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Triste realidade

Publicado em 07.06.2013 por na(s) categoria(s) Estratégias, Informações, Opinião

 

Situação econômica do Brasil se deteriora e os números das últimas semanas comprovam isso.

O “PIBinho” do primeiro trimestre surpreendeu negativamente a maioria dos analistas, foram míseros 0,6%. A inflação galopante se mostra persistente, IPCA em 12 meses bate no topo do teto em 6,5%aa. O governo apavorado, finalmente pisa no acelerador e resolve apelar para a velha política monetária subindo os juros em 0,5%, deixando a Selic em 8%aa.

Parece até que o Brasil foi recentemente vitima de uma bolha imobiliária (sub-prime) ou que faça parte do combalido bloco europeu.

Essa semana tive acesso a um artigo que mostrava a evolução das margens das empresas americanas desde a última crise em 2008. Realmente impressionante a resistência das empresas americanas às crises e a capacidade de se renovar num processo de destruição criativa.

Diante desta situação resolvi fazer um levantamento de como andam as nossas empresas negociadas na bolsa.

Antes de mais nada, filtrei através do volume de negociação. Considerei apenas as cias que tenham negociado em média pelo menos R$200 mil por dia, nos últimos 12 meses.

Do universo de empresas listadas, sobraram 202 companhias. Utilizando o patrimônio líquido, a receita líquida e o lucro líquido, apurei a rentabilidade das cias através da margem líquida e do ROE. Vejam os gráficos resultantes deste estudo:

 

Evolução anual

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Evolução Trimestral

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O patrimônio total das 202 empresas selecionadas representa aproximadamente 35% do produto interno bruto do Brasil em 2012.

Percebam como as margens das empresas vem se deteriorando nos últimos anos. E chama a atenção o mergulho visto no último ano, saindo, por exemplo de um ROE de 12,97% em 2011 para 8,35% em 2012.

A proximidade entre as margens e a Selic confirma que atualmente a bolsa, considerando a média, não está barata. Afinal de contas o prêmio de risco no fim de 2012 estaria um pouco abaixo de insignificantes 2%.

Como era de se esperar existe uma correlação muito grande entre o PIB brasileiro e as margens das empresas.

Outra coisa que me intriga é que esta situação ocorre em um período no país onde o desemprego é baixo e o consumo elevado.

Se serve de alento, analisando a rentabilidade trimestral das empresas nos últimos 2 anos, nota-se um repique animador no primeiro trimestre deste ano.

Poupança ou na Bolsa? Qual aplicação tem o retorno mais rápido?

Publicado em 23.01.2013 por na(s) categoria(s) Estratégias, Informações

 

O professor Ricardo Mollo do Instituto de Ensino e Pesquisa – Insper criou esse material para esclarecer de uma forma simples uma dúvida bem comum.

A poupança é um instrumento de renda fixa normalmente indicado para pequenos investidores que buscam manutenção do poder de compra do valor investido. Por ter uma boa liquidez e taxa pós-fixada indexada à TR (Taxa Referencial), a opção é caracterizada como um investimento de curto prazo e de baixo risco.

Ações fazem parte da categoria de investimentos de renda variável, que significa que, quando investimos, não sabemos com certeza qual será o retorno no futuro.

O desempenho dos investimentos em ações está relacionado principalmente à capacidade que as empresas emissoras têm de gerar valor no futuro. “Os maiores retornos vêm com maior tempo e, consequentemente, com maior risco..” Quanto maior o potencial de geração de caixa dessas companhias, maior o seu preço de mercado.

Por outro lado, o preço no mercado de ações sofre influência não apenas dos fundamentos das empresas, mas também das condições atuais da economia, o que pode interferir nos seus retornos no curto prazo e, por consequência, aumentar o risco da aplicação.

Pela variabilidade dos preços no curto prazo e pelo risco de não sabermos qual o retorno esperado, recomenda-se que os investimentos em ações sejam feitos para caso de resgate no longo prazo.

Devemos ter como princípio considerar não somente o retorno que esperamos ter com os investimentos, mas também os riscos que correremos com eles. Os maiores retornos vêm com maior tempo e, consequentemente, com maior risco.

Conteúdo Original: http://goo.gl/QzSGO

 

Entendendo e aceitando o Risco

Publicado em 02.07.2012 por na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Money Management

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A volatilidade é um elemento essencial no mercado. A movimentação mais brusca dos preços ao mesmo tempo que cria boas oportunidades pode também causar muito desconforto.

Enfrentar a volatilidade requer do investidor um acompanhamento minucioso do risco que pretende assumir na carteira.

O risco, de uma maneira ampla,  pode ser definido como a possibilidade que alguma coisa ruim aconteça em relação a uma determinada atividade. Normalmente, pensamos em risco em termos de probabilidade, de chances de ocorrer. Por exemplo, quando dirigimos um carro existe o risco de termos um acidente. Normalmente, a probabilidade que isso ocorra é pequena, mas se o tempo estiver muito ruim ou a iluminação da estrada não estiver boa, ou ainda se o motorista não for dos melhores, as chances de que aconteça algo desfavorável aumentam.

Este exemplo pode ser comparado com a atividade operacional no mercado financeiro. Assumir uma posição na bolsa de valores é exatamente como dirigir um carro, sempre haverá um risco envolvido. Além das variáveis externas que influenciam as duas atividades, o indivíduo pode também não estar nas suas melhores condições emocionais e assim aumentar as probabilidades de insucesso. Por outro lado, se o individuo mantiver a concentração, o foco no plano traçado e evitar condições adversas (tanto na estrada como na bolsa) as chances de êxito desfavorável diminuem.

Quando se fala em risco a maioria dos indivíduos associa a algo negativo. Mas o fato de ganhar acima do previsto também deve ser encarado como um risco.

Especificamente no mercado financeiro, o risco de uma perda em um trade ou investimento pode ser dividido em dois aspectos: a probabilidade de perder e a dimensão da perda.

A probabilidade de perder pode ser estudada analisando o movimento histórico do ativo. Não existe porém nenhuma garantia que a mesma performance do passado persista no futuro. Além disso, mesmo que você identifique uma estratégia que lhe confira 99% de sucesso, você pode ter o “azar” de colocar todos os teus recursos exatamente naquele 1% negativo que a estatística mostrava e levar a tua carteira a bancarrota.

Por isso, a melhor coisa que um trader/investidor pode fazer é administrar o tamanho das posições afim de manter sob controle (ou quase…) o impacto das perdas.

Neste ponto, me sinto obrigado a apresentar novamente a famosa tabela que mostra a dificuldade de se recuperar diante de uma grande perda.  Quem já tem algum tempo de mercado já deve ter visto esta tabela inúmeras vezes.

 

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No gráfico acima, fica ainda mais visível como o ganho necessário para retornar ao ponto inicial depois de uma perda, cresce de forma exponencial.

Mas será que perder 10% do valor da carteira tem o mesmo impacto para mim como tem para você? Muito provavelmente, não. Isso porque, cada individuo possui uma tolerância diferente ao risco.

Identificar corretamente a tolerância ao risco é um ponto chave para que se possa elaborar uma estratégia de money ou risk management eficiente. Alguns fatores determinam a tolerância ao risco, são eles: a idade, a personalidade, o tamanho da carteira, a situação (não só financeira) de vida, etc.

Muitas vezes o trader/investidor busca incessantemente uma metodologia operacional que lhe permita vencer no mercado. Mas esquece de tentar compreender com exatidão até que ponto ele está apto a auferir perdas. Assim, mesmo que ele tenha alcançado uma estratégia vencedora, a falta de conhecimento do que representa o risco produz um forte desgaste emocional no indivíduo que o empurra para fora do mercado.

“O que importa não é se você está certo ou errado, mas sim quanto dinheiro você ganha quando está certo e quanto você perde quando está errado.” George Soros

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Ensinamentos da derrocada do Banco Cruzeiro do Sul

Publicado em 04.06.2012 por na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Estratégias, Informações

 

Hoje o mercado financeiro amanheceu com a notícia de que o Banco Central interveio no banco Cruzeiro do Sul e em outras quatro empresas do grupo, por meio do mecanismo conhecido como Regime de Administração Especial Temporária (Raet), pelo prazo de 180 dias. Durante esse período essas empresas serão administradas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O motivo da intervenção, segundo declaração do próprio BC, se deve ao descumprimento de normas aplicáveis ao sistema financeiro e à verificação de “insubsistência” em itens do ativo do banco.

Além do banco, o grupo Cruzeiro do Sul, incluía uma DTVM (administradora de valores mobiliários), uma corretora de valores, uma securitizadora e uma holding financeira.

A empresa era listada na bolsa através dos seguintes códigos: CZRS3 e CZRS4. Hoje, os negócios destes papeis foram suspensos.

Como era de se esperar, as ações dos demais bancos médios negociados na Bovespa, sofreram os efeitos negativos da notícia. Banco Bic (BICB4) –4,9%, Paraná Banco (PRBC4) –3,5%, Daycoval (DAYC4) –1,9%, Banco Pine (PINE4) –0,5%, ABC Brasil (ABCB4)–1%, etc. (cotações das 13hs de hoje)

Este é o hábito do mercado, colocar no mesmo barco todas as ações do setor, mesmo que haja diferenças gritantes no tipo de negócio de cada instituição.

Segundo dados do BC, em 2011, o Banco Cruzeiro do Sul respondia por apenas 0,22% do total dos ativos do sistema financeiro e 0,35% dos depósitos. Ou seja, não se trata de nenhum gigante do setor, capaz de abalar o mercado e criar um efeito dominó. Mas é bom lembrar que este é o segundo banco, em menos de dois anos (o Panamericano foi resgatado no final de 2010) a ser resgatado pelo FGC.

O que chama a atenção é que olhando para os múltiplos recentes do Cruzeiro do Sul não conseguimos enxergar com exatidão a deterioração da instituição.

 

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Apesar do aumento das despesas com a provisão de devedores duvidosos (PDD) e com a queda acentuada do lucro líquido e do ROE no último trimestre, o banco ainda mostrava crescimento na receita financeira e no resultado operacional. Além disso, o índice de eficiência, usado pelas instituições financeiras como referencial, se encontrava bastante confortável desde 2007.

Ou seja, olhando apenas para os números frios do balanço, dificilmente algum investidor se preocuparia com a saúde da companhia. Agora, depois de ocorrida a intervenção, surge a notícia que nas notas explicativas do balanço do primeiro trimestre de 2012, a  Ernst &Young, fez uma ressalva informando que o banco fez um diferimento que não está de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil.

Além disso, muita gente comentava nos corredores do mercado, sobre as altas taxas pagas pelos CDBs da empresa. Alguns CDBs mais longos, chegavam a pagar 116,5% do CDI.

A derrocada do Banco Cruzeiro do Sul deve ser servir como um ensinamento.

Apesar de a análise fundamentalista dos múltiplos servir como um excelente filtro para a seleção de boas companhias, é importante ter a consciência que o trabalho está apenas começando. Antes de investir em uma ação é preciso conhecer a fundo o negócio da empresa, estudar com atenção os balanços (sem esquecer as notas explicativas…) , falar com o RI, pesquisar com afinco tudo sobre a cia na net e claro analisar graficamente as ações afim de verificar se o fluxo está a teu favor.

E por fim, utilize um bom manejo de risco. Afinal de contas, muitas vezes, mesmo executando todos os passos sugeridos, a operação não transcorre do jeito que esperávamos. Nestes casos, apenas a capacidade, financeira e psicológica, de assumir as perdas permitirá que você permaneça no mercado.

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Setor Imobiliário – 1o. trimestre de 2012

Publicado em 28.05.2012 por na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Análise Técnica, Análises, Aprendizado, Estratégias

 

Chegou a hora de atualizar o estudo das construtoras com os dados do primeiro trimestre de 2012. Caso você ainda não conheça a abordagem deste estudo, dê uma olhada nos artigos anteriores: Artigo 1 e Artigo 2.

Comparando a tabela atual (abaixo) com os números apresentados nos trimestres anteriores, salta rapidamente aos olhos a queda na margem operacional e no retorno sobre o patrimônio líquido das construtoras.

Enquanto a média da Margem Ebit no 3trimestre de 2011 estava em 17,89%, alcançando 18,40% no 4trimestre de 2011, agora o percentual caiu para 17,10%. Já o ROE que nos números do ano passado se situava na casa dos 14%, despencou para 12,54%.

Tabela do estudo:

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Resultado de cada múltiplo analisado:

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  • Metodologia do estudo

A metodologia utilizada para o estudo é a mesma apresentada nos artigos anteriores. Utilizando os oito indicadores fundamentalistas mostrados na tabela acima, identifiquei o grau de atratividade de cada um deles e dei uma pontuação para cada ativo.

Por exemplo, no caso do P/L, listei em ordem crescente (do menor ao maior) os ativos. No caso, RSID, por ser o ativo que possuía a menor relação preço/lucro, ficou com 1 ponto. A MRVE3 com 2 pontos, a EVEN3 com 3 pontos… e assim por diante.

  • Ordem

P/L – EV/Ebit – DIv. Br/PL – Ordem crescente

ROE – Margem Ebit – LPA/P – Liq. Corrente – Div./Yield – Ordem decrescente

  • Cotação

O P/L, o EV/Ebit e o PLA/P usaram a cotação de sexta-feira, dia 25/05/2012, como parâmetro.

 

Resultado final:

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De uma forma geral os balanços das cias ficaram abaixo das expectativas. Muitas empresas se deixaram levar pelo boom do setor dos últimos anos e temerosas em perderem oportunidades, compraram terrenos por valores acima da média do mercado e não se estruturam para enfrentar o aumento da demanda. Hoje em dia, são crescentes as queixas de consumidores que reclamam, nos órgãos de defesa do consumidor, de construtoras que não respeitaram os prazos de entrega dos imóveis.

E é neste cenário, que as empresas mais conservadoras e focadas na manutenção das margens, se destacam. São elas que trimestre após trimestre aparecem como as mais bem qualificados no meu estudo.

Hoje, foi divulgado o  Índice Nacional da Construção Civil (INCC) do mês de Maio. O indicador mostrou uma alta de 1,30%, ante 0,83% do mês de Abril. No ano, o índice acumula variação de 3,63% e em 12 meses, de 7,16%.

A alta dos custos reflete a dura realidade e o descompasso que o setor vive.

Abaixo, eu apresento um gráfico da evolução das margens operacionais das empresas desde 2009. Importante salientar, que o Ebit usado como calculo é o acumulado de 12meses.

 

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Apesar de o gráfico ter ficado um pouco poluído, devido o grande número de cias do setor, é possível distinguir as que conseguem manter um patamar elevado de retorno e as que encontram sérias dificuldades com a elevação dos custos.

Uma particularidade importante do setor imobiliário é a forma como é contabilizada a receita. Enquanto, nos demais setores, em regra, a receita é contabilizada no mesmo momento da venda, no ramo imobiliário  a receita contábil somente é reconhecida de acordo com o andamento da obra e da venda.

Esta metodologia distinta prejudica alguns indicadores fundamentalistas, visto  que, muitas vezes um atraso na obra pode significar a postergação de um faturamento, mesmo que todos os imóveis já tenham sido vendidos.

 

IMOB

 

Para finalizar, não podia deixar de comentar a recuperação recente das ações do setor. Alguns papeis mostram uma valorização superior a 30% nos últimos 5 dias. Examinando o gráfico do índice imobiliário (acima), o IMOB, que reúne as principais empresas do setor, vejam como a retomada ocorre em cima de uma importante zona de suporte na faixa dos 700 pontos.

Dificilmente este otimismo do mercado continuará em todos os ativos do setor. E é aqui que entra o meu estudo. A abordagem acima tem a  missão de colaborar com o investidor,  mostrando as empresas que conseguem apresentar números superiores às concorrentes, e que devem, em tese, performar melhor no futuro.

O que achou do estudo? Não concordou com a metodologia? Quer sugerir algo diferente? Deixe um comentário, manifestando a tua opinião. Este blog é mantido visando incentivar a troca de informações e ideias entres os investidores pessoas físicas. Participe !

 

O Beta e as operações long short

Publicado em 21.05.2012 por na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques, Estratégias

 

Operações de long short são operações relativas entre ações, com uma ponta apostando na alta e comprando ações (long) e a outra apostando na baixa e vendendo outras ações (short).

Já tive oportunidade de escrever outros artigos aqui no blog sobre o assunto. Se você tem pouca familiaridade com o tema, vale a pena a leitura: “ Long/short: O que é isso ? “ e “ Arbitragem e Long/Short “.

De forma resumida, quando decidimos investir em um fundo long short sabemos que ele não depende de tendências macro, ou seja do famoso direcional do mercado, para que possa obter um retorno satisfatório. Este é um aspecto muito interessante que transforma este tipo de fundo quase obrigatório no portfólio de um investidor que busca se proteger do momento de indefinição de um mercado lateral.

E foi ao analisar a estratégia de um fundo long short na semana passada que resolvi escrever sobre o assunto. Não cabe aqui citar a gestora responsável por este fundo, mas posso assegurar que se trata de uma renomada instituição do nosso mercado.

O prospecto do fundo enfatizava que o fundo utilizava a teoria do Beta como parâmetro para encontrar oportunidades long short no mercado.

Relembrando: Beta, é um índice que mede a variação de uma ação em relação a uma carteira de mercado, perfeitamente diversificada. No caso brasileiro, o IBOVESPA é utilizado.

Por exemplo, se fizermos uma regressão entre os retornos da VALE5 e do IBOV, constatamos que para cada 1% de variação do índice, a ação da mineradora sobe 1,1%. Portanto, o Beta da Vale é de 1,1. Já o Bradesco, menos volátil, possui um Beta de 0,7.

Imaginando uma operação de long short entre os dois ativos e utilizando a teoria do Beta adotada pelo fundo, teríamos:

Beta da VALE5 / Beta do BBDC4 = 1,1/0,7 = 1,5

 

Ou seja, para cada 1,5 ação do BBDC4 comprada devo vender uma ação da VALE5.

Esta abordagem, teoricamente, deixaria a operação completamente adirecional, já que estaria utilizando a performance histórica dos dois ativos como parâmetro para definir o tamanho da posição em cada ponta.

Mas este é exatamente o problema. Como já estamos cansados de saber, nem sempre a performance e principalmente a volatilidade de um determinado ativo no passado se repete no futuro. Ou seja, é muito provável que o Beta varie bastante no decorrer da nossa operação. Isso nos obrigaria a rebalancear nossas posições e desta forma os custos de transação (corretagens e emolumentos) cresceriam muito, inviabilizando este modelo de estratégia.

Como vocês podem perceber, uma ideia que se mostra muito atrativa na teoria nem sempre pode resultar em bons resultados na pratica.

Questionei o distribuidor do fundo sobre essa particularidade (infelizmente não consegui acesso ao gestor) e até o momento ainda não obtive uma resposta sobre a minha indagação.

Vejam bem, não quero em nenhum momento afirmar que esta modalidade operacional está errada ou que não pode ser rentável. Até porque, sabemos que as grandes gestoras possuem enormes facilidades operacionais e de custo que ajudariam na estratégia.

A minha intenção visa apenas discutir o assunto com vocês e apresentar um pouco mais sobre as modalidades operacionais disponíveis na nossa bolsa.

 

Atualizando – Setor Imobiliário

Publicado em 16.04.2012 por na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Estratégias

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Este artigo visa atualizar o estudo iniciado em Janeiro, das empresas listadas na Bovespa, do setor imobiliário. Os números atuais incluem os balanços do quarto trimestre de 2011.

Os critérios utilizados para selecionar as empresas são os mesmo do artigo anterior. Empresas com P/Ls negativos e que possuíam um volume médio diário abaixo de 500mil reais foram excluídas.

Neste aspecto já encontramos algumas diferenças em relação ao trimestre anterior. Depois dos péssimos resultados, as construtoras Gafisa (GFSA3) e Viver (VIVR3) saíram do estudo, porque apresentaram prejuízos no 4o. trimestre. A Gafisa fechou com perdas de R$905milhões e a Viver de R$114milhões.

Assim, elas se juntam à Camargo Correa (CCIM3) e à Trisul (TRIS3) que já haviam sido excluídas por falta de lucratividade no trimestre anterior.

Em termos de volume, os ativos JFEN3 e SGEN3, continuam de fora.

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Cotação

O P/L, o EV/Ebit e o PLA/P  usaram a cotação de sexta-feira, dia 13/04/2012, como parâmetro.

Metodologia

A metodologia utilizada para o estudo é a mesma apresentada no artigo anterior. Utilizando os oito indicadores fundamentalistas mostrados na tabela acima, identifiquei o grau de atratividade de cada um deles e dei uma pontuação para cada ativo.

Por exemplo, no caso do P/L, listei em ordem crescente (do menor ao maior) os ativos. No caso,  EVEN3, por ser o ativo que possuía a menor relação preço/lucro, ficou com 1 ponto. A RSID3 com 2 pontos, a BISA3 com 3 pontos… e assim por diante.

Ordem

P/L – EV/Ebit – DIv. Br/PL – Ordem crescente

ROE – Margem Ebit – LPA/P – Liq. Corrente – Div./Yield – Ordem decrescente

A pontuação em cada um dos indicadores e o resultado final são apresentados nas tabelas abaixo:

 

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Somando a pontuação de cada indicador:

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Comparando o resultado atual com o do trimestre anterior, podemos notar que apesar de uma mudança na ordem, as seis ações mais atrativas continuam sendo as mesmas – EZTC3, EVEN3, MRVE3, HBOR3, DIRR3, JHSF3.

Coincidentemente, as seis primeiras ações que aparecem no resultado final são as mesmas que apresentaram a maior rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE).

Como foi mencionado no artigo anterior, este estudo deve servir apenas como ponto de partida para uma análise mais criteriosa das empresas. Até porque nada garante que as empresas continuem apresentando a mesma performance nos próximos trimestres.

O que achou do estudo? Não concordou com a metodologia? Quer sugerir algo diferente? Deixe um comentário, manifestando a tua opinião. Este blog é mantido visando incentivar a troca de informações e ideias entres os investidores pessoas físicas. Participe !

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Os limites da matemática

Publicado em 02.04.2012 por na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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Há algumas décadas atrás, quem se formava em física vislumbrava trabalhar em uma grande empresa de pesquisa ou ser professor universitário. Sua função era  explorar  os princípios básicos que governam a estrutura e o comportamento da matéria e da energia.

Fazendo uma rápida pesquisa na internet, encontramos a seguinte definição do bacharelado em física: ”Profissional que procura  desenvolver componentes que possam melhorar as tecnologias já conhecidas e criar ferramentas que contribuam para o desenvolvimento de novos equipamentos”.

Hoje em dia a realidade é bem diferente.

Cada vez mais físicos são vistos nos escritórios de conglomerados financeiros explorando não mais a matéria e a energia, mas criando fórmulas para obter lucro no mercado financeiro.

E essa não é uma exclusividade dos físicos. Diversos profissionais ligados às ciências exatas tem sido cada vez mais demandados pelos grandes hedge funds.

A ideia por trás desta procura é a de que este tipo de aptidão cientifica ajudaria a descobrir a utópica “fórmula mágica”.  Exemplos, em um passado não muito distante, comprovam que nem mesmo grandes gênios matemáticos conseguiram suplantar a imprevisibilidade do mercado. Esse foi o caso do fundo Long Term Capital Management (LTCM), criado em 1994, e que se baseava em modelos matemáticos de Robert C. Merton e Myron Scholes (ganhadores do Nobel de economia em 1997).

O livro, “ Quando os Gênios Falham” , de Roger Lowestein, retrata bem a trajetória do fundo e de como a confiança irrestrita nas análises quantitativas e a crença de que o mercado é previsível e passível de controle podem provocar graves tragédias financeiras.

Em 1997, estourou a crise asiática, que juntamente com a moratória russa em 1998,  causou pânico entre os investidores mundiais. O LTCM extremamente alavancado nas suas posições viu as perdas dispararem e foi obrigado a fechar as portas.

O ser humano é irrequieto e não lida bem com o imprevisível. A primeira reação é tentar modelar o ambiente extremamente complexo que o rodeia. No mercado financeiro, ele se depara com uma avalanche de informações a cada segundo e assim ele acredita que pode tentar dominar a complexidade do mundo jogando as variáveis em modelos matemáticos para a geração de soluções hipoteticamente perfeitas. O conceito em si parece lógico e factível, mas a grande dificuldade é saber o grau de importância atribuído pelo mercado a cada variável. E mesmo que ele tenha mecanismos estatísticos para olhar o passado e descobrir o peso de cada variável, a volatilidade vista hoje em dia no mercado mudaria esse parâmetro no período seguinte.

Portanto, tentar estabelecer fórmulas não só para o mercado financeiro, mas para o mundo, me parece uma iniciativa louvável, mas as chances de sucesso absoluto, me parecem limitadas.

Com isso não quero dizer que se deve jogar fora toda a ajuda que a  matemática e principalmente a estatística  oferecem ao estudo das finanças. Acredito que além das técnicas quantitativas é importante que se tenha uma visão qualitativa (e portanto subjetiva) do objeto de estudo e de análise. De nada adianta montar o melhor sistema do mundo se as premissas que vão alimentar o modelo, estiverem erradas.

“Nada é mais desastroso que um investimento racional em um mundo que não é racional”.  John Maynard Keynes

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CESI mudando de direção

Publicado em 27.03.2012 por na(s) categoria(s) Estratégias, Informações

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Há aproximadamente 6 meses atrás eu apresentei aqui no blog o Citigroup Economic Surprise Index (ou simplesmente, CESI). Se você ainda não conhece este indicador, dê uma olhada no meu artigo, clicando aqui.

Em Setembro de 2011, eu chamava atenção para a relação que este indicador tinha com o mercado americano e como ele costumeiramente antecipava topos e fundos no Dow Jones. O CESI, já apresentava uma boa recuperação naquela época, enquanto o DJI ainda tentava deixar um fundo nos 10700 pontos. Ou seja, os indicadores econômicos das 10 maiores economias do mundo já sinalizavam uma melhora nos fundamentos, enquanto o mercado ainda patinava.

CESI x DJI em Setembro de 2011

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CESI x DJI atualmente

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Agora a situação parece ser a inversa. Temos uma bela tendência de alta no DJI e o CESI já começou a apontar para baixo. De fato, se lembrarmos dos últimos indicadores econômicos divulgados nos EUA, na Zona do Euro e até mesmo na China, podemos perceber uma desaceleração em curso.

Como eu mencionei no artigo anterior, o CESI permite uma análise fria da situação econômica dos principais países do mundo. Muitas vezes, ficamos perdidos de diante da enorme quantidade de indicadores que são anunciados toda semana. O Citigroup Economic Surprise Index sintetiza toda essa informação.

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As fases do trader

Publicado em 12.03.2012 por na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Destaques, Estratégias

Em artigos anteriores já havia manifestado a minha preocupação sobre a campanha exagerada, realizada por alguns sites e analistas gráficos,  de tornar a profissão de trader como uma atividade glamorosa, fácil e lucrativa. Fico realmente chocado quando vejo vídeos e leio artigos de pessoas que vendem a ideia de que poucos minutos por dia são suficientes para enriquecer o trader iniciante. Esse cenário foge muito da realidade do dia-a-dia do mercado.

Para ser trader é preciso experiência, conhecimento, estudo, muito trabalho e principalmente aptidão psicológica. E é exatamente sobre essa capacitação psicológica que quero tratar neste artigo.

Através de experiência própria e observando amigos e colegas operando no mercado, identifiquei algumas fases psicológicas que todo trader passa quando decide operar no mercado.

As fases podem ser determinadas da seguinte forma:

  • FASE 1 – Antes da entrada – Medo e ganância
  • FASE 2 – Durante o trade se a posição estiver apresentando perda – Orgulho, esperança e ansiedade.
  • FASE 3 – Durante o trade se a operação estiver apresentando lucro – Medo e ansiedade.
  • FASE 4 – Depois do fechamento do trade – Desconforto e orgulho.

Agora vamos tentar exemplificar estas fases, observando o gráfico abaixo do mini índice futuro do Ibovespa (WINFUT):

 

Fases do trader

 

Fase 1: Analisando este gráfico intraday de 5 minutos,  percebemos que a tendência no curtíssimo prazo parece ser de baixa. Neste momento, a intenção é tentar aproveitar essa correção do ativo o mais rápido possível (ganância) e surfar essa tendência até o final do pregão. Mas ao mesmo tempo tememos que já seja tarde demais e que a margem de ganho seja muito limitada (medo).

Fase 2: Por volta das 15:30hs, parece que o mini índice pretende deixar um novo topo na sua tendência de baixa. Desta forma, resolvemos entrar no trade assim que a mínima do candle anterior for perdida. Isso ocorre nos 55780 pontos. Resolvemos colocar o stop acima do topo das 13hs. Um stop um pouco mais longo, afinal de contas, como nos ensina os bons preceitos técnicos,  precisamos dar espaço para o trade “trabalhar”. No segundo candle depois da minha entrada, parece que o mini índice quer voltar a subir deixando um sinal de fundo (ansiedade). Mas ainda temos esperança que se trata apenas de um “ruído” e que a tendência do dia prevaleça. Afinal de contas não é possível que tenhamos errado novamente (orgulho).

Fase 3: Às 16:25hs o gráfico rompe a pequena congestão e o fundo deixado nos 55640. Parece que finalmente o trade seguirá o caminho desejado.  Neste momento, lembramos da célebre frase do mercado de que “dinheiro bom é dinheiro no bolso”  e somos movidos por um forte impulso de fechar a operação no lucro (ganância), principalmente com medo de perder aquilo que já havíamos lucrado até então.

Fase 4: O mini índice volta a subir com força. Rompe o topo dos 55800 e depois alcança o nosso stop no final do pregão nos 56070 pontos. A sensação de uma nova derrota é muito dolorosa (desconforto). No dia seguinte, o mini índice abre em forte gap de baixa e o mercado começa a fazer aquilo que havíamos planejado no dia anterior. Era o que faltava, para que o nosso orgulho nos empurrasse novamente para o homebroker afim de tentar recuperar o prejuízo acumulado.

Este exemplo, apesar de muito simplista, procura revelar as emoções que muitos traders sentem quando estão no meio de uma operação. Muitas vezes, estes sentimentos acabam influenciando negativamente uma metodologia que se mostrou lucrativa nos “back testings” realizados.

Neste caso, ou o trader tem o preparo e a experiência necessária para controlar o seu impulso psicológico ou o mais adequado é designar uma máquina (os chamados robôs ou algotrading) para enviar e executar as ordens.

Infelizmente muitos traders acreditam que são o motorista do  ônibus, podendo decidir a estrada e o ponto de chegada. Mas na verdade, eles assumem apenas o papel do passageiro; subindo , sentando e deixando que o soberano mercado defina o percurso a ser traçado.

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