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A formula de Kelly

Publicado em 20.07.2014 por na(s) categoria(s) Aprendizado, Estratégias, Money Management

Depois de conhecermos os métodos de martingale e antimartingale, percebemos que podemos extrair um percentual ideal, que aplicado no total da carteira, maximizaria os ganhos. E é aqui que entra a formula de Kelly.

John Kelly foi um brilhante físico que trabalhava na Bell Labs e graças as seus estudos para AT&T, visando analisar os ruídos das chamadas de longa distância, publicou um artigo intitulado, A New Interpretation of Information Rate. Logo, esse estudo foi utilizado pelos jogadores profissionais nos cassinos, visando identificar o percentual de aposta ideal para cada jogada.

No seu estudo, Kelly considera a probabilidade de ganho do sistema, ou seja quantas vezes ocorre um evento vencedor no total de eventos, e depois analisa como são pagas as jogadas vencedoras e as perdedoras. A formula de Kelly para alcançarmos o percentual ideal de investimento é:

K% = W -  1 – W      ou  se preferirem  K% =    (R+1) * W – 1
                    R                                                             R    

 

W é a probabilidade de vitória

R é o quociente entre o valor médio obtido nas vitórias e o valor médio obtido nas derrotas

Vamos a um exemplo para ficar mais claro. Vou usar os mesmo dados usados para ilustrar o método antimartingale:

ant-1

No caso acima, para cada vitória teriamos 1,25 de lucro e para cada derrota perderíamos 1. Desta forma a formula de Kelly ficaria assim :

R = 1,25/1 = 1,25

W = 0,56

K% =    (R+1) * W – 1   =  (1,25 + 1) * 0,56 – 1  =  2,25 * 0,56 – 1  =  1,26 – 1   =  0,26  =   0,20 ou seja 20%
                     R                           1,25                          1,25                   1,25         1,25

Se olharmos a tabela, vamos perceber que realmente o melhor resultado foi obtido com o investimento de 20% do nosso capital !

Em resumo, Kelly nos deu uma abordagem matemática capaz de definir o melhor percentual de risco a ser adotado em uma carteira visando maximizar os lucros, desde que possamos identificar as probabilidades de vitórias e derrotas e a remuneração de ambas. Esta metodologia é fortemente utilizada por muitos traders quantitativos ainda hoje.

Talvez o mais difícil de usar essa abordagem seja o emocional de cada operador. Mesmo identificando a percentual, muitas vezes, antes que alcancemos o melhor resultado podemos passar por momentos de fortes quedas (drawdown). E nesse momento o  trader é pressionado a encerrar a operação, não permitindo  que o enfoque matemático alcance o seu objetivo final.

Com este artigo, encerro a primeira parte que introduz o tema money management. Gostaria muito que vocês leitores comentassem o que acharam dos artigos ( Money Management, Martingale e Antimartingale ). Mesmo sabendo da importância que é para cada trader/investidor ter conhecimento destas abordagens, sei também que para alguns o assunto pode se tornar chato, difícil e até maçante. Portanto, por favor, manifestem-se !

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Antimartingale

Publicado em 17.07.2014 por na(s) categoria(s) Aprendizado, Estratégias, Money Management

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Continuando o estudo sobre money management e depois de ter abordado o método martingale, apresento uma nova abordagem: o antimartingale.

O antimartingale se baseia em aumentar nossa exposição ao risco aumentando a aposta no caso de trades vencedores e diminuindo-a no caso de operações perdedoras.

Para que possamos ilustrar esse método, vamos imaginar que cada trader aposte 1% do seu capital, em cada operação. Esse percentual pode ser fixo, porque quando tivermos um lucro ou prejuízo o capital irá mudar, e consequentemente o valor da aposta também. Por exemplo, se apostarmos 1% de 100, e perdermos, em seguida teremos 99; apostando de novo 1%, o valor da aposta será de 0,99 e não mais de 1. E assim sucessivamente, independente dos trades vencedores ou perdedores, nosso valor de aposta será sempre diferente.

Vamos fazer uma simulação. Usando novamente uma moeda com exemplo, considerando um capital inicial de $100 e sempre que der cara nos ganhamos 1,50 e quando der coroa perdemos 1, podemos chegar a seguinte planilha usando o método de martingale:

mart-1

Já no modelo antimartingale teríamos :

ant-1

Fica claro que, para esta simulação, os dois métodos apresentam valorização expressiva em determinados percentuais de aposta. Destaque para a abordagem Antimartingale que apostando 15% do capital alcançaria a irreal marca de mais de 1 milhão de vezes o capital inicial ($100) !

Agora vejamos uma nova simulação, apenas do método Antimartingale, usando os mesmos parâmetros, porém com percentuais de acerto diferentes.

ant-2

Podemos perceber que enquanto no método martingale o resultado final está fortemente relacionado a sequência de arremessos positivos consecutivos, já na abordagem antimartingale os melhores resultados dependem dos percentuais de lances vencedores.

Muitos podem pensar que depois destes exemplos, achamos finalmente a fórmula mágica para nos tornarmos milionários e quebrarmos a banca ! Calma, não é bem assim. Vale lembrar, que nas simulações aqui feitas, cada lance vencedor nos pagava 1,5 enquanto o perdedor correspondia a apenas 1. Ou seja, o sistema estava a nosso favor.

Mas mesmo assim, depois de tudo que foi explicado aqui, podemos concluir que sem dúvida o sistema antimartingale é o mais adequado para elaborarmos nossas estratégias de money mangement. No próximo artigo, vou abordar a formula de Kelly, que nos ajudará a encontrar aquela percentual “ótima” de capital a investir, que teoricamente, nos levaria a maximizar nossos ganhos caso a usássemos de forma sistemática. Imperdível !

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Martingale

Publicado em 15.07.2014 por na(s) categoria(s) Aprendizado, Estratégias, Money Management

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Dando continuidade ao artigo sobre Money management, vou abordar agora uma das teorias mais antigas sobre administração de portfólios, o modelo Martingale.

É muito comum nos traders iniciantes após diversas operações perdedoras, achar que estatisticamente as chances de vir um trade vencedor são maiores. Essa abordagem simplista leva o investidor a adotar uma gestão de risco que faz com que ele aumente as apostas após um período negativo, e diminua depois de um período positivo.

O modelo martingale, cuja origem está ligada a história dos jogos e início da teoria da probabilidade, se baseia exatamente na impossibilidade de uma série infinita de eventos perdedores. Ou seja, quanto maior as perdas consecutivas, maior será a probabilidade de ganhos na próxima aposta. Por exemplo, um sistema baseado neste modelo, prevê dobrar a aposta após um trade perdedor: quem aposta 1 no primeiro, apostará 2 no segundo se tivesse perdido no primeiro; perdendo de novo apostará 4; depois 8; até quando chegar a aposta vencedora que levará o investidor ao lucro na carteira.

martingaleVejamos um exemplo. Vamos usar o lançamento de uma moeda. Na tabela abaixo, podemos ver a evolução de uma carteira virtual iniciada com $100.

Depois de 100 arremessos da moeda, considerando que 54% foram vencedores e 46% perdedores, teríamos quase triplicado o valor da nossa carteira se tivéssemos usado 3% do nosso capital em cada aposta. Já analisando um horizonte de 1000 arremessos e considerando 50,6% como vencedores, alcançaríamos a incrível marca de 48261% de valorização !  martingale2

Essa abordagem pode parecer muito coerente sobre alguns aspectos, mas sem dúvida em muitos casos vai parecer até mesmo ilógica. Afinal de contas se pararmos para pensar, na prática ela traz mais riscos para quem tem menos e menos para quem tem mais ! Além disso, supondo que em nossa carteira comecemos investindo 1% do nosso capital em cada operação, quando alcançarmos a oitava apostas já teremos zerado nossa conta !

 Mas então qual seria a saída? Nesse caso devemos encontrar um método que nos permita diminuir nossa exposição ao risco depois de uma operação perdedora e aumentá-la depois de um trade vencedor.

Descobrir qual percentual empregar e como fazê-lo será abordado no meu próximo artigo sobre o money management e que terá como título Antimartingale. Não perca !

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Money Management

Publicado em 14.07.2014 por na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Money Management

Com o advento da internet o mundo bursátil, assim como diversos outros setores, vem sofrendo gradualmente diversas mudanças. O acesso a informação, antes restrita à aqueles que freqüentavam os pregões fisicamente, hoje está ao alcance de praticamente todos. Sites, blogs, fóruns, cursos online, etc estão a disposição do novo investidor.

Por isso chavões clássicos, rapidamente chegam aos ouvidos dos iniciantes. Quem não conhece celebres frases como: “no mercado, corte rapidamente os prejuízos e deixe os lucros fluírem!” ou “a primeira regra do trading é não ter prejuízo !”.

Essas frases fora de um contexto sem dúvida podem parecer obvias e sem uma finalidade. Porém se aplicadas juntas ao conceito de money management podem ser de muita valia.

Aliás já percebi que o termo money manegement causa muitas interpretações equivocadas e incompletas. É muito comum achar que o termo está relacionado com a correta utilização do stop loss, para que o trade tenha uma possibilidade de ganho superior ao de perda. Um exemplo comum em diversos cursos é definir que um trade que respeita o money management deve ter uma relação lucro x prejuízo de 3 pra 1. Ou então as fórmulas de gestão do dinheiro de Alexander Elder, em seu livro Aprenda a operar no Mercado de Ações,  como a regra dos 2% e 6%.

Na verdade tudo aquilo que está relacionado com a administração da posição pode ser chamado de risk management. Para alguns position sizing representa a escolha do percentual de capital que será utilizado em uma operação. E o money management é a junção dos dois. Ou seja, através desta ciência você vai aprender “quanto” e “como” usar seu capital no mercado financeiro.

Você se surpreenderá com as potencialidades de um bom money management. Através de conceitos matemáticos simples podemos ter uma gestão racional do capital. Nos próximos artigos sobre o assunto, vou abordar esses conceitos que mudaram a minha visão sobre o trading, tornando-o digamos mais cientifico.

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Entendendo e aceitando o Risco

Publicado em 02.07.2012 por na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Money Management

 

A volatilidade é um elemento essencial no mercado. A movimentação mais brusca dos preços ao mesmo tempo que cria boas oportunidades pode também causar muito desconforto.

Enfrentar a volatilidade requer do investidor um acompanhamento minucioso do risco que pretende assumir na carteira.

O risco, de uma maneira ampla,  pode ser definido como a possibilidade que alguma coisa ruim aconteça em relação a uma determinada atividade. Normalmente, pensamos em risco em termos de probabilidade, de chances de ocorrer. Por exemplo, quando dirigimos um carro existe o risco de termos um acidente. Normalmente, a probabilidade que isso ocorra é pequena, mas se o tempo estiver muito ruim ou a iluminação da estrada não estiver boa, ou ainda se o motorista não for dos melhores, as chances de que aconteça algo desfavorável aumentam.

Este exemplo pode ser comparado com a atividade operacional no mercado financeiro. Assumir uma posição na bolsa de valores é exatamente como dirigir um carro, sempre haverá um risco envolvido. Além das variáveis externas que influenciam as duas atividades, o indivíduo pode também não estar nas suas melhores condições emocionais e assim aumentar as probabilidades de insucesso. Por outro lado, se o individuo mantiver a concentração, o foco no plano traçado e evitar condições adversas (tanto na estrada como na bolsa) as chances de êxito desfavorável diminuem.

Quando se fala em risco a maioria dos indivíduos associa a algo negativo. Mas o fato de ganhar acima do previsto também deve ser encarado como um risco.

Especificamente no mercado financeiro, o risco de uma perda em um trade ou investimento pode ser dividido em dois aspectos: a probabilidade de perder e a dimensão da perda.

A probabilidade de perder pode ser estudada analisando o movimento histórico do ativo. Não existe porém nenhuma garantia que a mesma performance do passado persista no futuro. Além disso, mesmo que você identifique uma estratégia que lhe confira 99% de sucesso, você pode ter o “azar” de colocar todos os teus recursos exatamente naquele 1% negativo que a estatística mostrava e levar a tua carteira a bancarrota.

Por isso, a melhor coisa que um trader/investidor pode fazer é administrar o tamanho das posições afim de manter sob controle (ou quase…) o impacto das perdas.

Neste ponto, me sinto obrigado a apresentar novamente a famosa tabela que mostra a dificuldade de se recuperar diante de uma grande perda.  Quem já tem algum tempo de mercado já deve ter visto esta tabela inúmeras vezes.

 

image

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No gráfico acima, fica ainda mais visível como o ganho necessário para retornar ao ponto inicial depois de uma perda, cresce de forma exponencial.

Mas será que perder 10% do valor da carteira tem o mesmo impacto para mim como tem para você? Muito provavelmente, não. Isso porque, cada individuo possui uma tolerância diferente ao risco.

Identificar corretamente a tolerância ao risco é um ponto chave para que se possa elaborar uma estratégia de money ou risk management eficiente. Alguns fatores determinam a tolerância ao risco, são eles: a idade, a personalidade, o tamanho da carteira, a situação (não só financeira) de vida, etc.

Muitas vezes o trader/investidor busca incessantemente uma metodologia operacional que lhe permita vencer no mercado. Mas esquece de tentar compreender com exatidão até que ponto ele está apto a auferir perdas. Assim, mesmo que ele tenha alcançado uma estratégia vencedora, a falta de conhecimento do que representa o risco produz um forte desgaste emocional no indivíduo que o empurra para fora do mercado.

“O que importa não é se você está certo ou errado, mas sim quanto dinheiro você ganha quando está certo e quanto você perde quando está errado.” George Soros

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O perfil de cada trader

Publicado em 18.08.2010 por na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Destaques, Estratégias, Money Management

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image Existem diversas maneiras de encarar o trading no mercado financeiro e alguns aspectos são importantes para definir o perfil de cada trader. Por exemplo, o mercado que vamos operar, os instrumentos utilizados, o tempo disponível para a função e conhecer a aptidão psicológica para o risco são questões fundamentais para que o individuo defina a melhor abordagem para o seu perfil.

Nas minhas andanças pelo mercado nestes últimos 12 anos, muita coisa mudou, novas tecnologias surgiram e cada vez mais os computadores estão assumindo as tarefas operacionais do trader. Abaixo listei 4 perfis de trading muito comum:

- Trading baseado no feeling – Normalmente quando alguém inicia a operar no mercado se utiliza deste tipo de abordagem. Emite ordens de compra e venda baseado na observação dos gráficos e na identificação de qual será a direção dos preços no futuro. Dificilmente nesta fase se usam patterns gráficos precisos, mas sim uma série de instrumentos de confirmação da nossa idéia sobre o mercado (Ex. indicadores como RSI, Estocástico, CCI, etc…). Esse tipo de abordagem obriga o trader a sempre tentar adivinhar a direção do mercado, deixando-o exposto a um grande stress psicológico.

- Trading discricional e metodológico – Nesta fase começamos a usar patterns gráficos,com stop loss pré-definidos e estratégias operacionais mais precisas evitando o stress de não saber o que fazer quando o mercado não reagir da forma esperada. Com o plano de trading já definido antes de entrar na operação, o trabalho do trader aumenta consideravelmente mas em compensação a pressão psicológica diminui. De qualquer forma, nesta abordagem ainda é necessário que o trader identifique a direção que se espera do mercado.

- Trading sistemático – Começamos a codificar os patterns e estratégias através das plataformas disponíveis e começamos a fazer backtestings afim de encontrar o melhor modelo para nossas operações. Novamente, a carga de trabalho aumenta já que o trader começa a testar diversos trading systems mas o stress psicológico diminui proporcionalmente. A pressão fica apenas no envio das ordens, que ainda sendo manuais, nos obriga a cumprir tarefas operacionais mesmo quando passamos por um drawdown doloroso.

- Trading sistemático e automático – Agora delegamos a um software a tarefa de enviar as ordens do nosso trading system. Além de todo o trabalho na escolha do TS correto, precisamos ainda testar, selecionar e melhorar os softwares que usaremos como e-broker. Sem dúvida, nesta fase a ansiedade psicólogica do “click do mouse” acaba e nos concentramos apenas em acompanhar como anda a nossa “equity line” dos lucros/prejuízos.

Apesar de eu apresentar os perfis seguindo uma linha evolutiva, não considero que todo trader deva operar obrigatoriamente de forma sistemática e automática. Cada indivíduo saberá identificar como se sente mais confortável e de que forma conseguirá obter os melhores resultados.

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Conheça o risco/retorno da tua carteira

Publicado em 14.04.2010 por na(s) categoria(s) Aprendizado, Estratégias, Money Management

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image Nestes anos trabalhando no mercado financeiro já encontrei diversos investidores e traders afoitos em encontrar uma estratégia de investimento ideal mas esquecendo de calcular corretamente a rentabilidade da carteira. Não pretendo aqui no blog ensinar conceitos profundos de matemática financeira, mas alguns pontos são fundamentais para que conheçamos de verdade como anda a relação risco/retorno do nosso portfólio.

Antes de mais nada é primordial que entendamos o conceito de juros compostos. Se por exemplo, temos um capital inicial de R$100.000  e uma rentabilidade de 5% ao ano, no final do primeiro ano o saldo da carteira será de R$105.000. No final do segundo ano, estes R$ 105mil serão acrescidos novamente pela rentabilidade de 5% (considerando a mesma taxa de retorno do ano anterior) e o saldo final será de R$110.250. Já no final do terceiro ano, teríamos R$115.763,seguindo o mesmo método. E assim por diante. O lucro obtido no ano anterior se junta ao saldo para o calculo da rentabilidade do ano seguinte. Muito simples, mas já vi muito investidor “experiente” se enrolar nestes cálculos.

Sabendo calcular os juros compostos podemos calcular corretamente o retorno da nossa carteira. A formula neste caso seria:

TR = (Saldo final/Saldo inicial)^(1/Período)-1

TR é a taxa de retorno.

O período,neste caso, é representado pelo número de anos e é indicado usando uma fração decimal (ou seja 8 anos e meio seriam 8,5).

Considerando um investimento inicial de R$100.000 e um saldo final de 130.000, depois de quatro anos e meio, teríamos uma taxa de retorno composta de 6% ao ano.

TR= ((130.000/100.000)^(1/4,5))-1= 1,06-1 = 0,06 ou seja 6% aa

Se quiséssemos saber a taxa de retorno por mês, teríamos um total de 54 meses e portanto o resultado seria de 0,487% ao mês.

Sabendo qual o retorno da nossa carteira podemos estimar o risco. Para isso, recomendo usar o desvio padrão mensal/anual da carteira. O Excel neste caso faz todo o trabalho, através da função DesvPad. Basta selecionar o período que se deseja analisar.

O desvio padrão irá nos mostrar o risco de perdas da nossa carteira. Ele apresenta a medida estatística da distribuição, identificando como os dados são agrupados próximos a média. Assim podemos descobrir que uma estratégia de investimento que nos propicia ótimos ganhos em um determinado período pode representar também grandes perdas em outro momento.

graf

Por exemplo no gráfico acima, as barras apresentam o lucro/ prejuízo em um determinado período. As linhas A, B, C representam respectivamente os desvios padrão 1,2 e 3.

Assim, concluímos que:

68% dos dados estão entre +1 desvio padrão e –1 desvio padrão (entre as bandas A e –A)

95% dos dados estão entre +2 desvios padrão e –2 desvios padrão (entre as bandas B e –B)

99% dos dados estão entre +3 desvio padrão e –3 desvio padrão (entre as bandas C e –C)

A partir do momento que a nossa preocupação é saber o risco máximo de perdas, precisamos observar a probabilidade da carteira ficar abaixo das bandas –A, –B e –C. Se 68% dos dados estão entre A e –A, portanto 32% estão do lado de fora. Metade destes 32% estão acima de A e a outra metade abaixo de –A. Portanto podemos concluir que temos 16% de probabilidade que as perdas ultrapassem 1 desvio padrão, 2,5% de probabilidade que superem 2 desvios padrão e 0,5% que superem 3 desvios padrão.

Usando estes dois conceitos simples sobre risco/retorno podemos conhecer mais a fundo como anda a performance do nosso portfólio. É claro que o assunto é  muito mais extenso e profundo, mas acredito que este artigo possa  servir para dar o ponta pé inicial no estudo.

No fim das contas, o que todos nós buscamos é uma taxa de retorno satisfatória mas que não nos exponha à riscos exagerados.

O bê-a-bá do trader

Publicado em 02.06.2009 por na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Destaques, Estratégias, Money Management

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O perfil dos leitores do blog é muito variado. Por aqui passam traders/investidores ativos, profissionais do mercado e até mesmo indivíduos que nunca tiveram a experiência de aplicar na bolsa de valores.

Pensando neste último grupo, resolvi escrever este artigo, repassando alguns conceitos básicos sobre a formação de um trader.

Todo trader que pretende se aventurar no mercado financeiro precisa desenvolver um “trading program” baseado em três fatores importantes: definição da tendência, timing e gestão patrimonial.

  • A definição de uma tendência é o primeiro passo para que o trader possa tomar uma decisão operacional. Conhecendo a tendência é possível saber se o trader será comprador ou vendedor, ou até mesmo, nenhuma das duas opções quando o mercado está lateralizando. Identificando de forma errada a tendência, dificilmente as próximas etapas permitirão que a operação seja vencedora.
  • As técnicas operacionais ou o timing tem a função de identificar o momento preciso de entrada e saída do mercado. Muitas vezes, o trader pode ter identificado corretamente a tendência do mercado, mas devido a um timing ruim, não consegue fechar uma operação com lucro. O timing é de natureza totalmente técnica, ou seja, até mesmo um operador orientado pela análise fundamentalista, precisaria utilizar os instrumentos técnicos se quisesse definir os pontos de entrada e saída.
  • O terceiro fator, e sem dúvida, o mais importante, consiste na gestão patrimonial. Por gestão do patrimônio entendo o acompanhamento das seguintes áreas: formação de um portfólio, diversificação, escolha do capital a ser investido ou colocado em risco em cada tipo de mercado, o uso dos stops, o manejo de risco, o controle psicológico após momentos de sucesso e insucesso e a definição do perfil (agressivo ou conservador) do trader/investidor.

Resumindo, podemos afirmar que definindo a tendência o trader sabe o que fazer (comprar ou vender), o timing o ajuda a decidir quando comprar e a gestão patrimonial determina como posicionar a operação.

Depois de alguns anos operando no mercado e principalmente após conhecer inúmeros operadores técnicos, posso afirmar que nunca encontrei um trader que tenha tido sucesso sem utilizar com eficiência a gestão patrimonial. É muito fácil encontrar consultores, treinamentos e cursos sobre análise técnica que ensinam como identificar a tendência e técnicas operacionais de timing. Difícil, aqui no Brasil, é ter acesso a material de qualidade sobre como gerir o capital destinado  à renda variável.

O ponto crucial da gestão patrimonial é permitir que o trader , através de uma expectativa positiva criada por instrumentos técnicos, sobreviva no mercado por um longo período.

Pensando na audiência rotativa do blog e com a expectativa de ter conseguido despertar o interesse pelo assunto, gostaria de deixar abaixo, alguns links de artigos já escritos por mim sobre a importância do manejo do capital:

Boa leitura !

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O famoso “Breakout”

Publicado em 05.05.2009 por na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Destaques, Estratégias, Money Management

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break3O “breakout”, ou rompimento, representa um dos sinais mais importantes na análise gráfica. Podemos definir o “breakout” como uma saída repentina dos preços em uma fase lateral de congestão que pode ser bem identificada através de suportes e resistências. Apesar de ser utilizada por muitos traders e ser de fácil compreensão, está configuração gráfica apresenta algumas dificuldades ao ser implementada.

Identificar uma fase de congestão, onde os preços ficam cercados por uma linha de suporte e outra de resistência, nem sempre é uma tarefa fácil como pode parecer. Alguns traders utilizam os preços de fechamento e abertura, outros preferem os pontos de máxima e mínima, para traçarem as linhas de suporte e resistência. Além disso, é de certa forma difícil encontrar o ponto certo de rompimento da congestão.

Quanto mais a congestão é longa, maiores são as probabilidades que o rompimento ocorra de maneira explosiva. Normalmente, a longa fase lateral de indecisão provoca uma diminuição dos volumes e uma progressiva contração do range dos preços. Neste momento surge a eterna dúvida. Antecipar o rompimento ou esperar até o último momento. Normalmente a desilusão ocorre nos dois casos. Se antecipamos o movimento, o preço não ultrapassa a resistência (ou suporte) e retorna. Se esperamos, o “breakout” ocorre de maneira tão violenta que permanecemos inertes com a mão no mouse sem fazer nada.

break1

break2

Exemplo: “Breakout” cofirmado

Exemplo: Falso “breakout”

Os falsos "breakouts" são muito comuns e portanto inevitáveis. Todo trader, com certeza já sentiu o gosto amargo, de entrar no rompimento e em seguida o mercado reverter deixando a configuração de um vértice. Não acredito que exista uma técnica vencedora que lhe permita antecipar o movimento dos preços e garantir a validade de um "breakout". Se a intenção é especular no mercado, é preciso estar consciente de que existirão operações vencedoras e perdedoras. É importante que o trader, utilize um manejo de risco eficiente permitindo que ele possa ganhar mesmo que as operações negativas sejam em maior número do que as positivas.

Não podemos questionar de maneira subjetiva a validade de um “breakout”. Se temos um algoritmo de money management eficiente, devemos sempre entrar em todos os rompimentos. Algumas vezes, sairemos vencedores, em outras perdedores. Faz parte do jogo. Mas a expectativa no longo prazo deve ser de que os ganhos nas operações positivas superem as perdas nos trades negativos.

Por isso, como já escrevi várias vezes aqui no blog, não perca tempo apenas procurando o setup gráfico ideal. Concentre-se no manejo de risco. Este sim, será o responsável pelo sucesso nas operações do trader.

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Fixed Fraction Method

Publicado em 24.09.2007 por na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Money Management

Depois de algum tempo sem postar, estou retomando os artigos relacionados as estratégias de Money Management. Gostaria de agradecer aos emails recebidos de leitores elogiando e se interessando pelos artigos escritos sobre o assunto. Devido ao grande trabalho que estes artigos demandam, sem dúvida sem as palavras de incentivo de vocês talvez não voltasse a abordar o assunto.

Antes de iniciarmos, julgo interessante para aqueles que não leram os artigos anteriores  que o façam. Sem dúvida o entendimento será muito maior.

( Money Management, Martingale, Antimartingale, A formula de Kelly )

O Fixed Fraction Method é um sistema de manejo de risco que procura identificar qual é o melhor percentual do nosso capital de investimento que devemos arriscar em cada operação. Esse percentual é identificado como “fraction” ou “f%” ou simplesmente “f”.

O método exige que o investidor determine um stop loss e o valor financeiro máximo que se admite perder em cada operação. Dividindo um valor pelo outro alcançamos a quantidade de contratos (ou ações) que podem ser operados. Depois de cada operação concluída é necessário refazer o cálculo para que se determine o novo número de contratos a ser negociado.

Vamos supor uma série de trades, para ajudar na compreensão:

fixed-1

Vamos imaginar também que queremos limitar nossa perda em cada trade em 1.250 reais (stop loss) e que iremos arriscar 5% do nosso capital total em cada operação. Iniciamos a simulação com um montante de 100.000 reais.

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Chegamos no final da simulação com um resultado de 123.150 reais(121.750+1.400 do décimo trade). Sem dúvida o percentual de 5% nos trouxe uma boa rentabilidade, mas será que é o melhor ? Vamos simular agora com outros percentuais:

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Percebe-se que o aumento do percentual arriscado não corresponde necessariamente a um aumento do resultado final. O montante final com o percentual de 25% é superior ao de 50%. Aliás, esta constatação parece até óbvia. Afinal se pensassemos em operar com 100% do capital, bastaria um trade para que zerassemos nossa conta.

Devemos ressaltar que o percentual arriscado não representa o drawdown do sistema. O drawdown depende da sequência dos trades.

Ser obrigado a “stopar” uma operação é muito desagradável, mas sem dúvida é muito mais estressante para o trader assimilar um drawdown percentual, ou seja, o quanto se desvaloriza nosso capital total depois de ter alcançado uma máxima relativa.

Dito isso, vamos acrescentar ao nosso exemplo o drawdown (DD) e a respectiva percentual (DD%) depois de cada operação. Por exemplo, no primeiro trade nos perdemos 1.000 reais; começando com 100.000 reais menos os 1.000(=DD), chegamos aos 99.000, exatamente 1% (=DD%) de 100.000. Os cálculos são simples, lembrando que o drawdown é calculado sempre pela máxima cotação do contrato.

(Caso tenham alguma dúvida, sobre o entendimento da tabela abaixo, por favor, comentem. Terei enorme prazer em explicar).

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Os percentuais em negrito representam os maiores drawdowns percentuais em cada fração “f” testada.

É interessante notar que nem sempre o maior drawdown percentual representa o maior drawdown absoluto. Isso se torna evidente na coluna da fração de 50%, onde o máximo DD% é a incrível marca de 69,91% correspondente ao valor absoluto de 108.500 reais, enquanto após alguns trades a estratégia alcança um valor de perda de 141.250 reais, diante de um percentual de “apenas” 49,68%.

Normalmente são utilizados os valores percentuais, considerando que a resistência a perda de determinado valor aumenta com o crescimento do capital total. Ou seja, perder 1.000 reais para quem tem 10.000, não é a mesma coisa (psicologicamente falando), do que uma perda de 1.000 e tem uma conta de 100.000 reais.

Voltando a olhar a tabela, parece evidente que uma exposição maior provoca movimentos mais voláteis, tanto nos trades positivos como naqueles negativos. O percentual de 25% no nosso exemplo aparece como a melhor escolha depois de 10 trades, levando o saldo total da nossa conta a 215.950 reais, mais de 115% de valorização. Mas aí, surge a pergunta fundamental: Quantos traders resistiriam a um drawdown de 43,41%, levando o total da conta a 78.550, diante dos 100.000 iniciais ?

Se conhecêssemos o futuro nossa tarefa seria mais fácil, escolheríamos o “f” igual a 25%, e teríamos apenas o trabalho de contar o dinheiro. :)

Bem, se você chegou até aqui, sem dúvida se interessou pelo assunto. Descobrimos agora a importância do drawdown na definição da nossa estratégia de money management. Nos próximos artigos continuarei com o estudo, buscando trazer para vocês os métodos e as aplicações mais usados por traders de todo o mundo.

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