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A âncora do mercado

Publicado em 07.04.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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ancora Queria agradecer a grande participação dos leitores do blog na promoção do Acerte o Ibov. Até o momento foram muitos os lances para a pontuação do Ibov no dia 30/04. Ainda falta bastante tempo para o encerramento da promoção, faça também a sua aposta…

Pensando e olhando para os números já enviados, fiquei imaginando de que forma e que tipo de análise o investidor/trader usou para projetar a cotação do índice no final do mês. Independente da forma, com certeza esse número representa uma expectativa pessoal do indivíduo. Uma espécie de âncora, um referencial.

Até o momento, posso afirmar que os amigos do blog estão muito otimistas. A grande maioria espera o índice próximo ou acima do patamar atual.

Sem dúvida, esse resultado preliminar é reflexo da alta recente. Em finanças, estudos demonstram que o retorno de uma aplicação no período anterior influência as estimativas de desempenho futuro.

Um exemplo é a dificuldade que temos de identificar a formação de uma bolha especulativa. Ao comprarmos um ativo que se encontra sobrevalorizado, tomamos esse patamar apreciado como referência de valor e o associamos a um preço justo, visível e praticado pelo mercado. Quando a bolha estoura, percebemos que fizemos uma avaliação equivocada.

A âncora, definida por cada participante da promoção, é uma tentativa de abreviar o processo decisório. No caso da âncora, selecionamos uma estimativa inicial e, então, a ajustamos à medida que recebemos informações. Isso nos permite focalizar a atenção em uma pequena quantidade de dados. Em várias situações, essa dinâmica gera boas estimativas. Problemas surgem quando usamos âncoras irrelevantes, ou quando os ajustes feitos são insuficientes para nos aproximar da realidade.

Em resumo, muito mais importante que escolher um tipo de metodologia de análise, ao tentar acertar o ibov, o investidor deve fazer um levantamento amplo do mercado, resistindo à influência dos primeiros preços que tiver contato. Isso permite uma avaliação mais abrangente do espectro de valores. Uma âncora será inevitavelmente formada. Porém, o investidor terá sua âncora formada com base em uma coleta representativa do universo de flutuação esperado, reduzindo a chance de ficar preso a uma falsa âncora e, literalmente, “afundar com ela”.

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Carteira de acumulação

Publicado em 03.03.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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A grande maioria dos leitores do blog não são profissionais do mercado. São investidores pessoa física, que procuram alguma orientação sobre como alocar os recursos de forma racional no mercado de renda variável.

Por não trabalharem diretamente na bolsa, não dispõem do tempo necessário para aproveitarem as oscilações de curto prazo. Precisam de uma abordagem de longo prazo. Precisam pensar em uma carteira de acumulação.

Já tratei deste assunto várias vezes por aqui. Muitas vezes, nas minhas consultorias, sou até chato e insistente.  Mas não me canso de repetir. Não posso me isentar de passar para o meu interlocutor, que o trading e a especulação são ótimos meios de remunerar o capital, mas exigem uma dedicação full time por parte do trader/investidor.

Para o investidor pessoa física o mais correto é pensar no longo prazo, acumulando ações.

E a história do mercado está a nosso favor neste aspecto. Abaixo eu trago o gráfico mensal dos últimos 17 anos do Ibovespa.

IBOV

tabela

A compra de ações após grandes quedas (como as assinaladas em rosa no gráfico)  e sua manutenção por períodos de três a cinco anos, gera retornos bastante elevados. Sei que é difícil acertar com precisão quando será o fundo do poço em um bear market, por isso resolvi considerar uma perda de 35% como um patamar hipotético de compra. Caso tivéssemos comprado a carteira do Índice Bovespa todas as vezes que ela chegasse a 35% de queda, na média, teríamos um retorno de 99% em três anos (33% ao ano em média) e 272% em cinco anos (54% ao ano em média).

Analisando os períodos de forma individualizada, a queda ocorrida em 1997 e a respectiva compra nos 35% teriam apresentado uma performance quase nula no período de 5 anos. Isso provavelmente devido a insegurança em 2002 quanto a eleição do presidente Lula.

Apesar desta exceção, na média, a conclusão é que o retorno do investimento em bolsa em momentos de crise tem alta probabilidade de ser elevado no longo prazo. Dessa forma, é recomendado que o investidor pessoa física considere a realocação ou o aumento da sua exposição em ações hoje ou em algum momento nos próximos meses. O ideal seria aplicar o capital de forma disciplinada ao longo de um período, como, por exemplo, 12 ou 24 meses. Nesse caso, o dinheiro seria dividido em 12 ou 24 parcelas e investido em ações em uma determinada data de cada mês. Dessa forma, o investidor poderia fazer preço médio ao longo de um período de alta incerteza para o mercado acionário.

Sei que tratar deste assunto, no momento em que o mercado brasileiro volta a apresentar sinais de fraqueza, não é fácil. Mas, apesar do sofrimento coletivo e da alta incerteza no curto prazo, se você ainda não pensou em uma carteira de acumulação, deveria começar a pensar. A história nos mostra que o investimento em ações “baratas” gera retornos elevados e consistentes ao longo do tempo. É aconselhável que aproveitemos tais momentos, pois não são muito freqüentes e, possivelmente, acontecerão cada vez menos.

Nota: Graças ao email do leitor Helder Fernandes, gostaria de acrescentar que os números de rentabilidade apresentados foram calculados usando a média simples. Considerando o ganho acumulado o resultado seria  de uma rentabilidade média em três anos de 25,78% aa e de 30,05% aa para os cinco anos.

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Recompra de Ações

Publicado em 19.02.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Destaques, Estratégias, Opinião

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recompra Atualmente mais de 50 empresas listadas na bolsa de valores de São Paulo aderiram à programas de recompra de ações. O principal objetivo destas empresas é sinalizar ao mercado confiança no próprio negócio e indicar que os papéis estão abaixo do valor justo. Essa pelo menos é a alegação mais comum.

Na verdade muitas vezes, operações de recompra ocorrem apenas por alguns dias visando possibilitar a saída de grandes investidores. Empresas com baixa líquidez precisam acionar estes programas para evitar uma queda abrupta dos preços caso algum acionista de peso resolva se desfazer dos papéis.

No Brasil, as empresas podem comprar até 10% da parcela de seu capital negociado em bolsa, pelo prazo máximo de um ano, e guardar essas ações em tesouraria ou cancelá-las. Quando os papéis são cancelados os acionistas assumem um ganho de imediato, já que os lucros por ação aumentam e consequentemente o potencial de retorno dos dividendos também.

Teoricamente portanto, as recompras de ações representam uma ação tranquilizadora para os investidores e ajudam a elevar os preços das ações no curto prazo.

Uma questão porém precisa ser abordada. Será que o atual cenário global é o ideal para usar o caixa da empresa comprando ações ?

Sem dúvida, essa é uma pergunta que depende muito da saúde financeira de cada empresa. Mas pelo boom de recompras visto atualmente, eu desconfio que muitas empresas estão exagerando. Prova disso, são os derivativos vinculados ao desempenho das ações oferecidos por alguns bancos.

Como se já não bastasse todo o estrago provocado pelos derivativos cambiais, a idéia agora é aproveitar a onda de recompras de ações e oferecer às empresas para que façam seus programas sem usar um centavo sequer. Ou seja, a empresa não mexeria no próprio caixa e usaria o dinheiro emprestado pelo banco. Essa idéia é comparável a um investidor pessoa física entrar no cheque especial para aplicar na bolsa !

Portanto, apesar de em linhas gerais os programas de recompra de ações serem interessantes e mostrarem comprometimento da companhia é importante o investidor estar atento a maneira como os recursos necessários para a operação estão sendo levantados e posteriormente aplicados.

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Invista no que você conhece

Publicado em 17.02.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques, Estratégias

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circulo Quando pensamos em formar uma carteira de longo prazo e de acumulação o fator principal e talvez mais difícil seja o de escolher os ativos que irão compor nosso portfólio. Muitos investidores buscam dicas através de amigos, sites, blogs ou até mesmo nas corretoras onde operam.

Se esquecem porém, de analisar mais a fundo a empresa que estão comprando. Nem ao menos, se questionam se conhecem o ramo de atividade da companhia.

Um princípio extremamente importante para o investidor em ações é o de operar dentro do seu círculo de competência.

As duas principais vantagens para o investidor que forma sua carteira com empresas cujas atividades lhe sejam intimamente conhecidas são a possibilidade de lucrar mais com a volatilidade inerente ao mercado e a tranqüilidade para atravessar períodos em que suas teses de investimento não vingam. O investidor que conhece bem cada uma das empresas que escolhe, seus respectivos mercados, as peculiaridades de seus modelos de negócio, seus produtos e seus consumidores, consegue dormir com menos preocupações em momentos de stress na bolsa.

Com a recente crise americana, muitos investidores tem aplicações perdendo parte significativa da quantia original. Contudo, se a tese de investimento foi e continua correta, o aumento da posição é ainda mais acertado em momentos de forte baixa.

Só que aumentar a posição fica emocionalmente cada vez mais difícil, pois o investidor precisa sustentar sua opinião diante do consenso do mercado. Por isso a importância de se conhecer onde está se investindo.  Apenas os que operam dentro do seu círculo de competência têm a autoconfiança necessária para tomar a decisão correta.

O investidor que não se preocupa que suas aplicações estejam dentro do seu círculo de competência, tende a entrar em pânico e vender o bom investimento na pior hora, a de baixa, quando deveria estar comprando mais. Vende porque não sabe direito o que tem e quanto vale. Não sabe onde é o fundo do poço e não tem a tranqüilidade emocional necessária para suportar o mau desempenho. Falta-lhe conhecimento suficiente para ter a coragem de discordar do mercado.

Resumindo, o investidor precisa se concentrar nas empresas que estão próximas dele. Mas sem dúvida, procurando sempre ampliar seu círculo de competência através do estudo disciplinado e de um trabalho amplo de pesquisa.

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O acaso do mercado

Publicado em 10.02.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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dados

As últimas semanas na bolsa paulista foram marcadas por uma grande arrancada dos principais ativos do índice. A VALE5, por exemplo, alcançou a incrível marca de 33% de valorização em menos de 40 dias. Diante desta valorização, todo investidor, analista e/ou economista busca, através das mais diversas ferramentas,  uma justificativa plausível para esse movimento.

Os players estão sempre procurando no mercado uma causa para tudo o que acontece. Em dias de forte valorização, a justificativa mais comum é a de que tudo já foi colocado no preço (precificado) e as ações estavam baratas demais. Em dias de realização de lucro, após fortes altas, não raro se explica o fato devido a indícios de recessão, como se ela fosse novidade e já não estivesse no preço dos ativos. Na verdade, o mercado, muitas vezes, tem razões que nem sempre se conhecem.

Desta forma, não se deve ter a expectativa de que os profissionais de finanças sejam sempre capazes de prever acertadamente os acontecimentos nos mercados a partir de seus conhecimentos teóricos e experiência pessoal. Muitas vezes a evolução de um índice de ações pode ser similar a uma seqüência de números aleatórios com determinado viés (“random walk“).

Nesse momento alguns defensores do investimento em valor diriam que essas oscilações momentâneas e aleatórias serão ajustadas com o tempo e os números contábeis da empresa voltarão ao normal. Os grafistas afirmariam que o patamar de preços reflete pontos de suporte/resistências intransponíveis e que em breve os graficos descontarão tudo.

A postura que se requer para dar conta do mercado tal como ele se expressa hoje em dia, não invalida as contribuições fundamentalistas e técnicas, mas indica um passo adiante para lidar com estes instrumentos. É preciso reconhecer que fatores imprevistos e desconhecidos podem influenciar as cotações das ações.

Assim, independentemente da formação acadêmica ou da vivência profissional, ao fazermos previsões temos de ter a humildade para conceber a possibilidade de discrepâncias e ao mesmo tempo a sabedoria para lidar com a incerteza.

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A estratégia de comprar na baixa

Publicado em 15.01.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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42-20321150Mesmo sabendo que toda unanimidade é burra, parece inquestionável para  a maioria dos especialistas do mercado que o ano de 2009 será um ano muito difícil para a economia mundial. E falando de bolsa a tendência é que também tenhamos muitas dificuldades.

Mas talvez neste cenário, podemos encontrar ótimas oportunidades. Buffett já profetizou: “Seja audacioso quando os outros estiverem com medo e tenha medo quando os outros forem audaciosos”.

Conforme artigo escrito essa semana, fazer previsões sobre o futuro financeiro é uma tarefa árdua e ingrata mas necessária. E pensando nisso, se tivermos um horizonte de investimento de médio para longo prazo (3-5 anos), o atual patamar das cotações dos ativos brasileiros se mostra muito atrativo.

Sem dúvida, nadar contra a maré nunca é fácil. Exige estômago para aguentar a pressão, e sempre foi mais fácil errar em conjunto do que sozinho. Mas são as apostas contrárias ao consenso que permitem os maiores retornos. E como disse Max Gunther, autor de “Os Axiomas de Zurique“, “se o seu principal objetivo na vida é fugir das preocupações, então você nunca deixará de ser pobre.” Quem tem muito medo de perder, dificilmente irá ganhar.

No ano passado, publiquei um artigo aqui no blog, intitulado “O momento é agora !“, onde enfatizava a oportunidade que começava a aparecer para montar uma carteira de acumulação. No texto fazia questão de destacar a questão do “timming”. Não devemos concentrar as compras apenas em um determinado momento. O ideal é formularmos uma estratégia de compras em lotes de forma paulatina e contínua. Afinal de contas, os mercados podem permanecer irracionais por muito mais tempo do que a nossa disponibilidade financeira em fazer aplicações.

Para carteiras de acumulação é importante evitar a alavancagem e a falta de liquidez. Muita atenção também ao empregar neste tipo de investimento recursos que precisarão ser usados em uma emergência. Já que uma venda forçada pode tirar você do jogo antes do tempo ideal.

Enfim, novamente chamo a atenção de vocês para esta oportunidade ímpar que o estouro da recente bolha especulativa mundial provocou. Sei que uma estratégia operacional nem sempre é adequada para todo tipo de investimento. Sei que é importante respeitarmos a propensão ao risco e os objetivos financeiros de cada investidor. Mas acredito que arriscar parte do patrimônio, especialmente quando há preços convidativos e o fim do mundo parece precificado, pode fazer muito sentido em um futuro não muito distante.

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Keynes versus Friedman

Publicado em 11.12.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

 

versus O questionamento proposto no artigo anterior se resume ao debate de idéias entre a teoria de dois gurus da história econômica mundial: John Maynard Keynes e Milton Friedman.

As idéias de Keynes eram de que os governos deveriam gerir e regular as economias para manter o pleno emprego e moderar as flutuações de preços nos mercados. A era keynesiana foi acionada na década de 30, visando combater os sérios problemas sociais causados pela Grande Depressão.

Keynes, sustentava que o futuro é algo incerto, e que portanto, a psicologia do investidor é volúvel. Keynes escreveu: "A prática da calma, da imobilidade, da certeza e segurança, de repente se rompe…. Novos medos e esperanças assumirão, sem aviso prévio, o controle da conduta humana". Esse pensamento clássico de Keynes, nada mais é do que o "efeito manada" dos tempos atuais. Em resumo, o papel do Estado é administrar as expectativas.

Apenas um detalhe fugiu da teoria keynesiana. O aspecto da corrupção das autoridades. Keynes supôs que os governos seriam administrados por especialistas benevolentes e honestos. Bem longe da realidade do mundo atual.

Para Friedman, o governo deveria apenas se preocupar em políticas monetárias e deixar que a economia tomasse conta de si mesma. A "nova economia clássica" da década de 70, como ficou conhecida, ensinava que, na ausência das rudes interferências do governo, as economias buscariam naturalmente o pleno emprego, maior inovação e melhores índices de crescimento.

A teoria neoclássica defendia que se pode saber de antemão os riscos em todas as transações de mercado e que os preços sempre refletirão probabilidades objetivas. Esse otimismo, sem dúvida, foi responsável pela formação de inúmeras bolhas nas últimas décadas (inclusive o subprime), já que existia a ilusão, que o mercado, através de modelos matemáticos, ajustaria as distorções.

A questão aqui é o dilema sem solução mais antigo da economia: as economias de mercado são naturalmente estáveis ou precisam ser estabilizadas pela política governamental ?

Talvez mais importante do que uma resposta para esta questão, seja o fato de reconhecermos que a economia está longe de ser uma ciência. Desta forma, nenhum economista, analista ou intelectual poderá nos fornecer uma resposta precisa sobre qual é o melhor caminho a trilhar.

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ETF’s da BM&F Bovespa

Publicado em 03.12.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Destaques, Estratégias, Informações

bmf Essa semana a BM&F Bovespa lançou 3 fundos de índices, os chamados ETF’s (Exchange Traded Funds). Esses fundos, muito populares no mundo todo, visam obter desempenho semelhante à performance de determinado índice de mercado, para tanto, suas carteiras replicam a composição desse índice.

Os fundos lançados por aqui são três: ISHARES BOVA CI , ISHARES MILA CI e ISHARES SMAL CI.

O BOVA CI, negociado no pregão através do código BOVA11, replica os papeis que compõem o Ibovespa. O MILA CI (MILA11), engloba ações de média e grande capitalização. E o SMAL CI (SMAL11), é focado nas ações de baixa liquidez.

A primeira experiência similar, ocorreu em 2004, quando o BNDESPar lançou o PIBB11 que replica o IBrX-50. Com a forte tendência que o mercado brasileiro apresentava na época, esse investimento se tornou muito lucrativo. A ponto de uma nova oferta ter sido realizada em 2005.

BOVA11

Apenas o BOVA11, apresentou até o momento uma certa líquidez (hoje, 268 negócios). Acima, gráfico de 30 minutos dos dois primeiros dias de negociação.

Agora com os ETF’s, a idéia é trazer para o mercado brasileiro, um produto muito utilizado pelos investidores americanos. Segundo, o Valor Econômico de hoje, os ETF’s respondem por 38% das negociações realizadas na bolsa de Nova York.

Nem mesmo, o cenário de crise atual, desmotivou o Banco Barclays, gestor dos fundos, a fazer o lançamento. Na opinião dos executivos do banco, “os fundos têm mostrado excelente aceitação em períodos difíceis”.

Sem dúvida, os fundos ETF’s proporcionam com apenas uma transação, diversificar uma carteira de investimento em ações. Diante da forte queda do Ibov, encontrar o papel que voltará mais rápido aos patamares históricos pode não ser uma tarefa muito fácil. Por isso o BOVA11 passa a ser um produto muito interessante já que acompanha o Ibov muito de perto. Atenção neste ponto… um fundo ETF, não replica exatamente (100%) o desempenho do índice subdjacente. Isso ocorre pelo fato de a carteira de um ETF não ser apenas composta pelas ações do índice. Conforme detalhado na lâmina do produto, até 5% podem ser aplicados em títulos do Tesouro Nacional, cotas de outros fundos, etc… Mas diria, com base nos ETF’s lá de fora, que a oscilação é muito pequena.

Vale lembrar, que assim como todo fundo, incide nos ETF’s uma taxa de administração. No caso do BOVA11, a taxa é 0,54%aa. Se comparada, com outros fundos de ações oferecidos pelos bancos comerciais, a taxa é bem menor.

Outro aspecto interessante dos ETF’s é que eles podem ser usados pelos cotistas como margem para operações realizadas em bolsa. Além disso, tanto os ETF’s quanto as ações podem ser objetos de empréstimo em operações de mercado. Ou seja, possuindo ETF’s na carteira, o investidor poderá disponibilizar à CBLC para que os papeis sejam alugados.

Por outro lado, investidores que desejarem “hedgear” uma carteira de longo prazo que tenha uma forte correlação com índice, podem alugar e vender as ETF’s. Na prática, essas operações com os fundos podem substituir o hedge feito hoje com os contratos do índice futuro na BMF.

Resumindo, acho que estamos diante de um produto bem interessante e que merece ser analisado com muito carinho.

Mais informações: no site da Bovespa, www.bovespa.com.br

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Investimento de Longo Prazo

Publicado em 19.11.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análises, Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

bussola Pensar na bolsa como um investimento de longo prazo, é sem dúvida uma das abordagens mais prudentes que um investidor pode tomar. Mas é preciso que fique bem claro, o que se entende por longo prazo.

No livro “The right stock at the right time”, Larry Williams apresenta um estudo que comprova que no longo prazo o investimento em renda variável pode se tornar muito lucrativo. O estudo apresenta três modalidades de investimento: mercado imobiliário (calculado usando uma média dos preços dos imóveis nos EUA), mercado de treasuries (títulos do governo americano) e mercado acionário (usando um grupo de blue chips). O resultado no ano 2000, para quem tivesse investido US$1 em 1925, seria de:

  • Mercado de treasuries = 15 dólares
  • Mercado imobiliário = 100 dólares
  • Mercado acionário = 2000 dólares

É preciso porém fazer uma ponderação. O retorno de 2000 dólares, engloba um conjunto de ações “de qualidade” do mercado. Mas durante os 75 anos da pesquisa, muitas destas blue chips não sobreviveram. O que reforça a idéia que mais importante do que usar uma estratégia de buy and hold sem critério, o investidor precisa concentrar esforços na hora da escolha dos papéis.

Warren Buffett, o maior guru do mercado de todos os tempos, já disse diversas vezes que costuma comprar ações para toda uma vida. Mas como já tratei em outro artigo, isso se deve principalmente ao tamanho das posições da Berkshire Hathaway (empresa de Buffett) e não por uma estratégia operacional pré-definida.

O investimento de longo prazo, não exime o investidor de um acompanhamento frequente de sua carteira. Aliás a verdade é que muitas pessoas são atraídas pela estratégia de um investimento de longo prazo “indiscriminado”, porque isso equivale a não ter que tomar decisões com muita frequência e porque a metodologia não exige um trabalho excessivo.

A estratégia do buy and hold sustenta que ao comprar uma ação, basta mantê-la na carteira por um longo prazo, que o retorno chegará. Infelizmente nem sempre é assim. A única certeza que temos a respeito do longo prazo, é que um dia a maioria das pessoas morre.

Portanto ao comprar uma ação dentro de uma carteira de acumulação (longo prazo), não deixe de reavaliar periodicamente a saúde financeira da empresa. Não existe uma empresa sólida no mundo que no futuro não possa quebrar  (por ex. o caso da GM, hoje em dia). Vale a pena, lembrar das palavras do famoso especulador Jesse Livermore: ” O dinheiro perdido nas operações especulativas é aceitável se comparado com as somas colossais perdidas pelos investidores de longo prazo che deixaram as operações em aberto até o infinito. O investidor inteligente é aquele que sabe intervir rapidamente, tentando limitar os prejuízos.”

Em resumo, para sobreviver no mercado é necessário que tenhamos um objetivo claro e bem definido, e que este esteja enquadrado dentro de um horizonte de tempo adequado as nossas expectativas.

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Os riscos na bolsa

Publicado em 13.11.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques, Estratégias

risco

Quando decidimos fazer um investimento, de qualquer espécie, estamos dispostos a assumir um determinado risco visando um retorno compensador.

Pensando nos investimentos em renda variável, podemos citar três tipos de riscos que o investidor deve estar atento para que os seus recursos alcancem os objetivos estipulados:

O primeiro é o risco financeiro. Ou seja, a chance do preço pago pelo ativo não compensar o que ele poderá proporcionar em termos de caixa futuro gerado. Em outras palavras, pagar por algo mais do que aquilo vale. A análise deste risco usualmente é feita através dos múltiplos e do valuation de uma empresa. Um bom exemplo de risco financeiro foram as IPOs realizadas aqui no Brasil nos últimos anos, quando se pagou um preço muito alto por empresas que não geravam caixa suficiente e não apresentavam perspectiva de crescimento que justificasse o investimento.

O segundo é o risco do mercado, chamado também de risco sistêmico.  Este tipo de risco avalia o peso que mudanças na economia e no humor do mercado possam ter sobre a precificação do ativo, independentemente dos seus fundamentos. Quando ocorre um risco sistêmico, pouco importa a solidez ou o segmento que a empresa atua. Acho que a crise americana atual pode representar um bom exemplo de crise sistêmica.

O terceiro é o risco de líquidez, que consiste na possibilidade de se desfazer do ativo objeto a qualquer momento. Se compararmos as diferenças entre os preços de compra e venda para ações de primeira linha com as de segunda e terceira linhas, temos um bom exemplo deste tipo de risco. Normalmente, o spread da falta de líquidez, obriga o investidor a pagar (ou receber) um prêmio a mais por não poder negociar a ação a qualquer momento.

Risco, por definição, é volatilidade potencial dos resultados. Para ambos os lados. E não somente para o lado negativo, de deterioração de preços. Portanto, nenhum investimento no mercado acionário deveria ser feito sem uma ponderação considerável sobre os três diferentes tipos de riscos citados acima.

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