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A volatilidade e o Ibovespa

Publicado em 30.01.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Destaques, Estratégias, Opinião

Em qualquer veículo da mídia especializada que pesquisemos, é praticamente unânime a indecisão sobre o rumo no curto / médio prazo do mercado acionário brasileiro. Em uma coisa porém parece haver um consenso. As bolsas mundiais vivem um momento de forte volatilidade.

volatilidadeNo caso do índice brasileiro, é interessante notar, se olharmos o seu passado recente, que em momentos de crise a volatilidade tende a aumentar consideravelmente. E mais… quando o índice Bovespa sobe, a volatilidade cai, e quando o índice se desvaloriza, a oscilação aumenta. Formando uma correlação negativa entre os dois.

A correlação negativa entre o Ibovespa e a volatilidade (um sobe enquanto o outro cai) tem explicação. Quando as ações estão numa tendência de alta, as pessoas ficam confiantes e investem no mercado por mais tempo, fazendo com que a volatilidade caia. Em momentos de queda, os investidores ficam mais confusos. Alguns preferem vender as ações para não ter maiores perdas. Outros aproveitam a queda para comprar os papéis a preços mais baixos. Esse entra e sai acaba provocando maior volatilidade.

Trazendo a questão para o momento atual, podemos afirmar que boa parte da queda que o mercado de ações brasileiro sofreu deu-se pela “venda forçada” de posições pelos investidores estrangeiros (inclusive o fluxo da Bovespa comprova isso). A grande maioria dos gestores “foi forçada” a vender ações em países emergentes em razão do aumento da volatilidade nos preços das ações. Vale lembrar, que estes gestores internacionais, muitas vezes, são obrigados (em contrato) a desmontarem posições visando ficar menos expostos a volatilidade, que normalmente é medida tecnicamente através do VaR (Value at Risk).

E o que isso pode acrescentar na nossa estratégia ? Acredito que essa saída forçada pode ter provocado exageros em alguns papeis, principalmente aqueles com menor liquidez. Portanto, talvez seja oportuno observarmos mais de perto, aqueles ativos que continuam com fundamentos sólidos e que possam estar encontrando pontos gráficos de suporte consistentes. Lembrando apenas, que não temos como saber se a fuga de capital estrangeira já ocorrida, foi suficiente para “desafogar” a oscilação das carteiras dos gringos ou se ainda teremos novos ajustes.

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Estratégia – Volatilidade

Publicado em 14.01.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Destaques, Estratégias

van tharp

Vou relatar uma estratégia publicada por Van K. Tharp em seu livro “Trade Your Way to Financial Freedom” (recomendadissimo !) utilizando a volatilidade do ativo. Não realizei um estudo estatístico sobre a eficiência desta técnica, mas pelo fato de utilizar o Average True Range, que na minha opinião é um indicador indispensável para qualquer trader/investidor, resolvi publicá-la. Caso alguém se aventure em realizar um estudo histórico mais aprofundado sobre os resultados da técnica, adoraria que compartilhasse aqui.

A idéia é encontrar um timming mais seguro para uma entrada. Para isso o autor sugere utilizar algum indicador como o ADX para identificar ativos que encontram uma tendência. Até mesmo o cruzamento de médias móveis pode ser usado. O importante é que a técnica da volatilidade permite evitar (ou tornar menos frequentes) os habituais sinais falsos de breakout.

Identificada a tendência, usaremos o Average True Range. Assim que os preços começarem a se mover dentro de um range curto, o trader deve redobrar sua atenção. Fortes oscilações nos preços de um ativo em tendência ocorrem depois de uma desaceleração dos preços.

Van Tharp, utiliza a comparação entre dois valores no Average True Range, para identificar que o range de um determinado ativo se encontra baixo (ou curto). Caso a média do range dos ultimos 5 dias seja inferior a 60% da média do range dos últimos 50, o autor considera que o papel está apresentando uma desaceleração. Neste caso o trader deve escolher, baseado na sua metodologia, um sinal de entrada assim que a volatilidade do ativo voltar a ficar intensa.

Importante não esquecer de operar apenas na direção da tendência identificada no início.ITAU4

Exemplo: ITAU4 apresentava um período de congestão no curto, mas estava dentro de uma tendência clara de alta. No dia 06/07 o ATR (5) marcou 0,65, enquanto o ATR (50), 1,08 pontos. Neste momento o trader deveria acompanhar o ativo de perto e determinar um ponto de entrada (possivelmente um breakout) assim que a volatilidade mais intensa voltar. Os preços no dia 11/07 começaram a se movimentar com mais força e em seguida retomaram a tendência de alta.

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Buscando a realidade

Publicado em 09.01.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

realista

Cinco anos se passaram e a bolsa de valores nesse período se tornou sem dúvida o melhor investimento para nós, poupadores. Este ano as impressões até o momento, nos conduzem para um período de maior turbulência. Provavelmente para que consigamos obter os mesmo números de rentabilidade dos anos anteriores, será necessário uma dedicação e um esforço redobrado.

Analisando esse nosso passado recente, é interessante notar, como os diversos investidores[bb] reagem ao período próspero. Até 2007,  difícilmente encontraremos algum investidor que tenha conseguido ter grandes prejuízos. Tudo subiu. A escolha do ativo correto, através de análises criteriosas, se tornou quase secundário.

Auto-atribuição

E é neste cenário,que podemos encontrar investidores iludidos com a verdadeira eficiência de sua estratégia operacional. Atribuem única e exclusivamente para si e para a sua metodologia o sucesso no mercado. É o efeito da auto-atribuição. O viés de auto-atribuição faz com que atribuamos a nós o crédito por eventos passados cujos resultados foram favoráveis, mas sobre os quais tivemos pouca ou nenhuma influência. Mais precisamente, o indivíduo passa a se gabar de decisões passadas que resultaram em sucesso, ao passo que os fracassos são atribuídos a fatores externos e fora de seu controle.

A implicação de tal tendência comportamental para o universo dos investimentos é que ganhos passam a ser assimilados pelo aplicador como prova de seu conhecimento e competência, ao passo que perdas são atribuídas a fatores aleatórios ligados à macroeconomia e aos movimentos erráticos dos mercados.

Para exemplificar o que estou dizendo, experimentem se fazer as seguintes perguntas:

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1)- As perdas de minha carteira foram causadas freqüentemente por circunstâncias externas, como fatores macroeconômicos ?

2)- Os ganhos de minha carteira são resultado direto de minha competência em gerenciar minhas posições ?

3)- As perdas observadas em minha carteira foram na maior parte causadas por fatores imprevisíveis ?

4)- Meu instinto contribui com freqüência para a seleção de bons investimentos ?

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Se a sua resposta a essas questões for positiva, pode acreditar, você está sofrendo da tal tendência comportamental, denominada auto-atribuição.

Reconhecer os próprios erros

Um estudo conduzido por Nicolosi, Gina, Peng , Liang and Zhu, Ning – “Do Individual Investors Learn from Their Trade Experience?” – (December 2005), demonstra como essa anomalia comportamental pode influenciar nas suas operações. Verificou-se que quando a carteira registra ganhos, os investidores consideram que tal resultado ocorreu graças a suas qualidades de aplicador, lavando-os a transacionar mais no período subseqüente. Por outro lado, quando perdas são observadas, não há uma redução proporcional no número de transações realizadas no período subseqüente, o que seria um sinal da redução de confiança em sua própria habilidade de gestão. Pelo visto, reconhecer um erro passado é algo difícil para a maioria dos investidores.

Esse artigo visa chamar a atenção para o modo como estamos interpretando nossas operações no mercado. Seja realista e sincero consigo mesmo. Não se iluda achando que você é o novo Buffett ou Soros brasileiros. A falta da exata noção da realidade pode elevar demasiadamente seus riscos e colocar sua carteira em perigo.

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A regra de ouro

Publicado em 12.12.2007 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

Talvez uma das regras mais famosas no mercado[bb] é a que diz: “corte rapidamente as perdas e deixe correr os ganhos”.

Sem dúvida, é muito provável que aqueles que conseguem seguir a risca essa determinação obterão vida longa no mercado. Mas o fato é que na maioria das vezes o investidor/trader se deixa levar por fatores emocionais inerentes as operações e consegue transgredir as duas pontas desta regra.

Vejamos esse exemplo abaixo.

O que você escolheria:

  1. Uma perda de 9.000 reais; ou
  2. Uma probabilidade de 5% de não perder nada mais uma possibilidade de 95% de perder 10.000 reais ?

O que você escolheria, a perda certa ou a sorte ? Essa pergunta foi feita para um grupo de investidores[bb] americanos e 80% deles escolheram arriscar na sorte. Ou seja, escolheu a segunda opção. Mesmo que esta porporcione uma perda maior ( 10.000 * 0,95 + 0 * 0,05 = 9.500 reais, portanto maior que a perda certa de 9.000 reais ).

“Corte rapidamente as perdas”… isso não ocorreu. Regra transgredida. Na maioria das vezes, o investidor/trader prefere confiar na sorte de que o mercado irá se recuperar, ao invez de encerrar a operação. O prejuízo assim se acumula e chega a um ponto que a venda se torna inevitável e bem mais dolorosa.

Vamos considerar agora, outro exemplo.

O que você escolheria:

  1. Um ganho de 9.000 reais; ou
  2. Uma probabilidade de 95% de ganhar 10.000 reais mais uma possibilidade de 5% de não ganhar nada ?

Mais uma vez, você escolheria o ganho certo ou a sorte ? Neste caso, 80% dos investidores americanos preferiram o ganho certo. Mesmo que, a alternativa de tentar a sorte se mostre matematicamente mais interessante ( 10.000 * 0,95 + 0 * 0,5 = 9.500 reais, portanto maior que o ganho certo de 9.000 reais ).

“Deixe correr os ganhos”…. mais uma vez, violamos a regra. Quando um investidor/trader tem nas mãos um ganho, na maioria das vezes, fica tão apavorado de perdê-lo, que no menor sinal de reversão do mercado, o realiza.

Este artigo exemplifica a importância do psicológico. Independente da estratégia utilizada, se não soubermos gerir os ganhos e as perdas, não conseguiremos sobreviver por muito tempo no mercado.

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Fundo ativo ou passivo ?

Publicado em 04.12.2007 por CHRistian na(s) categoria(s) Destaques, Estratégias, Opinião

moeda

Mais um ano se aproxima do final. É hora de avaliarmos o desempenho da nossa carteira com parcimônia e traçarmos nossos objetivos para o próximo ano que se aproxima.

Este artigo ainda não será uma análise da performance[bb] da Carteira CHR, vou aguardar o término de Dezembro para este fim. Esse texto, vai abordar as diferenças entre um fundo (carteira) ativo e um fundo (carteira) passivo.

Os fundos passivos procuram replicar o desempenho de um determinado índice (por exemplo, Ibovespa, IBrX, entre outros) sem a interferência do gestor na escolha dos ativos. Já os fundos ativos fazem exatamente o oposto, ou seja, é utilizado o “expertise” do gestor na escolha dos ativos, sem obrigação de seguir qualquer índice.

Normalmente os fundos ativos possuem um custo maior na taxa de administração e performance. Por isso, é de se esperar que estes fundos tenham uma performance melhor do que os passivos. Porém não é isso que estudos americanos demonstram. No longo prazo, são raros os fundos, com gestão ativa, que superam o desempenho dos índices acionários.

Uma das explicações para tal fato é que esses índices são números puros, sem a dedução de qualquer custo, enquanto os fundos têm custos operacionais, que são deduzidos do seu desempenho final. Os custos de performance e corretagem são de difícil quantificação para os investidores. Na gestão ativa de fundos de ações, a corretagem tem maior presença, devido à maior troca de ativos, quando comparada à gestão passiva.

Mercado Eficiente

No fim das contas, essa discussão nos remete a teoria do Mercado Eficiente. O Mercado Eficiente considera que em mercados onde há um grande número de investidores bem informados, os investimentos serão precificados de modo a refletir todas as informações disponíveis no mercado. Ou seja as distorções que ocorrem nos preços tendem a se ajustar.

Muitos gestores financeiros fundamentam suas decisões de compra e venda nos mercados na crença de que eles são capazes de ganhar dinheiro enfrentando-o, baseados no pressuposto de serem mais eficientes que o mesmo. Não é muito fácil entender porque os gestores têm tantas convicções a respeito do comportamento dos mercados, procurando encontrar padrões e correlações no passado para prever movimentos futuros. De outro lado, os mesmos gestores financeiros que tentam achar a “fórmula mágica” afirmam que os mercados de capitais funcionam suficientemente bem e que oportunidades de lucrar muito e rapidamente são bastante raras.

Seguindo esta linha, não é de se estranhar o forte crescimento nos EUA do mercado de ETF (Exchande Traded Fund), cuja tradução para o português é fundo negociado em bolsa. O ETF é um fundo passivo, que procura replicar determinado índice teórico, cujas cotas só são negociadas em bolsa. No Brasil, o PIBB (presente na carteira CHR), que replica o IBX-50 e tem sua cota negociada no Bovespa, é o exemplo de ETF “tupiniquim”.

O assunto é extenso e muito interessante. Confesso que ainda não estou convencido da “eficiência” da teoria do Mercado Eficiente. Por outro lado, reconheço a dificuldade de se bater de maneira consistente os índices que utilizo como benchmark da minha carteira.

Bem, levantei a bola… adoraria “ouvir” a opinião dos amigos visitantes sobre este assunto complexo, mas fascinante.

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Ser ou não ser do contra ?

Publicado em 22.11.2007 por CHRistian na(s) categoria(s) Destaques, Estratégias, Opinião

duvidaAssim como ocorreu em Agosto, o mercado se mostra muito difícil. Quase 7% de queda em 2 dias. As notícias internacionais não são boas. A vontade que muitos investidores tem é de vender tudo e voltar correndo para o porto seguro dos investimentos[bb] conservadores, como o DI e a poupança.

Mas será que o momento não é exatamente o contrário? Ninguém discute, que a lógica do bom investimento é comprar ações de boas empresas, com importantes e sustentáveis vantagens competitivas, por bons preços, e, então, permanecer com estas companhias por muitos anos.

Com a forte tendência de alta dos últimos anos se torna difícil encontrar momentos que estas boas empresas fiquem “baratas” para serem compradas. Isso acontece quando temos fortes correções, como a ocorrida em Agosto e como a atual. Mas neste momento, entra o fator psicológico. São poucos que tem a capacidade de confortavelmente ir contra a maré, vender quando todos só pensam em comprar, entrar em setores que passam por momentos difíceis e evitar as ações populares.

É preciso porém cuidado. O assunto de caminhar contra as massas deve ser encarado de forma inteligente. De nada adianta ser um “rebelde sem causa” e ir contra tudo, sem um embasamento conceitual. O pensamento independente, a capacidade de suportar a pressão, o sangue-frio para sustentar sua posição no longo prazo e a visão de longo prazo são características fundamentais para uma performance consistente.

Hoje em dia não é mais suficiente para se tornar um bom investidor dominar técnicas de avaliação de empresas[bb] , ou dispor de cada vez mais informações. Informações, técnicas e cálculos passaram a ser ”commodities”, disponíveis ao mesmo tempo para todos. A capacidade de controlar as emoções é que representa o diferencial necessário para obter resultados ótimos.

Em resumo, o que defendo é uma postura independente. Agir nem sempre com as massas e nem sempre contra todos. Procurar um ponto de equlibrio e principalmente buscar o autocontrole psicológico.

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Fixed Fraction Method

Publicado em 24.09.2007 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Money Management

Depois de algum tempo sem postar, estou retomando os artigos relacionados as estratégias de Money Management. Gostaria de agradecer aos emails recebidos de leitores elogiando e se interessando pelos artigos escritos sobre o assunto. Devido ao grande trabalho que estes artigos demandam, sem dúvida sem as palavras de incentivo de vocês talvez não voltasse a abordar o assunto.

Antes de iniciarmos, julgo interessante para aqueles que não leram os artigos anteriores  que o façam. Sem dúvida o entendimento será muito maior.

( Money Management, Martingale, Antimartingale, A formula de Kelly )

O Fixed Fraction Method é um sistema de manejo de risco que procura identificar qual é o melhor percentual do nosso capital de investimento que devemos arriscar em cada operação. Esse percentual é identificado como “fraction” ou “f%” ou simplesmente “f”.

O método exige que o investidor determine um stop loss e o valor financeiro máximo que se admite perder em cada operação. Dividindo um valor pelo outro alcançamos a quantidade de contratos (ou ações) que podem ser operados. Depois de cada operação concluída é necessário refazer o cálculo para que se determine o novo número de contratos a ser negociado.

Vamos supor uma série de trades, para ajudar na compreensão:

fixed-1

Vamos imaginar também que queremos limitar nossa perda em cada trade em 1.250 reais (stop loss) e que iremos arriscar 5% do nosso capital total em cada operação. Iniciamos a simulação com um montante de 100.000 reais.

fixed-2

Chegamos no final da simulação com um resultado de 123.150 reais(121.750+1.400 do décimo trade). Sem dúvida o percentual de 5% nos trouxe uma boa rentabilidade, mas será que é o melhor ? Vamos simular agora com outros percentuais:

fixed-3

Percebe-se que o aumento do percentual arriscado não corresponde necessariamente a um aumento do resultado final. O montante final com o percentual de 25% é superior ao de 50%. Aliás, esta constatação parece até óbvia. Afinal se pensassemos em operar com 100% do capital, bastaria um trade para que zerassemos nossa conta.

Devemos ressaltar que o percentual arriscado não representa o drawdown do sistema. O drawdown depende da sequência dos trades.

Ser obrigado a “stopar” uma operação é muito desagradável, mas sem dúvida é muito mais estressante para o trader assimilar um drawdown percentual, ou seja, o quanto se desvaloriza nosso capital total depois de ter alcançado uma máxima relativa.

Dito isso, vamos acrescentar ao nosso exemplo o drawdown (DD) e a respectiva percentual (DD%) depois de cada operação. Por exemplo, no primeiro trade nos perdemos 1.000 reais; começando com 100.000 reais menos os 1.000(=DD), chegamos aos 99.000, exatamente 1% (=DD%) de 100.000. Os cálculos são simples, lembrando que o drawdown é calculado sempre pela máxima cotação do contrato.

(Caso tenham alguma dúvida, sobre o entendimento da tabela abaixo, por favor, comentem. Terei enorme prazer em explicar).

fixed-4

Os percentuais em negrito representam os maiores drawdowns percentuais em cada fração “f” testada.

É interessante notar que nem sempre o maior drawdown percentual representa o maior drawdown absoluto. Isso se torna evidente na coluna da fração de 50%, onde o máximo DD% é a incrível marca de 69,91% correspondente ao valor absoluto de 108.500 reais, enquanto após alguns trades a estratégia alcança um valor de perda de 141.250 reais, diante de um percentual de “apenas” 49,68%.

Normalmente são utilizados os valores percentuais, considerando que a resistência a perda de determinado valor aumenta com o crescimento do capital total. Ou seja, perder 1.000 reais para quem tem 10.000, não é a mesma coisa (psicologicamente falando), do que uma perda de 1.000 e tem uma conta de 100.000 reais.

Voltando a olhar a tabela, parece evidente que uma exposição maior provoca movimentos mais voláteis, tanto nos trades positivos como naqueles negativos. O percentual de 25% no nosso exemplo aparece como a melhor escolha depois de 10 trades, levando o saldo total da nossa conta a 215.950 reais, mais de 115% de valorização. Mas aí, surge a pergunta fundamental: Quantos traders resistiriam a um drawdown de 43,41%, levando o total da conta a 78.550, diante dos 100.000 iniciais ?

Se conhecêssemos o futuro nossa tarefa seria mais fácil, escolheríamos o “f” igual a 25%, e teríamos apenas o trabalho de contar o dinheiro. :)

Bem, se você chegou até aqui, sem dúvida se interessou pelo assunto. Descobrimos agora a importância do drawdown na definição da nossa estratégia de money management. Nos próximos artigos continuarei com o estudo, buscando trazer para vocês os métodos e as aplicações mais usados por traders de todo o mundo.

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Correlação Carteira x Ibov

Publicado em 30.08.2007 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Informações, Opinião

risk marketNesses períodos de indecisão e volatilidade, surgem muitas opiniões a respeito dos benefícios de se “hedgiar” (proteger) uma carteira.

Numa tradução literal do inglês, “hedge” quer dizer “cerca”. Na prática, é uma forma de proteger uma aplicação contra as oscilações do mercado.

Mas para que tenhamos realmente o efeito desejado é necessário que o ativo protegido tenha correlação com aquele que irá protegê-lo. Por exemplo, de nada adianta eu comprar PETR4 e vender IDNT3. Deve existir entre os ativos algum tipo de correlação, mesmo que essa seja implicita e/ou subjetiva.

Pensando nisso, resolvi traçar a correlação entre a valorização da minha carteira e o Ibov, de Janeiro de 2006 até hoje. O resultado foi uma correlação de 0,96, ou seja a variação de ambas está extremamente relacionada.

Desta forma, a venda do mini-índice futuro na BMF, permitiria uma estratégia de hedge interessante. O importante agora é definir o percentual da carteira que pretendo hedgiar. Lembrando que cada ponto no mini-indice equivale a 0,20 reais, podemos calcular o número certo de contratos que devemos negociar.

Por exemplo:

Suponhamos que você possui uma carteira de R$50.000, e pretende hedgiar 50%, ou seja R$25.000. Se o mini-indice futuro é cotado hoje a 52800, isso equivale a R$ 10560. Dividindo os R$ 25000 pelos R$10560, você conclui que o número de contratos a serem vendidos são de 2,36, ou seja arredondando, 2.

Venho estudando essa estratégia, mas ainda não a coloquei em prática. Por mais que a operação tenha o intuito de travar eventuais perdas, ela também acaba travando os possíveis ganhos. E é inegável que o fator timing, continua sendo fundamental no sucesso da estratégia.

O estudo continua…

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AT x AF – A eterna briga

Publicado em 20.08.2007 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

briga- Quem nunca ouviu um analista fundamentalista criticando a análise técnica, ou o contrário? Sob o argumento de que a análise técnica é válida apenas para o curto prazo, os fundamentalistas criticam os técnicos, e na contramão, os analistas técnicos afirmam que a análise fundamental não possui timing.

Entretanto, existem analistas (eu me incluo) que são a favor da combinação das duas análises, e acreditam que as duas se completam. Enquanto a análise fundamentalista permite ao investidor saber quais empresas estão crescendo, gerando valor, possuem boa administração e boas perspectivas de retorno de investimentos, a análise técnica fornece ao investidor os indicativos para o momento certo de comprar, vender ou manter a ação.

Para utilizar as duas análises, é preciso conhecer um pouco sobre as  duas. De forma resumida, a análise fundamentalista utiliza dados como lucros, receitas, despesas e outras contas dos demonstrativos das empresas para criar indicadores e fazerem projeções. Baseadas na comparação de indicadores e nas projeções obtidas, são feitas as recomendações.

Além destes dados, os fundamentalistas também costumam incorporar em suas projeções perspectivas para o cenário econômico, expectativas de fusões ou aquisições e projeções também para preços de insumos, demanda e etc.

Já a análise técnica é baseada no estudo do comportamento do mercado, principalmente através de gráficos e indicadores que permitem ao investidor identificar tendências de mercado. Os gráficos são baseados na oscilação dos preços e permitem a visualização dos movimentos do mercado, de forma que o analista tem a possibilidade de saber para onde podem ir os preços.

A diferença básica entre a análise fundamentalista e a análise técnica é evidenciada no objeto de observação das duas análises. Enquanto a análise fundamentalista estuda a causa dos movimentos do mercado, a análise técnica preocupa-se unicamente com os efeitos que causam alterações na oferta e demanda dos ativos.

No momento de montar sua carteira de ações, experimente combinar as duas análises. O primeiro passo é, através da análise fundamentalista, selecionar as ações cujas empresas são consideradas atrativas, ou seja, vem crescendo ao longo do tempo, e não apresentam riscos financeiros significativos.

Ativos com bons fundamentos, permitem que você não passe horas acompanhando o mercado e fique sujeito à volatilidade do papel.

Ao mesmo tempo, ao utilizar a análise técnica, você poderá ter a percepção do rumo dos preços do seu ativo, determinar preço alvo e preço de stop de acordo com seu perfil e com o que os gráficos dizem, minimizando suas perdas e evitando deixar passar os momentos que o preço das ações pode apresentar grandes oscilações e que os gráficos permitem visualizar (isso lhe parece familiar ?).

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É hora de vender ?

Publicado em 06.08.2007 por CHRistian na(s) categoria(s) Estratégias, Informações, Opinião

 

buy.sellA Amanda Queiroz, me questionou por email: “CHRistian parabéns pelas análises e pelos vídeos. Percebi que você está bastante pessimista quanto ao cenário atual da bolsa. Aí, fico me perguntando porque não se desfaz da sua carteira, e vende alguns papeis ? [...] Obrigada !”.

 

Amanda obrigado pela mensagem e pela visita. Primeiramente não me considero tão pessimista assim.  Apenas venho relatando o que vejo. :)

Sobre o porque de ainda não ter vendido alguns papeis, a resposta resume-se em: estratégia de investimento. Os ativos que atualmente compõem a Carteira CHR, são de empresas que considero com ótimo potencial e não demonstraram (ainda)um sinal de fraqueza a ponto de abalar as minhas perspectivas fundamentalistas para o futuro. Além disso, a maioria delas (exceção para BRML3 e EMBR3) já estão a um bom tempo na carteira e portanto possuem uma boa gordurinha para queimar.

Muitos poderão comentar… mas se você vendesse e recomprasse depois ? Sem dúvida, seria uma estratégia excelente. O difícil seria ter a certeza do timing certo. Vejam bem, não descarto operações mais especulativas. Ou de um período mais curto. Já fiz muito e posso voltar a fazer. O importante é definir o plano e segui-lo a risca.

No caso da Carteira CHR, o foco é o longo prazo, buscando aproveitar o crescimento de determinados setores da economia brasileira que prometem um bom desempenho nos próximos anos.

Os pontos que procuro abordar na minha estratégia de longo prazo quando analiso um ativo, são: 

  • Oportunidade de mercado
  • Qualidade do ativo
  • Modelo de negócio
  • Administradores da empresa
  • Estratégia de saída

 

É bom lembrar, que todo investidor de capitais vive de “tomar risco”. Risco representa recompensa e perda potencial. Somente cada indivíduo sabe quando chegou o próprio limite, seja ele financeiro ou psicologico.

Paulo Guedes, na revista Época desta semana:

“A captura da psicologia dos investidores pelo tema do aperto da liquidez global, de um lado, e a reflexividade entre as expectativas e a realidade, de outro, indicam a complexidade do enredo registrado pelas bolsas.”

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