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Carteira de acumulação

Publicado em 03.03.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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A grande maioria dos leitores do blog não são profissionais do mercado. São investidores pessoa física, que procuram alguma orientação sobre como alocar os recursos de forma racional no mercado de renda variável.

Por não trabalharem diretamente na bolsa, não dispõem do tempo necessário para aproveitarem as oscilações de curto prazo. Precisam de uma abordagem de longo prazo. Precisam pensar em uma carteira de acumulação.

Já tratei deste assunto várias vezes por aqui. Muitas vezes, nas minhas consultorias, sou até chato e insistente.  Mas não me canso de repetir. Não posso me isentar de passar para o meu interlocutor, que o trading e a especulação são ótimos meios de remunerar o capital, mas exigem uma dedicação full time por parte do trader/investidor.

Para o investidor pessoa física o mais correto é pensar no longo prazo, acumulando ações.

E a história do mercado está a nosso favor neste aspecto. Abaixo eu trago o gráfico mensal dos últimos 17 anos do Ibovespa.

IBOV

tabela

A compra de ações após grandes quedas (como as assinaladas em rosa no gráfico)  e sua manutenção por períodos de três a cinco anos, gera retornos bastante elevados. Sei que é difícil acertar com precisão quando será o fundo do poço em um bear market, por isso resolvi considerar uma perda de 35% como um patamar hipotético de compra. Caso tivéssemos comprado a carteira do Índice Bovespa todas as vezes que ela chegasse a 35% de queda, na média, teríamos um retorno de 99% em três anos (33% ao ano em média) e 272% em cinco anos (54% ao ano em média).

Analisando os períodos de forma individualizada, a queda ocorrida em 1997 e a respectiva compra nos 35% teriam apresentado uma performance quase nula no período de 5 anos. Isso provavelmente devido a insegurança em 2002 quanto a eleição do presidente Lula.

Apesar desta exceção, na média, a conclusão é que o retorno do investimento em bolsa em momentos de crise tem alta probabilidade de ser elevado no longo prazo. Dessa forma, é recomendado que o investidor pessoa física considere a realocação ou o aumento da sua exposição em ações hoje ou em algum momento nos próximos meses. O ideal seria aplicar o capital de forma disciplinada ao longo de um período, como, por exemplo, 12 ou 24 meses. Nesse caso, o dinheiro seria dividido em 12 ou 24 parcelas e investido em ações em uma determinada data de cada mês. Dessa forma, o investidor poderia fazer preço médio ao longo de um período de alta incerteza para o mercado acionário.

Sei que tratar deste assunto, no momento em que o mercado brasileiro volta a apresentar sinais de fraqueza, não é fácil. Mas, apesar do sofrimento coletivo e da alta incerteza no curto prazo, se você ainda não pensou em uma carteira de acumulação, deveria começar a pensar. A história nos mostra que o investimento em ações “baratas” gera retornos elevados e consistentes ao longo do tempo. É aconselhável que aproveitemos tais momentos, pois não são muito freqüentes e, possivelmente, acontecerão cada vez menos.

Nota: Graças ao email do leitor Helder Fernandes, gostaria de acrescentar que os números de rentabilidade apresentados foram calculados usando a média simples. Considerando o ganho acumulado o resultado seria  de uma rentabilidade média em três anos de 25,78% aa e de 30,05% aa para os cinco anos.

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Invista no que você conhece

Publicado em 17.02.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques, Estratégias

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circulo Quando pensamos em formar uma carteira de longo prazo e de acumulação o fator principal e talvez mais difícil seja o de escolher os ativos que irão compor nosso portfólio. Muitos investidores buscam dicas através de amigos, sites, blogs ou até mesmo nas corretoras onde operam.

Se esquecem porém, de analisar mais a fundo a empresa que estão comprando. Nem ao menos, se questionam se conhecem o ramo de atividade da companhia.

Um princípio extremamente importante para o investidor em ações é o de operar dentro do seu círculo de competência.

As duas principais vantagens para o investidor que forma sua carteira com empresas cujas atividades lhe sejam intimamente conhecidas são a possibilidade de lucrar mais com a volatilidade inerente ao mercado e a tranqüilidade para atravessar períodos em que suas teses de investimento não vingam. O investidor que conhece bem cada uma das empresas que escolhe, seus respectivos mercados, as peculiaridades de seus modelos de negócio, seus produtos e seus consumidores, consegue dormir com menos preocupações em momentos de stress na bolsa.

Com a recente crise americana, muitos investidores tem aplicações perdendo parte significativa da quantia original. Contudo, se a tese de investimento foi e continua correta, o aumento da posição é ainda mais acertado em momentos de forte baixa.

Só que aumentar a posição fica emocionalmente cada vez mais difícil, pois o investidor precisa sustentar sua opinião diante do consenso do mercado. Por isso a importância de se conhecer onde está se investindo.  Apenas os que operam dentro do seu círculo de competência têm a autoconfiança necessária para tomar a decisão correta.

O investidor que não se preocupa que suas aplicações estejam dentro do seu círculo de competência, tende a entrar em pânico e vender o bom investimento na pior hora, a de baixa, quando deveria estar comprando mais. Vende porque não sabe direito o que tem e quanto vale. Não sabe onde é o fundo do poço e não tem a tranqüilidade emocional necessária para suportar o mau desempenho. Falta-lhe conhecimento suficiente para ter a coragem de discordar do mercado.

Resumindo, o investidor precisa se concentrar nas empresas que estão próximas dele. Mas sem dúvida, procurando sempre ampliar seu círculo de competência através do estudo disciplinado e de um trabalho amplo de pesquisa.

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O acaso do mercado

Publicado em 10.02.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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dados

As últimas semanas na bolsa paulista foram marcadas por uma grande arrancada dos principais ativos do índice. A VALE5, por exemplo, alcançou a incrível marca de 33% de valorização em menos de 40 dias. Diante desta valorização, todo investidor, analista e/ou economista busca, através das mais diversas ferramentas,  uma justificativa plausível para esse movimento.

Os players estão sempre procurando no mercado uma causa para tudo o que acontece. Em dias de forte valorização, a justificativa mais comum é a de que tudo já foi colocado no preço (precificado) e as ações estavam baratas demais. Em dias de realização de lucro, após fortes altas, não raro se explica o fato devido a indícios de recessão, como se ela fosse novidade e já não estivesse no preço dos ativos. Na verdade, o mercado, muitas vezes, tem razões que nem sempre se conhecem.

Desta forma, não se deve ter a expectativa de que os profissionais de finanças sejam sempre capazes de prever acertadamente os acontecimentos nos mercados a partir de seus conhecimentos teóricos e experiência pessoal. Muitas vezes a evolução de um índice de ações pode ser similar a uma seqüência de números aleatórios com determinado viés (“random walk“).

Nesse momento alguns defensores do investimento em valor diriam que essas oscilações momentâneas e aleatórias serão ajustadas com o tempo e os números contábeis da empresa voltarão ao normal. Os grafistas afirmariam que o patamar de preços reflete pontos de suporte/resistências intransponíveis e que em breve os graficos descontarão tudo.

A postura que se requer para dar conta do mercado tal como ele se expressa hoje em dia, não invalida as contribuições fundamentalistas e técnicas, mas indica um passo adiante para lidar com estes instrumentos. É preciso reconhecer que fatores imprevistos e desconhecidos podem influenciar as cotações das ações.

Assim, independentemente da formação acadêmica ou da vivência profissional, ao fazermos previsões temos de ter a humildade para conceber a possibilidade de discrepâncias e ao mesmo tempo a sabedoria para lidar com a incerteza.

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Pattern PB4-C

Publicado em 29.01.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Estratégias

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Dando continuidade a série de artigos sobre patterns gráficos, iniciada na semana passada com o 2i-C, hoje eu trago a configuração conhecida como PB4-C.

Da mesma forma que o anterior, este pattern utiliza uma conjunção de candles para criar um setup.

A idéia do PB4-C, assim como ocorre no 2i-C, é identificar uma pequena correção dentro de um sólido movimento de alta.

Vamos ao setup:

pb4-c 1- A máxima de hoje é superior a dos últimos quatro dias.

2- Os três dias anteriores apresentaram máximas e mínimas decrescentes.

3 - A mínima de hoje é superior a mínima de ontem.

Entrada: No rompimento da máxima do pattern.

Stop: Abaixo da mínima do pattern, ou seja a mínima de ontem.

Se o trade caminhar a nosso favor, é  recomendado utilizar uma estratégia de trailing stop (Parabolic ou Hilo, por exemplo) afim de garantir os lucros.

Lógica: Os três candles negativos representam a parada técnica para realização de lucros dos traders de curto prazo (swing traders). Já a última barra, com range maior, manifesta a vontade dos preços em retomar a tendência de alta (no gráfico exemplo da PETR4 abaixo, o conceito fica bem claro).

Segue abaixo, a fórmula do Metastock, visando facilitar o estudo do setup:

H=HHV(H,4)
AND L>Ref(L,-1)
AND C>O
AND Ref(H,-1)<Ref(H,-2)
AND Ref(H,-2)<Ref(H,-3)
AND Ref(L,-1)<Ref(L,-2)
AND Ref(L,-2)<Ref(L,-3)

Veja um exemplo do pattern, na PETR4:

petr4

PETR4 – Gráf. Diário

Importante:

O uso do money management em operações deste tipo, meramente especulativas, é fundamental. Utilize algum algoritmo de manejo do capital evitando correr grandes riscos financeiros para a carteira.

Esclarecimento:

A minha intenção com a apresentação destes patterns, não é incentivar o uso indiscriminado destas estratégias. Não quero vender a idéia que se trata de um setup infalível. Meu desejo é acrescentar informação para você trader e/ou investidor. E mais, sei que muitos que visitam o blog, tem muito a contribuir. Portanto fica aqui o convite: comente os artigos e debata as idéias, com certeza todos nós vamos ganhar muito com isso.

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Pílulas de veneno

Publicado em 27.01.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Informações, LREN3, POSI3

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42-16451198As pílulas de veneno (“poison pills”) são um mecanismo de proteção acionária que visa garantir a dispersão do capital da empresa no mercado. A intenção com a inclusão das pílulas de veneno no estatuto da companhia é evitar, que eventualmente, grandes fundos ou grandes investidores queiram montar grandes posições nas companhias ou mesmo fazer aquisições hostis.

Em 2005, a Lojas Renner, através de uma oferta pública, pulverizou o controle da empresa, tornando-se a primeira corporação de verdade no Brasil. Neste momento, se tornou necessário criar um mecanismo no estatuto da empresa que garantisse o capital pulverizado, as pílulas de veneno.

Na prática, o que estas pílulas determinam é que caso um acionista ultrapasse uma fatia específica do capital total, a empresa é obrigada a fazer uma oferta pública de ações (OPA). A idéia é proteger os demais investidores da empresa, dando-lhes melhores condições de venda dos papéis, mas ao mesmo tempo não impedir a compra do controle, caso seja melhor para a empresa. A participação escolhida fica entre 15% e 20%, e também há variações nos prazos para que o novo controlador faça a OPA, de 30 dias a 60 dias.

Apesar do objetivo inicial ser muito apropriado, as pílulas foram usadas , em muitos casos, para proteger o controle e não para garantir a dispersão do capital, que é a motivação original pela qual as pílulas foram criadas nos mercados mais desenvolvidos.

Desta forma, hoje em dia, muitas companhias vem sendo pressionadas pelo mercado para reformularem os estatutos, evitando transtornos futuros.

Transtornos como os ocorridos recentemente na Positivo Informática. O estatuto da empresa diz que qualquer acionista que adquirir 10% ou mais do total de ações da companhia deverá fazer oferta pelo restante das ações em até 30 dias. O preço a ser definido para a OPA, no caso de mudança de controle, teria de ser a maior cotação unitária das ações nos 24 meses anteriores à realização da oferta em que houver maior volume de negociação em bolsa. Com a queda da Bovespa, o valor ficou muito alto, o comprador desistiu e a empresa não foi vendida.

Ou seja, aquilo que teoricamente é bom, protege a empresa, pode ser contrário ao interesse de todos, já que a companhia pode estar indo mal e ganharia com sinergias, por exemplo, se fosse vendida.

As pílulas de veneno devem continuar ainda por um bom tempo, já que a mudança dos estatutos das companhias é muito difícil de ocorrer e exige em muitos casos a realização de uma oferta para todos os acionistas nas condições previstas. O que deve ocorrer de agora  em diante é um alívio nas restrições impostas.

Veja abaixo a lista de empresas com pílula de veneno nos estatutos, atualizada até novembro de 2007:

lista

(Fonte: AE e IBGC)

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Pattern 2i-C

Publicado em 22.01.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Estratégias

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Alguns analistas gráficos utilizam formações, os chamados patterns em inglês, para determinar possíveis pontos de entrada no mercado. Esses patterns algumas vezes representam a formação de uma figura, como por exemplo: Ombro-Cabeça-Ombro, Topo duplo, Cup anda Handle, etc.

Já em alguns casos, podemos encontrar patterns interessantes associando uma série de candles. É usando esta abordagem que apresento o pattern 2i-C (2 inside – close).

A idéia deste pattern é identificar uma parada em uma tendência de alta ou um movimento de saída dentro de uma congestão.

pattern1Setup:

1- O último candle deve ser positivo, ou seja, com o fechamento superior ao preço de abertura.

2- O máximo e o mínimo deste último candle deve ser respectivamente superior e inferior ao dos dois candles anteriores (na prática, este candle deve ser um “outside” em relação aos dois candles que precederam).

3- O fechamento de ontem deve ser inferior ao fechamento do candle de dois dias atrás.

Entrada: Na abertura do candle sucessivo ao setup.

Stop inicial: Abaixo da mínima do último candle do setup.

Se o trade caminhar a nosso favor, é  recomendado utilizar uma estratégia de trailing stop (Parabolic ou Hilo, por exemplo) afim de garantir os lucros.

A lógica por trás desta combinação é identificarmos através de um grande candle positivo (em preto) um aumento da volatilidade capaz de anteceder um movimento mais forte.

Visando facilitar o estudo, apresento abaixo a fórmula do Metastock, para que os leitores possam testar este pattern nos diversos ativos do mercado brasileiro.

H>=Ref(H,-1) AND L<=Ref(L,-1) AND H>=Ref(H,-2) AND L<=Ref(L,-2)
(aqui a formula identifica que a máxima de hoje é maior ou igual a dos últimos dois candles)

AND C>O
(e o fechamento de hoje é superior ao preço de abertura)

AND Ref(C,-1)<Ref(C,-2)
(e o fechamento de ontem é inferior ao fechamento do candle de dois atrás)

Em seguida, eu trago um exemplo do setup sendo aplicado na VALE5:

vale5

VALE5 – Gráf. Diário

Importante:

O uso do money management em operações deste tipo, meramente especulativas, é fundamental. Utilize algum algoritmo de manejo do capital evitando correr grandes riscos financeiros para a carteira.

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A estratégia de comprar na baixa

Publicado em 15.01.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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42-20321150Mesmo sabendo que toda unanimidade é burra, parece inquestionável para  a maioria dos especialistas do mercado que o ano de 2009 será um ano muito difícil para a economia mundial. E falando de bolsa a tendência é que também tenhamos muitas dificuldades.

Mas talvez neste cenário, podemos encontrar ótimas oportunidades. Buffett já profetizou: “Seja audacioso quando os outros estiverem com medo e tenha medo quando os outros forem audaciosos”.

Conforme artigo escrito essa semana, fazer previsões sobre o futuro financeiro é uma tarefa árdua e ingrata mas necessária. E pensando nisso, se tivermos um horizonte de investimento de médio para longo prazo (3-5 anos), o atual patamar das cotações dos ativos brasileiros se mostra muito atrativo.

Sem dúvida, nadar contra a maré nunca é fácil. Exige estômago para aguentar a pressão, e sempre foi mais fácil errar em conjunto do que sozinho. Mas são as apostas contrárias ao consenso que permitem os maiores retornos. E como disse Max Gunther, autor de “Os Axiomas de Zurique“, “se o seu principal objetivo na vida é fugir das preocupações, então você nunca deixará de ser pobre.” Quem tem muito medo de perder, dificilmente irá ganhar.

No ano passado, publiquei um artigo aqui no blog, intitulado “O momento é agora !“, onde enfatizava a oportunidade que começava a aparecer para montar uma carteira de acumulação. No texto fazia questão de destacar a questão do “timming”. Não devemos concentrar as compras apenas em um determinado momento. O ideal é formularmos uma estratégia de compras em lotes de forma paulatina e contínua. Afinal de contas, os mercados podem permanecer irracionais por muito mais tempo do que a nossa disponibilidade financeira em fazer aplicações.

Para carteiras de acumulação é importante evitar a alavancagem e a falta de liquidez. Muita atenção também ao empregar neste tipo de investimento recursos que precisarão ser usados em uma emergência. Já que uma venda forçada pode tirar você do jogo antes do tempo ideal.

Enfim, novamente chamo a atenção de vocês para esta oportunidade ímpar que o estouro da recente bolha especulativa mundial provocou. Sei que uma estratégia operacional nem sempre é adequada para todo tipo de investimento. Sei que é importante respeitarmos a propensão ao risco e os objetivos financeiros de cada investidor. Mas acredito que arriscar parte do patrimônio, especialmente quando há preços convidativos e o fim do mundo parece precificado, pode fazer muito sentido em um futuro não muito distante.

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Keynes versus Friedman

Publicado em 11.12.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

 

versus O questionamento proposto no artigo anterior se resume ao debate de idéias entre a teoria de dois gurus da história econômica mundial: John Maynard Keynes e Milton Friedman.

As idéias de Keynes eram de que os governos deveriam gerir e regular as economias para manter o pleno emprego e moderar as flutuações de preços nos mercados. A era keynesiana foi acionada na década de 30, visando combater os sérios problemas sociais causados pela Grande Depressão.

Keynes, sustentava que o futuro é algo incerto, e que portanto, a psicologia do investidor é volúvel. Keynes escreveu: "A prática da calma, da imobilidade, da certeza e segurança, de repente se rompe…. Novos medos e esperanças assumirão, sem aviso prévio, o controle da conduta humana". Esse pensamento clássico de Keynes, nada mais é do que o "efeito manada" dos tempos atuais. Em resumo, o papel do Estado é administrar as expectativas.

Apenas um detalhe fugiu da teoria keynesiana. O aspecto da corrupção das autoridades. Keynes supôs que os governos seriam administrados por especialistas benevolentes e honestos. Bem longe da realidade do mundo atual.

Para Friedman, o governo deveria apenas se preocupar em políticas monetárias e deixar que a economia tomasse conta de si mesma. A "nova economia clássica" da década de 70, como ficou conhecida, ensinava que, na ausência das rudes interferências do governo, as economias buscariam naturalmente o pleno emprego, maior inovação e melhores índices de crescimento.

A teoria neoclássica defendia que se pode saber de antemão os riscos em todas as transações de mercado e que os preços sempre refletirão probabilidades objetivas. Esse otimismo, sem dúvida, foi responsável pela formação de inúmeras bolhas nas últimas décadas (inclusive o subprime), já que existia a ilusão, que o mercado, através de modelos matemáticos, ajustaria as distorções.

A questão aqui é o dilema sem solução mais antigo da economia: as economias de mercado são naturalmente estáveis ou precisam ser estabilizadas pela política governamental ?

Talvez mais importante do que uma resposta para esta questão, seja o fato de reconhecermos que a economia está longe de ser uma ciência. Desta forma, nenhum economista, analista ou intelectual poderá nos fornecer uma resposta precisa sobre qual é o melhor caminho a trilhar.

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Hyman Minsky e a inflação

Publicado em 25.11.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Estratégias, Informações, Opinião

 

dji

Até 2007, de maneira geral, os mercados vivenciaram um momento de esplendor. Não precisamos necessariamente olhar para as bolsas de países em desenvolvimento, que acompanharam o boom das comodities (como o Brasil). Observando o gráfico do Dow Jones, a valorização desde o início de 2003 até o final de 2007, bateu os impressionantes 87%. Algo próximo de 16% ao ano. Pouco se pensarmos nos juros brasileiros. Mas sem dúvida, expressivo, se comparado aos treasuries americanos (teoricamente, um investimento livre de risco).

O que quero dizer com esta afirmação, é que parecia evidente que uma hora ou outra, a pirâmide iria desmanchar. A farra iria acabar. Nos últimos treze meses, o DJI caiu 46%.

Recentemente, muitos analistas de bancos americanos, ressuscitaram as teses de um antigo economista americano chamado Hyman Minsky, morto em 1996, para tentar explicar o que aconteceu nos mercados. O destaque da tese do economista é a idéia de que o capitalismo é inerentemente instável. Para Hyman, períodos prolongados de prosperidade estimulam o desenvolvimento de estruturas financeiras mais complexas e a tomada de riscos excessivos.  Por conseguinte, este movimento é sucedido por ondas de instabilidade, uma vez que as expectativas de lucros crescentes se transformam, eventualmente, em decepções. E por fim, o ciclo se fecha, quando pacotes fiscais e de proteção são lançados por parte de governos e bancos centrais para atenuar os efeitos da reversão da prosperidade.

Ao agirem com agressividade para conter o alastramento de uma crise financeira, o governo e bancos centrais, de maneira não intencional, acabam alimentando a inflação. No seu livro, "Estabilizando uma economia instável", Hyman Minsky decretou: "O medo da deflação é inflacionário".

Vale lembrar, que na semana passada, o governo americano apresentou números expressivos de queda nos preços ao consumidor. Ou seja, o caminho está aberto para mais cortes de juros e consequentemente seguir o ciclo previsto por Hyman.

Minsky formulou a sua tese a mais de uma década, mas sem dúvida ela parece muito apropriada para o atual cenário.

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Investimento de Longo Prazo

Publicado em 19.11.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análises, Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

bussola Pensar na bolsa como um investimento de longo prazo, é sem dúvida uma das abordagens mais prudentes que um investidor pode tomar. Mas é preciso que fique bem claro, o que se entende por longo prazo.

No livro “The right stock at the right time”, Larry Williams apresenta um estudo que comprova que no longo prazo o investimento em renda variável pode se tornar muito lucrativo. O estudo apresenta três modalidades de investimento: mercado imobiliário (calculado usando uma média dos preços dos imóveis nos EUA), mercado de treasuries (títulos do governo americano) e mercado acionário (usando um grupo de blue chips). O resultado no ano 2000, para quem tivesse investido US$1 em 1925, seria de:

  • Mercado de treasuries = 15 dólares
  • Mercado imobiliário = 100 dólares
  • Mercado acionário = 2000 dólares

É preciso porém fazer uma ponderação. O retorno de 2000 dólares, engloba um conjunto de ações “de qualidade” do mercado. Mas durante os 75 anos da pesquisa, muitas destas blue chips não sobreviveram. O que reforça a idéia que mais importante do que usar uma estratégia de buy and hold sem critério, o investidor precisa concentrar esforços na hora da escolha dos papéis.

Warren Buffett, o maior guru do mercado de todos os tempos, já disse diversas vezes que costuma comprar ações para toda uma vida. Mas como já tratei em outro artigo, isso se deve principalmente ao tamanho das posições da Berkshire Hathaway (empresa de Buffett) e não por uma estratégia operacional pré-definida.

O investimento de longo prazo, não exime o investidor de um acompanhamento frequente de sua carteira. Aliás a verdade é que muitas pessoas são atraídas pela estratégia de um investimento de longo prazo “indiscriminado”, porque isso equivale a não ter que tomar decisões com muita frequência e porque a metodologia não exige um trabalho excessivo.

A estratégia do buy and hold sustenta que ao comprar uma ação, basta mantê-la na carteira por um longo prazo, que o retorno chegará. Infelizmente nem sempre é assim. A única certeza que temos a respeito do longo prazo, é que um dia a maioria das pessoas morre.

Portanto ao comprar uma ação dentro de uma carteira de acumulação (longo prazo), não deixe de reavaliar periodicamente a saúde financeira da empresa. Não existe uma empresa sólida no mundo que no futuro não possa quebrar  (por ex. o caso da GM, hoje em dia). Vale a pena, lembrar das palavras do famoso especulador Jesse Livermore: ” O dinheiro perdido nas operações especulativas é aceitável se comparado com as somas colossais perdidas pelos investidores de longo prazo che deixaram as operações em aberto até o infinito. O investidor inteligente é aquele que sabe intervir rapidamente, tentando limitar os prejuízos.”

Em resumo, para sobreviver no mercado é necessário que tenhamos um objetivo claro e bem definido, e que este esteja enquadrado dentro de um horizonte de tempo adequado as nossas expectativas.

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