Pular a navegação e ir direto para o conteúdo


A queda de um gigante

Publicado em 18.05.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Colaboradores, Estratégias, Informações

.

gm Foi em 1908 que a GM veio ao mundo como a conhecemos hoje, ao longo de 91 anos esta, que é uma das mais expressivas indústrias automobilísticas do mundo está chegando ao fim. O seu futuro é incerto, o que é certo é que a GM que conhecemos chegou ao fim. O que ela vai ser no seu post mortem não é o que vem ao caso neste texto.

Ao longo de uma vida, uma pessoa se forma, se transforma no que quer do mundo e no que quer fazer deste mundo, semeia seus idéia e seus genes, produz escolas e linhas de pensamentos e ideais e no fim morre por estar velho demais pra esse mundo.

A GM tem essa mesma história, inventou e reinventou o mundo automobilístico. Foi pioneira em uma série de invenções, aperfeiçoou tantas outras e seguiu tendências. Inovou em seu design, fabricou de carros esportivos a caminhões e “tanques de guerra” (Hummer). Empregou milhares de seres humanos mundo afora.

Mas o presente momento denúncia que seu fim chegou, há uma década esta empresa contraiu uma doença mortal, tentou ser quem sempre foi num mundo que não é mais aquilo que era. Seu simbolismo e sua arte tendem permanecer vivas por décadas a diante, mas sua história mostra que no mundo moderno inovar é preciso.

Interessante observar a GM e fazer uma breve comparação com a HONDA. A GM é dona de oito marcas – GMC, Chevrolet, SAAB, Cadillac, Hummer, Saturn, Pontiac, Buick; fornecendo no total 101 veículos para o mercado norte-americano. A Honda por sua vez, possui 18 veículos e mais 5 da Acura, divisão de luxo da Honda, além disso a empresa produz equipamentos domésticos, motores para barcos, motos e aviões.

Venho ouvindo muitas pessoas comentarem sobre a GM e a concordata que a empresa pretende divulgar. Há um certo inconformismo geral, de como que uma empresa como esta chega ao fim da noite para o dia. Nessas horas meus caros, olhar um pouco para as ações de uma empresa e ver o comportamento da mesma nos últimos tempos, ajuda os investidores a tomarem decisões racionais sobre as operações que pretendem fazer.

Após atingir US$ 94,63 em 28 de abril de 2000, o papel iniciou uma trajetória de queda que até o presente momento não teve fim, são quase 10 anos dentro de um claro canal de queda. Ano após ano, balanço após balanço, a empresa vem perdendo força, se enfraquecendo lentamente e caminhando para o seu fim.

Ainda que após a concordata a GM volte a respirar, eu me pergunto, será que ela vai continuar a ser como era, ou seja com 8 empresas e 101 veículos, ou vai se reduzir e se aperfeiçoar como as concorrentes japonesas? Isso o futuro vai dizer.

GM_MAIO09

General Motors

Na imagem (acima) trago os últimos 19 anos do papel e em destaque o canal de baixa. Quero fechar este texto com uma dica para investidores jovens e conservadores. Jamais comprem um papel porque ele caiu muito, se um papel caiu muito é porque algo que estava errado continua errado. Esperem o momento certo para comprar boas empresas com bons descontos nos preços. Mesmo boas e renomadas empresas podem chegar ao fim.

Artigo escrito por Rafael Valim.

Rafael Valim, geógrafo e trader, opera no mercado financeiro e colabora eventualmente com o CHR Investor.

.

Check-list das operações

Publicado em 15.05.2009 por CHRinvestor na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Estratégias

.

Análise técnica é um negócio de probabilidades. Sendo assim, aumenta muito a chance do trade ser bem sucedido se formos exigentes com nossos set-ups.

Eu sigo o seguinte roteiro:

Defino o prazo operacional. Swing trade (gráfico diário) ou position trade (gráfico semanal). Raramente faço day-trades, apenas se quiser usar meu limite operacional na corretora. Para swing só opero ações de muita liquidez. Para position pode ser small-cap.

Na grande maioria das vezes só opero ativos com as 3 tendências em alta (se for operar na compra, claro). Quando planejo um trade contra a tendência uso bem menos capital. Para position a tendência terciária (gráfico diário) não é importante.

Para swing compro num suporte claro e com candle de reversão. Ou em rompimento de congestão, se o papel não estiver muito esticado, e com bom volume. Mesmo assim, no caso de operar o rompimento, ainda coloco metade do capital se o cenário não for muito positivo. A outra metade eu reservo para um eventual pullback ao ponto de rompimento da congestão.

Para position compro no recuo de um ativo que está com as tendências secundárias e terciárias em alta até um suporte importante. Espero fazer um candle de reversão e romper a máxima deste candle na semana seguinte. Este ponto de suporte pode ser topo anterior rompido ou MM21 ou MM55. Muitas vezes o ativo não recua tanto assim e rompe a máxima da semana anterior. Entro do mesmo jeito, para mim é demonstração de força, de que ele não quer cair.

Topo histórico (para position) para mim é imperdível. Sei que o risco é maior, já que o ativo se encontra esticado pra cima, mas romper a máxima de todos os tempos significa muita força. Entro com menos capital, mas procuro não perder.

O básico pra qualquer prazo operacional é traçar suportes, resistências e linhas de tendência. Depois as médias móveis. Uso atualmente as de 9, 21 e 55 períodos. Por fim, bandas de bollinger. Ajudam em qualquer prazo operacional.

Uso candles. Já operei com gráfico de barras, mas o candle contém mais informações.

O único indicador que eu olho é o IFR, e mesmo assim sem ligar muito pra ele. Além, claro, da barra de volume.

Fibos só para endossar meu ponto de entrada se não estou seguro.

Figuras só se saltarem na minha frente, ou seja, muito claras. Umas são mais fortes que outras. Rompimentos de retângulos e mastro-bandeira são as preferidas, mas nada mais são que rompimentos de resistências.

E, sempre, sempre, sempre, stop e manejo de risco. Em qualquer prazo, em todos os trades. Nunca entro em nada sem definir antes onde é a saída de emergência e o quanto eu posso perder naquela operação.

Artigo escrito por Marcos Moore, publicitário, opera através de Análise Técnica desde 2004. Desde 2005 se dedica exclusivamente ao mercado financeiro.

.

Investimento em valor

Publicado em 14.05.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Estratégias

.

cifrao Sem dúvida, o maior expoente da metodologia do investimento em valor é o presidente da Berkshire Hathaway, Sr. Warren Buffett. Buffett, o segundo homem mais rico do mundo,  foi discípulo de Benjamim Graham, autor do clássico livro “O investidor inteligente”  e pai da escola que tem como premissa básica o investimento em empresas que estão sendo negociadas a um preço bem abaixo do seu valor justo.

Todos concordam que empresas baratas e com uma “boa margem de segurança” (como o próprio Graham, gostava de chamar as pechinchas do mercado) são investimentos que no longo prazo tendem a gerar ótimo retorno. Difícil porém, é saber avaliar corretamente o valor justo de uma companhia.

Estimação da taxa livre de risco e do prêmio de risco, estimativa do custo de capital, estimação de fluxos de caixa, modelos de fluxo de caixa descontado (de dividendos, do acionista e da empresa), avaliação por múltiplos, opções reais, avaliação de ativos intangíveis, comentários sobre fusões e aquisições… estes são alguns dos pontos que devem ser considerados, usando a escola fundamentalista, para que possamos avaliar uma empresa.

Muitos profissionais do mercado levam dias, inclusive meses, analisando balanços e calculando o valuation de uma empresa. Um trabalho árduo e com muitas variáveis, que muitas vezes não traz o resultado esperado.

Lendo a biografia de Warren Buffett, “A bola de neve”,  podemos perceber como o megainvestidor sempre se preocupou com o perfil do gestor/administrador da  companhia em que investe, antes mesmo de olhar os números de um balanço. A procura é por profissionais dinâmicos e competentes capazes de gerar caixa e consequentemente agregar valor para a empresa. Além disso, para Buffett, o valor de uma empresa vem do seu bom posicionamento mercadológico, da sua correta identificação das ameaças e oportunidades existentes no mercado.

A leitura que faço dos ensinamento do livro de  Buffett é de que avaliar uma empresa sem levar em consideração a sua inserção no ambiente, a sua estratégia e o impacto disso tudo nos seus drivers (administradores) pode ser uma experiência simples e desastrosa. E isso tudo não pode ser fornecido apenas olhando para os números apresentados no relatório anual da companhia.

A preocupação do analista em entender a empresa, o seu modelo de negócios, os recursos que de alguma forma contribuem para a geração de valor é de fundamental importância para uma boa análise do tipo fundamentalista.

A idéia deste artigo, não é fazer uma crítica à abordagem em investimento em valor. Longe disso. Gosto muito do tema. Em uma carteira de acumulação de longo prazo, muitos dos conceitos desta escola devem ser usados por todos. Apenas desejo enfatizar que o mundo dos investimentos não é uma ciência exata que pode ser mensurada objetivando resultados precisos. Uma abordagem mais ampla e pessoal é imprescindível.

.

A crise expandindo os horizontes do investidor brasileiro

Publicado em 07.05.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Estratégias

.

Entre o segundo semestre de 2002 e o primeiro semestre de 2008 observamos um grande ciclo virtuoso na economia mundial. Nesse período, muitos brasileiros foram atraídos para a bolsa de valores devido aos enormes ganhos que as ações proporcionaram. Muitos ganharam dinheiro com relativa facilidade, pois o forte mercado altista possibilitava ganhos até para leigos sem um bom sistema de investimentos. Entretanto, a recente crise do subprime provocou enorme prejuízo principalmente aos investidores iniciantes que entraram na fase final desse ciclo de expansão. Investidores assustados saíram do mercado tentando salvar o que restou de seu patrimônio; outros estão rezando para o mercado voltar a subir. E outros que estavam pensando em começar a investir desistiram da ideia.

O que a maioria dos brasileiros desconhecem, é que o mercado de ações possibilita ganhos até quando está em queda. Seria quase inevitável ficar sem engolir algum prejuízo com essa reviravolta no mercado, mas tenha certeza de que há investidores ganhando rios de dinheiro com a queda das ações.

Além de comprar ações para tentar ganhar com sua possível valorização há a possibilidade de fazer operações de venda para tentar lucrar com a queda dos seus preços. Isso pode ser realizado de duas formas: efetuando vendas a descoberto ou vendas alugadas.

A venda a descoberto é um tipo de operação permitida apenas para realização de day-trades (operações iniciadas e terminadas no mesmo dia). Nesse tipo de operação o investidor vende ações que não possui em sua custódia esperando que seus preços caiam abaixo do preço de venda. Ao recomprar as ações mais barato do que vendeu, o investidor estaria lucrando com a diferença entre o valor que recebeu pela venda a descoberto e o valor que desembolsou para recomprar as ações e assim encerrar sua operação.

As operações de venda a descoberto podem ser realizadas por meio de um sistema de operações que utiliza a Análise Técnica como forma de análise das ações. A seguir, vamos estudar um exemplo.

clip_image002

Temos na figura ilustrativa um gráfico da PETR4 na periodicidade de 5 minutos. No ponto A encontramos o papel dentro de uma tendência de baixa fazendo um repique até a resistência dada pela média móvel de 21 períodos e o suporte rompido, anteriormente, no movimento de expansão que precedeu essa correção. Repare que esse movimento de alta se deu com candles de corpos pequenos até culminar num doji em cima da resistência. Por essa leitura dos candles vemos que o movimento de alta não possui força. O doji formado na resistência nos dá um sinal de que é possível ocorrer uma retomada do movimento de baixa a partir desse ponto.

Se fôssemos operar esse papel poderíamos vendê-lo a descoberto na perda da mínima do doji. E também poderíamos traçar a extensão alternada de Fibonacci e combiná-la com os suportes para projetarmos o alvo da operação. Veja em B que temos um suporte dado pelo gap formado na abertura do pregão, nesse dia, nas proximidades da extensão alternada de 100%. Esse seria o nosso ponto de recompra do ativo para encerrar a operação. Observe que a PETR4 atingiu justamente esse nível de preços antes de fazer nova correção do movimento de baixa. Se tivéssemos seguido o plano de ação descrito, teríamos obtido um lucro bruto próximo de 0,7% – o que é bem razoável para um day-trade.

Como as vendas a descoberto são permitidas apenas para day-trades, aqueles que desejam montar operações de venda de maior duração precisam recorrer ao aluguel de ações.

Uma operação de venda alugada consiste em alugar ações de outros investidores mediante o pagamento de uma taxa de juros anual ao doador das ações e uma taxa de intermediação à corretora. Para efetuar a operação, o investidor entra em contato com a corretora por um de seus canais de atendimento e solicita as ações. Esclarecido detalhes como quantidade de ações, taxa de juros (valor a ser pago pelo aluguel), tipo de contrato (reversível ou não-reversível) e prazo de duração do mesmo a mesa de operações da corretora se encarrega de efetuar o aluguel e colocar as ações na custódia do tomador.

Uma vez alugada as ações, o tomador pode vendê-las e recomprá-las quantas vezes quiser até três dias antes do vencimento do contrato de aluguel – devido ao prazo de liquidação de D+3. O contrato pode durar alguns meses, mas se for reversível o tomador poderá devolver as ações no momento em que achar apropriado, pagando somente a taxa de juros proporcional ao tempo em que as ações estiveram sob sua custódia. Essa taxa varia conforme a liquidez do ativo. Um ativo mais líquido como a VALE5 pode ter uma taxa de menos de 0,4% ao ano enquanto um outro menos líquido como a JBSS3 pode ter uma taxa de 8% ao ano.

No próximo exemplo, encontramos a PETR4 no período diário. Vamos ver como a Análise Técnica nos ajudaria a fazer uma operação de venda alugada neste caso.

clip_image002[5]

A partir do meio do gráfico o ativo entra em tendência de baixa. No ponto A encontramos o papel corrigindo logo após romper o suporte. Essa correção sente o suporte rompido atuando como resistência e os preços formam um candle de reversão nesse ponto. Esse seria um sinal de que poderíamos iniciar uma operação de venda. Aqui também poderíamos traçar a extensão alternada de Fibonacci e descobriríamos que há um suporte em torno de R$ 32,64 logo após a extensão de 100%, conforme podemos observar em B. Esse seria nosso alvo para recomprar as ações e encerrar a operação. Então, no dia seguinte, poderíamos efetuar uma venda a descoberto na perda da mínima desse candle de reversão e em seguida alugar ações na mesma quantidade da venda realizada para nos mantermos posicionados até o alvo da operação. Conforme é possível observar, nesse caso também seríamos bem sucedidos ao recomprar as ações exatamente no alvo. O lucro bruto dessa operação seria algo próximo de 11% depois de quatro dias posicionados.

A partir desses exemplos podemos afirmar que não importa se o mercado se encontra em tendência de alta ou de baixa, mas sim sabermos aproveitar seus movimentos.

Estamos passando pela pior crise econômica desde 1929. A maioria dos investidores na ativa nunca viram coisa parecida. Como podemos constatar, a vida de muita gente foi prejudicada. Empregos foram perdidos, famílias estão em dificuldades financeiras… Contudo, é verdade quando dizem que toda crise trás oportunidades. Para os brasileiros, em especial, a crise está trazendo uma oportunidade para repensar seus conceitos e expandir seus horizontes como investidores da bolsa se valores; é uma chance de aprender a operar nos mercados em baixa assim como os norte-americanos já fazem há muito tempo.

Obs.: Todo tipo de operação, seja de compra ou venda, deve ser protegida por stops.

Marcos Abe é investidor e autor do livro “Manual de Análise Técnica: Essência e Estratégias Avançadas”.

.

O famoso “Breakout”

Publicado em 05.05.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Destaques, Estratégias, Money Management

.

break3O “breakout”, ou rompimento, representa um dos sinais mais importantes na análise gráfica. Podemos definir o “breakout” como uma saída repentina dos preços em uma fase lateral de congestão que pode ser bem identificada através de suportes e resistências. Apesar de ser utilizada por muitos traders e ser de fácil compreensão, está configuração gráfica apresenta algumas dificuldades ao ser implementada.

Identificar uma fase de congestão, onde os preços ficam cercados por uma linha de suporte e outra de resistência, nem sempre é uma tarefa fácil como pode parecer. Alguns traders utilizam os preços de fechamento e abertura, outros preferem os pontos de máxima e mínima, para traçarem as linhas de suporte e resistência. Além disso, é de certa forma difícil encontrar o ponto certo de rompimento da congestão.

Quanto mais a congestão é longa, maiores são as probabilidades que o rompimento ocorra de maneira explosiva. Normalmente, a longa fase lateral de indecisão provoca uma diminuição dos volumes e uma progressiva contração do range dos preços. Neste momento surge a eterna dúvida. Antecipar o rompimento ou esperar até o último momento. Normalmente a desilusão ocorre nos dois casos. Se antecipamos o movimento, o preço não ultrapassa a resistência (ou suporte) e retorna. Se esperamos, o “breakout” ocorre de maneira tão violenta que permanecemos inertes com a mão no mouse sem fazer nada.

break1

break2

Exemplo: “Breakout” cofirmado

Exemplo: Falso “breakout”

Os falsos "breakouts" são muito comuns e portanto inevitáveis. Todo trader, com certeza já sentiu o gosto amargo, de entrar no rompimento e em seguida o mercado reverter deixando a configuração de um vértice. Não acredito que exista uma técnica vencedora que lhe permita antecipar o movimento dos preços e garantir a validade de um "breakout". Se a intenção é especular no mercado, é preciso estar consciente de que existirão operações vencedoras e perdedoras. É importante que o trader, utilize um manejo de risco eficiente permitindo que ele possa ganhar mesmo que as operações negativas sejam em maior número do que as positivas.

Não podemos questionar de maneira subjetiva a validade de um “breakout”. Se temos um algoritmo de money management eficiente, devemos sempre entrar em todos os rompimentos. Algumas vezes, sairemos vencedores, em outras perdedores. Faz parte do jogo. Mas a expectativa no longo prazo deve ser de que os ganhos nas operações positivas superem as perdas nos trades negativos.

Por isso, como já escrevi várias vezes aqui no blog, não perca tempo apenas procurando o setup gráfico ideal. Concentre-se no manejo de risco. Este sim, será o responsável pelo sucesso nas operações do trader.

.

Entradas e saídas parceladas. A tática dos múltiplos lotes

Publicado em 30.04.2009 por CHRinvestor na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Estratégias

.

42-20313789Uma das principais dificuldades dos traders é realizar o lucro no momento certo. Será que devo apertar o stop e embolsar o lucro ou deixar correr mais folgado para não sair da operação antes da hora? Descrevo abaixo como é possível proceder nas operações de curtíssimo prazo:

Quando o mercado está direcional, isso se torna mais fácil. A grande dificuldade é quando a tendência não está bem definida, com movimentos erráticos frequentes. A tática da realização parcial permite uma menor exposição ao risco e uma menor carga de estresse.

Antes de mais nada, vamos lembrar conceitos básicos para um trader bem-sucedido. 1) Lucro bom é o lucro no bolso. 2) Corte as perdas o quanto antes: o primeiro prejuízo é sempre o menor.

Ninguém sabe o que vai ocorrer no mercado nem no prazo de uma hora, quanto mais no prazo de dias ou semanas. O trader que consegue acertar o fundo e o topo com regularidade é uma farsa. Isso não é possível. E, se alguém pudesse prever o futuro, usaria esse dom em algo ainda mais rentável, como os seis números da mega-sena.

Partindo do princípio de que ninguém consegue prever o futuro, é sábio garantir sempre o lucro de uma parte da operação.  Muitas vezes, o trader iniciante acerta, inclusive, mais do que erra, mas realiza rapidamente demais o lucro (e até aí nada muito danoso) e demora muito para realizar o prejuízo. Isso, sim, pode ser fatal.

Realizar parte da posição quando atingir um objetivo inicial ajuda a lidar com esse problema. Pode ser a venda de 50% ou 70% da posição inicial e manter a posição restante para aproveitar um movimento mais amplo. O stop dessa posição restante pode ficar abaixo de alguma zona de suporte, mas, até que se consiga elevar o stop para um ponto em que já se tenha lucro, o stop deve ficar no ponto de compra. Na pior das hipóteses, o trader sai com lucro em parte da posição e, no restante, sai no empate.

É fundamental não deixar uma operação vencedora se tornar perdedora. O lucro deve ser realizado. Sair da posição antes do tempo é muito melhor que depois do tempo.

O trader também pode realizar o restante da posição ao atingir o segundo objetivo. Os objetivos podem ser traçados a partir de suportes e resistências importantes ou secundárias, de projeções e retrações de fibonacci, médias móveis, bandas de bollinger, gaps.

Para operar dessa forma, é fundamental manter escritos e ao seu alcance os planos de entrada e saída com todas as possibilidades. Se fizer tal movimento vou agir desta forma, se fizer outro movimento eu agirei daquela outra maneira. Rigidez militar para seguir o plano inicial. Esse plano inicial foi feito de cabeça fria, longe do burburinho do pregão, sem as dicas e os trombeteiros dos fóruns que só acertam. Não acreditem neles. Trader que nunca é stopado não existe. É investidor.

A entrada numa operação normalmente é mais simples, mas ela também pode ser parcelada. Por exemplo: entrar com menos capital num rompimento de resistência e entrar com a posição restante num eventual pullback, no caso de operações de curtíssimo prazo. Lembrar que o pullback pode não ocorrer, então estaria garantida a entrada no rompimento com metade do planejado.

Muitos traders também têm dúvidas se esperam o fechamento do pregão ou entram assim que seu set-up for atingido. Mais uma vez a tática dos múltiplos lotes pode solucionar essa questão. Entra-se com parte do capital na hora em que o set-up for atingido, e com o capital restante mais perto do fechamento do pregão.

Para finalizar, ressaltamos que consistência é o mandamento. Pequenos lucros somados no longo prazo resultam em grandes lucros.

Marcos Moore, publicitário, opera através de Análise Técnica desde 2004. Desde 2005 se dedica exclusivamente ao mercado financeiro.

.

A volta do “Carry Trade”

Publicado em 28.04.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Destaques, Estratégias, Opinião

.

A crise financeira mundial ainda está longe de terminar, mas alguns indícios consistentes apontam que os mercados começam a voltar à normalidade.

Um bom exemplo, é o apetite dos investidores estangeiros em reativar as operações de “carry trade” nos mercados emergentes, e em especial no Brasil, que ainda é o detentor do título de país com maior taxa real de juros do mundo.

“Carry trade” são aquelas operações em que investidores tomam empréstimos em países com baixos juros, como Japão, Estados Unidos e zona do euro, para investir o dinheiro em economias com juros mais alto, caso do Brasil, Hungria, Africa do Sul, Nova Zelândia e Austrália. O risco do negócio é a oscilação da cotação entre as moedas dos países, que pode engolir o lucro. Por isso, umas das premissas é que a volatilidade cambial seja baixa.

No ano passado, os “especuladores” abandonaram a estratégia do “carry-trade” quando os BCs do mundo inteiro reduziram as taxas de juros para revitalizar o crescimento e num momento em que as oscilações cambiais aumentaram os riscos.

Apesar de no Brasil os juros apresentarem recentemente uma tendência de baixa,  a operação continua muito atrativa. Para se ter uma idéia, é possível tomar dólares pela taxa Libor, de 1,13% aa, e utilizar estes recursos para comprar reais e ganhar a taxa brasileira de três meses do interbancário, de 10,51%. Esta operação pode render, anualmente, 9,38%, pressupondo-se a estabilidade de ambas as moedas.

É interessante notar, que o a entrada de fluxo de capital estrangeiro no Brasil, teoricamente, valoriza o Real, tornando a operação de “carry trade” ainda mais atraente. Ou seja, estamos diante de um verdadeiro “processo de auto-alimentação”.

O arrefecimento da crise e a volta (parcial) da confiança do investidor, reacenderam o caminho da rota mundial de recursos através das operações de “carry trade” e beneficiando consequentemente a bolsa brasileira. Esperamos que o saldo positivo de recursos estrangeiros visto recentemente na Bovespa ainda persista por um bom tempo.

.


A bolsa de valores como termômetro

Publicado em 23.04.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

.

termometro Durante muitos anos, a performance das bolsas nas principais nações do mundo representava um indício de como a economia real iria se comportar no futuro. O mercado de capitais era visto como uma bola de cristal. A sabedoria de milhões de investidores antevia a direção das principais economias.

Mas nas últimas décadas, com o aumento das operações especulativas e com o surgimento de uma enormidade de produtos financeiros complexos, essa regra foi colocada em “xeque”. A bolha da internet nos anos 90 é um bom exemplo. O mercado sinalizou com uma forte valorização dos ativos “.com”, mas na economia real, essa realidade não se confirmou.

A volatilidade nos mercados aumentou consideralmente. O VIX, que acompanhamos semanalmente nas análises em vídeo, confirma isso.

Mas, em meio ao pior declínio econômico em pelo menos uma geração, uma recuperação das bolsas (como a que está ocorrendo nas últimas semanas) pode ser um sinal especialmente bom.

As bolsas são mais do que simplesmente uma medida da expectativa do investidor. Elas são uma medida de confiança. Numa época em que a maior parte dos males da economia reside na crise de confiança, em que tanto os consumidores quanto os empresários estão tão inseguros quanto ao futuro que cortam ao máximo as despesas, a alta das ações recente é  um importante sinal de que a maré pode estar começando a virar. Mais que isso, bolsas em alta podem ser, por si só, um importante estimulante da confiança.

Estudos apresentados recentemente no The Wall Street Journal, comprovam que em quase todos os 11 declínios econômicos dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial, o Dow Jones atingiu seu ponto mais baixo da recessão e começou a subida seis meses antes do início da recuperação da economia. Geralmente, os investidores ficam ansiosos para comprar papéis antes da recuperação econômica porque, quando eles sobem depois de uma recessão, os ganhos são consideráveis.

A alta das últimas semanas nos mercados com certeza não é reflexo de indicadores econômicos mais consistentes. Os números continuam muito ruins. A recuperação do mercado de ações pode estar sendo liderada, simplesmente, pelo fim do medo dos investidores.

“Temos certeza, por exemplo, que a economia estará em frangalhos duranto todo 2009 – e, a propósito, provavelmente muito depois – mas essa conclusão não nos diz se as bolsas de valores subirão ou cairão.”
Warren Buffett

.

Fundos do tipo “V” , “U” ou “L”

Publicado em 16.04.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análises, Destaques, Estratégias, Informações, Opinião

.

Apesar de nas últimas semanas os mercados mostrarem uma boa recuperação, fica evidente olhando para os indicadores da economia mundial que a crise ainda está longe de terminar.

É interessante notar que na análise gráfica nós temos formações que procuram identificar a duração de um determinado evento.

DJI
DJI – Gráf. Semanal

Se pensarmos apenas nos EUA, inicialmente se esperava que a economia e o mercado americano tivessem um comportamento na forma da letra “V”, com uma desaceleração curta e rasa, de apenas alguns meses.  Com o passar do tempo, achou-se que o movimento seria mais semelhante à letra “U”, com uma desaceleração mais grave e com duração de 1 ou 2 anos. Mas agora, a previsão de que a recuperação só virá em 2010 ou mais á frente, torna mais provável que a economia tenha um comportamento na forma da letra “L”.

Uma formação do tipo “L”, representa em termos econômicos, que os EUA podem enfrentar uma forte e duradoura retração, semelhante à do Japão. Corroborando com esta expectativa, essa semana, indicadores apontam que os americanos estão enfrentando a primeira deflação em 12 meses, desde de 1955. É preciso evitar a deflação. Segundo economistas de peso, como Nouriel Roubini, “Leva-se 10 anos para sair de uma deflação”.

IBOV
Ibov – Gráf. Semanal

Por enquanto, o Brasil vem mostrando comprometimento e tomando medidas para evitar uma contaminação mais grave. A bolsa brasileira já subiu mais de 50% desde o fundo no final de Outubro do ano passado. Mas é importante observar, que graficamente, estamos ainda nos aproximando da primeira retração de Fibonacci (38,2%). Ou seja, mesmo na bolsa paulista não podemos ainda descartar a configuração de um fundo do tipo “L”. Apesar do recente otimismo, é importante que façamos uma análise prospectiva da crise como um todo e não apenas dos últimos dois meses de tendência de alta no intraday.

.

A Sadia e os derivativos

Publicado em 14.04.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Estratégias, Informações, Opinião, SDIA4

.

Recentemente, em assembléia geral da companhia, os controladores da Sadia decidiram mover uma ação de responsabilidade civil contra o ex-diretor financeiro da empresa, o Sr. Adriano Ferreira. O objetivo é cobrar os prejuízos de R$ 2,6 bilhões, provocados pelas operações erradas em derivativos cambiais.

Muitas empresas exportadoras já realizaram e ainda realizam este tipo de operação. A função destas operações é proteger a receita da exportação. São um compromisso da companhia de vender dólar ao banco por um preço pré-estabelecido. Quando no mercado esse preço estivesse abaixo do contrato, a companhia ganhava por ter um comprador garantido num valor superior.

Porém, quando o preço de mercado ultrapassasse o valor do contrato, o compromisso da empresa de vender o dólar ao banco se duplicava. No caso da Sadia, do dia para a noite, a companhia teve que entregar aos bancos dólares num volume equivalente a cerca de um ano e meio de exportações. Passou a ter que comprar a moeda no mercado mais cara do que venderia ao banco, daí o prejuízo.

Uma outra questão discutida na assembleia da Sadia, diz respeito ao tempo de exposição. Segundo a companhia o período máximo de exposição dos contratos aos derivativos era de seis meses. Pelo que consta, o ex-diretor, extrapolou esse limite.

SDIA4
SDIA4 – Semanal

É inegável, que o ex-diretor tem a sua parcela de culpa. Mas olhando balanços antigos da Sadia fica evidente que a empresa sempre se beneficiou das operações financeiras com o dólar. O mercado inclusive especula, que no primeiro semestre de 2008, antes do estouro da crise, 80% do lucro da Sadia era proveniente deste tipo de operação.

Desde o anúncio do problema com os derivativos, a SDIA4, perdeu mais de 60%. Desde a máxima histórica em maio de 2008, os papeis já se desvalorizaram 77%. (veja gráfico)

Uma boa parte das dividas assumidas para fazer frente aos problemas financeiros, vence ainda este ano. Algumas conversas com a Perdigão já ocorreram, mas ainda não houve um acordo. O mercado acredita que a oferta máxima da Perdigão (ou de outro possível comprador) deve ficar entre R$6,00 e R$8,00 por ação do bloco de controle.  A Sadia possui um tag along de 80%. Assim, considerando o fechamento de ontem da SDIA4 em 3,36 reais, o upside ficaria entre 44% (R$4,80) e 92% (R$6,40).

Considerando alguns aspectos de manejo de risco dentro de uma carteira, acredito que a relação risco x retorno no ativo pode ser bastante interessante.

Mais sobre derivativos cambiais: http://www.chrinvestor.com/2008/10/15/o-perigo-dos-derivativos-cambiai s/

.

Página 6 de 13123456789101112...Última »