Chegou a hora de atualizar o estudo das construtoras com os dados do primeiro trimestre de 2012. Caso você ainda não conheça a abordagem deste estudo, dê uma olhada nos artigos anteriores: Artigo 1 e Artigo 2.
Comparando a tabela atual (abaixo) com os números apresentados nos trimestres anteriores, salta rapidamente aos olhos a queda na margem operacional e no retorno sobre o patrimônio líquido das construtoras.
Enquanto a média da Margem Ebit no 3trimestre de 2011 estava em 17,89%, alcançando 18,40% no 4trimestre de 2011, agora o percentual caiu para 17,10%. Já o ROE que nos números do ano passado se situava na casa dos 14%, despencou para 12,54%.
Tabela do estudo:

Resultado de cada múltiplo analisado:

A metodologia utilizada para o estudo é a mesma apresentada nos artigos anteriores. Utilizando os oito indicadores fundamentalistas mostrados na tabela acima, identifiquei o grau de atratividade de cada um deles e dei uma pontuação para cada ativo.
Por exemplo, no caso do P/L, listei em ordem crescente (do menor ao maior) os ativos. No caso, RSID, por ser o ativo que possuía a menor relação preço/lucro, ficou com 1 ponto. A MRVE3 com 2 pontos, a EVEN3 com 3 pontos… e assim por diante.
P/L – EV/Ebit – DIv. Br/PL – Ordem crescente
ROE – Margem Ebit – LPA/P – Liq. Corrente – Div./Yield – Ordem decrescente
O P/L, o EV/Ebit e o PLA/P usaram a cotação de sexta-feira, dia 25/05/2012, como parâmetro.
Resultado final:

De uma forma geral os balanços das cias ficaram abaixo das expectativas. Muitas empresas se deixaram levar pelo boom do setor dos últimos anos e temerosas em perderem oportunidades, compraram terrenos por valores acima da média do mercado e não se estruturam para enfrentar o aumento da demanda. Hoje em dia, são crescentes as queixas de consumidores que reclamam, nos órgãos de defesa do consumidor, de construtoras que não respeitaram os prazos de entrega dos imóveis.
E é neste cenário, que as empresas mais conservadoras e focadas na manutenção das margens, se destacam. São elas que trimestre após trimestre aparecem como as mais bem qualificados no meu estudo.
Hoje, foi divulgado o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) do mês de Maio. O indicador mostrou uma alta de 1,30%, ante 0,83% do mês de Abril. No ano, o índice acumula variação de 3,63% e em 12 meses, de 7,16%.
A alta dos custos reflete a dura realidade e o descompasso que o setor vive.
Abaixo, eu apresento um gráfico da evolução das margens operacionais das empresas desde 2009. Importante salientar, que o Ebit usado como calculo é o acumulado de 12meses.

Apesar de o gráfico ter ficado um pouco poluído, devido o grande número de cias do setor, é possível distinguir as que conseguem manter um patamar elevado de retorno e as que encontram sérias dificuldades com a elevação dos custos.
Uma particularidade importante do setor imobiliário é a forma como é contabilizada a receita. Enquanto, nos demais setores, em regra, a receita é contabilizada no mesmo momento da venda, no ramo imobiliário a receita contábil somente é reconhecida de acordo com o andamento da obra e da venda.
Esta metodologia distinta prejudica alguns indicadores fundamentalistas, visto que, muitas vezes um atraso na obra pode significar a postergação de um faturamento, mesmo que todos os imóveis já tenham sido vendidos.

Para finalizar, não podia deixar de comentar a recuperação recente das ações do setor. Alguns papeis mostram uma valorização superior a 30% nos últimos 5 dias. Examinando o gráfico do índice imobiliário (acima), o IMOB, que reúne as principais empresas do setor, vejam como a retomada ocorre em cima de uma importante zona de suporte na faixa dos 700 pontos.
Dificilmente este otimismo do mercado continuará em todos os ativos do setor. E é aqui que entra o meu estudo. A abordagem acima tem a missão de colaborar com o investidor, mostrando as empresas que conseguem apresentar números superiores às concorrentes, e que devem, em tese, performar melhor no futuro.
O que achou do estudo? Não concordou com a metodologia? Quer sugerir algo diferente? Deixe um comentário, manifestando a tua opinião. Este blog é mantido visando incentivar a troca de informações e ideias entres os investidores pessoas físicas. Participe !