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Olhando o passado

Publicado em 02.02.2010 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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Muitos investidores tem se perguntado nas últimas semanas se a atual correção dos preços nos mercados é apenas um ajuste temporário ou se de fato estamos diante de uma nova onda de baixas. Difícil prever o futuro, mas algumas observações podem ser feitas.

Primeiramente,devemos fazer uma distinção entre o pânico e os “bear markets” (mercados com tendência de baixa). A diferença entre pânico e bear market não é o estrago causado nos preços, mas a duração e o impacto na psicologia dos agentes de mercado. Nos mercados financeiros, costuma-se dizer que pânicos devem ser usados como boas oportunidades de compra, enquanto “bear markets”  devem ser vendidos tão logo são identificados. Sem dúvida, o difícil neste caso, é identificar corretamente ambos.

O passado nunca é um guia perfeito para o futuro, que é sempre incerto. Mas ignorar totalmente as lições do passado pode ser um erro fatal para o investidor. Pensando desta forma, resolvi estudar dois exemplos de “bear markets” para saber o que ocorreu durante estas épocas difíceis.

O primeiro exemplo, é o período entre 1997 e 1999 quando o Ibovespa se desvalorizou mais de 70 %. Mas, naquele período, ocorreram pelo menos quatro recuperações fortes.

IBOV

IBOV (1997-1999)

O segundo exemplo, é o período entre 2000 e 2002, quando a bolha da internet estourou e a Nasdaq caiu aproximadamente 80%. No entanto, também ocorreram quatro fases de recuperação no período.

nasdaq

Nasdaq (2000-2002)

Acredito que estes exemplos nos mostram que existe muita volatilidade em “bear markets” e que uma entrada prematura para investidores afoitos pode ser o caminho mais rápido para a desgraça.

Uma verdadeira tendência de baixa pode demandar muitos meses de ajustes “dolorosos”. Durante esta fase de limpeza dos excessos da bonança, ocorrem recuperações nos mercados que podem iludir os mais otimistas. Saber quando se está diante de um “bear market” rali, ou quando uma nova fase de otimismo sustentável começou, faz toda a diferença no resultado. Acertar com exatidão as viradas dos mercados é praticamente impossível. Mas muitos investidores acabam enganados pelas falsas viradas, fases de acelerada recuperação dos ativos durante um cenário ainda desfavorável.

Em resumo, quando entramos em uma grande e duradoura correção dos preços, várias fases de recuperação e expressivas altas podem coexistir. Sem dúvida, estas oscilações representam uma grande oportunidade para os traders rápidos que não se apegam aos ativos. Mas, por outro lado, representam também um grande perigo para o investidor de longo prazo que passa a acreditar que o pior já passou e que está diante de uma importante virada sustentável, enquanto está apenas verificando uma recuperação dentro de um mercado ainda negativo.

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A visão de longo prazo

Publicado em 26.01.2010 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques, Estratégias

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image Antes de mais nada, me permitam fazer um alerta… Este artigo é voltado para o investidor de longo prazo, que não pensa em se desfazer da carteira nos próximos cinco anos.

É muito interessante observar o comportamento antagônico de muitos investidores durante o ápice da crise do subprime no final de 2008 e agora, apenas  1 ano  e alguns meses depois. No final de 2008 e início de 2009, tive a oportunidade de conversar com investidores que estavam totalmente desiludidos com a bolsa de valores e entregaram para os céus suas carteiras de ações devido à desvalorização. Comentei na época, que fazer isso tem um custo de oportunidade e que ele precisava manter um distanciamento emocional deste contexto e mudar o foco para o lado racional da situação, isto é, para as oportunidades.

Recentemente, encontrei um destes investidores novamente. E sem dúvida, era nítida a sua felicidade de ter permanecido na bolsa (mesmo sem ter decidido isso racionalmente) e recuperado boa parte das perdas da carteira.

Mas e agora, que parece que o mercado novamente vai passar por um momento de correção, como será o comportamento deste mesmo investidor? Terá aprendido com a experiência recente?

Quando mencionamos a estratégia de investimento de longo prazo somos obrigados a citar Benjamim Graham, sem dúvida o mentor do chamado investimento em valor. Graham diz: ”Aquele investidor que se permite ficar preocupado ou até mesmo apavorado com as quedas de seus papéis na bolsa estará transformando sua maior vantagem em sua maior desvantagem. Para este homem seria melhor que não houvesse qualquer cotação na bolsa, para que ele não se deixasse contaminar pela angústia mental causada pelo erro de avaliação de outras pessoas.”

Portanto na próxima correção do mercado, o investidor de longo prazo deve procurar oportunidades. Alguns tópicos são importantes e devem ser observados na empresa que você escolher para compor a carteira:

- Caixa forte (empresa sem dívidas);

- Sendo negociada com múltiplos atrativos. Ações baratas, negociadas abaixo do seu valor de reposição, isto é, o mercado está atribuindo erroneamente que não existe nenhuma perspectiva futura;

- Negócio atrativo (possui vantagens competitivas);

- Gestão da empresa razoavelmente competente e alinhada aos interesses dos acionistas.

Com este pequeno filtro as chances de se escolher uma empresa vencedora são muito maiores. Lembre-se que o investidor de longo prazo não tem pressa e portanto não se preocupa com o timming correto. Para ele, acompanhar o consenso do mercado significa pagar um preço muito alto e portanto fazer preço médio se as ações caírem mais é algo corriqueiro e que pode trazer bons frutos no futuro.

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Indicador de risco

Publicado em 13.01.2010 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias

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risco

Cada vez mais me convenço que além de ter um eficiente setup de trading, o trader precisa conhecer as condições de risco do mercado. Nestas férias tive a oportunidade de ler a obra de um trader italiano chamado Luca Bagato que apresenta um indicador interessante sobre como captar o humor do mercado mundial. Em seu livro “Gli indicatori anticipatori di Macromarkets”, Bagato descreve o Macromarkets Equity Risk utilizando índices acionários e medidas de volatilidade como o VIX e o VDAX (o equivalente do VIX para o mercado alemão).

Confesso que estou apenas começando a estudar este indicador  e portanto não posso fazer uma avaliação mais minuciosa, mas baseado nas experiências relatadas pelo autor e descritas no livro, estou fortemente inclinado a usá-lo nas minhas análises.

Mas chega de conversa fiada e vamos direto ao conceito do Macromarkets Equity Risk.

O indicador utiliza três fórmulas como parâmetro e dá um peso para cada uma delas.

Primeira fórmula:

Calcular a distância em pontos entre a cotação do Dow Jones e a sua média de 200 dias.

Se o cálculo for >0, ou seja o DJI está acima da MM200, pegar 20% do valor de fechamento do índice . Por exemplo: ontem o DJI fechou nos 10627 pontos e a MM200 nos 9277, portanto temos (10627*0,20)= 2125,40

Se o cálculo for <0, ou seja o DJI está abaixo da MM200, pegamos 20% do valor de fechamento do índice menos a diferença deste valor para a pontuação da média 200 períodos. Por exemplo, no dia 06/03/09, o DJI fechou 6627 pontos e a MM200 nos 9887, uma diferença de 3260 pontos, portanto teríamos (6627-3260)*0,20=673,40

Segunda fórmula:

40% do quociente entre a cotação do S&P500 e o VIX (índice de volatilidade). Por exemplo: ontem o S&P500 fechou nos 1136 pontos e o VIX nos 16,96, portanto temos (1136/16,96)*0,40=26,79

Terceira fórmula:

40% do quociente entre a cotação do DAX (principal índice alemão) e o VDAX (índice de volatilidade do DAX). Por exemplo: ontem o DAX fechou nos 5943 pontos e o VDAX nos 20,33, portanto temos (5943/20,33)*0,40=116,93

Depois do cálculo das três formulas, somamos os resultados e temos o indicador Macromarkets Equity Risk. Neste caso, o valor do indicador ontem foi de 2269,12.

Segundo o autor, valores acima de 2000 pontos representam um mercado com volatilidade reduzida e portanto propício para operações long (comprado). Abaixo deste patamar, o trader deve observar oportunidades para operar vendido. Além disso, Bagato traça resistências e suportes no indicador que também servem como parâmetro operacional.

O interessante deste indicador é o fato de ele  agrupar o comportamento gráfico dos principais índices mundiais juntamente com os índices de volatilidade. Através dele, segundo Bagato, podemos conhecer o momentum do risk equity, fundamental para avaliarmos a hora certa de abrir uma posição no mercado. O autor ainda resalta que o indicador funciona melhor na escala semanal já que capta menos os ruídos da periodicidade diária.

Como já frisei testei pouco esta abordagem, mas resolvi mesmo assim compartilhá-la com vocês. Portanto, comentem e critiquem o que acharam do indicador de Luca Bagato. Pode ser de alguma ajuda para as nossas operações aqui no mercado brasileiro?

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O perigo do IOF

Publicado em 20.10.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Informações, Opinião

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image A resolução: A partir de hoje todo investimento estrangeiro direcionado a aplicações em bolsas e títulos públicos será taxado em 2% de IOF. A medida não afeta os investimentos externos diretos (IED).

A intenção: Segundo o governo há um excesso de aplicações de estrangeiros na bolsa e a medida visa evitar a formação de uma bolha especulativa no mercado brasileiro. Segundo o ministro da Fazenda Guido Mantega, cerca de US$ 20 bilhões entraram no país para investimentos em ações no ano, entre janeiro e o começo deste mês. Além da bolha, com a nova taxação, a intenção dos senhores de Brasília é reduzir a valorização do real que atrapalha as exportações, tornando os produtos brasileiros menos competitivos.

Em um primeiro momento, julgo a medida como positiva. O capital estrangeiro que hoje em dia aporta no país visando aproveitar as oscilações de curto prazo da bolsa sentirá o peso dos 2% do novo tributo. Agora para aqueles que permanecerem por 12 meses ou mais, o IOF vai ser diluído no tempo e portanto não deixarão de investir.

Pensando mais a fundo sobre a questão, percebo que a medida pode afetar drasticamente a nossa bolsa. Os investimentos estrangeiros que ingressam no Brasil para a aquisição de ações e debêntures, apesar de inicialmente parecerem investimentos especulativos, têm um papel fundamental para a evolução do nosso mercado de capitais e para a competitividade das empresas brasileiras. Estes investimentos dão liquidez às ações e às debêntures, atraindo mais investidores para as bolsas e, portanto, fazendo com que a emissão de dívidas por parte das empresas se torne uma opção viável para a captação de recursos. Em um país com um custo bancário tão elevado, estas fontes adicionais de financiamento adquirem um papel relevante para a competitividade das empresas. Sem elas, muitas de nossas empresas não teriam conseguido realizar os investimentos relevantes que se materializaram nos últimos anos. A possível fuga do capital estrangeiro com a nova taxação e a consequente queda no valor das ações das empresas podem gerar um custo pesado para a economia como um todo.

É importante acompanhar como será o fluxo de capital estrangeiro nas próximas semanas. Vale lembrar que existem muitas empresas brasileiras listadas em Nova York, através das ADRs (American Depositary Receipts), o que pode atrair os recursos sem a incidência do novo imposto.

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O PIB e as recessões

Publicado em 01.10.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques, Estratégias

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É inevitável. Por mais que você não queira, conhecer os fundamentos macroeconômicos é fundamental se quiser investir no mercado de renda variável.

A economia de qualquer país do mundo passa por fases de expansão e contração. E normalmente o banco central é o órgão responsável por tentar administrar estes períodos da melhor forma possível. Nos EUA, por exemplo, o Fed definiu como seu principal objetivo o “price stability e low unemployment”,ou seja o controle da inflação e da taxa de desemprego. Quando esta meta não é alcançada e quando o PIB atinge dois trimestres consecutivos (segundo a teoria econômica) de contração a economia entra em uma fase de recessão.

Desde 1929, os EUA tiveram 13 recessões e que duraram em média 13 meses.

Aliás pensando em números, alguns analistas americanos gostam de mencionar a regra do 15,13,53; 15 são os meses de o início de uma recessão, depois que um determinado evento chave ocorreu; 13 são os meses de duração média de uma recessão e 53 são os meses de duração média do período de expansão sucessivo.

Se pensarmos que a crise do subprime, se iniciou com a falência dos hedge funds do Bear Stearns que operavam no setor imobiliário em agosto de 2007 e teve o seu ápice em novembro de 2008, com o aumento da volatilidade nos mercados, a queda das bolsas mundiais, a forte procura dos títulos públicos americanos e com a falta de crédito, chegamos exatamente nos 15 meses.

O gráfico abaixo do Federal Reserve de St. Louis, apresenta os períodos recessivos (em cinza) da economia americana e a variação do PIB nestes períodos.

fedstlouis

Interessante notar como a quantidade de picos (tanto para cima como para baixo) do PIB nos últimos 20-30 anos diminuíram consideravelmente. Mostrando, possivelmente, um maior controle e entedimento do Estado nas diretrizes econômicas.

O fundo formado atualmente deixa a expectativa de que fato estamos presenciando um período de recuperação. Seguindo a regra mencionada acima, até o final do ano o PIB americano deve voltar a ficar no azul e então entraríamos na fase de expansão que deveria durar até 2012. Quem viver, verá !

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A incerteza do mercado

Publicado em 29.09.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Destaques, Estratégias, Opinião

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incerteza Manter um blog (e um twitter) sobre o mercado financeiro não é uma tarefa fácil. Muitas vezes me vejo tentado a fazer previsões simplistas sobre o andamento de determinado papel ou índice e não percebo que apesar do fundamento técnico ou fundamentalista, o mercado (principalmente no curto prazo) é regido pela incerteza.

Foi o que disse, o filósofo austríaco Karl Popper: “O futuro está em aberto; não é predeterminado e, deste modo, não pode ser previsto, a não ser por acidente”.

Esta é uma característica inerente a todo ser  humano. Precisamos criar modelos e fazer previsões para que possamos nos sentir mais seguros quando tomamos uma decisão. Assim buscamos cada vez mais informação, tentando dar respaldo a nossa opinião.

No mercado este tipo de atitude é muito comum. Não é raro investidores e traders analisarem determinado ativo mas apenas realizar a operação depois que um amigo ou uma comunidade na internet indicou o mesmo papel. É como se uma possível perda em conjunto fosse mais confortante que a perda individual.

Essa fome por regras e modelos ocorre porque precisamos reduzir a dimensão das questões para que possam entrar em nossas cabeças. Quando lemos um artigo ou assistimos a uma entrevista de um guru falando sobre o andamento futuro do mercado, criamos um cenário  e procuramos reduzir o grau de imprevisibilidade. A idéia é tentar criar uma ordem dentro do caos e da complexidade da experiência humana.

Mas não percebemos que este mesmo paradigma pode ser o responsável por nos cegar quando algo inesperado ocorrer.

Um bom exemplo são os momentos extremos do mercado. Os topos e fundos importantes. Quando o humor do investidor atinge o pico do medo ou do otimismo.

Em uma fase de bonança muitos investidores abraçam tardiamente a tendência do mercado, e projetam uma contínua era de ouro. A ganância domina o medo e, quando o cenário é revertido, vários investidores são pegos em cheio na contramão.

O contrário também é verdadeiro. Após um período de pânico, onde o preço das ações despenca, muitos investidores jogam a toalha, abraçam o pessimismo e extrapolam o caos momentâneo. E justamente quando quase todos estão adotando esse tom catastrófico, as coisas começam a melhorar.

Em resumo,o que quero passar neste texto não é a idéia de que toda análise ou previsão do mercado é inútil. Apenas que elas devem ser usadas com prudência e não permitir que elas limitem o nosso campo de visão e o nosso senso crítico.

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O Fed e o FOMC

Publicado em 24.09.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Informações, Opinião

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federal

Retomando o assunto sobre indicadores econômicos, neste artigo vou abordar a reunião que ocorre a cada 40 dias (aproximadamente) nos EUA e que define a taxa básica de juros americana.

O Fed e o seu diretório, nesta reunião, definem os rumos da economia americana. A definição se haverá um aumento ou uma redução da taxa depende basicamente de dois fatores: como anda o desemprego no país e se existem pressões inflacionárias.

Juntamente com a nova taxa básica de juros, o FOMC (Federal Open Market Committee) apresenta um relatório com algumas considerações sobre as ações tomadas. Um exemplo deste relatório pode ser visto, neste endereço: http://www.federalreserve.gov/newsevents/press/monetary/20090923a.htm . Este foi o relatório da reunião de ontem que manteve a taxa básica de juros americana em 0%-0,5%.

No final do relatório são apresentados os membros do diretório que participaram da votação. O fato de haver ou não unanimidade na votação é um aspecto muito observado pelo mercado. No caso da reunião de ontem, todos os participantes concordaram com a manutenção da atual taxa de juros.

A atitude de combater energicamente a inflação é chamada nos EUA de “hawkish attitude”, enquanto a ação para atacar o risco do desemprego assume o nome de “dovish attitude”.

Normalmente o Fed sobe a taxa de referência para contrastar um aquecimento da economia, e se o aumento não é isolado, ou seja se ele ocorre sucessivamente, os analistas interpretam que o Banco Central americano entrou em uma tendência de alta, chamada de “tightening corridor”. Por outro lado, se o Fed corta a taxa de referência, a intenção é combater uma contração da economia (como vem ocorrendo desde o ano passado) e da mesma forma, se a redução não é isolada, o mercado considera que o Banco Central entrou em uma tendência de baixa, chamada  de “easing corridor”.

Usando como parâmetro a decisão do FOMC e o relatório divulgado, o mercado costuma utilizar uma tabela de acompanhamento, como à apresentada abaixo, para entender os movimentos do Fed.

fed

Acredito que com esta tabela fique mais fácil de interpretar os rumos da principal economia do mundo. Faça um teste… utilize o relatório de ontem do Fed e me diga em que estágio estamos no momento? Sem dúvida, uma simulação muito interessante.

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Para facilitar os que não dominam o inglês, abaixo trago uma tradução do relatório realizado pela Agência Estado.

“A informação recebida desde que o Comitê Federal de Mercado Aberto se reuniu em agosto sugere que a atividade econômica acelerou após seu severo declínio. As condições nos mercados financeiros melhoraram mais e a atividade no setor de moradia aumentou. Os gastos das famílias parecem estar se estabilizando, mas permanecem limitadas pela perda em andamento do emprego, lento crescimento da renda, menor valor das residências e crédito apertado. As empresas ainda estão cortando investimento fixo e pessoal, embora em um ritmo mais lento; eles continuam a fazer progressos em trazer os estoques a um melhor alinhamento com as vendas. Embora a atividade econômica provavelmente vá se manter fraca por algum tempo, o Comitê antecipa que as ações de política para estabilizar os mercados financeiros e as instituições, estímulos fiscal e monetário e forças do mercado vão dar suporte a um fortalecimento do crescimento econômico e um gradual retorno a níveis mais altos de utilização dos recursos em um contexto de estabilidade de preço.
Como a substancial folga de recursos provavelmente vai continuar a esfriar a pressão de custos e com as expectativas de inflação no longo prazo estáveis, o Comitê espera que a inflação vá permanecer contida por algum tempo.
Nessas circunstâncias, o Federal Reserve continuará a empregar uma ampla variedade de instrumentos para promover a recuperação econômica e para preservar a estabilidade de preço. O Comitê vai manter a meta da faixa dos Fed Funds em zero a 0,15% e continuará a antecipar que as condições econômicas provavelmente vão garantir níveis excepcionalmente baixos das taxas dos Fed Funds por um período prolongado. Para proporcionar suporte ao empréstimo hipotecário e aos mercados de moradia e para melhorar as condições gerais nos mercados de crédito privado, o Federal Reserve vai comprar um total de US$ 1,25 trilhão de ativos lastreados em hipotecas de agências e até US$ 200 bilhões de dívida de agências. O Comitê vai gradualmente desacelerar o ritmo dessas compras com objetivo de promover uma suave transição nos mercados e antecipa que elas serão executadas até o final do primeiro trimestre de 2010.
Como anteriormente anunciado, as compras de US$ 300 bilhões de Treasuries pelo Federal Reserve serão completadas até o final de outubro de 2009. O Comitê vai continuar a avaliar o momento e volumes gerais de suas compras de ativos à luz do desenvolvimento da perspectiva econômica e das condições nos mercados financeiros. O Federal Reserve está monitorando o tamanho e composição de seu balanço patrimonial e fará ajustes nos seus programas de crédito e de liquidez conforme seja justificado.

A votação para a ação de política monetária no Fomc foi: Ben S. Bernanke, presidente; William C. Dudley, vice-presidente; Elizabeth A. Duke; Charles L.
Evans; Donald L. Kohn; Jeffrey M. Lacker; Dennis P. Lockhart; Daniel K. Tarullo; Kevin M. Warsh; e Janet L. Yellen.”

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Primeiro aniversário

Publicado em 15.09.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Destaques, Estratégias, Opinião

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bolo A exatamente 1 ano atrás a economia mundial parecia estar à beira da calamidade. No espaço de três dias, de 15 a 18 de setembro de 2008, o Lehman Brothers apresentou seu pedido de falência, o controle da mega-seguradora AIG foi assumido pelo governo dos EUA e o Merrill Lynch, ícone falido de Wall Street, foi absorvido pelo Bank of America numa transação intermediada e financiada pelo governo dos EUA. O pânico se instaurou e o crédito parou de circular. Companhias não conseguiam capital de giro, quanto mais recursos para investimentos de longo prazo. Uma depressão como aquela vista em 1929, parecia possível.

Hoje, a tempestade parece ter passado. Pelo menos, o temor de uma depressão foi descartado. Os principais bancos centrais do mundo impediram o colapso dos mercados financeiros fornecendo liquidez de curto prazo a outros bancos e a companhias industriais.

Os mercados reagiram de forma inusitada. No início se falava em uma recuperação na forma de “L”. Em seguida, se imaginou que seria possível o formato em “U”. Agora, alguns analistas já cogitam a idéia das principais bolsas do mundo apresentarem uma configuração do tipo em “V”.

Isso, tudo em “apenas” 365 dias.

Mas existe um custo para esta rápida reação. Os bancos centrais das maiores economias do mundo elevaram seus gastos visando compensar a queda no consumo das famílias e no investimento empresarial. Nos EUA, por exemplo, o pacote do governo superou US$ 1 trilhão aumentando consideravelmente o deficit orçamentário.

Não tem jeito… mas cedo ou mais tarde a conta precisará ser paga. Os problemas orçamentários nos EUA, obrigarão o governo, em um futuro próximo, a reduzir gastos ou elevar impostos. Além disso, a inflação deve voltar a dar as caras, obrigando o Fed a mexer na taxa básica de juros americana (hoje, praticamente zerada).

Portanto, neste primeiro aniversário do estopim da maior crise financeira do século XXI, acho que devemos ter uma comemoração contida. As decisões foram tomadas de maneira muito rápida e coordenada, acalmando as pressões recessivas. Porém novos desafios parecem estar próximos, e o mercado, como de costume, deve antecipar os fatos.

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Os extremos do mercado

Publicado em 01.09.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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extremos A aproximadamente 10 meses atrás o Ibovespa alcançava os 29435 pontos. Parecia o fim do mundo. A crise do subprime havia se transformado em uma crise financeira global. Todos os mercados, desenvolvidos ou em desenvolvimento, pareciam fadados à ruína.

O cenário era sombrio. As quedas acentuadas e sucessivas do Ibovespa geravam pânico em muitos investidores, que na sua maioria estavam acostumados com ganho, já que grande parte ingressou na bolsa a partir de 2003 e daí em diante só presenciou valorizações. Desde 2002 o investidor nunca havia visto o Ibovespa no território negativo no final do ano.

Naquela época escrevi um artigo, intitulado “O momento é agora”, onde reforçava a oportunidade que a queda do Ibovespa estava gerando para investidores de longo prazo. Recebi algumas críticas e perdi até alguns leitores insatisfeitos com o fato de eu sugerir investimentos em renda variável em um momento tão delicado da economia mundial.

Mas na minha cabeça a idéia estava clara. Os mercados vivem de ciclos. O investidor não pode se deixar contagiar. No final do ano passado, não havia  porque se desesperar, desde que não existisse a necessidade de utilização no curto prazo dos recursos aplicados em bolsa de valores.

No dia 28/10/08 escrevi outro artigo, intitulado “As crises do passado”, onde fazia uma retrospectiva dos “bear markets” dos últimos 15 anos no Ibovespa. Os gráficos deixavam claro que o mercado alternava ciclos altistas e baixista. O mais curioso é que, sem querer, o artigo foi publicado exatamente no dia que o Ibovespa encontrou o fundo da crise do subprime.

Seguindo o mesmo raciocínio, atualmente enxergo um certo exagero no movimento recente do Ibovespa. A alta de mais de 100% do IBOV dolarizado (veja gráfico abaixo) não encontra respaldo nos múltiplos das empresas e nos números macro-econômicos. Quando o mercado se comporta dessa maneira, temos como resultado o otimismo exagerado nos investidores, fazendo as pessoas subestimarem a possibilidade de quedas e a significância de eventos negativos. As finanças comportamentais chamam esse evento de limitações cognitivas. Ou seja, o investidor estima probabilidades a partir de amostras que não são verdadeiramente representativas da realidade objetiva.

Benjamim Graham, resumiu bem este comportamento cíclico dos mercado: “O mercado é um pêndulo que sempre oscila entre o otimismo insustentável e o pessimismo injustificável”.

IBOVdol

Ibov dolarizado

Nota: Importante frisar que as minhas operações especulativas de curto prazo (trading) nada tem haver com a minha visão de longo prazo do mercado. Faço uma clara distinção entre as duas abordagens.

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O trader-torcedor

Publicado em 13.08.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias

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torcedor Recentemente um cliente me relatou o seu dilema sobre a aplicação ou não de um stop nas operações de curto prazo (especulativas) que ele possuía e que ainda estavam abertas no mercado. Como de costume, manifestei minha opinião, enfatizando que ele não deveria mudar a estratégia definida antes de comprar o ativo. Se o stop já havia sido determinado, ele deveria ser respeitado.

Depois de já ter colocado os recursos “em jogo”, o trader não pode virar torcedor !

Este exemplo do meu cliente é um dos motivos que nos leva a questionar a racionalidade do investidor. Por que não avaliamos devidamente todos os fatos disponíveis antes de tomar decisões em relação ao nosso dinheiro? Por que nos resulta tão difícil realizar prejuízos? Por que permanecemos reféns de uma decisão errada?

Estas, são algumas questões, que estão norteando uma nova escola no campo das finanças: a das finanças comportamentais. Na seção Livros existem algumas indicações sobre o assunto.

Quando olhamos para um gráfico e ainda não enviamos a ordem para a corretora, nossa análise parece clara, precisa e quase infalível. Temos um excesso de confiança. Superestimamos nossa habilidade de prever eventos de mercado. Acreditamos que temos  um faro infalível, o famoso “feeling”, e que podemos antecipar o movimento dos preços.

Pois bem, realizamos a operação. Agora, o trade não caminha como gostaríamos. Precisamos encerrar a posição, porque os preços alcançaram nosso stop, mas nós não o fazemos. Acreditamos que nossa estratégia vai funcionar e que ocorreu apenas uma “pequena falha na curva”. Um grande prejuízo parece inevitável.

De fato, o ser humano é otimista em relação às suas crenças, sejam elas quais forem. Mas isto é particularmente perigoso quando falamos em investimentos, pois leva o indivíduo a superestimar sua habilidade como investidor e subestimar os riscos envolvidos. Pior ainda, uma vez tomada a decisão errada, ela é mantida por tempo demais.

Portanto, não insista. Reconhecer o erro é bem mais doloroso que perder dinheiro. A ferramenta “stop-loss” é um importante mecanismo de gerenciamento de risco que põe um freio no trader-torcedor em momentos de grande volatilidade.

As considerações acima mostram o quanto somos vulneráveis na hora de tomar decisões. Quando decidir especular no mercado, tente definir, da melhor maneira possível, qual é o seu grau de aversão ao risco, diversifique, defina seu ponto de “stop-loss” e respeite-o. Tomar uma decisão de investimento errada faz parte, todos já passamos por isso. Insistir nessa decisão achando que está certa e a grande armadilha.

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