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A formula de Kelly

Publicado em 20.07.2014 por na(s) categoria(s) Aprendizado, Estratégias, Money Management

Depois de conhecermos os métodos de martingale e antimartingale, percebemos que podemos extrair um percentual ideal, que aplicado no total da carteira, maximizaria os ganhos. E é aqui que entra a formula de Kelly.

John Kelly foi um brilhante físico que trabalhava na Bell Labs e graças as seus estudos para AT&T, visando analisar os ruídos das chamadas de longa distância, publicou um artigo intitulado, A New Interpretation of Information Rate. Logo, esse estudo foi utilizado pelos jogadores profissionais nos cassinos, visando identificar o percentual de aposta ideal para cada jogada.

No seu estudo, Kelly considera a probabilidade de ganho do sistema, ou seja quantas vezes ocorre um evento vencedor no total de eventos, e depois analisa como são pagas as jogadas vencedoras e as perdedoras. A formula de Kelly para alcançarmos o percentual ideal de investimento é:

K% = W -  1 – W      ou  se preferirem  K% =    (R+1) * W – 1
                    R                                                             R    

 

W é a probabilidade de vitória

R é o quociente entre o valor médio obtido nas vitórias e o valor médio obtido nas derrotas

Vamos a um exemplo para ficar mais claro. Vou usar os mesmo dados usados para ilustrar o método antimartingale:

ant-1

No caso acima, para cada vitória teriamos 1,25 de lucro e para cada derrota perderíamos 1. Desta forma a formula de Kelly ficaria assim :

R = 1,25/1 = 1,25

W = 0,56

K% =    (R+1) * W – 1   =  (1,25 + 1) * 0,56 – 1  =  2,25 * 0,56 – 1  =  1,26 – 1   =  0,26  =   0,20 ou seja 20%
                     R                           1,25                          1,25                   1,25         1,25

Se olharmos a tabela, vamos perceber que realmente o melhor resultado foi obtido com o investimento de 20% do nosso capital !

Em resumo, Kelly nos deu uma abordagem matemática capaz de definir o melhor percentual de risco a ser adotado em uma carteira visando maximizar os lucros, desde que possamos identificar as probabilidades de vitórias e derrotas e a remuneração de ambas. Esta metodologia é fortemente utilizada por muitos traders quantitativos ainda hoje.

Talvez o mais difícil de usar essa abordagem seja o emocional de cada operador. Mesmo identificando a percentual, muitas vezes, antes que alcancemos o melhor resultado podemos passar por momentos de fortes quedas (drawdown). E nesse momento o  trader é pressionado a encerrar a operação, não permitindo  que o enfoque matemático alcance o seu objetivo final.

Com este artigo, encerro a primeira parte que introduz o tema money management. Gostaria muito que vocês leitores comentassem o que acharam dos artigos ( Money Management, Martingale e Antimartingale ). Mesmo sabendo da importância que é para cada trader/investidor ter conhecimento destas abordagens, sei também que para alguns o assunto pode se tornar chato, difícil e até maçante. Portanto, por favor, manifestem-se !

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Antimartingale

Publicado em 17.07.2014 por na(s) categoria(s) Aprendizado, Estratégias, Money Management

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Continuando o estudo sobre money management e depois de ter abordado o método martingale, apresento uma nova abordagem: o antimartingale.

O antimartingale se baseia em aumentar nossa exposição ao risco aumentando a aposta no caso de trades vencedores e diminuindo-a no caso de operações perdedoras.

Para que possamos ilustrar esse método, vamos imaginar que cada trader aposte 1% do seu capital, em cada operação. Esse percentual pode ser fixo, porque quando tivermos um lucro ou prejuízo o capital irá mudar, e consequentemente o valor da aposta também. Por exemplo, se apostarmos 1% de 100, e perdermos, em seguida teremos 99; apostando de novo 1%, o valor da aposta será de 0,99 e não mais de 1. E assim sucessivamente, independente dos trades vencedores ou perdedores, nosso valor de aposta será sempre diferente.

Vamos fazer uma simulação. Usando novamente uma moeda com exemplo, considerando um capital inicial de $100 e sempre que der cara nos ganhamos 1,50 e quando der coroa perdemos 1, podemos chegar a seguinte planilha usando o método de martingale:

mart-1

Já no modelo antimartingale teríamos :

ant-1

Fica claro que, para esta simulação, os dois métodos apresentam valorização expressiva em determinados percentuais de aposta. Destaque para a abordagem Antimartingale que apostando 15% do capital alcançaria a irreal marca de mais de 1 milhão de vezes o capital inicial ($100) !

Agora vejamos uma nova simulação, apenas do método Antimartingale, usando os mesmos parâmetros, porém com percentuais de acerto diferentes.

ant-2

Podemos perceber que enquanto no método martingale o resultado final está fortemente relacionado a sequência de arremessos positivos consecutivos, já na abordagem antimartingale os melhores resultados dependem dos percentuais de lances vencedores.

Muitos podem pensar que depois destes exemplos, achamos finalmente a fórmula mágica para nos tornarmos milionários e quebrarmos a banca ! Calma, não é bem assim. Vale lembrar, que nas simulações aqui feitas, cada lance vencedor nos pagava 1,5 enquanto o perdedor correspondia a apenas 1. Ou seja, o sistema estava a nosso favor.

Mas mesmo assim, depois de tudo que foi explicado aqui, podemos concluir que sem dúvida o sistema antimartingale é o mais adequado para elaborarmos nossas estratégias de money mangement. No próximo artigo, vou abordar a formula de Kelly, que nos ajudará a encontrar aquela percentual “ótima” de capital a investir, que teoricamente, nos levaria a maximizar nossos ganhos caso a usássemos de forma sistemática. Imperdível !

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Martingale

Publicado em 15.07.2014 por na(s) categoria(s) Aprendizado, Estratégias, Money Management

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Dando continuidade ao artigo sobre Money management, vou abordar agora uma das teorias mais antigas sobre administração de portfólios, o modelo Martingale.

É muito comum nos traders iniciantes após diversas operações perdedoras, achar que estatisticamente as chances de vir um trade vencedor são maiores. Essa abordagem simplista leva o investidor a adotar uma gestão de risco que faz com que ele aumente as apostas após um período negativo, e diminua depois de um período positivo.

O modelo martingale, cuja origem está ligada a história dos jogos e início da teoria da probabilidade, se baseia exatamente na impossibilidade de uma série infinita de eventos perdedores. Ou seja, quanto maior as perdas consecutivas, maior será a probabilidade de ganhos na próxima aposta. Por exemplo, um sistema baseado neste modelo, prevê dobrar a aposta após um trade perdedor: quem aposta 1 no primeiro, apostará 2 no segundo se tivesse perdido no primeiro; perdendo de novo apostará 4; depois 8; até quando chegar a aposta vencedora que levará o investidor ao lucro na carteira.

martingaleVejamos um exemplo. Vamos usar o lançamento de uma moeda. Na tabela abaixo, podemos ver a evolução de uma carteira virtual iniciada com $100.

Depois de 100 arremessos da moeda, considerando que 54% foram vencedores e 46% perdedores, teríamos quase triplicado o valor da nossa carteira se tivéssemos usado 3% do nosso capital em cada aposta. Já analisando um horizonte de 1000 arremessos e considerando 50,6% como vencedores, alcançaríamos a incrível marca de 48261% de valorização !  martingale2

Essa abordagem pode parecer muito coerente sobre alguns aspectos, mas sem dúvida em muitos casos vai parecer até mesmo ilógica. Afinal de contas se pararmos para pensar, na prática ela traz mais riscos para quem tem menos e menos para quem tem mais ! Além disso, supondo que em nossa carteira comecemos investindo 1% do nosso capital em cada operação, quando alcançarmos a oitava apostas já teremos zerado nossa conta !

 Mas então qual seria a saída? Nesse caso devemos encontrar um método que nos permita diminuir nossa exposição ao risco depois de uma operação perdedora e aumentá-la depois de um trade vencedor.

Descobrir qual percentual empregar e como fazê-lo será abordado no meu próximo artigo sobre o money management e que terá como título Antimartingale. Não perca !

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Money Management

Publicado em 14.07.2014 por na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Money Management

Com o advento da internet o mundo bursátil, assim como diversos outros setores, vem sofrendo gradualmente diversas mudanças. O acesso a informação, antes restrita à aqueles que freqüentavam os pregões fisicamente, hoje está ao alcance de praticamente todos. Sites, blogs, fóruns, cursos online, etc estão a disposição do novo investidor.

Por isso chavões clássicos, rapidamente chegam aos ouvidos dos iniciantes. Quem não conhece celebres frases como: “no mercado, corte rapidamente os prejuízos e deixe os lucros fluírem!” ou “a primeira regra do trading é não ter prejuízo !”.

Essas frases fora de um contexto sem dúvida podem parecer obvias e sem uma finalidade. Porém se aplicadas juntas ao conceito de money management podem ser de muita valia.

Aliás já percebi que o termo money manegement causa muitas interpretações equivocadas e incompletas. É muito comum achar que o termo está relacionado com a correta utilização do stop loss, para que o trade tenha uma possibilidade de ganho superior ao de perda. Um exemplo comum em diversos cursos é definir que um trade que respeita o money management deve ter uma relação lucro x prejuízo de 3 pra 1. Ou então as fórmulas de gestão do dinheiro de Alexander Elder, em seu livro Aprenda a operar no Mercado de Ações,  como a regra dos 2% e 6%.

Na verdade tudo aquilo que está relacionado com a administração da posição pode ser chamado de risk management. Para alguns position sizing representa a escolha do percentual de capital que será utilizado em uma operação. E o money management é a junção dos dois. Ou seja, através desta ciência você vai aprender “quanto” e “como” usar seu capital no mercado financeiro.

Você se surpreenderá com as potencialidades de um bom money management. Através de conceitos matemáticos simples podemos ter uma gestão racional do capital. Nos próximos artigos sobre o assunto, vou abordar esses conceitos que mudaram a minha visão sobre o trading, tornando-o digamos mais cientifico.

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Triste realidade

Publicado em 07.06.2013 por na(s) categoria(s) Estratégias, Informações, Opinião

 

Situação econômica do Brasil se deteriora e os números das últimas semanas comprovam isso.

O “PIBinho” do primeiro trimestre surpreendeu negativamente a maioria dos analistas, foram míseros 0,6%. A inflação galopante se mostra persistente, IPCA em 12 meses bate no topo do teto em 6,5%aa. O governo apavorado, finalmente pisa no acelerador e resolve apelar para a velha política monetária subindo os juros em 0,5%, deixando a Selic em 8%aa.

Parece até que o Brasil foi recentemente vitima de uma bolha imobiliária (sub-prime) ou que faça parte do combalido bloco europeu.

Essa semana tive acesso a um artigo que mostrava a evolução das margens das empresas americanas desde a última crise em 2008. Realmente impressionante a resistência das empresas americanas às crises e a capacidade de se renovar num processo de destruição criativa.

Diante desta situação resolvi fazer um levantamento de como andam as nossas empresas negociadas na bolsa.

Antes de mais nada, filtrei através do volume de negociação. Considerei apenas as cias que tenham negociado em média pelo menos R$200 mil por dia, nos últimos 12 meses.

Do universo de empresas listadas, sobraram 202 companhias. Utilizando o patrimônio líquido, a receita líquida e o lucro líquido, apurei a rentabilidade das cias através da margem líquida e do ROE. Vejam os gráficos resultantes deste estudo:

 

Evolução anual

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Evolução Trimestral

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O patrimônio total das 202 empresas selecionadas representa aproximadamente 35% do produto interno bruto do Brasil em 2012.

Percebam como as margens das empresas vem se deteriorando nos últimos anos. E chama a atenção o mergulho visto no último ano, saindo, por exemplo de um ROE de 12,97% em 2011 para 8,35% em 2012.

A proximidade entre as margens e a Selic confirma que atualmente a bolsa, considerando a média, não está barata. Afinal de contas o prêmio de risco no fim de 2012 estaria um pouco abaixo de insignificantes 2%.

Como era de se esperar existe uma correlação muito grande entre o PIB brasileiro e as margens das empresas.

Outra coisa que me intriga é que esta situação ocorre em um período no país onde o desemprego é baixo e o consumo elevado.

Se serve de alento, analisando a rentabilidade trimestral das empresas nos últimos 2 anos, nota-se um repique animador no primeiro trimestre deste ano.

Poupança ou na Bolsa? Qual aplicação tem o retorno mais rápido?

Publicado em 23.01.2013 por na(s) categoria(s) Estratégias, Informações

 

O professor Ricardo Mollo do Instituto de Ensino e Pesquisa – Insper criou esse material para esclarecer de uma forma simples uma dúvida bem comum.

A poupança é um instrumento de renda fixa normalmente indicado para pequenos investidores que buscam manutenção do poder de compra do valor investido. Por ter uma boa liquidez e taxa pós-fixada indexada à TR (Taxa Referencial), a opção é caracterizada como um investimento de curto prazo e de baixo risco.

Ações fazem parte da categoria de investimentos de renda variável, que significa que, quando investimos, não sabemos com certeza qual será o retorno no futuro.

O desempenho dos investimentos em ações está relacionado principalmente à capacidade que as empresas emissoras têm de gerar valor no futuro. “Os maiores retornos vêm com maior tempo e, consequentemente, com maior risco..” Quanto maior o potencial de geração de caixa dessas companhias, maior o seu preço de mercado.

Por outro lado, o preço no mercado de ações sofre influência não apenas dos fundamentos das empresas, mas também das condições atuais da economia, o que pode interferir nos seus retornos no curto prazo e, por consequência, aumentar o risco da aplicação.

Pela variabilidade dos preços no curto prazo e pelo risco de não sabermos qual o retorno esperado, recomenda-se que os investimentos em ações sejam feitos para caso de resgate no longo prazo.

Devemos ter como princípio considerar não somente o retorno que esperamos ter com os investimentos, mas também os riscos que correremos com eles. Os maiores retornos vêm com maior tempo e, consequentemente, com maior risco.

Conteúdo Original: http://goo.gl/QzSGO

 

Entendendo e aceitando o Risco

Publicado em 02.07.2012 por na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Money Management

 

A volatilidade é um elemento essencial no mercado. A movimentação mais brusca dos preços ao mesmo tempo que cria boas oportunidades pode também causar muito desconforto.

Enfrentar a volatilidade requer do investidor um acompanhamento minucioso do risco que pretende assumir na carteira.

O risco, de uma maneira ampla,  pode ser definido como a possibilidade que alguma coisa ruim aconteça em relação a uma determinada atividade. Normalmente, pensamos em risco em termos de probabilidade, de chances de ocorrer. Por exemplo, quando dirigimos um carro existe o risco de termos um acidente. Normalmente, a probabilidade que isso ocorra é pequena, mas se o tempo estiver muito ruim ou a iluminação da estrada não estiver boa, ou ainda se o motorista não for dos melhores, as chances de que aconteça algo desfavorável aumentam.

Este exemplo pode ser comparado com a atividade operacional no mercado financeiro. Assumir uma posição na bolsa de valores é exatamente como dirigir um carro, sempre haverá um risco envolvido. Além das variáveis externas que influenciam as duas atividades, o indivíduo pode também não estar nas suas melhores condições emocionais e assim aumentar as probabilidades de insucesso. Por outro lado, se o individuo mantiver a concentração, o foco no plano traçado e evitar condições adversas (tanto na estrada como na bolsa) as chances de êxito desfavorável diminuem.

Quando se fala em risco a maioria dos indivíduos associa a algo negativo. Mas o fato de ganhar acima do previsto também deve ser encarado como um risco.

Especificamente no mercado financeiro, o risco de uma perda em um trade ou investimento pode ser dividido em dois aspectos: a probabilidade de perder e a dimensão da perda.

A probabilidade de perder pode ser estudada analisando o movimento histórico do ativo. Não existe porém nenhuma garantia que a mesma performance do passado persista no futuro. Além disso, mesmo que você identifique uma estratégia que lhe confira 99% de sucesso, você pode ter o “azar” de colocar todos os teus recursos exatamente naquele 1% negativo que a estatística mostrava e levar a tua carteira a bancarrota.

Por isso, a melhor coisa que um trader/investidor pode fazer é administrar o tamanho das posições afim de manter sob controle (ou quase…) o impacto das perdas.

Neste ponto, me sinto obrigado a apresentar novamente a famosa tabela que mostra a dificuldade de se recuperar diante de uma grande perda.  Quem já tem algum tempo de mercado já deve ter visto esta tabela inúmeras vezes.

 

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No gráfico acima, fica ainda mais visível como o ganho necessário para retornar ao ponto inicial depois de uma perda, cresce de forma exponencial.

Mas será que perder 10% do valor da carteira tem o mesmo impacto para mim como tem para você? Muito provavelmente, não. Isso porque, cada individuo possui uma tolerância diferente ao risco.

Identificar corretamente a tolerância ao risco é um ponto chave para que se possa elaborar uma estratégia de money ou risk management eficiente. Alguns fatores determinam a tolerância ao risco, são eles: a idade, a personalidade, o tamanho da carteira, a situação (não só financeira) de vida, etc.

Muitas vezes o trader/investidor busca incessantemente uma metodologia operacional que lhe permita vencer no mercado. Mas esquece de tentar compreender com exatidão até que ponto ele está apto a auferir perdas. Assim, mesmo que ele tenha alcançado uma estratégia vencedora, a falta de conhecimento do que representa o risco produz um forte desgaste emocional no indivíduo que o empurra para fora do mercado.

“O que importa não é se você está certo ou errado, mas sim quanto dinheiro você ganha quando está certo e quanto você perde quando está errado.” George Soros

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Ensinamentos da derrocada do Banco Cruzeiro do Sul

Publicado em 04.06.2012 por na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Estratégias, Informações

 

Hoje o mercado financeiro amanheceu com a notícia de que o Banco Central interveio no banco Cruzeiro do Sul e em outras quatro empresas do grupo, por meio do mecanismo conhecido como Regime de Administração Especial Temporária (Raet), pelo prazo de 180 dias. Durante esse período essas empresas serão administradas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O motivo da intervenção, segundo declaração do próprio BC, se deve ao descumprimento de normas aplicáveis ao sistema financeiro e à verificação de “insubsistência” em itens do ativo do banco.

Além do banco, o grupo Cruzeiro do Sul, incluía uma DTVM (administradora de valores mobiliários), uma corretora de valores, uma securitizadora e uma holding financeira.

A empresa era listada na bolsa através dos seguintes códigos: CZRS3 e CZRS4. Hoje, os negócios destes papeis foram suspensos.

Como era de se esperar, as ações dos demais bancos médios negociados na Bovespa, sofreram os efeitos negativos da notícia. Banco Bic (BICB4) –4,9%, Paraná Banco (PRBC4) –3,5%, Daycoval (DAYC4) –1,9%, Banco Pine (PINE4) –0,5%, ABC Brasil (ABCB4)–1%, etc. (cotações das 13hs de hoje)

Este é o hábito do mercado, colocar no mesmo barco todas as ações do setor, mesmo que haja diferenças gritantes no tipo de negócio de cada instituição.

Segundo dados do BC, em 2011, o Banco Cruzeiro do Sul respondia por apenas 0,22% do total dos ativos do sistema financeiro e 0,35% dos depósitos. Ou seja, não se trata de nenhum gigante do setor, capaz de abalar o mercado e criar um efeito dominó. Mas é bom lembrar que este é o segundo banco, em menos de dois anos (o Panamericano foi resgatado no final de 2010) a ser resgatado pelo FGC.

O que chama a atenção é que olhando para os múltiplos recentes do Cruzeiro do Sul não conseguimos enxergar com exatidão a deterioração da instituição.

 

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Apesar do aumento das despesas com a provisão de devedores duvidosos (PDD) e com a queda acentuada do lucro líquido e do ROE no último trimestre, o banco ainda mostrava crescimento na receita financeira e no resultado operacional. Além disso, o índice de eficiência, usado pelas instituições financeiras como referencial, se encontrava bastante confortável desde 2007.

Ou seja, olhando apenas para os números frios do balanço, dificilmente algum investidor se preocuparia com a saúde da companhia. Agora, depois de ocorrida a intervenção, surge a notícia que nas notas explicativas do balanço do primeiro trimestre de 2012, a  Ernst &Young, fez uma ressalva informando que o banco fez um diferimento que não está de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil.

Além disso, muita gente comentava nos corredores do mercado, sobre as altas taxas pagas pelos CDBs da empresa. Alguns CDBs mais longos, chegavam a pagar 116,5% do CDI.

A derrocada do Banco Cruzeiro do Sul deve ser servir como um ensinamento.

Apesar de a análise fundamentalista dos múltiplos servir como um excelente filtro para a seleção de boas companhias, é importante ter a consciência que o trabalho está apenas começando. Antes de investir em uma ação é preciso conhecer a fundo o negócio da empresa, estudar com atenção os balanços (sem esquecer as notas explicativas…) , falar com o RI, pesquisar com afinco tudo sobre a cia na net e claro analisar graficamente as ações afim de verificar se o fluxo está a teu favor.

E por fim, utilize um bom manejo de risco. Afinal de contas, muitas vezes, mesmo executando todos os passos sugeridos, a operação não transcorre do jeito que esperávamos. Nestes casos, apenas a capacidade, financeira e psicológica, de assumir as perdas permitirá que você permaneça no mercado.

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Setor Imobiliário – 1o. trimestre de 2012

Publicado em 28.05.2012 por na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Análise Técnica, Análises, Aprendizado, Estratégias

 

Chegou a hora de atualizar o estudo das construtoras com os dados do primeiro trimestre de 2012. Caso você ainda não conheça a abordagem deste estudo, dê uma olhada nos artigos anteriores: Artigo 1 e Artigo 2.

Comparando a tabela atual (abaixo) com os números apresentados nos trimestres anteriores, salta rapidamente aos olhos a queda na margem operacional e no retorno sobre o patrimônio líquido das construtoras.

Enquanto a média da Margem Ebit no 3trimestre de 2011 estava em 17,89%, alcançando 18,40% no 4trimestre de 2011, agora o percentual caiu para 17,10%. Já o ROE que nos números do ano passado se situava na casa dos 14%, despencou para 12,54%.

Tabela do estudo:

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Resultado de cada múltiplo analisado:

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  • Metodologia do estudo

A metodologia utilizada para o estudo é a mesma apresentada nos artigos anteriores. Utilizando os oito indicadores fundamentalistas mostrados na tabela acima, identifiquei o grau de atratividade de cada um deles e dei uma pontuação para cada ativo.

Por exemplo, no caso do P/L, listei em ordem crescente (do menor ao maior) os ativos. No caso, RSID, por ser o ativo que possuía a menor relação preço/lucro, ficou com 1 ponto. A MRVE3 com 2 pontos, a EVEN3 com 3 pontos… e assim por diante.

  • Ordem

P/L – EV/Ebit – DIv. Br/PL – Ordem crescente

ROE – Margem Ebit – LPA/P – Liq. Corrente – Div./Yield – Ordem decrescente

  • Cotação

O P/L, o EV/Ebit e o PLA/P usaram a cotação de sexta-feira, dia 25/05/2012, como parâmetro.

 

Resultado final:

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De uma forma geral os balanços das cias ficaram abaixo das expectativas. Muitas empresas se deixaram levar pelo boom do setor dos últimos anos e temerosas em perderem oportunidades, compraram terrenos por valores acima da média do mercado e não se estruturam para enfrentar o aumento da demanda. Hoje em dia, são crescentes as queixas de consumidores que reclamam, nos órgãos de defesa do consumidor, de construtoras que não respeitaram os prazos de entrega dos imóveis.

E é neste cenário, que as empresas mais conservadoras e focadas na manutenção das margens, se destacam. São elas que trimestre após trimestre aparecem como as mais bem qualificados no meu estudo.

Hoje, foi divulgado o  Índice Nacional da Construção Civil (INCC) do mês de Maio. O indicador mostrou uma alta de 1,30%, ante 0,83% do mês de Abril. No ano, o índice acumula variação de 3,63% e em 12 meses, de 7,16%.

A alta dos custos reflete a dura realidade e o descompasso que o setor vive.

Abaixo, eu apresento um gráfico da evolução das margens operacionais das empresas desde 2009. Importante salientar, que o Ebit usado como calculo é o acumulado de 12meses.

 

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Apesar de o gráfico ter ficado um pouco poluído, devido o grande número de cias do setor, é possível distinguir as que conseguem manter um patamar elevado de retorno e as que encontram sérias dificuldades com a elevação dos custos.

Uma particularidade importante do setor imobiliário é a forma como é contabilizada a receita. Enquanto, nos demais setores, em regra, a receita é contabilizada no mesmo momento da venda, no ramo imobiliário  a receita contábil somente é reconhecida de acordo com o andamento da obra e da venda.

Esta metodologia distinta prejudica alguns indicadores fundamentalistas, visto  que, muitas vezes um atraso na obra pode significar a postergação de um faturamento, mesmo que todos os imóveis já tenham sido vendidos.

 

IMOB

 

Para finalizar, não podia deixar de comentar a recuperação recente das ações do setor. Alguns papeis mostram uma valorização superior a 30% nos últimos 5 dias. Examinando o gráfico do índice imobiliário (acima), o IMOB, que reúne as principais empresas do setor, vejam como a retomada ocorre em cima de uma importante zona de suporte na faixa dos 700 pontos.

Dificilmente este otimismo do mercado continuará em todos os ativos do setor. E é aqui que entra o meu estudo. A abordagem acima tem a  missão de colaborar com o investidor,  mostrando as empresas que conseguem apresentar números superiores às concorrentes, e que devem, em tese, performar melhor no futuro.

O que achou do estudo? Não concordou com a metodologia? Quer sugerir algo diferente? Deixe um comentário, manifestando a tua opinião. Este blog é mantido visando incentivar a troca de informações e ideias entres os investidores pessoas físicas. Participe !

 

O Beta e as operações long short

Publicado em 21.05.2012 por na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques, Estratégias

 

Operações de long short são operações relativas entre ações, com uma ponta apostando na alta e comprando ações (long) e a outra apostando na baixa e vendendo outras ações (short).

Já tive oportunidade de escrever outros artigos aqui no blog sobre o assunto. Se você tem pouca familiaridade com o tema, vale a pena a leitura: “ Long/short: O que é isso ? “ e “ Arbitragem e Long/Short “.

De forma resumida, quando decidimos investir em um fundo long short sabemos que ele não depende de tendências macro, ou seja do famoso direcional do mercado, para que possa obter um retorno satisfatório. Este é um aspecto muito interessante que transforma este tipo de fundo quase obrigatório no portfólio de um investidor que busca se proteger do momento de indefinição de um mercado lateral.

E foi ao analisar a estratégia de um fundo long short na semana passada que resolvi escrever sobre o assunto. Não cabe aqui citar a gestora responsável por este fundo, mas posso assegurar que se trata de uma renomada instituição do nosso mercado.

O prospecto do fundo enfatizava que o fundo utilizava a teoria do Beta como parâmetro para encontrar oportunidades long short no mercado.

Relembrando: Beta, é um índice que mede a variação de uma ação em relação a uma carteira de mercado, perfeitamente diversificada. No caso brasileiro, o IBOVESPA é utilizado.

Por exemplo, se fizermos uma regressão entre os retornos da VALE5 e do IBOV, constatamos que para cada 1% de variação do índice, a ação da mineradora sobe 1,1%. Portanto, o Beta da Vale é de 1,1. Já o Bradesco, menos volátil, possui um Beta de 0,7.

Imaginando uma operação de long short entre os dois ativos e utilizando a teoria do Beta adotada pelo fundo, teríamos:

Beta da VALE5 / Beta do BBDC4 = 1,1/0,7 = 1,5

 

Ou seja, para cada 1,5 ação do BBDC4 comprada devo vender uma ação da VALE5.

Esta abordagem, teoricamente, deixaria a operação completamente adirecional, já que estaria utilizando a performance histórica dos dois ativos como parâmetro para definir o tamanho da posição em cada ponta.

Mas este é exatamente o problema. Como já estamos cansados de saber, nem sempre a performance e principalmente a volatilidade de um determinado ativo no passado se repete no futuro. Ou seja, é muito provável que o Beta varie bastante no decorrer da nossa operação. Isso nos obrigaria a rebalancear nossas posições e desta forma os custos de transação (corretagens e emolumentos) cresceriam muito, inviabilizando este modelo de estratégia.

Como vocês podem perceber, uma ideia que se mostra muito atrativa na teoria nem sempre pode resultar em bons resultados na pratica.

Questionei o distribuidor do fundo sobre essa particularidade (infelizmente não consegui acesso ao gestor) e até o momento ainda não obtive uma resposta sobre a minha indagação.

Vejam bem, não quero em nenhum momento afirmar que esta modalidade operacional está errada ou que não pode ser rentável. Até porque, sabemos que as grandes gestoras possuem enormes facilidades operacionais e de custo que ajudariam na estratégia.

A minha intenção visa apenas discutir o assunto com vocês e apresentar um pouco mais sobre as modalidades operacionais disponíveis na nossa bolsa.

 

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