-americana Medco Health Solutions Inc., o NASDAQ OMX Group Inc. e a seguradora norte-americana Travelers.

É inegável que estamos diante de uma nova ordem mundial. Os países emergentes assumirão maior importância (G20 está em curso…) e novas empresas-líderes nos mais diversos setores despontarão. Como em toda grande crise, algumas empresas quebram e desparecem e por consequência, outras crescem e brilham. Investidores fiquem atentos, as oportunidades estão diante dos nossos olhos !

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Fluxo 10 Mais – Resultados

Publicado em 26.03.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Estratégias, Fluxo Investidores

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O estudo do Fluxo das 10 Mais está completando 10 meses. Neste período pude acompanhar de perto o movimento das dez principais corretoras estrangeiras. De maneira geral, o resultado tem sido muito proveitoso.

Apesar de alguns investidores me solicitarem os gráficos do Fluxo das 10 Mais para operações especulativas de curto prazo, eu particularmente acredito que este estudo funciona mais como um componente para traçarmos um cenário de médio prazo na bolsa.

Além disso, com a defasagem de dois dias nos dados da Bovespa, o fluxo das 10 Mais serve como um indício do que os estrangeiros estão fazendo na nossa bolsa.

Nestes dez meses, em mais de 80% das vezes, a direção que o Fluxo das 10 Mais tomou foi acompanhado posteriormente pelo fluxo dos estrangeiros na Bovespa. Esse dado não nega o fato de que estrangeiros também operam através de corretoras nacionais, mas deixa claro que o grosso do movimento acontece através das corretoras estrangeiras.

Abaixo, eu trago uma série de gráficos sobre este abrangente (e trabalhoso) estudo que venho realizando e costumeiramente apresentando aqui nas análises em vídeo.

Aproveito para lembrar, que a idéia desde o início, não foi tornar o fluxo das 10 Mais algo definitivo e fechado. Gostaria muito da participação de todos, dando idéias, comentando e criticando. Tenho certeza que muitos aqui podem colaborar para o aperfeiçoamento do estudo.

f10m-volume

f10m-negocios

f10mais-volsemanal

Fluxo 10 Mais IBX – Volume

Fluxo 10 Mais IBX – Negócios

Fluxo 10 Mais IBX – Volume Semanal

corretoras

Fluxo 10 Mais dividido por corretora
Destaque para correlação do índice com o Morgan Stanley.

petrevale

Fluxo 10 Mais da PETR4 e da VALE5 –

Por volume e por negócio

bovxfluxo

Comparação entre o Fluxo dos Estrangeiros Bovespa e o Fluxo das 10 Mais Volume (IBX)

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Arbitragem e Long/Short

Publicado em 24.03.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Estratégias, Informações, Opinião

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ursotouro Nas últimas semanas, o movimento das duas principais blue chips do mercado brasileiro apresentaram uma falta de sincronia muito incomum. A PETR4 e a VALE5, são disparadas as ações de maior liquidez da bolsa. Ambas representam praticamente 30% do volume de negócios. E dificilmente o Ibovespa se valorizará se estes dois papeis não fizerem o mesmo.

Mas se observarmos as últimas três semanas, podemos perceber a falta de correlação entre as ações preferenciais da Petrobras e da Vale. PETR4 ganhou aproximadamente 20% e a VALE5 não conseguiu alcançar a metade desta valorização. Esse comportamento antagônico permite aos players do mercado estruturar estratégias de arbitragem e long/short.

Em um artigo escrito aqui no blog em Setembro de 2007, eu já apresentei as modalidades deste tipo de operação. No caso de VALE5 e PETR4, uma operação de long/short poderia ser classificada como inter-setorial.

Em regra geral, essas estratégias compreendem a manutenção simultânea de ações (e/ou seus derivativos) compradas e vendidas. Seus objetivos são eliminar ou reduzir a exposição dos investimentos aos chamados “riscos sistemáticos”, fatores que afetam os mercados acionários em geral, independentemente dos fundamentos das empresas.

Na maioria dos casos, os administradores de carteiras long/short compram ações e opções de algumas empresas. Simultaneamente, alugam ações de outras empresas para vendê-las e devolvê-las quando lhes interessar ou quando expirarem os contratos de aluguel. Mais importante do que a valorização ou desvalorização das ações é o desempenho relativo entre as posições compradas e vendidas.

No gráfico abaixo, podemos identificar a distorção entre o movimento dos dois papeis. De uma maneira bem simplista, poderíamos elaborar uma estratégia, onde venderíamos PETR4 e compraríamos VALE5.

petrevale

PETR4 x VALE5

O principal nas carteiras long/short é posicionar os investimentos de forma que as ações compradas tenham desempenho superior às posições vendidas. Por isso, o potencial de rendimentos diferenciados está sempre presente, seja com mercados em alta, seja em períodos de baixa.

A escolha correta de posições pelo investidor é determinante, qualquer que seja a modalidade long/short. Vale lembrar que ao potencial de ganhos em quaisquer condições de mercado estão associados riscos de perda independentemente do movimento de mercado. Portanto, é vital que o investidor considere tais estratégias como parte integrante de sua carteira de investimentos e não como a única posição.

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Resultados 2008: Lojas Americanas

Publicado em 17.03.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análises, Estratégias, LAME4, Opinião

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lamelogoRecentemente foram divulgados os primeiros números do ano sobre o setor do varejo. As vendas do comércio varejista subiram 1,4% em janeiro de 2009, ante dezembro de 2008, na série com ajuste sazonal, segundo divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com janeiro do ano passado, as vendas aumentaram 6%. Em 12 meses, as vendas acumulam alta de 8,7%.

Os números surpreenderam positivamente o mercado e os players voltaram a dar atenção para o setor de varejo na bolsa.

Ao mesmo tempo que o IBGE apresentava o seu estudo, a Lojas Americanas divulgava o balanço do 4 trimestre de 2008.

Como previsto, a crise americana afetou o ritmo de crescimento nas vendas da empresa. As vendas em lojas  aumentaram apenas 13,3% no quarto trimestre, depois de crescerem 19,5% no terceiro trimestre. Em compensação, a LAME surpreendeu com uma margem bruta de 33,4% no quarto trimestre, 1,7 ponto percentual acima da média praticada em igual período de 2007. A estratégia da companhia foi manter uma política de preços e parcelamentos conservadora, protegendo assim o seu capital de giro neste momento de incerteza.

Além disso, é importante destacar, que a flexibilidade de mix de vendas da Lojas Americanas permite a adaptação a diferentes cenários da economia e a uma possível contração da renda. No quarto trimestre de 2008, o tíquete médio (a soma desembolsada por compra) da Lojas Americanas foi de R$ 30,90,  comparado a R$ 29,40 em 2007.

A Lojas Americanas, apesar de nos últimos trimestres sempre ter apresentado resultados sólidos,  através do seu nível de alavancagem desperta preocupação em muitos investidores. O indicador DL(dívida líquida)/EBITDA apresentou uma boa redução no quarto trimestre, de 3,0x para 2,2x, mas ainda deve ser observado com atenção nos resultados futuros.

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Resultado – Lojas Americanas

Já os números na B2W, operação de comércio eletrônico controlada pela varejista, a história foi diferente. Prejudicada pela maior demanda por itens de preço mais baixo, a maior varejista virtual do país reduziu a taxa de crescimento nas vendas  de 35% no terceiro trimestre para 14% no quarto trimestre de 2008.

Para 2009, a expectativa da LAME é de um crescimento no número de lojas muito inferior ao apresentado no ano passado. Em 2008, foram inauguradas 58 lojas, que consumiram investimentos de R$ 270 milhões. Este ano, a companhia anunciou que só planeja inaugurar oito filiais e investir R$ 60 milhões.

É claro, que se os números do comércio varejista nos próximos meses, acompanharem o que foi apresentado pelo IBGE em Janeiro, a empresa pode se encorajar e recalibrar a dose de cautela.

Gráfico Diário

LAME4 A ações da LAME4 iniciaram um processo de recuperação no patamar próximo dos 5,40 reais, aonde se encontra uma zona de suporte horizontal e a retração de 61,8% de Fibonacci. No momento o papel testa uma resistência intermediária nos 6,70. Após este patamar, os preços devem procurar a zona de resistência principal por volta dos 7,50, fechando assim, o gap deixado no início de Outubro de 2008. Se conseguirmos confirmar a formação de um pivot de alta, o objetivo, seguindo as expansões de Fibonacci, se encontra próximo dos 9 reais. Vale notar, que o volume financeiro e conseqüentemente o indicador de Acumulação e Distribuição vem confirmando o movimento de retomada do ativo.

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Resultados 2008: Ambev

Publicado em 10.03.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) AMBV4, Análises, Estratégias, Opinião

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ambevlogDesde o ano passado a AB-Inbev, através da compra da americana Anheuser-Busch, se tornou a maior cervejaria do planeta. Uma tacada ousada , bem ao estilo do presidente executivo da multinacional, o brasileiro Carlos Brito.

Carlos Brito foi um dos executivos preferidos do mítico empresário Jorge Paulo Lemann, que juntamente com Beto Sicupira e Marcel Telles, criaram o modelo eficiente de negócios da GP Investimentos.

E é exatamente essa experiência em uma gestão enxuta que Carlos Brito precisará usar agora na AB-Inbev. Afinal de contas, a empresa assumiu uma dívida de US$54 bilhões ao comprar a cervejaria americana. Onde, quase a metade deste montante, vence agora em 2009. (veja calendário de pagamentos, abaixo)

ambev

A AB-Inbev, já conseguiu levantar cerca de US$4 bilhões com a emissão de bônus e a venda de participação de 20% na cervejaria chinesa Tsingtao à japonesa Asahi. O mercado porém, especula que novas vendas devem ocorrer. Os ativos mais prováveis para uma negociação seriam a cervejaria sul-coreana Oriental ou a cervejaria na Alemanha, que inclui a marca Beck’s. Além disso,os parques temáticos de diversões, SeaWorld, Bush Garden’s e Aquatica, parecem também fora dos planos da companhia de Carlos Brito.

Aqui no Brasil, os resultados da Ambev, mostraram (novamente) um recuo de 0,3% em participação de mercado no ano passado. Ainda assim, com mais de dois terços das vendas totais (67,5%), a companhia permanece muito distante da segunda colocada, a Schincariol, dona de 12,5%.

O lucro líquido subiu 8,6%, para R$ 3,06 bilhões no mesmo período. Considerando apenas o quatro trimestre, no entanto, o lucro líquido da companhia caiu 14,8% para R$ 964,4 milhões.

A Ambev justifica esse recuo especialmente pela adoção das novas práticas contábeis, impostas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que começam a impactar os balanços de 2008 das companhias abertas. Além disso, a empresa afirmou na conferência após a divulgação dos resultados, que o carnaval antecipado do ano passado, a lei seca e as chuvas no último trimestre, também prejudicaram o consumo de cerveja.

A empresa não parece muito preocupada com a perda do market share. No conference call, o gerente de RI, deixou claro que o foco da companhia é aumentar as margens da empresa, independente do volume consumido.

Nas outras unidades da empresa pelo mundo, destaque para a Quinsa, na Argentina. Aumento na receita líquida(+27,8%), no volume de vendas(+10,4%) e no ebitda (+34,4%).

A companhia trocará o euro pelo dólar como moeda de contabilidade do balanço, porque a maior parte de seu fluxo de caixa agora é na divisa americana.

Concluindo, em linhas gerais, o grande desafio da AB-Inbev é honrar a dívida contraída. E parece que a empresa está disposta a “cortar na própria carne” para alcançar este objetivo. Esta semana a AB-InBev anunciou que não haverá bônus neste ano para seu CEO, Carlos Brito, e principais executivos, porque não cumpriram as metas financeiras traçadas para 2008. Uma postura extremamete profissional e coerente que acaba reforçando a confiança do investidor no staff da companhia.

Gráfico Diário

AMBV4 AMBV4 – Após alcançar a mínima em Outubro do ano passado nos 75,67 reais, a AMBV4 apresentou uma boa recuperação e hoje trabalha próxima dos 100 reais. Olhando para o gráfico diário podemos notar que o recente fundo por volta dos R$90,00, representa uma zona de suporte importante. Neste patamar além de um suporte horizontal, se encontra a retração de 61,8% de Fibonacci da última perna de alta (dos 75,00 até os 113,00 reais). A retomada dos preços podem sinalizar a formação de um OCOI. Para isso o papel precisa romper a resistência nos 115,00 reais (neck line). Neste caso, os objetivos ficariam nos 128,00 e posteriormente nos 137,00 reais.
Enquanto não tivermos a confirmação da figura (OCOI), a AMBV4 se encontra dentro de uma longa zona de congestão, tendo como suportes  R$90,00, R$82,00 e R$75,00.

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Ensaios sobre a cegueira

Publicado em 09.03.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Colaboradores, Estratégias, Opinião

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cegueiraQuero começar pedindo licença a Saramago por utilizar não apenas o título de uma de suas obras, mas acima de tudo utilizar seu pensamento.

A cegueira por nós conhecida é algo físico, porém no livro de Saramago, bem como no filme fica claro que em muitos momentos agimos como cegos, uma cegueira que é do intelecto, algo que não apenas não vemos, não compreendemos, mas acima de tudo significa que não estamos prontos para a realidade iminente.

Conheço muita gente neste mercado, de traders profissionais até curiosos pelo mesmo, mantenho contato com todos, busco aprender e ensinar e de todo o amplo universo de mentes que operam neste mercado vejo uma profunda e negra nuvem que escurece os olhos e aflora os mais desesperados sentimentos.

Vejo a linearidade com que estratégias são desmanchadas e objetivos são esquecidos. E tudo isso ocorre porque os investidores são incapazes de agir com calma, buscar conhecimento e reflexão, buscar um feixe de luz no escuro.

O mercado não é algo tão simples como todo mundo tende a transformá-lo, porém fazemos parte dele querendo ou não, investindo ou não. Podemos fazer parte dele uma vez que como consumidores estamos à mercê de seus preços, mesmo sem investir em petróleo, café ou ouro, todos andamos de carro, tomamos café e usamos alianças ou outros objetos de ouro. Todos estes produtores tiveram seus preços determinados neste grande e global mercado do qual vivemos. É cego aquele que supõe não fazer parte do mercado simplesmente porque não é um investidor.

Mas e nós investidores, seríamos grandes sábios que vivem apenas na luz? Não vejo dessa forma, apesar de observar que muitos pensam assim. Na bolsa como em qualquer outro investimento é necessário saber três coisas: o que queremos extrair dele, como extrair e o quanto extrair.

Esses três fatores, ainda que não pareça, servem para qualquer investidor, qualquer perfil. Um especulador sabe muito bem essas três coisas, o objetivo é claro, a forma de se atingir ele idem e o quanto você quer retirar é tão fundamental que antecede toda a operação. Na realidade o quanto queremos extrair do mercado é o fator que todo ser humano pensa em primeiro lugar.

O investidor mais conservador, e sinceramente o que mais me preocupo neste momento, também leva ou deveria levar em conta estes três pontos. Para muitos deles o que eles querem extrair é uma aposentadoria, querem fazer isso correndo o menor risco possível e o quanto desejam extrair do mercado depende do estilo de vida que querem ter no futuro.

A cegueira começa a partir do momento que qualquer uma dessas variáveis apresente-se de forma distorcida. A maior parte não está pronta para o caos, não está pronta para o movimento que todo esse mercado global é capaz de proporcionar.

É incrível ver que tanta gente se desespere quando a bolsa varia pra baixo, investimos em renda variável, ela vai variar, é fundamental que varie, pois apenas assim podemos obter lucro. A mais de um século os mercados são assim… Problemas aparecem, resolvem-se e o mercado continua. Morrem empresas que precisam morrer, continua o que consegue continuar… Nascem novas empresas que irão produzir o futuro necessário.

Conheço muitos investidores que dizem assim: invisto em Vale porque é uma grande empresa e jamais vai quebrar, vou investir nela até me aposentar e irei me aposentar milionário. É estranho então observar que em menos de 2 ou 3 meses de crise todos tenham vendido, o mundo acabou, a Vale quebrou, quero me aposentar pobre.

A Vale está no mundo há mais tempo que grande parte de seus investidores, bem como a Petrobras. O que diríamos então de empresas como GE e Johnson&Johnson nos EUA, passaram por duas guerras mundiais e todas outras que os Estados Unidos conseguiu fazer, passaram por crises, depressões, má administração… E estão vivas há mais tempo que qualquer ser humano deste planeta.

Se você não agüenta uma oscilação de 10, 20, 30% e prefere sair do mercado e voltar quando tudo estiver mais calmo, você não é um investidor de LP, você é um investidor de MP. Ajam dentro daquilo que realmente são, busquem o auto-conhecimento, conversem em família, conversem com assessores e sigam em frente. Não sejam cegos em um tiroteio. É fundamental saber quem você é, só assim você saberá até onde pode ir, a pior coisa que você pode fazer é descobrir isso no meio da batalha, ou pior achar que tudo o que você idealizou estava errado. O mercado vai testá-los constantemente, estejam prontos para ele.

Em momentos de crise como esse, quando a visão fica completamente escura, é hora de aguçar os ouvidos, o tato, sentir o aroma do ar e tomar decisões coerentes. Sejam inteligentes e acendam uma vela, produzam sua própria luz. Jamais se desesperem, a única coisa que você não vai conseguir fazer quando estiver cego é enxergar.

Artigo escrito por Rafael Valim.

Rafael Valim, geógrafo e trader, opera no mercado financeiro e colabora eventualmente com o CHR Investor.

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