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Modelo de garimpagem

Publicado em 17.03.2010 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Análise Técnica, Aprendizado, Estratégias, Opinião

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image O Ibovespa se aproxima rapidamente do topo histórico nos 73920 pontos, atingido em 29 de maio de 2008. Ou seja, se considerarmos o fechamento de ontem, estamos a pouco mais de 5% da maior pontuação do principal índice da bolsa paulista. Se calcularmos a valorização do Ibov desde o fundo marcado em Outubro de 2008 (29435 pontos) superamos os 130% de valorização nos últimos 14 meses.

Diante deste cenário, as perguntas são inevitáveis: a bolsa está cara ou continua barata? Vale a pena investir agora ou é melhor esperar alguma correção? A bolsa vai continuar subindo ou vai cair?

A realidade é que não existe uma resposta única. Existem hoje na bolsa empresas que estão caras ao passo que há outras que continuam baratas. No pânico (como ocorreu no “bear market” de 2008), o mercado se desfez das ações de uma forma indiscriminada, pois nestes momentos a racionalidade deixa de prevalecer dando lugar ao comportamento de manada. E agora na euforia atual, a situação é muito parecida. Muitos investidores compram ativos influenciados pelo bom humor do mercado e não analisando os fundamentos e as perspectivas econômicas e gráficas do papel.

IBOV

Quando me refiro as perspectivas econômicas e gráficas do papel, quero dizer que não basta olhar apenas para os fundamentos de cada empresa. É necessário dimensionar o impacto de eventuais crises econômicas nos resultados futuros da empresa, e identificar a tendência do preço do ativo. Em linhas gerais o que pretendo é meclar os conceitos da escola fundamentalista e gráfica dentro de uma mesma estratégia.

Assim poderíamos criar o seguinte modelo de garimpagem:

  1. Selecionamos ativos com múltiplos atraentes.
  2. Encontramos ativos que tenham a capacidade de manter a lucratividade mesmo em um cenário macro-econômico mais adverso. Exemplo: empresas que conseguem manter a receita estável graças à monopólio, “market share” dominante, marca forte que permite a diferenciação do produto, etc. Exemplo2: Empresas que conseguem manter as margens porque possuem poder de barganha com fornecedores e desta forma podem repassar o aumento dos custos nos preços.
  3. Identificamos a tendência do ativo utilizando a análise gráfica e programamos o “momentum” de entrada.

Seguindo um modelo como este acho que o investidor pode sofrer menos com o movimento errático das bolsas e provavelmente conseguirá respostas para as duas primeiras perguntas do começo do artigo. Já uma resposta para a terceira e última pergunta duvido que alguém consiga dizer com grau de confiança satisfatório.

A visão de longo prazo

Publicado em 26.01.2010 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques, Estratégias

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image Antes de mais nada, me permitam fazer um alerta… Este artigo é voltado para o investidor de longo prazo, que não pensa em se desfazer da carteira nos próximos cinco anos.

É muito interessante observar o comportamento antagônico de muitos investidores durante o ápice da crise do subprime no final de 2008 e agora, apenas  1 ano  e alguns meses depois. No final de 2008 e início de 2009, tive a oportunidade de conversar com investidores que estavam totalmente desiludidos com a bolsa de valores e entregaram para os céus suas carteiras de ações devido à desvalorização. Comentei na época, que fazer isso tem um custo de oportunidade e que ele precisava manter um distanciamento emocional deste contexto e mudar o foco para o lado racional da situação, isto é, para as oportunidades.

Recentemente, encontrei um destes investidores novamente. E sem dúvida, era nítida a sua felicidade de ter permanecido na bolsa (mesmo sem ter decidido isso racionalmente) e recuperado boa parte das perdas da carteira.

Mas e agora, que parece que o mercado novamente vai passar por um momento de correção, como será o comportamento deste mesmo investidor? Terá aprendido com a experiência recente?

Quando mencionamos a estratégia de investimento de longo prazo somos obrigados a citar Benjamim Graham, sem dúvida o mentor do chamado investimento em valor. Graham diz: ”Aquele investidor que se permite ficar preocupado ou até mesmo apavorado com as quedas de seus papéis na bolsa estará transformando sua maior vantagem em sua maior desvantagem. Para este homem seria melhor que não houvesse qualquer cotação na bolsa, para que ele não se deixasse contaminar pela angústia mental causada pelo erro de avaliação de outras pessoas.”

Portanto na próxima correção do mercado, o investidor de longo prazo deve procurar oportunidades. Alguns tópicos são importantes e devem ser observados na empresa que você escolher para compor a carteira:

- Caixa forte (empresa sem dívidas);

- Sendo negociada com múltiplos atrativos. Ações baratas, negociadas abaixo do seu valor de reposição, isto é, o mercado está atribuindo erroneamente que não existe nenhuma perspectiva futura;

- Negócio atrativo (possui vantagens competitivas);

- Gestão da empresa razoavelmente competente e alinhada aos interesses dos acionistas.

Com este pequeno filtro as chances de se escolher uma empresa vencedora são muito maiores. Lembre-se que o investidor de longo prazo não tem pressa e portanto não se preocupa com o timming correto. Para ele, acompanhar o consenso do mercado significa pagar um preço muito alto e portanto fazer preço médio se as ações caírem mais é algo corriqueiro e que pode trazer bons frutos no futuro.

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Os treasuries e o ISM

Publicado em 27.10.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Estratégias, Informações, Opinião

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treasuries

ism

Spread entre Treas. 2Y e 10Y

ISM (Institute Suply Management)

Um interessante medidor econômico é a analise da relação dos treasuries americanos de 2 e 10 anos, juntamente com o ISM (Institute Suply Management).

Quando temos uma aproximação entre os rendimentos dos treasuries de 2 e 10 anos significa que o mercado passa por um momento de calmaria e que portanto a expectativa dos agentes do mercado é de crescimento econômico.

A política de juros do Fed influência diretamente o rendimento dos treasuries. Os notes de 2 anos se ajustam mais rapidamente à variação da taxa de juros do que os notes de 10 anos. Ou seja, em um período de recessão os notes de vencimento mais curto caem juntamente com a taxa de referência mais rapidamente que os notes mais longos.  Já em períodos de expansão econômica, acontece o inverso, ou seja, eles sobem mais rapidamente. No gráfico isso fica bem evidenciado se pensarmos, que em 2007/2008 visando combater a recessão que se avizinhava, o Fed cortou drasticamente a taxa básica de juros americana.

Desta forma, podemos concluir que:

Quando a diferença entre os Treas.10Yr e Treas.2Yr aumenta, a expectativa é que teremos um momento de queda na atividade econômica dos EUA.

Quando a diferença entre os Treas.10Yr e Treas.2Yr diminui, a expectativa é que teremos um momento de crescimento na atividade econômica dos EUA.

Já o ISM é considerado por muitos analistas o indicador mais importante divulgado nos EUA. Estudos comprovam que quando o ISM (seja de produção como de serviços) estiver abaixo de 43 por dois meses seguidos, significa que a economia americana se aproxima de uma recessão. Por outro lado, um ISM acima de 60 por dois meses seguidos, pode representar uma economia super aquecida e com um grande risco inflacionário.

Juntando estas informações podemos criar esta tabela de acompanhamento abaixo e tentarmos identificar em que estágio se encontra a saúde da economia americana e conseqüentemente criar uma estratégia para o mercado acionário:

tabela

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O PIB e as recessões

Publicado em 01.10.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques, Estratégias

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É inevitável. Por mais que você não queira, conhecer os fundamentos macroeconômicos é fundamental se quiser investir no mercado de renda variável.

A economia de qualquer país do mundo passa por fases de expansão e contração. E normalmente o banco central é o órgão responsável por tentar administrar estes períodos da melhor forma possível. Nos EUA, por exemplo, o Fed definiu como seu principal objetivo o “price stability e low unemployment”,ou seja o controle da inflação e da taxa de desemprego. Quando esta meta não é alcançada e quando o PIB atinge dois trimestres consecutivos (segundo a teoria econômica) de contração a economia entra em uma fase de recessão.

Desde 1929, os EUA tiveram 13 recessões e que duraram em média 13 meses.

Aliás pensando em números, alguns analistas americanos gostam de mencionar a regra do 15,13,53; 15 são os meses de o início de uma recessão, depois que um determinado evento chave ocorreu; 13 são os meses de duração média de uma recessão e 53 são os meses de duração média do período de expansão sucessivo.

Se pensarmos que a crise do subprime, se iniciou com a falência dos hedge funds do Bear Stearns que operavam no setor imobiliário em agosto de 2007 e teve o seu ápice em novembro de 2008, com o aumento da volatilidade nos mercados, a queda das bolsas mundiais, a forte procura dos títulos públicos americanos e com a falta de crédito, chegamos exatamente nos 15 meses.

O gráfico abaixo do Federal Reserve de St. Louis, apresenta os períodos recessivos (em cinza) da economia americana e a variação do PIB nestes períodos.

fedstlouis

Interessante notar como a quantidade de picos (tanto para cima como para baixo) do PIB nos últimos 20-30 anos diminuíram consideravelmente. Mostrando, possivelmente, um maior controle e entedimento do Estado nas diretrizes econômicas.

O fundo formado atualmente deixa a expectativa de que fato estamos presenciando um período de recuperação. Seguindo a regra mencionada acima, até o final do ano o PIB americano deve voltar a ficar no azul e então entraríamos na fase de expansão que deveria durar até 2012. Quem viver, verá !

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Olhando os indicadores fundamentalistas

Publicado em 23.06.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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Se você é apenas um trader, este artigo com certeza não terá muita relevância. Muito provavelmente, suas análises se concentram nos gráficos e conhecer alguns indicadores fundamentalistas pode parecer completamente desnecessário.

De qualquer forma, assim como já venho fazendo desde a criação do blog, insisto na idéia de que é totalmente possível associar a escola fundamentalista à escola gráfica, e assim buscar a formação de uma carteira de investimento mais rentável. Elaborar uma carteira de longo prazo, usando uma análise baseada nos múltiplos e identificar o momento de entrada e saída através das configurações gráficas, me parece o modelo ideal de abordagem. Somado a isso, podemos direcionar uma parte do nosso capital para operações especulativas, utilizando trading systems e estratégias quantitativas, visando maximizar e proteger nossa carteira em momentos de alta volatilidade.

Pensando desta forma, apresento abaixo três indicadores fundamentalistas que julgo serem importantes ao analisarmos uma companhia:

  • Retorno sobre o Patrimônio Líquido (RPL ou em inglês, ROE) – Este indicador mede a lucratividade da empresa, através do retorno sobre o patrimônio líquido. Para calcular o ROE, pegue o lucro líquido (o dinheiro que sobra depois que todas as despesas são pagas), encontrado na Demonstração de Resultados, e divida, pelo patrimônio líquido total dos acionistas (quantidade de ativos que a empresa possui, menos todos os passivos), encontrado no balanço patrimonial.
    Além de oferecer ao investidor uma visão do retorno que a empresa é capaz de alcançar em relação ao patrimônio líquido, o ROE permite aos investidores compararem empresas lado a lado, independente do porte ou do setor. Desta forma, é aconselhável que os investidores se concentrem em empresas que produzam altos ROEs e que apresentem tendência ascendente ao longo dos últimos anos.
  • Margem Líquida – A margem líquida é o percentual do lucro para cada real obtido nas vendas. Para calcular a margem líquida, pegue o lucro líquido (o dinheiro que sobra depois que todas as despesas são pagas) e divida pelas vendas líquidas, também conhecida como receita.
    As empresas com vantagem competitiva devem ter médias de margem líquida mais alta que a do setor. Analisar apenas o resultado de um ano significa muito pouco. É importante acompanhar a evolução da margem, durante, pelo menos, os últimos cinco anos.
  • Margem Operacional – A margem operacional mostra quanto sobrou para a empresa de cada real obtido das vendas ou receita depois de pagar todas as despesas de administração do negócio (custo do produto vendido, despesas administrativas, eletricidade, aluguel, folha de pagamento, etc.).
    Importante escolher empresas que tenham alta margem operacional, assim em momentos de contração da economia ou quando ocorrerem aumentos significativos nos insumos, elas podem ser mais flexíveis no preço.

Sem dúvida, olhar isoladamente para estes indicadores, não quer dizer muita coisa. Outros números do balanço também precisam ser analisados. Além disso, examinar a administração da companhia, conhecer a concorrência/setor e ter uma visão macro-econômica do país e do mundo, são fundamentais antes de pensarmos em fazer uma alocação do nosso capital em uma carteira de longo prazo.

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Profarma – Estudo realizado em 20/05/2009

Publicado em 01.06.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Análises, Aprendizado, Estratégias

imageAntes de iniciar o artigo quero deixar claro que isso é apenas um estudo sobre uma empresa em uma determinada data. O único responsável pelas suas decisões no mercado é você e esse estudo não é nenhuma recomendação para a ação.

Hoje muitos participantes do mercado acreditam que o mercado já está caro, principalmente para o curto prazo. Os chamados investidores em valor já não conseguem aproveitar as barganhas que apareciam quatro meses atrás. Poucas ações parecem apresentar uma boa margem de segurança ou um desconto decente para fazer alguma posição.

Garimpando algumas informações em um software de análise fundamentalista os números da Profarma saltaram aos olhos. A Profarma é uma das maiores distribuidora de produtos farmacêuticos do Brasil e detém uma importante fatia do mercado.

O primeiro aspecto que me chamou a atenção:

Ativo circulante: 875.752 k
Passivo circulante: 312.499 k
Passivo não-circulante: 135.546 k

Deduzindo do ativo circulante o passivo circulante e o passivo não-circulante obtemos um valor de 427.707 k. Ou seja, recebendo os seus direitos de curto prazo e pagando as suas obrigações de curto e longo prazo ainda resta um valor de quase 500 k. No dia 20/05 o valor de mercado da empresa era 290.772 k, obtemos assim uma relação muito interessante entre o valor de mercado da empresa e o que resta de valor subtraindo os passivos dos ativos circulantes, aproximadamente 0,67. Esse era um dos indicadores preferidos de Benjamin Graham, pois ele acreditava que esse número mostrava se a empresa estava descontada ou não. Quando temos um número abaixo de 1 com certeza é uma empresa para se olhar com mais cuidado pois ela pode estar sendo muito subavaliada pelo mercado.

Olhando outros números agora, o valor patrimonial da ação naquela data era 13,33 e no mercado a ação estava cotada a 8,20. Temos assim uma relação P/VPA de 0,61, me parece ser um valor bem interessante, mostrando um bom patamar de desconto. Imagina se essa relação de P/VPA passa de 0,61 para 1,00 temos uma valorização superior a 60%. Analisando agora o famoso P/L, a empresa naquele dia apresentava um P/L de 8,62, não é muito alto nem baixo, a empresa já esteve negociando com esse indicador em níveis mais favoráveis.

A liquidez da empresa parece bastante confortável, em níveis superiores aos sugeridos por Ben Graham. A liquidez geral é de 2,09 e a liquidez corrente está em 3,10. Agora o aspecto da empresa que mais me preocupa é a rentabilidade do negócio. Veremos que o negócio de distribuição de produtos farmacêuticos e medicamentos em geral não apresenta uma rentabilidade sobre o patrimônio alta como em outros setores. Isso é uma característica do setor, margens apertadas.

Vamos aos números:  a empresa apresenta um ROE de 7,06%, uma margem bruta de 8,95% e uma margem líquida de 1,34%.

Mesmo sendo uma característica do setor, estes números são um risco, pois se a empresa não for muito hábil para conter os seus custos e manter sua margem, um prejuízo trimestral com certeza ocorrerá. Em relação a isso pesquisei o histórico de lucros trimestrais da empresa, desde o 4T de 2005 a empresa apresentou um único trimestre de prejuízo que foi o trimestre do IPO (na oferta pública o preço da ação foi 22,50). Provavelmente esse resultado foi negativo devido aos custos de realizar um IPO. Mas admito que não li o relatório daquele trimestre. De qualquer forma é uma empresa que tem no mínimo um histórico recente de produzir resultados positivos, o que me deixa um pouco mais confortável em relação ao risco de trabalhar com margens apertadas.

Enfim, posso discorrer sobre outros números e múltiplos, mas acho que os apresentados aqui podem nos dar uma noção sobre a possibilidade de retorno da ação. Não sei se essa ação vai subir na próxima semana ou no próximo mês, mas quando o valor de mercado convergir para o valor intrínseco o retorno pode ser bem interessante, se o mercado voltar a cair pelo menos ficarei tranqüilo que paguei por essa ação menos do que ela vale segundo o estudo feito pois acredito que existe uma boa margem de segurança para realizar esse investimento.

Artigo escrito pelo leitor Julius Clarence.

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Investimento em valor

Publicado em 14.05.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Estratégias

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cifrao Sem dúvida, o maior expoente da metodologia do investimento em valor é o presidente da Berkshire Hathaway, Sr. Warren Buffett. Buffett, o segundo homem mais rico do mundo,  foi discípulo de Benjamim Graham, autor do clássico livro “O investidor inteligente”  e pai da escola que tem como premissa básica o investimento em empresas que estão sendo negociadas a um preço bem abaixo do seu valor justo.

Todos concordam que empresas baratas e com uma “boa margem de segurança” (como o próprio Graham, gostava de chamar as pechinchas do mercado) são investimentos que no longo prazo tendem a gerar ótimo retorno. Difícil porém, é saber avaliar corretamente o valor justo de uma companhia.

Estimação da taxa livre de risco e do prêmio de risco, estimativa do custo de capital, estimação de fluxos de caixa, modelos de fluxo de caixa descontado (de dividendos, do acionista e da empresa), avaliação por múltiplos, opções reais, avaliação de ativos intangíveis, comentários sobre fusões e aquisições… estes são alguns dos pontos que devem ser considerados, usando a escola fundamentalista, para que possamos avaliar uma empresa.

Muitos profissionais do mercado levam dias, inclusive meses, analisando balanços e calculando o valuation de uma empresa. Um trabalho árduo e com muitas variáveis, que muitas vezes não traz o resultado esperado.

Lendo a biografia de Warren Buffett, “A bola de neve”,  podemos perceber como o megainvestidor sempre se preocupou com o perfil do gestor/administrador da  companhia em que investe, antes mesmo de olhar os números de um balanço. A procura é por profissionais dinâmicos e competentes capazes de gerar caixa e consequentemente agregar valor para a empresa. Além disso, para Buffett, o valor de uma empresa vem do seu bom posicionamento mercadológico, da sua correta identificação das ameaças e oportunidades existentes no mercado.

A leitura que faço dos ensinamento do livro de  Buffett é de que avaliar uma empresa sem levar em consideração a sua inserção no ambiente, a sua estratégia e o impacto disso tudo nos seus drivers (administradores) pode ser uma experiência simples e desastrosa. E isso tudo não pode ser fornecido apenas olhando para os números apresentados no relatório anual da companhia.

A preocupação do analista em entender a empresa, o seu modelo de negócios, os recursos que de alguma forma contribuem para a geração de valor é de fundamental importância para uma boa análise do tipo fundamentalista.

A idéia deste artigo, não é fazer uma crítica à abordagem em investimento em valor. Longe disso. Gosto muito do tema. Em uma carteira de acumulação de longo prazo, muitos dos conceitos desta escola devem ser usados por todos. Apenas desejo enfatizar que o mundo dos investimentos não é uma ciência exata que pode ser mensurada objetivando resultados precisos. Uma abordagem mais ampla e pessoal é imprescindível.

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Carteira de acumulação

Publicado em 03.03.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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A grande maioria dos leitores do blog não são profissionais do mercado. São investidores pessoa física, que procuram alguma orientação sobre como alocar os recursos de forma racional no mercado de renda variável.

Por não trabalharem diretamente na bolsa, não dispõem do tempo necessário para aproveitarem as oscilações de curto prazo. Precisam de uma abordagem de longo prazo. Precisam pensar em uma carteira de acumulação.

Já tratei deste assunto várias vezes por aqui. Muitas vezes, nas minhas consultorias, sou até chato e insistente.  Mas não me canso de repetir. Não posso me isentar de passar para o meu interlocutor, que o trading e a especulação são ótimos meios de remunerar o capital, mas exigem uma dedicação full time por parte do trader/investidor.

Para o investidor pessoa física o mais correto é pensar no longo prazo, acumulando ações.

E a história do mercado está a nosso favor neste aspecto. Abaixo eu trago o gráfico mensal dos últimos 17 anos do Ibovespa.

IBOV

tabela

A compra de ações após grandes quedas (como as assinaladas em rosa no gráfico)  e sua manutenção por períodos de três a cinco anos, gera retornos bastante elevados. Sei que é difícil acertar com precisão quando será o fundo do poço em um bear market, por isso resolvi considerar uma perda de 35% como um patamar hipotético de compra. Caso tivéssemos comprado a carteira do Índice Bovespa todas as vezes que ela chegasse a 35% de queda, na média, teríamos um retorno de 99% em três anos (33% ao ano em média) e 272% em cinco anos (54% ao ano em média).

Analisando os períodos de forma individualizada, a queda ocorrida em 1997 e a respectiva compra nos 35% teriam apresentado uma performance quase nula no período de 5 anos. Isso provavelmente devido a insegurança em 2002 quanto a eleição do presidente Lula.

Apesar desta exceção, na média, a conclusão é que o retorno do investimento em bolsa em momentos de crise tem alta probabilidade de ser elevado no longo prazo. Dessa forma, é recomendado que o investidor pessoa física considere a realocação ou o aumento da sua exposição em ações hoje ou em algum momento nos próximos meses. O ideal seria aplicar o capital de forma disciplinada ao longo de um período, como, por exemplo, 12 ou 24 meses. Nesse caso, o dinheiro seria dividido em 12 ou 24 parcelas e investido em ações em uma determinada data de cada mês. Dessa forma, o investidor poderia fazer preço médio ao longo de um período de alta incerteza para o mercado acionário.

Sei que tratar deste assunto, no momento em que o mercado brasileiro volta a apresentar sinais de fraqueza, não é fácil. Mas, apesar do sofrimento coletivo e da alta incerteza no curto prazo, se você ainda não pensou em uma carteira de acumulação, deveria começar a pensar. A história nos mostra que o investimento em ações “baratas” gera retornos elevados e consistentes ao longo do tempo. É aconselhável que aproveitemos tais momentos, pois não são muito freqüentes e, possivelmente, acontecerão cada vez menos.

Nota: Graças ao email do leitor Helder Fernandes, gostaria de acrescentar que os números de rentabilidade apresentados foram calculados usando a média simples. Considerando o ganho acumulado o resultado seria  de uma rentabilidade média em três anos de 25,78% aa e de 30,05% aa para os cinco anos.

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Invista no que você conhece

Publicado em 17.02.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques, Estratégias

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circulo Quando pensamos em formar uma carteira de longo prazo e de acumulação o fator principal e talvez mais difícil seja o de escolher os ativos que irão compor nosso portfólio. Muitos investidores buscam dicas através de amigos, sites, blogs ou até mesmo nas corretoras onde operam.

Se esquecem porém, de analisar mais a fundo a empresa que estão comprando. Nem ao menos, se questionam se conhecem o ramo de atividade da companhia.

Um princípio extremamente importante para o investidor em ações é o de operar dentro do seu círculo de competência.

As duas principais vantagens para o investidor que forma sua carteira com empresas cujas atividades lhe sejam intimamente conhecidas são a possibilidade de lucrar mais com a volatilidade inerente ao mercado e a tranqüilidade para atravessar períodos em que suas teses de investimento não vingam. O investidor que conhece bem cada uma das empresas que escolhe, seus respectivos mercados, as peculiaridades de seus modelos de negócio, seus produtos e seus consumidores, consegue dormir com menos preocupações em momentos de stress na bolsa.

Com a recente crise americana, muitos investidores tem aplicações perdendo parte significativa da quantia original. Contudo, se a tese de investimento foi e continua correta, o aumento da posição é ainda mais acertado em momentos de forte baixa.

Só que aumentar a posição fica emocionalmente cada vez mais difícil, pois o investidor precisa sustentar sua opinião diante do consenso do mercado. Por isso a importância de se conhecer onde está se investindo.  Apenas os que operam dentro do seu círculo de competência têm a autoconfiança necessária para tomar a decisão correta.

O investidor que não se preocupa que suas aplicações estejam dentro do seu círculo de competência, tende a entrar em pânico e vender o bom investimento na pior hora, a de baixa, quando deveria estar comprando mais. Vende porque não sabe direito o que tem e quanto vale. Não sabe onde é o fundo do poço e não tem a tranqüilidade emocional necessária para suportar o mau desempenho. Falta-lhe conhecimento suficiente para ter a coragem de discordar do mercado.

Resumindo, o investidor precisa se concentrar nas empresas que estão próximas dele. Mas sem dúvida, procurando sempre ampliar seu círculo de competência através do estudo disciplinado e de um trabalho amplo de pesquisa.

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Os riscos na bolsa

Publicado em 13.11.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques, Estratégias

risco

Quando decidimos fazer um investimento, de qualquer espécie, estamos dispostos a assumir um determinado risco visando um retorno compensador.

Pensando nos investimentos em renda variável, podemos citar três tipos de riscos que o investidor deve estar atento para que os seus recursos alcancem os objetivos estipulados:

O primeiro é o risco financeiro. Ou seja, a chance do preço pago pelo ativo não compensar o que ele poderá proporcionar em termos de caixa futuro gerado. Em outras palavras, pagar por algo mais do que aquilo vale. A análise deste risco usualmente é feita através dos múltiplos e do valuation de uma empresa. Um bom exemplo de risco financeiro foram as IPOs realizadas aqui no Brasil nos últimos anos, quando se pagou um preço muito alto por empresas que não geravam caixa suficiente e não apresentavam perspectiva de crescimento que justificasse o investimento.

O segundo é o risco do mercado, chamado também de risco sistêmico.  Este tipo de risco avalia o peso que mudanças na economia e no humor do mercado possam ter sobre a precificação do ativo, independentemente dos seus fundamentos. Quando ocorre um risco sistêmico, pouco importa a solidez ou o segmento que a empresa atua. Acho que a crise americana atual pode representar um bom exemplo de crise sistêmica.

O terceiro é o risco de líquidez, que consiste na possibilidade de se desfazer do ativo objeto a qualquer momento. Se compararmos as diferenças entre os preços de compra e venda para ações de primeira linha com as de segunda e terceira linhas, temos um bom exemplo deste tipo de risco. Normalmente, o spread da falta de líquidez, obriga o investidor a pagar (ou receber) um prêmio a mais por não poder negociar a ação a qualquer momento.

Risco, por definição, é volatilidade potencial dos resultados. Para ambos os lados. E não somente para o lado negativo, de deterioração de preços. Portanto, nenhum investimento no mercado acionário deveria ser feito sem uma ponderação considerável sobre os três diferentes tipos de riscos citados acima.

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