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Os riscos na bolsa

Publicado em 13.11.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques, Estratégias

risco

Quando decidimos fazer um investimento, de qualquer espécie, estamos dispostos a assumir um determinado risco visando um retorno compensador.

Pensando nos investimentos em renda variável, podemos citar três tipos de riscos que o investidor deve estar atento para que os seus recursos alcancem os objetivos estipulados:

O primeiro é o risco financeiro. Ou seja, a chance do preço pago pelo ativo não compensar o que ele poderá proporcionar em termos de caixa futuro gerado. Em outras palavras, pagar por algo mais do que aquilo vale. A análise deste risco usualmente é feita através dos múltiplos e do valuation de uma empresa. Um bom exemplo de risco financeiro foram as IPOs realizadas aqui no Brasil nos últimos anos, quando se pagou um preço muito alto por empresas que não geravam caixa suficiente e não apresentavam perspectiva de crescimento que justificasse o investimento.

O segundo é o risco do mercado, chamado também de risco sistêmico.  Este tipo de risco avalia o peso que mudanças na economia e no humor do mercado possam ter sobre a precificação do ativo, independentemente dos seus fundamentos. Quando ocorre um risco sistêmico, pouco importa a solidez ou o segmento que a empresa atua. Acho que a crise americana atual pode representar um bom exemplo de crise sistêmica.

O terceiro é o risco de líquidez, que consiste na possibilidade de se desfazer do ativo objeto a qualquer momento. Se compararmos as diferenças entre os preços de compra e venda para ações de primeira linha com as de segunda e terceira linhas, temos um bom exemplo deste tipo de risco. Normalmente, o spread da falta de líquidez, obriga o investidor a pagar (ou receber) um prêmio a mais por não poder negociar a ação a qualquer momento.

Risco, por definição, é volatilidade potencial dos resultados. Para ambos os lados. E não somente para o lado negativo, de deterioração de preços. Portanto, nenhum investimento no mercado acionário deveria ser feito sem uma ponderação considerável sobre os três diferentes tipos de riscos citados acima.

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As oportunidades existem

Publicado em 11.11.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques, Estratégias

Na atual fase da crise, os noticiários financeiros parecem começar a ressaltar os preços baixos de muitos ativos.

Não resta dúvida, que muitas empresas sólidas sofreram “injustamente” com o pânico que se instaurou. Talvez o método mais conhecido para avaliarmos se uma empresa ou um mercado se encontra subavaliado seja usando o PL, ou seja a relação preço e lucro por ação.

Pensando desta forma, apresento abaixo, um gráfico com o PL médio mensal das principais bolsas do mundo.

tabela

grafico

Tabela
PL Mensal Bolsas

Gráfico
PL Mensal Bolsas

O estudo considera dados a  partir de Janeiro de 2004 e fica evidente a forte deterioração sofrida pelos mercados nos últimos meses.

Segundo o Citigroup, até a última semana de Outubro, as ações em todo o mundo estavam valendo, em média, 10,3 vezes o lucro das empresas nos 12 meses precedentes, uma relação preço-lucro menor que a dos anos 70, que foi de 11,4.

A queda tem sido pior nos mercados emergentes. Visando recompor posições nos EUA, investidores vendem a qualquer preço suas ações e derrubam as bolsas dos países que dependem do capital externo. No caso do Brasil, a boa liquidez, acaba sendo um fator a mais para a forte volatilidade.

Se pensarmos nos fundamentos, o principal motivo para tamanha depressão nos mercados é que os investidores prevêem um período de resultados ruins nas empresas. Num relatório semana passada, analistas do Citigroup afirmaram que em outras recessões mundiais, os lucros das empresas caíram em média entre 40% e 50%. Até o momento a crise americana já alcançou a metade deste patamar. Ou seja, números piores ainda estão por vir.

Vale a pena lembrar, que quando temos uma queda abrupta no preço das ações o dividend yeld passa a ser bem interessante. Na Europa, por exemplo, a estimativa de rendimento médio com dividendos é de 5,2%aa, enquanto a taxa básica de juros do Banco Central Europeu é de 3,25%aa.

Muitas empresas brasileiras também já apresentam uma rentabilidade com dividendos acima dos títulos públicos federais. Aliás, na semana passada postei um artigo  sobre a TLPP4, ressaltando este aspecto. Se considerarmos que o Brasil oferece a maior taxa de juros real do mundo, o investimento nestas companhias pode ser bastante atraente.

Nota: Agradeço ao amigo “Julius Clarence”, pelos dados relativos ao PL dos principais mercados.

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O fascínio do Daytrade

Publicado em 23.10.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

broker

É inegável que com a recente volatilidade os traders se sintam entusiasmados em fazer operações de daytrading. Afinal de contas quando vemos o índice futuro da bolsa de São Paulo variar mais 4000 pontos em apenas um dia, a mão começa a coçar e não queremos ficar de fora desta festa. Também queremos participar, nem que seja através de  míseros pontinhos no mini, desta oscilação toda.

Talvez por este motivo, entramos no mercado achando que fazer daytrade[bb] é fácil e que algumas noções de análise técnica são suficientes para obter sucesso. Na maioria das vezes, o daytrader inicia suas operações de maneira eufórica. Sem dúvida esse otimismo o ajuda a manter a confiança, a serenidade e a esperança ante as incertezas. Contudo, quando lidamos com investimentos, o otimismo exagerado pode ter efeitos perversos sobre o processo decisório quando alimenta expectativas irrealistas ou se leva o investidor a ignorar riscos relevantes.

Um bom exemplo deste aspecto, é o descuido do trader com os custos inerentes ao excesso de transações. Muitas vezes os investidores assumem riscos na busca por retornos acima de um benchmark e o custo da corretagem acaba corroendo os ganhos.

Estudos comprovam que os traders que tem um giro médio anual acima de 100% de suas carteiras obtém uma performance abaixo do benchmark (no caso, um índice do mercado local). É claro que existem casos de traders/scalpers de curtíssimo prazo que obtém sucesso no mercado. Mas me parece inquestionável que o retorno deles está muito mais atrelado a capacidade psicológica de respeitar um plano de trading que tenha uma expectativa positiva comprovada por backtesting, do que na própria estratégia em si.

De qualquer forma, a não ser que você trabalhe para uma corretora e receba um bom comissionamento por transações efetuadas, na maioria das vezes o excesso de iniciativa do trader tem um custo não desprezível para a carteira de aplicações.

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O perigo dos derivativos cambiais

Publicado em 15.10.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Informações, Opinião

dolar Os derivativos[bb] cambiais representam hoje o maior risco das empresas brasileiras. E infelizmente este risco não é restrito apenas as companhias exportadoras, que tradicionalmente utilizam essa ferramenta. Muitas empresas (não exportadoras) resolveram especular no câmbio visando aumentar seus lucros.

Nessa operação de alto risco, chamada “target forward”, a empresa aposta duas vezes que o real vai se valorizar. Fica vendida em dólar futuro duas vezes. Primeiro, vende o dólar para o banco no mercado futuro – uma tradicional venda de dólar a termo, com cotação prefixada. Essa transação pode não representar exposição a risco cambial se for casada com uma receita em dólar que a empresa tiver a receber.

Porém, na operação realizada pelas empresas, elas vendiam o dólar de novo para o banco no futuro, por meio de uma transação mais arriscada: a venda de uma opção de compra. Nela, o banco paga um valor à empresa para ter o direito de comprar o dólar a uma cotação pré-estabelecida no futuro. Os riscos foram assumidos porque as empresas não acreditavam que o dólar subiria tanto no curto prazo a ponto de ultrapassar a cotação alvo e porque conseguiam ganhos maiores do que no dólar a termo, embora estes tivessem um limite e as perdas, não.

Sadia, Aracruz e o Grupo Votorantim já anunciaram perdas com os derivativos cambiais. Mas no mercado[bb] comenta-se que muitas empresas estão com o mesmo problema. Elas preferem esperar uma volta na cotação do dólar ao invés de zerar as posições e lançar as perdas expressivas nos balanços.

Sem dúvida, uma decisão muito arriscada. Se o dólar disparar de novo, a única alternativa para estas companhias será a via judicial, ou seja, processando os bancos que venderam os ativos ( A Aracruz já seguiu este caminho).fluxo

Além disso é importante lembrar que as empresas brasileiras estão remando contra a maré. Apesar de nos últimos dias os estrangeiros (hedge funds) realizarem parte dos lucros, eles continuam fortemente comprados no dólar futuro da BMF (veja gráfico ao lado).

O mais impressionante é que a ajuda pode vir de onde ninguém esperava. O presidente Lula sinalizou com a intenção de ajudar através de empréstimos as empresas com problemas em operações de câmbio. Quem diria… nosso presidente tão crítico quando o assunto é a jogatina de Wall Street, dando uma mãozinha para os especuladores tupiniquins.

Ação barata ? Olhe para o PVPA

Publicado em 24.09.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Estratégias

calc Com a forte desvalorização das bolsas, é muito comum encontrarmos analistas afirmando que muitas ações se encontram “baratas”.

Mas como saber se de fato determinado ativo está abaixo do seu preço justo ?

Existem alguns múltiplos da escola fundamentalista que nos ajudam nesta tarefa. Recentemente publiquei um artigo sobre o PL. Se usado com bastante critério o PL pode ser um ótimo indicador.

Outro múltiplo muito usado é o PVPA, ou seja o preço da ação em relação ao valor patrimonial da empresa.

(mais…)

80-20’s

Publicado em 10.09.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Estratégias

 

Depois de algum tempo sem escrever sobre estratégias gráficas, retorno ao tema, trazendo uma metodologia desenvolvida pela dupla Lawrence Connors e Linda Bradford. Os mesmos autores das metodologias Turtle Soup e Turtle Soup Plus One, já abordadas aqui no blog.barra

80-20’s é uma estratégia utilizada para operações de day trading. Lawrence e Linda iniciaram a elaboração deste método usando como pano de fundo um estudo desenvolvido por Steve Moore na sua empresa, Moore Research Center.

Steve demonstrou que quando uma barra diária fechava no 10% mais alto ou mais baixo do seu range, existia uma probabilidade de 80-90% de prosseguir na mesma direção na manhã seguinte. Porém em 50%  das vezes, o fechamento era na direção contrária. Ou seja, isso significava que existia uma boa probabilidade  de ocorrer uma inversão durante o pregão.

A questão agora é como ususfruir destes números estatísticos. Aí que entra a criatividade da dupla Lawrence e Linda. Após inúmeros testes, eles adaptaram as conclusões de Moore e desenvolveram uma metodologia bastante original.

Veja o passo-a-passo desta estratégia abaixo :

1- Ontem o mercado abriu nos 20% (ou menor) superior do range e fechou nos 80% (ou maior) do range.

2- Hoje o mercado rompeu a mínima do dia anterior.

3- Colocamos uma ordem de compra ao romper a mínima de ontem e definimos o stop de proteção um pouco abaixo da mínima de hoje.

4- Se o trade caminhar a nosso favor, usar alguma estratégia de trailing stop (Parabolic ou Hilo, por exemplo) afim de garantir os lucros.

 

Vejamos um exemplo da estratégia, no Ibov:

IBOV

IBOVi

Ibov – Gráf. Diário

Ibov – Gráf. 5 minutos

 
 
Com a forte queda de ontem no nosso mercado e com a recuperação apresentada hoje, muitos ativos apresentaram este setup. Vale a pena vasculhar os papeis e perceber a aplicabilidade do método.

No apêndice do livro Street Smarts, a dupla de traders, Lawrence e Linda,  aparesenta um back testing da estratégia usando ativos do S&P500 nos últimos 10 anos. O resultanto foi uma eficiência de mais de 80%. 

Lembrando (1) – 80-20’s é uma operação especulativa que procura aproveitar a tendência diária de reverter a configuração deixada no dia anterior. Por este motivo, apesar da grande probabilidade de êxito, os grandes ganhos são uma excessão e não uma regra.

Lembrando (2) - Operações de day trading, devem ser encaradas de forma quantitativa. Se você não pode ou não quer operar todos os dias e varias vezes dentro do mesmo pregão o day trading não é para você.

Lembrando (3) – O uso do money management em operações deste tipo, meramente especulativas, é fundamental. Utilize algum algoritmo de manejo do capital evitando correr grandes riscos financeiros para a carteira.

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Estratégia: Baixo PL

Publicado em 26.08.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques, Estratégias

pl2 Estratégias usando a relação entre o preço e o lucro por ação são muito comuns entre os investidores seguidores da análise fundamentalista.

Definição: O múltiplo preço/lucro é a razão obtida ao dividir o preço da ação em bolsa pelo lucro por ação num determinado período.

É muito comum encontrar ao mesmo tempo diversos múltiplos PL para uma só empresa. Isso ocorre devido as variações do lucro por ação usado no cálculo. Alguna analistas utilizam o lucro por ação ‘do último ano fiscal (PL corrente). Outros preferem calcular usando como base os trimestres (PL passado). Já alguns estimam o lucro esperado no próximo ano como parâmetro (PL futuro).

Por isso, antes de determinar uma estratégia usando o PL, é importante que você saiba como a sua fonte de dados gerou o indicador.

A estratégia mais comum usando multiplos PL é a chamada compra de ações com baixo PL. Os seguidores desta prática são conhecidos como investidores em valor. Ou seja, ao identificarem ações com PLs muito baixos eles entram comprando.

Por exemplo o PL médio das ações brasileiras já esteve acima de 20 e agora está em torno de 13. Um cenário interessante para estes investidores.

Até aí, nenhum mistério. A questão é definir o que é um PL baixo.

Alguns analistas instituíram que abaixo de 8, o PL de uma empresa, pode ser considerado baixo. Já para outros preferem a idéia de usar a média do segmento que a empresa atua, como referencial.

Mas as duas abordagens pecam em alguns pontos.

Não podemos definir um número como PL ideal, se como vimos, temos diversas formas de calcular o indicador.

Por outro lado usar a média de um segmento também não parece ser o ideal. O fato de múltiplos PL não poderem ser menores que zero (quando o lucro por ação for negativo), mas poderem assumir valores muito elevados, tem consequências para o cálculo de estistícas da média. Uma análise mais significativa seria o uso de uma mediana, ou seja metade das empresas teria PLs menores que esse valor e metade teria PLs superiores a ele.

Talvez a idéia principal que deve ser considerada em uma estratégia de baixo PL é saber que nem sempre empresas que apresentam esta configuração estão subestimadas. Muitas vezes por apresentar perspectivas de crescimento futuro fraco ou inexistente e por estar sujeitas a muito risco, o PL pode parecer atraente.

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O momento é agora !

Publicado em 12.08.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

acoes Sei que pode parecer para muita gente loucura… sei que diante das últimas semanas de queda, alguns podem achar que eu surtei… sei que olhando para a crise das commodities, muitos vão achar minha opinião sem cabimento… mas… acho que este é o momento ideal para entrar no mercado.

O melhor momento para iniciarmos (ou continuarmos) uma carteira de longo prazo é quando o mercado inicía um processo de correção. A intenção não é achar “uma agulha no palheiro”. Ou seja, não quero identificar o ponto preciso de compra. Em uma carteira de acumulação, as compras (assim como as vendas) devem ser  realizadas paulatinamente e de forma programada.

Um investidor precisa estabelecer objetivos honestos. Alguns investem para acumular ou expandir riqueza outros apenas para se divertir. Pode parecer absurdo, mas é verdade. Grande parte dos investidores age por impulsos de origem psicológica ou cultural e de forma irracional em relação aos seus investimentos. E irracionalidade só leva a catástrofes ou, no máximo, a resultados medíocres.

Vejam por exemplo o atual momento da nossa bolsa. Muita gente, movida pelo medo, se desfaz de suas posições, quando na verdade deveria estar comprando.

A imprensa especializada colabora para este sentimento de pânico, estampando manchetes que assustam a “sardinhada” e deixam a impressão de fim dos tempos.

A Vale e a Petrobrás já cairam mais de 40% desde o seu último topo histórico. ‘Sem dúvida, para quem já as possui em carteira, é uma desvalorização dolorida. Mas por outro lado, pode ser uma oportunidade ímpar para aumentar o peso delas na carteira e diminuir o preço médio.

Sei que não é nada fácil ter a capacidade de confortavelmente ir contra a maré, comprar quando todos só pensam em vender. Mas estes são os momentos que fazem a diferença. O pensamento independente, a capacidade de suportar a pressão, o sangue-frio para sustentar sua posição no longo prazo e a visão de longo prazo são características fundamentais para uma performance consistente.

Se você já definiu o seu objetivo na renda variável e o seu horizonte de investimento para alguns anos, não deixe esta oportunidade passar. O momento ideal para você acumular riqueza é agora. Monte uma carteira com ativos sólidos e faça compras em lotes. Não deixe que o imediatismo e a ganância tomem conta de você.

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Aluguel de ações

Publicado em 23.07.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Informações, Opinião

alug Recentemente venho apresentando as posições em aberto na cblc das principais ações do nosso mercado. No caso específico da VALE5, pudemos comprovar na semana passada a forte movimentação nos papeis alugados da empresa (veja a análise semanal). Por isso resolvi abordar neste artigo o assunto.

Em tempos de baixa do mercado, emprestar ações é a forma mais corriqueira para se potencializar os ganhos de uma carteira de longo prazo. As taxas pagas hoje em dia na maioria das ações brasileiras estão bem acima dos demais mercados pelo mundo. Tais taxas têm feito o estrangeiro que aplicava em papéis brasileiros lá fora, na forma de American Depositary Receipts (ADRs, recibos de ações), fazer o caminho inverso, convertendo os seus papéis em ações e trazendo a negociação para o mercado local.

Muitos fundos estrangeiros usam o aluguel de ações para promover arbitragens no mercado. São os famosos fundos long/short, que usam preços entre pares setoriais, o Ibovespa e papéis que compõem a carteira teórica ou entre uma cesta de ações e o índice, para estruturarem suas operações.

Em tese, qualquer quantidade de ações pode ser colocada em aluguel, sempre por meio de uma corretora que tem acesso ao sistema da CBLC em tempo real e que vai buscar um tomador no mercado. A oferta e a procura é que definem as taxas de empréstimo e, em geral, quanto menor for o estoque de ações em circulação, maior será o preço que fundos e demais tomadores estarão dispostos a pagar por determinado papel.

É importante salientar, que além de receber, no encerramento do contrato, uma remuneração previamente pactuada, o aplicador continua tendo direito a dividendos e juros sobre capital próprio.

O tomador do aluguel pode a qualquer momento devolver a ação. É a chamada cláusula de reversão,  que só é possivel de ser usada, pelo lado de quem pegou ações emprestadas. Neste caso o valor do aluguel é calculado pro rata.

Importante: a operação de aluguel não é considerada uma operação de renda variável. Portanto para o cálculo do imposto de renda, considera-se a mesma tributação da renda fixa com o uso da tabela progressiva.

Opinião

O aluguel de ações sem dúvida pode representar uma boa oportunidade de remuneração para carteiras que possuem um horizonte mais longo. Vale porém lembrar, que as ações mais líquidas, e por sua vez as que mais atraem os investidores de longo prazo, não possuem uma taxa tão expressiva (ex. VALE5 0,60% aa e PETR4 0,40% aa). E por experiência própria posso afirmar, que alugar estas ações não é uma tarefa fácil. A fila de doadores é bem grande.

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Definições financeiras e fundamentalistas

Publicado em 05.06.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques

Resolvi reunir neste artigo algumas definições sobre indicadores financeiros e fundamentalistas.

Confesso que alguns, eu nunca utilizei, mas julgo importante o seu conhecimento.

Já outros são fundamentais para uma análise mais minuciosa de um investimento de médio/longo prazo.

  • Alfa: medida usada para avaliar a eficiência do gestor de uma carteira de investimentos ou fundo. De forma simples, o quanto sua gestão contribui além do retorno esperado. O ideal é que a carteira tenha um alfa elevado, com risco baixo, maximizando a relação entre esses dois. Em determinados tipos de produtos, como os fundos long/short, por exemplo, existe o chamado duplo-alfa, uma espécie de duplicação do retorno, via posições compradas e vendidas.
  • Beta: é a correlação entre a variação do preço da ação e o retorno de mercado. Pode-se dizer que é a parcela de risco não diversificável que uma açãoindi carrega consigo. O beta indica o perfil de comportamento da ação em comparação a um indicador de referência (Ibovespa, IBrX, etc.). Se o beta é superior à unidade, esse ativo será considerado agressivo, pois terá um desempenho melhor do que o índice. Se for inferior, diz-se que o ativo tem perfil conservador ou defensivo e ,caso seja igual à unidade, será um ativo neutro. A analogia é total em relação ao beta de uma carteira/fundo calculado por média ponderada. Há diversos softwares no mercado que disponibilizam o beta histórico das ações.
  • Delta: é a mudança no preço da opção em relação à mudança no preço do ativo objeto. Por exemplo, se o preço de uma ação sobe R$ 1 e a opção valoriza-se R$ 0,4, então o delta da opção será de 40% (R$ 0,4/R$ 1). O delta, entretanto, não é um número estático. Ele oscila dependendo de variações nos preços do ativo. Para essa variação destacamos outra letra grega, o Gama.
  • EV/EBITDA: múltiplo que relaciona o valor da empresa, incluindo sua dívida líquida (EV), com seu resultado operacional (EBITDA). É um indicador do tempo de retorno (anual) para se reaver o investimento feito na ação. Em minha opinião, é o múltiplo mais interessante de se analisar, pois possui a qualidade de se estar com um número mais adequado no denominador. indi2
  • P/L: múltiplo que relaciona preço em bolsa com o lucro da empresa. Tal qual o EV/EBITDA, é o tempo de retorno que se leva para reaver o investimento na ação, só que em termos de lucro. É o indicador mais usado pelos analistas.
  • Rho: mede a variação no prêmio da opção em relação à taxa de juros. Se os juros aumentam ou diminuem, isso causa impacto sobre o prêmio, para cima ou para baixo, supondo demais variáveis constantes.
  • Theta: mensura o quanto variará o prêmio da opção ao se aproximar o exercício da mesma. Suponha uma opção com preço de exercício de R$ 50 e que seu ativo objeto esteja negociado no mercado à vista por R$ 52. Se seu prêmio estiver negociando em bolsa por R$ 3, o valor temporal da mesma será R$ 1.
  • VaR: o Value at Risk é o máximo valor possível de perda para uma carteira de investimentos, dado um nível de significância estatístico estipulado (em geral 95%), em condições de não estresse. São nos outros 5% que podem ocorrer prejuízos superiores, originados, por exemplo, das crises sistêmicas.
  • Vega: um ativo oscila ao longo do tempo. Esse sobe e desce influi no prêmio da opção, que deriva daquele ativo. O vega é justamente essa mudança no preço da opção em função da mudança na volatilidade.
  • WACC: custo médio ponderado do capital. Uma empresa pode captar recursos de duas fontes: de seus acionistas e/ou via empréstimos. Cada uma dessas fontes possui um custo associado a ela. Chega-se ao WACC da empresa ponderando o custo do capital próprio e o capital de terceiros, considerando o benefício fiscal sobre esse último. Serve, dentre outras coisas, como taxa de desconto para cálculo do preço justo de uma empresa.

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