Pular a navegação e ir direto para o conteúdo


O bê-a-bá do trader

Publicado em 02.06.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Destaques, Estratégias, Money Management

.

O perfil dos leitores do blog é muito variado. Por aqui passam traders/investidores ativos, profissionais do mercado e até mesmo indivíduos que nunca tiveram a experiência de aplicar na bolsa de valores.

Pensando neste último grupo, resolvi escrever este artigo, repassando alguns conceitos básicos sobre a formação de um trader.

Todo trader que pretende se aventurar no mercado financeiro precisa desenvolver um “trading program” baseado em três fatores importantes: definição da tendência, timing e gestão patrimonial.

  • A definição de uma tendência é o primeiro passo para que o trader possa tomar uma decisão operacional. Conhecendo a tendência é possível saber se o trader será comprador ou vendedor, ou até mesmo, nenhuma das duas opções quando o mercado está lateralizando. Identificando de forma errada a tendência, dificilmente as próximas etapas permitirão que a operação seja vencedora.
  • As técnicas operacionais ou o timing tem a função de identificar o momento preciso de entrada e saída do mercado. Muitas vezes, o trader pode ter identificado corretamente a tendência do mercado, mas devido a um timing ruim, não consegue fechar uma operação com lucro. O timing é de natureza totalmente técnica, ou seja, até mesmo um operador orientado pela análise fundamentalista, precisaria utilizar os instrumentos técnicos se quisesse definir os pontos de entrada e saída.
  • O terceiro fator, e sem dúvida, o mais importante, consiste na gestão patrimonial. Por gestão do patrimônio entendo o acompanhamento das seguintes áreas: formação de um portfólio, diversificação, escolha do capital a ser investido ou colocado em risco em cada tipo de mercado, o uso dos stops, o manejo de risco, o controle psicológico após momentos de sucesso e insucesso e a definição do perfil (agressivo ou conservador) do trader/investidor.

Resumindo, podemos afirmar que definindo a tendência o trader sabe o que fazer (comprar ou vender), o timing o ajuda a decidir quando comprar e a gestão patrimonial determina como posicionar a operação.

Depois de alguns anos operando no mercado e principalmente após conhecer inúmeros operadores técnicos, posso afirmar que nunca encontrei um trader que tenha tido sucesso sem utilizar com eficiência a gestão patrimonial. É muito fácil encontrar consultores, treinamentos e cursos sobre análise técnica que ensinam como identificar a tendência e técnicas operacionais de timing. Difícil, aqui no Brasil, é ter acesso a material de qualidade sobre como gerir o capital destinado  à renda variável.

O ponto crucial da gestão patrimonial é permitir que o trader , através de uma expectativa positiva criada por instrumentos técnicos, sobreviva no mercado por um longo período.

Pensando na audiência rotativa do blog e com a expectativa de ter conseguido despertar o interesse pelo assunto, gostaria de deixar abaixo, alguns links de artigos já escritos por mim sobre a importância do manejo do capital:

Boa leitura !

.

O trader e o jogador de pôquer. E também o surfista

Publicado em 29.05.2009 por CHRinvestor na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

.

poker2

O retorno recebido por conta do artigo “A arte da paciência” foi tão grande que eu resolvi abordar mais uma vez o tema. Percebi que os aspectos mentais da atividade de um trader são a principal preocupação da maioria dos traders que buscam o sucesso.

A forma como os traders profissionais encaram o mercado é igual a dos jogadores profissionais de pôquer. Dá pra fazer uma analogia.

Quem joga pôquer só pra se divertir, mas tem a curiosidade de acompanhar os campeonatos pela TV ou ler em sites especializados dicas pra melhorar seu jogo, sabe que ter sorte é o menos importante numa mesa. O que vale são estudo das probabilidades, método e disciplina. Muita disciplina.

No filme Cartas na Mesa, um clássico sobre pôquer, o protagonista, jogador profissional, diz, num certo momento, que ele pode, sim, perder algumas rodadas pros amadores, mas no fim da noite terá levado pra casa o maior prêmio. A sorte irá garantir algumas mãos vencedoras aos demais, mas serão eles capazes de administrar o capital acumulado com essa boa maré? Ou será que terão paciência pra esperar cartas que aumentem suas possibilidades de sucesso? Ficar rodada após rodada só assistindo aos outros ganharem e ele de fora? Acho bem improvável…

Parece com operar na Bolsa? Sim, é bem parecido com operar profissionalmente, sendo que no pôquer ainda se pode blefar, o que os profissionais fazem muito pouco, e no mercado, não. E operar profissionalmente não significa apenas viver disso, extrair seu sustento da atividade. Significa encarar de uma forma séria. Ter plano de entrada e de saída. Usar seu manejo de risco, gerenciar seu capital e saber admitir perdas. Estou falando de pôquer profissional ou de traders profissionais? Dos dois…

Tanto na Bolsa como no pôquer temos dinheiro, pressão, sentimentos como ganância e medo. Experimentem jogar com amigos sem valer dinheiro. Depois joguem a dinheiro, mas um cacife (valor inicial pra entrar) baixo. Algo em torno de R$ 10. Faz diferença. Agora experimentem jogar com um cacife em torno de R$ 100. O volume de dinheiro envolvido muda tudo.

O mesmo vale pra trades no papel, trades com o chamado dinheiro da cachaça e trades com dinheiro de verdade, o bastante pra fazer diferença em sua conta no fim do mês ou do ano. Aqueles que te fazem suar frio, te impedem de sair da frente do micro e te fazem vibrar ou lamentar como num jogo de futebol. Por isso é tão difícil viver exclusivamente disso. Difícil, mas perfeitamente possível. Desde que se faça o certo. O resultado consistente só vem com a prática do “fazer o certo”. Os lucros virão a reboque, acredite nisso.

Façam uma experiência. Joguem pôquer e só entrem nas rodadas com cartas boas. Abandonem as rodadas em que saírem com cartas ruins, mesmo que vocês já tenham colocado algum dinheiro no jogo. Joguem só as boas mãos. Quando saírem daquela rodada que lhes parecia desfavorável, memorizem suas cartas e acompanhem o desenrolar entre os demais que ficaram. Contabilizem quantas rodadas vocês iriam ganhar e quantas iriam perder se tivessem ido até o fim. Teriam ganho pouquíssimas mãos e perdido a maioria, com certeza.

Mudando de canal, o trader profissional é como um surfista profissional. Ele está num campeonato, atrás na contagem e faltando poucos minutos pra acabar a bateria. Só a onda certa o salva. Às vezes ela vem, às vezes, não. Mesmo quando ela não vem e ele perde a bateria, sai com a certeza de ter feito o certo, de ter esperado o momento ideal, mesmo que não tenha vindo.

Esse comportamento vai torná-lo vencedor. Sorte a longo prazo não tem importância, o que manda mesmo é a repetição da prática correta.

Os melhores, traders, jogadores ou surfistas, não são bons apenas tecnicamente, mas também contam com uma incrível capacidade de concentração, sangue-frio e disciplina. Mesmo que sejam vibrantes, extrovertidos, por dentro estão concentrados.

Nos campeonatos são sempre os mesmos que chegam às finais. Será coincidência? Aposto que não…

.

Mercado eficiente

Publicado em 26.05.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

.

wall Uma das teorias mais discutidas em finanças é a de que o mercado é eficiente. Conceitualmente, um mercado é eficiente quando nos preços dos ativos todas as informações estão refletidas. Já abordei “an passant” este assunto outras vezes aqui no blog (Fundo ativo ou passivo?), mas depois da crise finaceira mundial vivenciada recentemente, acho oportuno voltar ao tema.

Do ponto de vista prático, a grande discussão é se é possível superar o mercado. Basicamente, a questão que se coloca é se a gestão ativa de investimentos propicia um retorno superior à gestão passiva. Quanto maior o grau de eficiência do mercado menor seria a possibilidade de obtenção de uma taxa acima do benchmark.

Teoricamente, a tendência é que os mercados sejam cada vez mais eficientes, quer pela maior disseminação de informações, quer seja pela existência de regras mais claras e transparentes nas operações. Cabe também destacar que mercados mais desenvolvidos tendem a ser mais eficientes. Assim como os preços dos ativos mais líquidos tendem a refetir melhor as informações.

Um ponto interessante a ser comentado é que a idéia de eficiência de mercado não implica que os preços devam ser estáticos. Pelo contrário, ela determina que as mudanças nos preços dos ativos sejam aleatórias e devem refletir imediatamente a incorporação de novas informações nos preços. Assim, o que está por trás desse conceito é justamente a idéia de racionalidade, pois num modelo de racionalidade os preços dos ativos só mudariam em virtude de novas informações.

Não foi o que aconteceu no final do ano passado. Os investidores foram movidos pelo efeito manada (pânico) e deixaram  de lado o verdadeiro valor de cada empresa. A crise do subprime derrubou a idéia de que os mercados são perfeitos ou profundamente racionais. Agora, com a retomada dos preços e a volatilidade dos mercados voltando ao normal, as ações podem voltar a refletir melhor os fundamentos, porém ficou evidente que uma ferramenta capaz de interpretar a psicologia de massa é muito necessária na tomada de decisão.

Neste ponto, cabe uma reflexão por parte do leitor. Se você for adepto da eficiência de mercado, sua carteira poderia ser diversificada aleatoriamente, ou seja, você poderia ficar posicionado passivamente num índice amplo, como o PIBB11 (que reflete o IBX50) ou nos novos fundos ETF’s da Bovespa (BOVA11, MILA11, SMALL11 – veja artigo). Se, por outro lado, você acreditar que é possível bater o mercado, a sua estratégia seria ativa. Importante salientar que o fator tempo é importante nessa discussão, pois é relativamente fácil bater o mercado no curto prazo, mas vai ficando cada vez mais difícil quando os prazos vão se dilatando.

Existem gestores com um histórico de superação do benchmark de forma relativamente consistente. A questão básica parece ser não se o mercado é ou não eficiente, mas qual é o grau de eficiência do mercado. Assim, pode-se estabelecer uma política de investimentos que irá determinar até onde vale a pena garimpar na busca de retornos acima da média.

.

Setup gráfico 1234’s

Publicado em 21.05.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Destaques, Estratégias

.

Essa estratégia gráfica foi desenvolvida pelo famoso trader americano Larry Connors e publicada no livro de Jeff Cooper, “Hit and Run Trading”.

A intenção é identificar o momento certo para abrir uma posição quando um papel se encontra em uma forte tendência, as chamadas “runaway stocks”. Muitas vezes nos deparamos com um ativo que apresenta uma excelente configuração gráfica, mas devido ao forte movimento em curso, não conseguimos eftuar a operação.

A estratégia 1234’s de Connors, tem exatamente este intuito. Connors, percebeu que é bastante comum os papeis que entram em um trend realizarem uma pausa de três dias antes de retomarem a “corrida”. Identificando os ativos que se encontram nesta pequena correção é possível elaborar uma estratégia para que possamos subir a bordo e continuar surfando a tendência.

Vamos detalhar a estratégia considerando uma operação de compra:

1- Identificar um papel que esteja em uma tendência de alta clara. Considerar uma tendência de alta quando o indicador ADX (14) estiver acima de 30(*). Quanto maior o valor do ADX, melhor.

2- O +DI (14) precisa ser superior ao –DI(14).

3- Esperar que o ativo realize uma correção do tipo 1-2-3, ou seja que os preços façam três mínimos consecutivos decrescentes ou uma combinação qualquer que tenha dois mínimos decrescentes e uma inside bar. (vejam os exemplos)

4- Apenas no quarto dia, realizar a compra no rompimento da máxima do terceiro dia. O stop inicial deve ser colocado abaixo da mínima do setup.

5- Assim que o trade caminhar a nosso favor, acompanhar a movimentação através de um indicador de trailing stop (Hilo Activato, SAR, etc…)

(*) – Para o mercado brasileiro, pela minha experiência, sugiro usar o patamar dos 20 no ADX(14).

A mesma metodologia pode ser aplicada para uma operação na venda.

Vejamos alguns exemplos:

BBDC4-1234

VALE5-1234

BBDC4

Setup 1234`s em uma tendência de alta

VALE5

Setup 1234`s em uma tendência de baixa

USIM5-1234

USIM5

Dois setups 1234`s em uma tendência de alta.
Um deles, com uma inside bar.

Importante: O uso do money management em operações deste tipo, meramente especulativas, é fundamental. Utilize algum algoritmo de manejo do capital evitando correr grandes riscos financeiros para a carteira.

.

“Too big to fail”

Publicado em 19.05.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Destaques, Estratégias, Informações, Opinião

.

Pensando no artigo escrito pelo colaborador Rafael Valim e publicado ontem aqui no blog, sobre a queda da gigante GM, me ocorreu de escrever sobre o velho e surrado mito de que investimento seguro é investir nas grandes empresas.

Vocês ainda lembram da Kodak e da Xerox? Nos anos 70/80 quando se falava em fotografia e aparelhos de fotocópia, estas empresas eram a referência, ícones de sucesso. Hoje em dia, praticamente morreram na praia. A confiança na sustentabilidade eterna daquelas gigantes simplesmente se mostrou infundada.

As crises costumam ser responsáveis pelo óbito de muitas gigantes . Não poderia ser diferente na crise atual. Gigantes como a Fannie Mae, Freddie Mac, AIG e Citigroup assinaram seu atestado de óbito. Quem poderia pensar há poucos anos que as ações do conglomerado financeiro Citigroup chegassem a valer aproximadamente um mísero dólar (veja gráfico)? Até mesmo a General Electric, vista como grande exemplo de sucesso duradouro, viu suas ações desabarem vertiginosamente (gráfico). Atualmente, elas não chegam a valer um décimo do que já valeram poucos anos atrás.

citigroup

ge

Citigroup

General Eletric

Muitas vezes, nem mesmo o estigma, comumente utilizado pelos analistas americanos, de serem “too big to fail” ajuda estes grandes conglomerados a se salvar.

Neste ponto, a idéia de uma carteira de acumulação, que muitas vezes eu já defendi aqui no blog como uma boa opção para o longo prazo, precisa utilizar critérios de seleção rígidos e não apenas apostar nas chamadas blue chips do momento.

Não existe apenas uma estratégia de sucesso nos mercados financeiros. Existem especuladores com curto horizonte de tempo que ganham muito dinheiro, assim como investidores que focam no longo prazo e conseguem excelentes retornos também. Mas é preciso ter em mente que a estratégia de simplesmente apostar nas grandes empresas vencedoras de hoje e fechar os olhos, contando que seu sucesso será permanente, pode ser uma decisão muito arriscada.

.

O famoso “Breakout”

Publicado em 05.05.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Destaques, Estratégias, Money Management

.

break3O “breakout”, ou rompimento, representa um dos sinais mais importantes na análise gráfica. Podemos definir o “breakout” como uma saída repentina dos preços em uma fase lateral de congestão que pode ser bem identificada através de suportes e resistências. Apesar de ser utilizada por muitos traders e ser de fácil compreensão, está configuração gráfica apresenta algumas dificuldades ao ser implementada.

Identificar uma fase de congestão, onde os preços ficam cercados por uma linha de suporte e outra de resistência, nem sempre é uma tarefa fácil como pode parecer. Alguns traders utilizam os preços de fechamento e abertura, outros preferem os pontos de máxima e mínima, para traçarem as linhas de suporte e resistência. Além disso, é de certa forma difícil encontrar o ponto certo de rompimento da congestão.

Quanto mais a congestão é longa, maiores são as probabilidades que o rompimento ocorra de maneira explosiva. Normalmente, a longa fase lateral de indecisão provoca uma diminuição dos volumes e uma progressiva contração do range dos preços. Neste momento surge a eterna dúvida. Antecipar o rompimento ou esperar até o último momento. Normalmente a desilusão ocorre nos dois casos. Se antecipamos o movimento, o preço não ultrapassa a resistência (ou suporte) e retorna. Se esperamos, o “breakout” ocorre de maneira tão violenta que permanecemos inertes com a mão no mouse sem fazer nada.

break1

break2

Exemplo: “Breakout” cofirmado

Exemplo: Falso “breakout”

Os falsos "breakouts" são muito comuns e portanto inevitáveis. Todo trader, com certeza já sentiu o gosto amargo, de entrar no rompimento e em seguida o mercado reverter deixando a configuração de um vértice. Não acredito que exista uma técnica vencedora que lhe permita antecipar o movimento dos preços e garantir a validade de um "breakout". Se a intenção é especular no mercado, é preciso estar consciente de que existirão operações vencedoras e perdedoras. É importante que o trader, utilize um manejo de risco eficiente permitindo que ele possa ganhar mesmo que as operações negativas sejam em maior número do que as positivas.

Não podemos questionar de maneira subjetiva a validade de um “breakout”. Se temos um algoritmo de money management eficiente, devemos sempre entrar em todos os rompimentos. Algumas vezes, sairemos vencedores, em outras perdedores. Faz parte do jogo. Mas a expectativa no longo prazo deve ser de que os ganhos nas operações positivas superem as perdas nos trades negativos.

Por isso, como já escrevi várias vezes aqui no blog, não perca tempo apenas procurando o setup gráfico ideal. Concentre-se no manejo de risco. Este sim, será o responsável pelo sucesso nas operações do trader.

.

A volta do “Carry Trade”

Publicado em 28.04.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Destaques, Estratégias, Opinião

.

A crise financeira mundial ainda está longe de terminar, mas alguns indícios consistentes apontam que os mercados começam a voltar à normalidade.

Um bom exemplo, é o apetite dos investidores estangeiros em reativar as operações de “carry trade” nos mercados emergentes, e em especial no Brasil, que ainda é o detentor do título de país com maior taxa real de juros do mundo.

“Carry trade” são aquelas operações em que investidores tomam empréstimos em países com baixos juros, como Japão, Estados Unidos e zona do euro, para investir o dinheiro em economias com juros mais alto, caso do Brasil, Hungria, Africa do Sul, Nova Zelândia e Austrália. O risco do negócio é a oscilação da cotação entre as moedas dos países, que pode engolir o lucro. Por isso, umas das premissas é que a volatilidade cambial seja baixa.

No ano passado, os “especuladores” abandonaram a estratégia do “carry-trade” quando os BCs do mundo inteiro reduziram as taxas de juros para revitalizar o crescimento e num momento em que as oscilações cambiais aumentaram os riscos.

Apesar de no Brasil os juros apresentarem recentemente uma tendência de baixa,  a operação continua muito atrativa. Para se ter uma idéia, é possível tomar dólares pela taxa Libor, de 1,13% aa, e utilizar estes recursos para comprar reais e ganhar a taxa brasileira de três meses do interbancário, de 10,51%. Esta operação pode render, anualmente, 9,38%, pressupondo-se a estabilidade de ambas as moedas.

É interessante notar, que o a entrada de fluxo de capital estrangeiro no Brasil, teoricamente, valoriza o Real, tornando a operação de “carry trade” ainda mais atraente. Ou seja, estamos diante de um verdadeiro “processo de auto-alimentação”.

O arrefecimento da crise e a volta (parcial) da confiança do investidor, reacenderam o caminho da rota mundial de recursos através das operações de “carry trade” e beneficiando consequentemente a bolsa brasileira. Esperamos que o saldo positivo de recursos estrangeiros visto recentemente na Bovespa ainda persista por um bom tempo.

.


A bolsa de valores como termômetro

Publicado em 23.04.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

.

termometro Durante muitos anos, a performance das bolsas nas principais nações do mundo representava um indício de como a economia real iria se comportar no futuro. O mercado de capitais era visto como uma bola de cristal. A sabedoria de milhões de investidores antevia a direção das principais economias.

Mas nas últimas décadas, com o aumento das operações especulativas e com o surgimento de uma enormidade de produtos financeiros complexos, essa regra foi colocada em “xeque”. A bolha da internet nos anos 90 é um bom exemplo. O mercado sinalizou com uma forte valorização dos ativos “.com”, mas na economia real, essa realidade não se confirmou.

A volatilidade nos mercados aumentou consideralmente. O VIX, que acompanhamos semanalmente nas análises em vídeo, confirma isso.

Mas, em meio ao pior declínio econômico em pelo menos uma geração, uma recuperação das bolsas (como a que está ocorrendo nas últimas semanas) pode ser um sinal especialmente bom.

As bolsas são mais do que simplesmente uma medida da expectativa do investidor. Elas são uma medida de confiança. Numa época em que a maior parte dos males da economia reside na crise de confiança, em que tanto os consumidores quanto os empresários estão tão inseguros quanto ao futuro que cortam ao máximo as despesas, a alta das ações recente é  um importante sinal de que a maré pode estar começando a virar. Mais que isso, bolsas em alta podem ser, por si só, um importante estimulante da confiança.

Estudos apresentados recentemente no The Wall Street Journal, comprovam que em quase todos os 11 declínios econômicos dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial, o Dow Jones atingiu seu ponto mais baixo da recessão e começou a subida seis meses antes do início da recuperação da economia. Geralmente, os investidores ficam ansiosos para comprar papéis antes da recuperação econômica porque, quando eles sobem depois de uma recessão, os ganhos são consideráveis.

A alta das últimas semanas nos mercados com certeza não é reflexo de indicadores econômicos mais consistentes. Os números continuam muito ruins. A recuperação do mercado de ações pode estar sendo liderada, simplesmente, pelo fim do medo dos investidores.

“Temos certeza, por exemplo, que a economia estará em frangalhos duranto todo 2009 – e, a propósito, provavelmente muito depois – mas essa conclusão não nos diz se as bolsas de valores subirão ou cairão.”
Warren Buffett

.

Fundos do tipo “V” , “U” ou “L”

Publicado em 16.04.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análises, Destaques, Estratégias, Informações, Opinião

.

Apesar de nas últimas semanas os mercados mostrarem uma boa recuperação, fica evidente olhando para os indicadores da economia mundial que a crise ainda está longe de terminar.

É interessante notar que na análise gráfica nós temos formações que procuram identificar a duração de um determinado evento.

DJI
DJI – Gráf. Semanal

Se pensarmos apenas nos EUA, inicialmente se esperava que a economia e o mercado americano tivessem um comportamento na forma da letra “V”, com uma desaceleração curta e rasa, de apenas alguns meses.  Com o passar do tempo, achou-se que o movimento seria mais semelhante à letra “U”, com uma desaceleração mais grave e com duração de 1 ou 2 anos. Mas agora, a previsão de que a recuperação só virá em 2010 ou mais á frente, torna mais provável que a economia tenha um comportamento na forma da letra “L”.

Uma formação do tipo “L”, representa em termos econômicos, que os EUA podem enfrentar uma forte e duradoura retração, semelhante à do Japão. Corroborando com esta expectativa, essa semana, indicadores apontam que os americanos estão enfrentando a primeira deflação em 12 meses, desde de 1955. É preciso evitar a deflação. Segundo economistas de peso, como Nouriel Roubini, “Leva-se 10 anos para sair de uma deflação”.

IBOV
Ibov – Gráf. Semanal

Por enquanto, o Brasil vem mostrando comprometimento e tomando medidas para evitar uma contaminação mais grave. A bolsa brasileira já subiu mais de 50% desde o fundo no final de Outubro do ano passado. Mas é importante observar, que graficamente, estamos ainda nos aproximando da primeira retração de Fibonacci (38,2%). Ou seja, mesmo na bolsa paulista não podemos ainda descartar a configuração de um fundo do tipo “L”. Apesar do recente otimismo, é importante que façamos uma análise prospectiva da crise como um todo e não apenas dos últimos dois meses de tendência de alta no intraday.

.

As reservas internacionais do Brasil

Publicado em 09.04.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

.

A bolsa brasileira apresenta em 2009 uma das melhores performances do mundo.

Não quero entrar no mérito da polêmica tese sobre o descolamento. A minha intenção neste artigo, é mostrar algo que parece evidente: o Brasil, nos últimos anos, se comparado a outros países emergentes, assumiu um papel de destaque diante dos grandes investidores estrangeiros.

Os motivos para esta mudança de paradigma são inúmeros, mas vou me ater a questão do aumento considerável das reservas brasileiras.

Reservas internacionais
Reservas Internacionais

Até o final de Março as reservas internacionais do Brasil somavam R$190 Bilhões. Em Janeiro de 2007 eram apenas R$91 Bilhões (veja gráfico).

Estas reservas são muito importantes em momentos de crise, permitindo que o país forneça líquidez para o mercado de câmbio, evitando assim uma disparada da moeda americana. A partir de Setembro do ano passado, o Banco Central ampliou as intervenções. Desde então, o BC passou a divulgar as reservas internacionais em dois conceitos. Um deles é o conceito de caixa, que inclui os dólares prontamente disponíveis para intervir no câmbio. O outro conceito é o de liquidez internacional, que inclui aplicações que podem ser recuperadas em prazos mais longos.

O BC faz dois tipos de intervenção que não representam a venda definitiva de reservas. Numa, vende dólares com o compromisso de recompra. Noutra, empresta dólares aos bancos, que usam os recursos para financiar exportações.

Treasuries 10 anos
Treasuries 10 anos

Interesante notar como as reservas, desde o início da crise se mantiveram praticamente inalteradas. Apesar das pesadas vendas de dólar feitas pelo BC no mercado à vista (conceito de caixa), as reservas (conceito de liquidez internacional) registraram ganhos expressivos com a valorização das aplicações em títulos do Tesouro americano. Os juros dos papéis com prazo de dez anos (treasuries 10Y), por exemplo, caíram de 5,02% ao ano no fim de julho de 2007 para 2,92% ontem. A queda dos juros significa, para a autoridade monetária, a alta dos preços dos papéis, com efeitos positivos sobre o volume de reservas.

Por conseguinte, assim que a crise passar, a tendência é que os juros americanos voltem a subir, derrubando o preço dos papéis. Aliás, é o que parece estar já ocorrendo (veja gráfico).

Resumindo, a monitoração das reservas internacionais do Brasil é muito importante. Até o momento a estratégia entre os dois conceitos vem sendo bem utilizada. Porém, caso o Banco Central aumente os volumes de reservas dirigidos ao financiamento de exportadores e de empresas, os investidores estrangeiros passarão a questionar a solidez externa do país. Vale a pena, ficar de olho !

.

Página 3 de 812345678