Pular a navegação e ir direto para o conteúdo


Operando com opções

Publicado em 16.06.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

.

opcoes No mercado brasileiro o uso de estratégias envolvendo as opções de compra é muito comum. Sem dúvida, desde que realizadas com o devido acompanhamento, as opções de compra podem representar uma boa opção de proteção em momentos de forte volatilidade do mercado. Além das inúmeras possibilidades de se realizar travas (de alta ou de baixa) usando dois (ou mais) strikes, são muito frequentes, principalmente entre investidores pessoa física, as chamadas estratégias de “financiamento” e “taxa”, que combinam um ativo objeto e os seus respectivos derivativos.

Nos dois casos, possuímos (ou compramos) uma quantidade X de uma ação e em seguida vendemos uma opção de compra. Nesta operação esperamos que o mercado caia ou ande de lado. Até mesmo uma pequena subida, pode deixar a operação no lucro. Uma forte alta, determina o encerramento da trava.

Em mercados comportados, a probabilidade de êxito nas operações de financiamento é muito grande. Afinal de contas, o tempo está a nosso favor, o que significa dizer, que antes de desfazer uma operação antecipadamente é necessário pensar muito (pessoalmente, me arrependi em quase todas as vezes que o fiz).

Existe porém um outro tipo de operação com opções, pouco conhecido entre os investidores pessoa física, que envolve as opções de venda. Infelizmente, este tipo de derivativo, possui ainda muita pouca liquidez no mercado brasileiro, permitindo assim que apenas os grandes fundos possam participar da festa.

Um exemplo de estratégia comum usado pelos fundos  é o chamado “reverse convertible”, ou conversível reverso. O fundo pega o dinheiro do investidor e aplica em títulos públicos. Ao mesmo tempo, vende uma opção de venda de ações da Petrobras ou da Vale. Nesta operação, na data futura, ele tem a obrigação de comprar o papel por um preço fixado. No caso do fundo, ele se compromete a comprar o papel dali seis meses com desconto de 15%.

Por essa venda de opção, o fundo recebe um prêmio pago pelo comprador da opção. O dinheiro do prêmio é aplicado também e aumenta a remuneração do fundo. Se o papel não cair 15%, a opção vira pó, pois o comprador da opção não vai querer vender a ação por um preço abaixo do de mercado. O fundo embolsa, então, o prêmio e mais os juros da aplicação em renda fixa. Mas se o papel cai mais de 15%, o comprador da opção exerce o direito de vender o papel pelo preço fixado, acima do de mercado, e aí o fundo fica com as ações e o ganho na renda fixa.

Muito interessante, não acham ? Espero que o mercado brasileiro, acelere o processo de amadurecimento e que em breve, nós, pessoas comuns, possamos ter acesso também a esta modalidade de investimento.

.

A importância de um trading system

Publicado em 09.06.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Estratégias, Opinião

.

ts2 O desenvolvimento de um trading system pode ser definido como uma junção entre ciência e bom senso.  Ao implantar um sistema, procuramos formular um conceito baseado em uma boa performance no passado para que possamos continuar “performando” bem no futuro. Pensando desta forma, automatizar o processo é inevitável. O uso do computador e de sistemas robotizados, os chamados “robo-traders”, é uma exigência para qualquer indivíduo que queira se aventurar na área.

No Brasil, algumas empresas e corretoras já começaram a disponibilizar estes mecanismos automáticos para o investidor pessoa física. Infelizmente, a coisa ainda está muito incipiente. Mas vejamos, algumas vantagens para aqueles que decidem implementar um trading system automatizado:

  • Antes de mais nada, usando plataformas gráficas específicas é possível testar as próprias estratégias operacionais antes de colocá-las em uso; analisando a implantação da estratégia em uma série histórica podemos verificar o resultado, ao invés de colocar em risco o nosso capital. Olhando como o sistema se comportou no passado, podemos tomar decisões melhores toda vez que a mesma situação aparecer no presente.
  • Através de sistemas automatizados podemos ser mais racionais e menos emocionais. Muitas pessoas, fazem uma boa análise de um papel, mas tem dificuldade de colocar em prática a estratégia elaborada. Fazer uma análise sem comprometer um capital financeiro é fácil. Operar arriscando o próprio patrimônio é bem mais estressante. Desta forma, usar um computador (que é isento de emoções humanas) para executar as ordens de um sistema pré-programado pode ser bastante eficiente.
  • Com um trading system computadorizado que trabalha praticamente sozinho, podemos realizar outras atividades e consequentemente aumentar nossas oportunidades. Um abordagem mecânica exige menos tempo para ser aplicada do que uma abordagem subjetiva feita pelo trader. Além disso, com o ganho de tempo, podemos observar outros mercados e analisar outros sistemas.

Como já foi dito por mim aqui no blog outras vezes, não acredito que exista uma estratégia especulativa no mercado que não tenha uma abordagem quantitativa. Especular ou fazer trading na bolsa exige que o indivíduo opere todas as vezes que o seu sistema abrir uma posição. Ele não pode se dar ao luxo de ficar de fora do mercado, se quiser que a expectativa positiva do seu sistema trabalhe a seu favor.

Pensando desta forma, a mecanização das estratégias operacionais facilita em muito a vida do trader.

Dependendo do interesse que este artigo despertar no leitor do blog, da próxima vez, pretendo elaborar um artigo com os cinco pontos básicos para a formação de um trading system.

.

Comprando TH

Publicado em 05.06.2009 por CHRinvestor na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Estratégias, Opinião

.

Você quer estar comprado naqueles ativos que no fim do ano serão os campeões de rentabilidade ? Simples. É só comprar TH.

O TH é também conhecido como topo histórico. Pros menos familiarizados com expressões do meio, topo histórico quer dizer a maior cotação de determinado ativo em todos os tempos. Sua máxima histórica, seu ápice em termos de valor.

Agora vamos esmiuçar esta operação que, de tão banal, é simplesmente desprezada por 99% dos traders. Vamos analisar o que está por trás deste seletíssimo grupo de ações que estão sempre rompendo o TH.

Sempre escutamos que deve-se comprar no suporte e vender na resistência. Comprar barato e vender caro. Aqui é diferente. Vamos comprar caro pra vender mais caro ainda.

As ações que rompem o TH estão, obviamente, em tendência primária, secundária e terciária de alta. No mínimo, em tendência terciária lateral. Pra operar na ponta da compra, convém sempre procurar aquelas ações que estão com as tendências em alta. Muito mais seguro.  Se podemos escolher o que operar, pra que aumentar nosso risco ?

Graficamente, toda ação que rompe o TH tem caminho livre, já que não há resistências pela frente. O céu é o limite.

Operando dessa maneira estabelecemos um super filtro que vai pescar só as campeães. Quem compra TH compra ações com força. Muita disposição pra ir além dos preços atuais.

Os investidores fundamentalistas continuam achando que ela vale mais e mais. “Tá barata, vamos comprar que ainda tá barata !” “O preço-alvo tá longe. É uma pechincha.”

A ação também pode estar sendo catapultada pelo efeito manada da multidão, mas não vejo problema. Vamos surfar essa onda. Quando perceberem que ela está supervalorizada, seremos stopados (sim, fomos subindo nossos stops) e brindaremos ao belo movimento, cheios de grana no bolso

E se o mercado como um todo cair muito, ficando muito longe do TH ? Aí pode-se selecionar as que recuaram menos e entrar quando superarem o último topo (ou a máxima da semana anterior, se operar pelo gráfico diário). Elas, provavelmente, serão as primeiras a romper o TH. Mas opte sempre pela compra ao romper a máxima.

E o IFR ou qualquer indicador que esteja apontando que o papel está sobrecomprado ? Joga tudo fora. Atenha-se ao preço. Ele é o mais importante.

Queremos captar parte de um movimento mais longo, então o stop também não pode estar muito curto. E nada de vender porque acha que vai começar a cair. Só saio de uma operação desta quando sou jogado pra fora do mercado pelo stop

Como escolher uma entre várias que estão rompendo o TH ? Moleza. É por ordem de chegada. Rompeu primeiro é sua primeira compra. Rompeu em seguida, pronto, já comprou a segunda.

Foi stopado ? Faz parte. Entra em outra que esteja rompendo o TH. E assim segue. Duvido que no fim do ano você não tenha beliscado um bom lucro nas melhores do ano. É uma espécie de seleção natural de ativos. É também a famosa tentativa-erro, um jeito de operar de forma sistemática.

Rompimento de TH pra mim é imperdível. Só deixo passar quando não tenho mais capital pra investir.

Agora, por que o ser humano tenta complicar o simples ? Não faço idéia, mas já tentei dificultar por muito tempo também. Agora eu só faço o simples.

O bê-a-bá do trader

Publicado em 02.06.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Destaques, Estratégias, Money Management

.

O perfil dos leitores do blog é muito variado. Por aqui passam traders/investidores ativos, profissionais do mercado e até mesmo indivíduos que nunca tiveram a experiência de aplicar na bolsa de valores.

Pensando neste último grupo, resolvi escrever este artigo, repassando alguns conceitos básicos sobre a formação de um trader.

Todo trader que pretende se aventurar no mercado financeiro precisa desenvolver um “trading program” baseado em três fatores importantes: definição da tendência, timing e gestão patrimonial.

  • A definição de uma tendência é o primeiro passo para que o trader possa tomar uma decisão operacional. Conhecendo a tendência é possível saber se o trader será comprador ou vendedor, ou até mesmo, nenhuma das duas opções quando o mercado está lateralizando. Identificando de forma errada a tendência, dificilmente as próximas etapas permitirão que a operação seja vencedora.
  • As técnicas operacionais ou o timing tem a função de identificar o momento preciso de entrada e saída do mercado. Muitas vezes, o trader pode ter identificado corretamente a tendência do mercado, mas devido a um timing ruim, não consegue fechar uma operação com lucro. O timing é de natureza totalmente técnica, ou seja, até mesmo um operador orientado pela análise fundamentalista, precisaria utilizar os instrumentos técnicos se quisesse definir os pontos de entrada e saída.
  • O terceiro fator, e sem dúvida, o mais importante, consiste na gestão patrimonial. Por gestão do patrimônio entendo o acompanhamento das seguintes áreas: formação de um portfólio, diversificação, escolha do capital a ser investido ou colocado em risco em cada tipo de mercado, o uso dos stops, o manejo de risco, o controle psicológico após momentos de sucesso e insucesso e a definição do perfil (agressivo ou conservador) do trader/investidor.

Resumindo, podemos afirmar que definindo a tendência o trader sabe o que fazer (comprar ou vender), o timing o ajuda a decidir quando comprar e a gestão patrimonial determina como posicionar a operação.

Depois de alguns anos operando no mercado e principalmente após conhecer inúmeros operadores técnicos, posso afirmar que nunca encontrei um trader que tenha tido sucesso sem utilizar com eficiência a gestão patrimonial. É muito fácil encontrar consultores, treinamentos e cursos sobre análise técnica que ensinam como identificar a tendência e técnicas operacionais de timing. Difícil, aqui no Brasil, é ter acesso a material de qualidade sobre como gerir o capital destinado  à renda variável.

O ponto crucial da gestão patrimonial é permitir que o trader , através de uma expectativa positiva criada por instrumentos técnicos, sobreviva no mercado por um longo período.

Pensando na audiência rotativa do blog e com a expectativa de ter conseguido despertar o interesse pelo assunto, gostaria de deixar abaixo, alguns links de artigos já escritos por mim sobre a importância do manejo do capital:

Boa leitura !

.

Profarma – Estudo realizado em 20/05/2009

Publicado em 01.06.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Análises, Aprendizado, Estratégias

imageAntes de iniciar o artigo quero deixar claro que isso é apenas um estudo sobre uma empresa em uma determinada data. O único responsável pelas suas decisões no mercado é você e esse estudo não é nenhuma recomendação para a ação.

Hoje muitos participantes do mercado acreditam que o mercado já está caro, principalmente para o curto prazo. Os chamados investidores em valor já não conseguem aproveitar as barganhas que apareciam quatro meses atrás. Poucas ações parecem apresentar uma boa margem de segurança ou um desconto decente para fazer alguma posição.

Garimpando algumas informações em um software de análise fundamentalista os números da Profarma saltaram aos olhos. A Profarma é uma das maiores distribuidora de produtos farmacêuticos do Brasil e detém uma importante fatia do mercado.

O primeiro aspecto que me chamou a atenção:

Ativo circulante: 875.752 k
Passivo circulante: 312.499 k
Passivo não-circulante: 135.546 k

Deduzindo do ativo circulante o passivo circulante e o passivo não-circulante obtemos um valor de 427.707 k. Ou seja, recebendo os seus direitos de curto prazo e pagando as suas obrigações de curto e longo prazo ainda resta um valor de quase 500 k. No dia 20/05 o valor de mercado da empresa era 290.772 k, obtemos assim uma relação muito interessante entre o valor de mercado da empresa e o que resta de valor subtraindo os passivos dos ativos circulantes, aproximadamente 0,67. Esse era um dos indicadores preferidos de Benjamin Graham, pois ele acreditava que esse número mostrava se a empresa estava descontada ou não. Quando temos um número abaixo de 1 com certeza é uma empresa para se olhar com mais cuidado pois ela pode estar sendo muito subavaliada pelo mercado.

Olhando outros números agora, o valor patrimonial da ação naquela data era 13,33 e no mercado a ação estava cotada a 8,20. Temos assim uma relação P/VPA de 0,61, me parece ser um valor bem interessante, mostrando um bom patamar de desconto. Imagina se essa relação de P/VPA passa de 0,61 para 1,00 temos uma valorização superior a 60%. Analisando agora o famoso P/L, a empresa naquele dia apresentava um P/L de 8,62, não é muito alto nem baixo, a empresa já esteve negociando com esse indicador em níveis mais favoráveis.

A liquidez da empresa parece bastante confortável, em níveis superiores aos sugeridos por Ben Graham. A liquidez geral é de 2,09 e a liquidez corrente está em 3,10. Agora o aspecto da empresa que mais me preocupa é a rentabilidade do negócio. Veremos que o negócio de distribuição de produtos farmacêuticos e medicamentos em geral não apresenta uma rentabilidade sobre o patrimônio alta como em outros setores. Isso é uma característica do setor, margens apertadas.

Vamos aos números:  a empresa apresenta um ROE de 7,06%, uma margem bruta de 8,95% e uma margem líquida de 1,34%.

Mesmo sendo uma característica do setor, estes números são um risco, pois se a empresa não for muito hábil para conter os seus custos e manter sua margem, um prejuízo trimestral com certeza ocorrerá. Em relação a isso pesquisei o histórico de lucros trimestrais da empresa, desde o 4T de 2005 a empresa apresentou um único trimestre de prejuízo que foi o trimestre do IPO (na oferta pública o preço da ação foi 22,50). Provavelmente esse resultado foi negativo devido aos custos de realizar um IPO. Mas admito que não li o relatório daquele trimestre. De qualquer forma é uma empresa que tem no mínimo um histórico recente de produzir resultados positivos, o que me deixa um pouco mais confortável em relação ao risco de trabalhar com margens apertadas.

Enfim, posso discorrer sobre outros números e múltiplos, mas acho que os apresentados aqui podem nos dar uma noção sobre a possibilidade de retorno da ação. Não sei se essa ação vai subir na próxima semana ou no próximo mês, mas quando o valor de mercado convergir para o valor intrínseco o retorno pode ser bem interessante, se o mercado voltar a cair pelo menos ficarei tranqüilo que paguei por essa ação menos do que ela vale segundo o estudo feito pois acredito que existe uma boa margem de segurança para realizar esse investimento.

Artigo escrito pelo leitor Julius Clarence.

.

O trader e o jogador de pôquer. E também o surfista

Publicado em 29.05.2009 por CHRinvestor na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

.

poker2

O retorno recebido por conta do artigo “A arte da paciência” foi tão grande que eu resolvi abordar mais uma vez o tema. Percebi que os aspectos mentais da atividade de um trader são a principal preocupação da maioria dos traders que buscam o sucesso.

A forma como os traders profissionais encaram o mercado é igual a dos jogadores profissionais de pôquer. Dá pra fazer uma analogia.

Quem joga pôquer só pra se divertir, mas tem a curiosidade de acompanhar os campeonatos pela TV ou ler em sites especializados dicas pra melhorar seu jogo, sabe que ter sorte é o menos importante numa mesa. O que vale são estudo das probabilidades, método e disciplina. Muita disciplina.

No filme Cartas na Mesa, um clássico sobre pôquer, o protagonista, jogador profissional, diz, num certo momento, que ele pode, sim, perder algumas rodadas pros amadores, mas no fim da noite terá levado pra casa o maior prêmio. A sorte irá garantir algumas mãos vencedoras aos demais, mas serão eles capazes de administrar o capital acumulado com essa boa maré? Ou será que terão paciência pra esperar cartas que aumentem suas possibilidades de sucesso? Ficar rodada após rodada só assistindo aos outros ganharem e ele de fora? Acho bem improvável…

Parece com operar na Bolsa? Sim, é bem parecido com operar profissionalmente, sendo que no pôquer ainda se pode blefar, o que os profissionais fazem muito pouco, e no mercado, não. E operar profissionalmente não significa apenas viver disso, extrair seu sustento da atividade. Significa encarar de uma forma séria. Ter plano de entrada e de saída. Usar seu manejo de risco, gerenciar seu capital e saber admitir perdas. Estou falando de pôquer profissional ou de traders profissionais? Dos dois…

Tanto na Bolsa como no pôquer temos dinheiro, pressão, sentimentos como ganância e medo. Experimentem jogar com amigos sem valer dinheiro. Depois joguem a dinheiro, mas um cacife (valor inicial pra entrar) baixo. Algo em torno de R$ 10. Faz diferença. Agora experimentem jogar com um cacife em torno de R$ 100. O volume de dinheiro envolvido muda tudo.

O mesmo vale pra trades no papel, trades com o chamado dinheiro da cachaça e trades com dinheiro de verdade, o bastante pra fazer diferença em sua conta no fim do mês ou do ano. Aqueles que te fazem suar frio, te impedem de sair da frente do micro e te fazem vibrar ou lamentar como num jogo de futebol. Por isso é tão difícil viver exclusivamente disso. Difícil, mas perfeitamente possível. Desde que se faça o certo. O resultado consistente só vem com a prática do “fazer o certo”. Os lucros virão a reboque, acredite nisso.

Façam uma experiência. Joguem pôquer e só entrem nas rodadas com cartas boas. Abandonem as rodadas em que saírem com cartas ruins, mesmo que vocês já tenham colocado algum dinheiro no jogo. Joguem só as boas mãos. Quando saírem daquela rodada que lhes parecia desfavorável, memorizem suas cartas e acompanhem o desenrolar entre os demais que ficaram. Contabilizem quantas rodadas vocês iriam ganhar e quantas iriam perder se tivessem ido até o fim. Teriam ganho pouquíssimas mãos e perdido a maioria, com certeza.

Mudando de canal, o trader profissional é como um surfista profissional. Ele está num campeonato, atrás na contagem e faltando poucos minutos pra acabar a bateria. Só a onda certa o salva. Às vezes ela vem, às vezes, não. Mesmo quando ela não vem e ele perde a bateria, sai com a certeza de ter feito o certo, de ter esperado o momento ideal, mesmo que não tenha vindo.

Esse comportamento vai torná-lo vencedor. Sorte a longo prazo não tem importância, o que manda mesmo é a repetição da prática correta.

Os melhores, traders, jogadores ou surfistas, não são bons apenas tecnicamente, mas também contam com uma incrível capacidade de concentração, sangue-frio e disciplina. Mesmo que sejam vibrantes, extrovertidos, por dentro estão concentrados.

Nos campeonatos são sempre os mesmos que chegam às finais. Será coincidência? Aposto que não…

.

Mercado eficiente

Publicado em 26.05.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

.

wall Uma das teorias mais discutidas em finanças é a de que o mercado é eficiente. Conceitualmente, um mercado é eficiente quando nos preços dos ativos todas as informações estão refletidas. Já abordei “an passant” este assunto outras vezes aqui no blog (Fundo ativo ou passivo?), mas depois da crise finaceira mundial vivenciada recentemente, acho oportuno voltar ao tema.

Do ponto de vista prático, a grande discussão é se é possível superar o mercado. Basicamente, a questão que se coloca é se a gestão ativa de investimentos propicia um retorno superior à gestão passiva. Quanto maior o grau de eficiência do mercado menor seria a possibilidade de obtenção de uma taxa acima do benchmark.

Teoricamente, a tendência é que os mercados sejam cada vez mais eficientes, quer pela maior disseminação de informações, quer seja pela existência de regras mais claras e transparentes nas operações. Cabe também destacar que mercados mais desenvolvidos tendem a ser mais eficientes. Assim como os preços dos ativos mais líquidos tendem a refetir melhor as informações.

Um ponto interessante a ser comentado é que a idéia de eficiência de mercado não implica que os preços devam ser estáticos. Pelo contrário, ela determina que as mudanças nos preços dos ativos sejam aleatórias e devem refletir imediatamente a incorporação de novas informações nos preços. Assim, o que está por trás desse conceito é justamente a idéia de racionalidade, pois num modelo de racionalidade os preços dos ativos só mudariam em virtude de novas informações.

Não foi o que aconteceu no final do ano passado. Os investidores foram movidos pelo efeito manada (pânico) e deixaram  de lado o verdadeiro valor de cada empresa. A crise do subprime derrubou a idéia de que os mercados são perfeitos ou profundamente racionais. Agora, com a retomada dos preços e a volatilidade dos mercados voltando ao normal, as ações podem voltar a refletir melhor os fundamentos, porém ficou evidente que uma ferramenta capaz de interpretar a psicologia de massa é muito necessária na tomada de decisão.

Neste ponto, cabe uma reflexão por parte do leitor. Se você for adepto da eficiência de mercado, sua carteira poderia ser diversificada aleatoriamente, ou seja, você poderia ficar posicionado passivamente num índice amplo, como o PIBB11 (que reflete o IBX50) ou nos novos fundos ETF’s da Bovespa (BOVA11, MILA11, SMALL11 – veja artigo). Se, por outro lado, você acreditar que é possível bater o mercado, a sua estratégia seria ativa. Importante salientar que o fator tempo é importante nessa discussão, pois é relativamente fácil bater o mercado no curto prazo, mas vai ficando cada vez mais difícil quando os prazos vão se dilatando.

Existem gestores com um histórico de superação do benchmark de forma relativamente consistente. A questão básica parece ser não se o mercado é ou não eficiente, mas qual é o grau de eficiência do mercado. Assim, pode-se estabelecer uma política de investimentos que irá determinar até onde vale a pena garimpar na busca de retornos acima da média.

.

Swing trade ou position trade?

Publicado em 22.05.2009 por CHRinvestor na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Estratégias, Opinião

.

grafico

Tenho feito análises para swing trades, baseadas em gráficos diários, porém existe a opção de fazermos position trades, onde só é necessário analisar gráficos semanais.

Cada prazo operacional tem suas vantagens e desvantagens.

O swing trade dura, em média, de dois a seis dias, podendo se estender caso o stop que vai sendo ajustado não seja acionado.

O position trade dura, em média, de duas a doze semanas. Também pode ir além em movimentos bastante incisivos se o stop não for acionado.

A periodicidade de position é muito mais fácil de operar, menos sujeita a stops e que gera menor custo em corretagens. Sem contar, claro, do pequeno nível de estresse. Este é, sem dúvida, o prazo pra quem não tem muita experiência em operar. Melhor aprender a pilotar em um kart que em um F-1.

O trader que não tem tempo pra acompanhar o mercado o dia todo só deve pensar em fazer position trade. Basta analisar num fim de semana uma pequena lista de papéis, listar os que podem gerar compra na semana que vai entrar e colocar uma ordem start de compra no preço desejado.

O trader deve checar no fim do pregão para ter certeza que foi executada a ordem de compra em tal papel. Se atingiu o valor desejado e não foi executada por algum motivo, ele deve enviar uma ordem normal de compra naquele valor que desejaria ter pago.

Em tendências claras de alta, é sem dúvida, a mais rentável, pois estaríamos acompanhando o movimento mais amplo do ativo, não sendo atrapalhados pelos pequenos ruídos, movimentos de correção, normais em qualquer mercado. Estes ruídos, muitas vezes, tiram o trader da operação sem necessidade. E como muitas vezes os preços não recuam até o ponto desejado, o trader acaba não conseguindo voltar e ficando fora daquele movimento.

Em tendências laterais os swing trades são mais rentáveis. Compra-se no suporte e vende-se na resistência, sempre usando o stop com muita rigidez, mesmo que ele te tire da operação antes dos preços baterem na resistência. No prazo de position em mercados andando de lado, corre-se o risco de comprar um papel, começar a ter lucro e sair uma ou duas semanas tendo devolvido o mesmo lucro ao mercado.

Para evitar este ganha e perde muitos trades que preferem o prazo de position optam por realizar parte da posição num determinado preço-alvo. Se o preço do papel começar a cair ele já embolsou o lucro de parte da operação. Se continuar subindo ainda restou a outra parte pra “surfar” aquele movimento.

Outro ponto a ser analisado é o stop. Ser stopado frequentemente é normal em swing trades. Entrar numa operação e ser stopado, com o tempo pode ir minando a resistência dos trades que acabam relaxando nos stops e o resultado são perdas que podem doer um pouco no bolso ou doer tanto a ponto de tirar o iniciante do mercado para sempre.

Mas tem trader que gosta da emoção do jogo e não tem a paciência de entrar numa operação e só sair dela semanas depois. Não operar por um dia é quase como não comer o dia inteiro. Estes traders ou aprendem a dominar as emoções ou se especializam em swing trades ou mesmo day trades.

O melhor a fazer é achar o  tempo operacional que se encaixe no seu perfil. Ou ter duas carteiras, uma de swing e outra de position, de preferência em corretoras diferentes para não misturar as estações. Depois de um período  compare as duas e defina o melhor estilo, seja pela rentabilidade, seja pelo esforço demandado.

Setup gráfico 1234’s

Publicado em 21.05.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Destaques, Estratégias

.

Essa estratégia gráfica foi desenvolvida pelo famoso trader americano Larry Connors e publicada no livro de Jeff Cooper, “Hit and Run Trading”.

A intenção é identificar o momento certo para abrir uma posição quando um papel se encontra em uma forte tendência, as chamadas “runaway stocks”. Muitas vezes nos deparamos com um ativo que apresenta uma excelente configuração gráfica, mas devido ao forte movimento em curso, não conseguimos eftuar a operação.

A estratégia 1234’s de Connors, tem exatamente este intuito. Connors, percebeu que é bastante comum os papeis que entram em um trend realizarem uma pausa de três dias antes de retomarem a “corrida”. Identificando os ativos que se encontram nesta pequena correção é possível elaborar uma estratégia para que possamos subir a bordo e continuar surfando a tendência.

Vamos detalhar a estratégia considerando uma operação de compra:

1- Identificar um papel que esteja em uma tendência de alta clara. Considerar uma tendência de alta quando o indicador ADX (14) estiver acima de 30(*). Quanto maior o valor do ADX, melhor.

2- O +DI (14) precisa ser superior ao –DI(14).

3- Esperar que o ativo realize uma correção do tipo 1-2-3, ou seja que os preços façam três mínimos consecutivos decrescentes ou uma combinação qualquer que tenha dois mínimos decrescentes e uma inside bar. (vejam os exemplos)

4- Apenas no quarto dia, realizar a compra no rompimento da máxima do terceiro dia. O stop inicial deve ser colocado abaixo da mínima do setup.

5- Assim que o trade caminhar a nosso favor, acompanhar a movimentação através de um indicador de trailing stop (Hilo Activato, SAR, etc…)

(*) – Para o mercado brasileiro, pela minha experiência, sugiro usar o patamar dos 20 no ADX(14).

A mesma metodologia pode ser aplicada para uma operação na venda.

Vejamos alguns exemplos:

BBDC4-1234

VALE5-1234

BBDC4

Setup 1234`s em uma tendência de alta

VALE5

Setup 1234`s em uma tendência de baixa

USIM5-1234

USIM5

Dois setups 1234`s em uma tendência de alta.
Um deles, com uma inside bar.

Importante: O uso do money management em operações deste tipo, meramente especulativas, é fundamental. Utilize algum algoritmo de manejo do capital evitando correr grandes riscos financeiros para a carteira.

.

“Too big to fail”

Publicado em 19.05.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Destaques, Estratégias, Informações, Opinião

.

Pensando no artigo escrito pelo colaborador Rafael Valim e publicado ontem aqui no blog, sobre a queda da gigante GM, me ocorreu de escrever sobre o velho e surrado mito de que investimento seguro é investir nas grandes empresas.

Vocês ainda lembram da Kodak e da Xerox? Nos anos 70/80 quando se falava em fotografia e aparelhos de fotocópia, estas empresas eram a referência, ícones de sucesso. Hoje em dia, praticamente morreram na praia. A confiança na sustentabilidade eterna daquelas gigantes simplesmente se mostrou infundada.

As crises costumam ser responsáveis pelo óbito de muitas gigantes . Não poderia ser diferente na crise atual. Gigantes como a Fannie Mae, Freddie Mac, AIG e Citigroup assinaram seu atestado de óbito. Quem poderia pensar há poucos anos que as ações do conglomerado financeiro Citigroup chegassem a valer aproximadamente um mísero dólar (veja gráfico)? Até mesmo a General Electric, vista como grande exemplo de sucesso duradouro, viu suas ações desabarem vertiginosamente (gráfico). Atualmente, elas não chegam a valer um décimo do que já valeram poucos anos atrás.

citigroup

ge

Citigroup

General Eletric

Muitas vezes, nem mesmo o estigma, comumente utilizado pelos analistas americanos, de serem “too big to fail” ajuda estes grandes conglomerados a se salvar.

Neste ponto, a idéia de uma carteira de acumulação, que muitas vezes eu já defendi aqui no blog como uma boa opção para o longo prazo, precisa utilizar critérios de seleção rígidos e não apenas apostar nas chamadas blue chips do momento.

Não existe apenas uma estratégia de sucesso nos mercados financeiros. Existem especuladores com curto horizonte de tempo que ganham muito dinheiro, assim como investidores que focam no longo prazo e conseguem excelentes retornos também. Mas é preciso ter em mente que a estratégia de simplesmente apostar nas grandes empresas vencedoras de hoje e fechar os olhos, contando que seu sucesso será permanente, pode ser uma decisão muito arriscada.

.

Página 5 de 13123456789101112...Última »