O acaso do mercado
Publicado em 10.02.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião
.

As últimas semanas na bolsa paulista foram marcadas por uma grande arrancada dos principais ativos do índice. A VALE5, por exemplo, alcançou a incrível marca de 33% de valorização em menos de 40 dias. Diante desta valorização, todo investidor, analista e/ou economista busca, através das mais diversas ferramentas, uma justificativa plausível para esse movimento.
Os players estão sempre procurando no mercado uma causa para tudo o que acontece. Em dias de forte valorização, a justificativa mais comum é a de que tudo já foi colocado no preço (precificado) e as ações estavam baratas demais. Em dias de realização de lucro, após fortes altas, não raro se explica o fato devido a indícios de recessão, como se ela fosse novidade e já não estivesse no preço dos ativos. Na verdade, o mercado, muitas vezes, tem razões que nem sempre se conhecem.
Desta forma, não se deve ter a expectativa de que os profissionais de finanças sejam sempre capazes de prever acertadamente os acontecimentos nos mercados a partir de seus conhecimentos teóricos e experiência pessoal. Muitas vezes a evolução de um índice de ações pode ser similar a uma seqüência de números aleatórios com determinado viés (“random walk“).
Nesse momento alguns defensores do investimento em valor diriam que essas oscilações momentâneas e aleatórias serão ajustadas com o tempo e os números contábeis da empresa voltarão ao normal. Os grafistas afirmariam que o patamar de preços reflete pontos de suporte/resistências intransponíveis e que em breve os graficos descontarão tudo.
A postura que se requer para dar conta do mercado tal como ele se expressa hoje em dia, não invalida as contribuições fundamentalistas e técnicas, mas indica um passo adiante para lidar com estes instrumentos. É preciso reconhecer que fatores imprevistos e desconhecidos podem influenciar as cotações das ações.
Assim, independentemente da formação acadêmica ou da vivência profissional, ao fazermos previsões temos de ter a humildade para conceber a possibilidade de discrepâncias e ao mesmo tempo a sabedoria para lidar com a incerteza.
.

Mesmo sabendo que toda unanimidade é burra, parece inquestionável para a maioria dos especialistas do mercado que o ano de 2009 será um ano muito difícil para a economia mundial. E falando de bolsa a tendência é que também tenhamos muitas dificuldades.
O questionamento proposto no artigo anterior se resume ao debate de idéias entre a teoria de dois gurus da história econômica mundial: John Maynard Keynes e Milton Friedman.
Essa semana a BM&F Bovespa lançou 3 fundos de índices, os chamados ETF’s (Exchange Traded Funds). Esses fundos, muito populares no mundo todo, visam obter desempenho semelhante à performance de determinado índice de mercado, para tanto, suas carteiras replicam a composição desse índice.
Pensar na bolsa como um investimento de longo prazo, é sem dúvida uma das abordagens mais prudentes que um investidor pode tomar. Mas é preciso que fique bem claro, o que se entende por longo prazo.










