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Investimento de Longo Prazo

Publicado em 19.11.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análises, Aprendizado, Estratégias, Opinião

 

bussola Pensar na bolsa como um investimento de longo prazo, é sem dúvida uma das abordagens mais prudentes que um investidor pode tomar. Mas é preciso que fique bem claro, o que se entende por longo prazo.

No livro "The right stock at the right time", Larry Williams apresenta um estudo que comprova que no longo prazo o investimento em renda variável pode se tornar muito lucrativo. O estudo apresenta três modalidades de investimento: mercado imobiliário (calculado usando uma média dos preços dos imóveis nos EUA), mercado de treasuries (títulos do governo americano) e mercado acionário (usando um grupo de blue chips). O resultado no ano 2000, para quem tivesse investido US$1 em 1925, seria de:

  • Mercado de treasuries = 15 dólares
  • Mercado imobiliário = 100 dólares
  • Mercado acionário = 2000 dólares

É preciso porém fazer uma ponderação. O retorno de 2000 dólares, engloba um conjunto de ações "de qualidade" do mercado. Mas durante os 75 anos da pesquisa, muitas destas blue chips não sobreviveram. O que reforça a idéia que mais importante do que usar uma estratégia de buy and hold sem critério, o investidor precisa concentrar esforços na hora da escolha dos papéis.

Warren Buffett, o maior guru do mercado de todos os tempos, já disse diversas vezes que costuma comprar ações para toda uma vida. Mas como já tratei em outro artigo, isso se deve principalmente ao tamanho das posições da Berkshire Hathaway (empresa de Buffett) e não por uma estratégia operacional pré-definida.

O investimento de longo prazo, não exime o investidor de um acompanhamento frequente de sua carteira. Aliás a verdade é que muitas pessoas são atraídas pela estratégia de um investimento de longo prazo "indiscriminado", porque isso equivale a não ter que tomar decisões com muita frequência e porque a metodologia não exige um trabalho excessivo.

A estratégia do buy and hold sustenta que ao comprar uma ação, basta mantê-la na carteira por um longo prazo, que o retorno chegará. Infelizmente nem sempre é assim. A única certeza que temos a respeito do longo prazo, é que um dia a maioria das pessoas morre.

Portanto ao comprar uma ação dentro de uma carteira de acumulação (longo prazo), não deixe de reavaliar periodicamente a saúde financeira da empresa. Não existe uma empresa sólida no mundo que no futuro não possa quebrar  (por ex. o caso da GM, hoje em dia). Vale a pena, lembrar das palavras do famoso especulador Jesse Livermore: " O dinheiro perdido nas operações especulativas é aceitável se comparado com as somas colossais perdidas pelos investidores de longo prazo che deixaram as operações em aberto até o infinito. O investidor inteligente é aquele que sabe intervir rapidamente, tentando limitar os prejuízos."

Em resumo, para sobreviver no mercado é necessário que tenhamos um objetivo claro e bem definido, e que este esteja enquadrado dentro de um horizonte de tempo adequado as nossas expectativas.

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Rali da última hora

Publicado em 18.11.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análises, Estratégias

 

Mais uma vez, a diferença entre o horário de fechamento do mercado brasileiro e do mercado americano acabou sendo determinante para definirmos uma perspectiva para o desenrolar da semana.

Conforme podemos observar nos gráficos do Dow Jones abaixo (gráficos intraday), às 18:00hs (horário de Brasília) enquanto o Ibovespa fechava por aqui, o índice americano perdia mais de 1% e testava o importante suporte dos 8200 pontos. Sem dúvida um sinal de fraqueza do mercado. Resultado, o Ibov concluiu as operações com uma perda de 4,54%, nos 34094 pontos.

 

DJI

DJI2

DJI3

DJI - Graf. 5 minutos
às 18:00hs

DJI - Graf. 5 minutos
às 19:00hs

DJI - Graf. Diário

 

Assim que o pregão foi encerrado por aqui, como em um "passe de mágica", o Dow Jones iniciou o seu ralí da última hora. E hoje foi um ralí de valorização. Fechando no final do dia com uma alta de 1,83%, nos 8425 pontos. Mais uma vez, reagindo no importante suporte da banda inferior do canal de congestão e novamente com um volume acima da média dos últimos 21 dias (gráf. diário).

Essa  diferença entre os horários, acaba provocando distorções significativas na abertura do dia seguinte. Principalmente para posições de swing trade (curto prazo) a estratégia acaba sendo muito prejudicada. Não é a toa que o volume do after market tem sido expressivo nos últimos pregões.

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Os riscos na bolsa

Publicado em 13.11.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Estratégias

 

risco

Quando decidimos fazer um investimento, de qualquer espécie, estamos dispostos a assumir um determinado risco visando um retorno compensador.

Pensando nos investimentos em renda variável, podemos citar três tipos de riscos que o investidor deve estar atento para que os seus recursos alcancem os objetivos estipulados:

O primeiro é o risco financeiro. Ou seja, a chance do preço pago pelo ativo não compensar o que ele poderá proporcionar em termos de caixa futuro gerado. Em outras palavras, pagar por algo mais do que aquilo vale. A análise deste risco usualmente é feita através dos múltiplos e do valuation de uma empresa. Um bom exemplo de risco financeiro foram as IPOs realizadas aqui no Brasil nos últimos anos, quando se pagou um preço muito alto por empresas que não geravam caixa suficiente e não apresentavam perspectiva de crescimento que justificasse o investimento.

O segundo é o risco do mercado, chamado também de risco sistêmico.  Este tipo de risco avalia o peso que mudanças na economia e no humor do mercado possam ter sobre a precificação do ativo, independentemente dos seus fundamentos. Quando ocorre um risco sistêmico, pouco importa a solidez ou o segmento que a empresa atua. Acho que a crise americana atual pode representar um bom exemplo de crise sistêmica.

O terceiro é o risco de líquidez, que consiste na possibilidade de se desfazer do ativo objeto a qualquer momento. Se compararmos as diferenças entre os preços de compra e venda para ações de primeira linha com as de segunda e terceira linhas, temos um bom exemplo deste tipo de risco. Normalmente, o spread da falta de líquidez, obriga o investidor a pagar (ou receber) um prêmio a mais por não poder negociar a ação a qualquer momento.

Risco, por definição, é volatilidade potencial dos resultados. Para ambos os lados. E não somente para o lado negativo, de deterioração de preços. Portanto, nenhum investimento no mercado acionário deveria ser feito sem uma ponderação considerável sobre os três diferentes tipos de riscos citados acima.

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As oportunidades existem

Publicado em 11.11.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Estratégias

 

Na atual fase da crise, os noticiários financeiros parecem começar a ressaltar os preços baixos de muitos ativos.

Não resta dúvida, que muitas empresas sólidas sofreram "injustamente" com o pânico que se instaurou. Talvez o método mais conhecido para avaliarmos se uma empresa ou um mercado se encontra subavaliado seja usando o PL, ou seja a relação preço e lucro por ação.

Pensando desta forma, apresento abaixo, um gráfico com o PL médio mensal das principais bolsas do mundo.

 

tabela

grafico

Tabela
PL Mensal Bolsas

Gráfico
PL Mensal Bolsas

 

O estudo considera dados a  partir de Janeiro de 2004 e fica evidente a forte deterioração sofrida pelos mercados nos últimos meses.

Segundo o Citigroup, até a última semana de Outubro, as ações em todo o mundo estavam valendo, em média, 10,3 vezes o lucro das empresas nos 12 meses precedentes, uma relação preço-lucro menor que a dos anos 70, que foi de 11,4.

A queda tem sido pior nos mercados emergentes. Visando recompor posições nos EUA, investidores vendem a qualquer preço suas ações e derrubam as bolsas dos países que dependem do capital externo. No caso do Brasil, a boa liquidez, acaba sendo um fator a mais para a forte volatilidade.

Se pensarmos nos fundamentos, o principal motivo para tamanha depressão nos mercados é que os investidores prevêem um período de resultados ruins nas empresas. Num relatório semana passada, analistas do Citigroup afirmaram que em outras recessões mundiais, os lucros das empresas caíram em média entre 40% e 50%. Até o momento a crise americana já alcançou a metade deste patamar. Ou seja, números piores ainda estão por vir.

Vale a pena lembrar, que quando temos uma queda abrupta no preço das ações o dividend yeld passa a ser bem interessante. Na Europa, por exemplo, a estimativa de rendimento médio com dividendos é de 5,2%aa, enquanto a taxa básica de juros do Banco Central Europeu é de 3,25%aa.

Muitas empresas brasileiras também já apresentam uma rentabilidade com dividendos acima dos títulos públicos federais. Aliás, na semana passada postei um artigo  sobre a TLPP4, ressaltando este aspecto. Se considerarmos que o Brasil oferece a maior taxa de juros real do mundo, o investimento nestas companhias pode ser bastante atraente.

 

Nota: Agradeço ao amigo "Julius Clarence", pelos dados relativos ao PL dos principais mercados.

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Quando a AT e a AF andam juntas

Publicado em 03.11.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Especulando, Estratégias

 

A idéia inicial era escrever mais um artigo da seção Especulando, mas ao analisar de forma mais minuciosa a Telesp, não pude deixar de fazer um artigo  um pouco mais amplo, do que apenas um setup gráfico.

TLPP4

Sem dúvida a configuração gráfica da TLPP4 agrada e muito. Afinal de contas, nestes dias de "vacas magras", encontrar um papel que apresente todas as médias móveis (21,50,100,200) apontando para cima é algo muito raro.

Além disso, podemos notar que no momento, o ativo se encontra próximo da retração de 61,8% de Fibonacci e testando uma zona de suporte importante marcada pelo topo de uma congestão (retângulo rosa) nos 48,80 / 49,00 reais.

Já pelo aspecto da análise fundamentalista, a Telesp é notoriamente conhecida como uma boa pagadora de dividendos. Considerando a cotação de sexta-feira, o dividend yeld da empresa era de 12,9%. Ou seja, em outras palavras, independente do rumo do papel, ao comprar a TLPP4 o investidor garante praticamente a mesma rentabilidade que a renda fixa. Além do que, o setor telecom representa em momentos de crise um ótimo investimento defensivo. Vale lembrar que o repasse das tarifas de telefone fixo acompanham os indicadores de inflação, o que significa dizer um bom reajuste diante do cenário difícil que se configura para 2009.

 

Lembrando: As postagens na categoria Especulando tem o intuito apenas de servirem como um canal de discussão sobre estratégias gráficas. Em nenhum momento, as opiniões pessoais do autor respresentam recomendações de investimento.

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As crises do passado

Publicado em 28.10.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análises, Estratégias

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O mercado tem se comportado de uma forma tão irracional nos últimos meses, que para que possamos tentar entender o atual cenário, o jeito é olharmos para as crises passadas.

Considerando os últimos 15 anos no Brasil, podemos identificar pelo menos outras 5 crises. Quando as crises ocorrem as bolsas começam a operar em uma tendência de baixa, chamada nos EUA de "bear markets". Poderíamos utilizar diversos indicadores técnicos para definirmos um "bear market", mas os americanos costumam utilizar esta definição quando os índices caem mais de 20%.

Olhando para o Ibov, teríamos os seguintes períodos de baixa:

 

Bear Market 1

 
IBOV1 Início: Setembro / 1994
Fim: Março / 1995
Queda no período: 61,20%
Duração rompimento topo: 612 dias
No. de dias atingir -20%: 42
Variação US$ no período: +17,05%

 

Bear Market 2

 
IBOV2 Início: Julho / 1997
Fim: Setembro / 1998
Queda no período: 65,04%
Duração rompimento topo: 870 dias
No. de dias atingir -20%: 43
Variação US$ no período: +77,47%

 

Bear Market 3

 
IBOV3 Início: Março / 2000
Fim: Outubro / 2002
Queda no período: 55,83%
Duração rompimento topo: 1326 dias
No. de dias atingir -20%: 18
Variação US$ no período: +68,80%

 

Bear Market 4

 
ibov4 Início: Janeiro / 2004
Fim: Maio / 2004
Queda no período: 27,70%
Duração rompimento topo: 298 dias
No. de dias atingir -20%: 101
Variação US$ no período: -7,15%

 

Bear Market 5

 
ibov5 Início: Maio / 2006
Fim: Junho / 2006
Queda no período: 21,75%
Duração rompimento topo: 197 dias
No. de dias atingir -20%: 34
Variação US$ no período: +3,71%

 

Bear Market 6 (atual)

 
IBOV6 Início: Maio / 2008
Fim: ???
Queda até o fechamento de ontem: 60,10%
Duração rompimento topo: ???
No. de dias atingir -20%: 65
Variação US$ no período: +33,67% (até 27/10)

 

O cálculo dos 20% de correção foi efetuado utilizando o preço de fechamento e não as máximas e mínimas.

As quedas de 2004 e 2006 foram bastante rápidas e poderiam até não constar nesta listagem. Mas por uma questão de metodologia as incluí. Nota-se que em ambas o dólar não foi uma alternativa de proteção.

Olhando para a crise atual, podemos perceber que ainda não superamos a marca alcançada na correção de 98. Até ontem já se passaram 107 dias, desde o topo do dia 29/05. E até o momento, nenhum sinal mais claro de que alcançamos o fim do túnel apareceu.

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O fascínio do Daytrade

Publicado em 23.10.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Estratégias, Opinião

 

broker

É inegável que com a recente volatilidade os traders se sintam entusiasmados em fazer operações de daytrading. Afinal de contas quando vemos o índice futuro da bolsa de São Paulo variar mais 4000 pontos em apenas um dia, a mão começa a coçar e não queremos ficar de fora desta festa. Também queremos participar, nem que seja através de  míseros pontinhos no mini, desta oscilação toda.

Talvez por este motivo, entramos no mercado achando que fazer daytrade[bb] é fácil e que algumas noções de análise técnica são suficientes para obter sucesso. Na maioria das vezes, o daytrader inicia suas operações de maneira eufórica. Sem dúvida esse otimismo o ajuda a manter a confiança, a serenidade e a esperança ante as incertezas. Contudo, quando lidamos com investimentos, o otimismo exagerado pode ter efeitos perversos sobre o processo decisório quando alimenta expectativas irrealistas ou se leva o investidor a ignorar riscos relevantes.

Um bom exemplo deste aspecto, é o descuido do trader com os custos inerentes ao excesso de transações. Muitas vezes os investidores assumem riscos na busca por retornos acima de um benchmark e o custo da corretagem acaba corroendo os ganhos.

Estudos comprovam que os traders que tem um giro médio anual acima de 100% de suas carteiras obtém uma performance abaixo do benchmark (no caso, um índice do mercado local). É claro que existem casos de traders/scalpers de curtíssimo prazo que obtém sucesso no mercado. Mas me parece inquestionável que o retorno deles está muito mais atrelado a capacidade psicológica de respeitar um plano de trading que tenha uma expectativa positiva comprovada por backtesting, do que na própria estratégia em si.

De qualquer forma, a não ser que você trabalhe para uma corretora e receba um bom comissionamento por transações efetuadas, na maioria das vezes o excesso de iniciativa do trader tem um custo não desprezível para a carteira de aplicações.

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Warren Buffett está comprando !

Publicado em 17.10.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Estratégias, Informações

 

Não costumo apenas transcrever artigos de outras fontes, mas a notícia abaixo me pareceu bastante relevante.

EM ARTIGO NO NY TIMES, BUFFETT DIZ QUE ESTÁ COMPRANDO AÇÕES

São Paulo, 17 - O investidor Warren Buffet afirmou que está comprando ações no mercado norte-americano, mesmo com os recentes declínios nos índices da bolsa. "Uma regra simples orienta as minhas compras: seja medroso quando todos são gananciosos e ganancioso quando todos são medrosos", explicou, em um artigo publicado na página de Opinião do jornal The New York Times.Buffet decidiu incluir ações em sua carteira pessoal de investimentos, que anteriormente era composta apenas por títulos do governo norte-americano, porque, "no longo prazo, as notícias sobre os mercados de ações serão boas".
"Os investidores têm razão em ser cautelosos com instituições altamente alavancadas ou com empresas em posições competitivas ruins. Mas os temores em relação à prosperidade de muitas companhias sadias do país (EUA) no longo prazo não faz sentido", acrescentou.
Buffett argumentou que durante o século 20 os EUA enfrentaram duas guerras mundiais, entre outros conflitos militares, a Grande Depressão, algumas recessões e pânicos financeiros e a crise do petróleo e, mesmo assim, o índice Dow Jones subiu de 66 para 11.497 pontos.
"Resumindo, as notícias ruins são as melhores amigas do investidor. Elas permitem que você compre uma fatia do futuro da América por um preço reduzido", concluiu.
(Gustavo Nicoletta)

Fonte: Agencia Estado

 

Diante de uma crise brutal de confiança, a opinião do mega guru dos investimentos deixa um alento para os milhões de investidores que vém sofrendo nas últimas semanas.

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O mercado do caos

Publicado em 16.10.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Estratégias, Opinião

 

caos Depois que os diversos governos pelo mundo apresentaram pacotes para salvar a engrenagem do mercado financeiro, parecia que teríamos um alento. Em seguida, indicadores macroeconômicos dos EUA direcionaram os holofotes para a recessão iminente.

Neste cenário, muitas vezes o investidor pessoa física fica literalmente perdido. A forte volatilidade ocorre principalmente pela falta de racionalidade dos agentes do mercado.

Uma ação racional, na economia, não implica que todos os protagonistas possuam as mesmas informações, a mesma inteligência ou as mesmas experiências e propósitos. Ou seja as pessoas possuem características próprias e com base nelas, definem onde querem "jogar os seus anzóis".

Mas uma questão importante deve ser considerada. Muitas vezes, o indivíduo com base nas suas crenças acaba filtrando e manipulando (até inconscientemente) as informações que lhe chegam. É a chamada dissonância cognitiva. Exemplo: O investidor diante do stress de uma posição em prejuízo, é levado a filtrar e interpretar os indicadores/notícias afim de ajustá-los com o seu modo de pensar.

Diante destas ponderações, a interpretação dos acontecimentos recentes na economia mundial se tornam muito difíceis. A tarefa de relacionar uma dada causa a um determinado efeito desafia as regras simples do comportamento racional. Vivemos um verdadeiro caos, onde há tantas variáveis atuando em uma determinada circunstância, que é impossível predizer o que acontecerá. (Veja um pouco mais sobre a teoria do caos)

Nota do autor: A minha intenção hoje, era trazer um artigo com o panorama do mercado, assim como tradicionalmente eu faço. Mas me deparei com tantas informações, interpretações, análises contraditórias na minha cabeça que percebi que não seria capaz de destrinchá-las de forma isenta.

 

Os senhores do mercado

Publicado em 07.10.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análises, Estratégias, Opinião

 

senhores O mercado vive uma irracionalidade nunca antes vista. Mesmo diante deste cenário desolador, muitos analistas procuram encontrar algum sinal que represente um indício de desfecho. Não importa se usando gráficos e tendências, preços oscilantes de ativos e commodities, discursos econômicos e atas de bancos centrais, múltiplos e balanços. O que se vê é a busca incessante por tentar racionalizar os movimentos recentes dos ativos.

Hoje em dia, parece que os ativos não possuem mais um valor intrinseco. Parece qua a expectativa de valor futuro não existe. O cenário é marcado pela sensibilidade excessiva, beirando a paranóia. Investidores têm de pensar muito velozmente num ambiente de alta volatilidade e risco. Aliás diria que "pensar" não é a palavra correta. Não a tempo para isso. Acho que o mais adequado seria dizer que o indivíduo opera através de uma "reação condicionada".

Agindo assim, o investidor pessoa física assume riscos muito acima do que pode suportar. E é diante destes exageros que os "senhores do mercado" atuam. Não existe um "urso" sem um "touro". Um comprador sem um vendedor.

Não esqueça, o mercado financeiro é um "jogo" de soma zero.

Paulo Sternick, psicanalista, escreveu para o jornal Valor Economico, recentemente:

"Imaginemos uma pessoa civilizada e dotada de mente racional que vai a uma sala fechada - um cinema, por exemplo - onde estão, em sua maioria, seres primitivos que interpretam um trovão como sinal de extremo perigo e indicador para evacuação imediata, mesmo ao preço de se esmagarem uns aos outros ou perder objetos. Caso, neste dia, ameace chover, nosso "ser racional" certamente ficará bem perto da porta de saída, para não se ferir e, depois, ainda colherá os ingressos e pertences que sobrarem pelo chão. Eu não hesitaria em acreditar que ele algum dia faria sons artificiais de trovões somente para provocar o pânico."

O investidor pessoa física deve estar atento para perceber estes fenômenos e evitar prejuízos causados tanto pelo pânico ou euforia da massa quanto pela sinistra e ardilosa manipulação dos indicadores (balanços e gráficos) pelos "senhores do mercado". Antes de sair correndo com o som do primeiro trovão, procure analisar se de fato a tempestade se aproxima.

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