Pecados e manias
Publicado em 02.06.2010 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião
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Já tive a oportunidade aqui no blog de falar um pouco sobre finanças comportamentais, uma área de estudo inovadora que tenta identificar o que leva os investidores a nem sempre serem racionais na tomada de decisão.
Se olharmos atentamente o comportamento da maioria dos investidores, analistas e gestores vamos encontrar erros e manias que se repetem e que muitas vezes padecem de consistência teórica. Abaixo vou citar alguns pecados e armadilhas que devemos evitar para conseguir retornos melhores:
- Não reconhecer limites ao fazer previsões. Estudos mostram que a grande maioria das pessoas (economistas, investidores, grafistas, etc) não consegue fazer previsões sempre corretas, seja sobre o preço de ações, lucro das empresas, projeções gráficas ou qualquer outra variável econômica. Portanto, deixar o orgulho de lado e reavaliar o cenário quando uma previsão não foi atingida é a solução mais correta para o investidor inteligente.
- A ilusão do conhecimento. Muitas pessoas que trabalham no mercado acreditam que quanto mais informação melhor. A psicologia, porém, mostra que existem limites cognitivos em nossa capacidade de processar informação e que, além de níveis realmente baixos de informação, a decisão que tomamos tende a ser a mesma, independentemente da quantidade adicional de informação. Ou seja, o importante mesmo é o uso que se dá à informação.
- Acreditar que você pode ser mais esperto que todos. No mercado financeiro, todos não podem estar certos, afinal é preciso dois lados para uma negociação acontecer. Alguém que compra o ativo e alguém que ovende. Porém, como já vimos, a grande maioria se acha melhor do que a média. E isso pode ser muito perigoso. A autoconfiança é importante, mas acreditar que se está acima do bem e do mal pode levar a perdas enormes.
- Operar em excesso. O fato dos ativos financeiros serem negociados todos os dias não quer dizer que os investidores/traders devam fazer o mesmo. Cada vez mais operar no curto prazo exige uma grande capacitação tecnológica e psicológica da pessoa envolvida. Hoje em dia, as máquinas e seus algoritmos dominam o setor. Difícil competir com elas. Por exemplo, no caso das ações negociadas na bolsa de Nova York, um estudo mostra que, nas décadas de 50 e 60, os investidores mantinham suas posições em ações por 7 anos, na média. Esse número caiu abaixo de 1 ano recentemente.
- Acreditar em tudo que se lê. Não se iluda, o objetivo dos corretores é contar a melhor história possível para convencer seus clientes a comprar aquela “ação do momento” ou o último IPO. Muitos economistas, grafistas e analistas conseguem uma relativa fama não pelas excelentes abordagens e conceitos sobre o mercado, mas porque conseguem contar uma boa história e envolver e atrair o seu interlocutor. Em resumo, eles fazem o que Nicolas Taleb chamou de falácia narrativa. O escritor e operador libanês sugere que a melhor forma de evitar os males a falácia narrativa “é preferir a experimentação a contar histórias, a experiência à história e o conhecimento clínico às teorias”.
- Decisões em grupo. Existe uma crença de que grupos tomam decisões melhores do que indivíduos. No mundo ideal, em um grupo o fluxo de informação é maior e portanto as conclusões são mais sensatas. Mas o que percebemos no vida real do mercado de capitais, é que indivíduos buscam comunidades apenas parar apoiar as decisões erradas que já foram tomadas. Ao invés de contrabalancear os preconceitos, os grupos tendem a ampliá-los, ao reduzir a diversidade de opiniões e aumentar a confiança dos membros, mesmo na ausência de melhora na qualidade das decisões.
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Nestes anos trabalhando no mercado financeiro já encontrei diversos investidores e traders afoitos em encontrar uma estratégia de investimento ideal mas esquecendo de calcular corretamente a rentabilidade da carteira. Não pretendo aqui no blog ensinar conceitos profundos de matemática financeira, mas alguns pontos são fundamentais para que conheçamos de verdade como anda a relação risco/retorno do nosso portfólio.
Ultimamente o medo da volta da inflação, principalmente nos países desenvolvidos, vem sendo o tema principal entre economistas e players do mercado. Um aumento desenfreado dos preços poderia trazer sérias dificuldades para a economia mundial que ainda está se recuperando da forte crise iniciada em 2008.
Muitas vezes me pego pensando sobre o mercado e sobre as diversas estratégias que podem ser usadas para obter uma rentabilidade positiva em nossa carteira. Confesso, que devido ao assunto ser muito extenso, muitas vezes acabo dando novas interpretações à algumas crenças que imaginava já estavam solidificadas no meu “modus operandi”.









