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Risco x Lucro

Publicado em 22.02.2010 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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Cada oportunidade de ganho no mercado exige também tomar determinado risco. Grandes ganhos estão associados a grandes riscos.

A afirmação acima parece muito obvia, mas muitos traders (até experientes) se iludem com a expectativa de descobrirem um trade system infalível e livre das perdas.

Um trade system (TS) pode ser classificado dentro de três modelos básicos: trend following, contra-tendência e arbitragem.

Normalmente no modelo de trend following o trader se depara com pequenas perdas e pequenos ganhos. O sistema procura insistentemente um trend e sai rapidamente da operação assim que os preços começam a se mover na direção contrária. Desta forma, é normal ocorrerem um número maior de operações perdedoras do que vencedoras. Se aumentamos a nossa tolerância ao risco, ou seja, usando um trend mais lento ou um stop loss mais amplo, o TS vai apresentar um número maior de operações vencedoras, mas consequentemente perdas financeiras mais altas e uma maior volatilidade do próprio capital.

As estratégias contra-tendência normalmente assumem um risco maior. Os lucros são menores mas ocorrem com mais frequência do que as perdas. Porém, ao ser stopado o trader costuma sofrer um grande prejuízo. Na prática, a lógica da contra-tendência é a mesma do trend-following, apenas com o sinal invertido.

Já a arbitragem procura “eliminar” o risco comprando um determinado ativo e vendendo outro que tenha uma correlação negativa. Neste tipo de operação, a possibilidade de perda torna-se muito limitada, mas ao mesmo tempo o lucro também é muito reduzido.

Não existe um modelo secreto de trading capaz de produzir apenas operações vencedoras. Certamente alguns trade systems são melhores que outros, mas nenhum deles está imune de assumir riscos.

É inevitável… quanto maior o ganho, maior o risco… e a única forma de não correr nenhum risco é não operar no mercado.

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Olhando o passado

Publicado em 02.02.2010 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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Muitos investidores tem se perguntado nas últimas semanas se a atual correção dos preços nos mercados é apenas um ajuste temporário ou se de fato estamos diante de uma nova onda de baixas. Difícil prever o futuro, mas algumas observações podem ser feitas.

Primeiramente,devemos fazer uma distinção entre o pânico e os “bear markets” (mercados com tendência de baixa). A diferença entre pânico e bear market não é o estrago causado nos preços, mas a duração e o impacto na psicologia dos agentes de mercado. Nos mercados financeiros, costuma-se dizer que pânicos devem ser usados como boas oportunidades de compra, enquanto “bear markets”  devem ser vendidos tão logo são identificados. Sem dúvida, o difícil neste caso, é identificar corretamente ambos.

O passado nunca é um guia perfeito para o futuro, que é sempre incerto. Mas ignorar totalmente as lições do passado pode ser um erro fatal para o investidor. Pensando desta forma, resolvi estudar dois exemplos de “bear markets” para saber o que ocorreu durante estas épocas difíceis.

O primeiro exemplo, é o período entre 1997 e 1999 quando o Ibovespa se desvalorizou mais de 70 %. Mas, naquele período, ocorreram pelo menos quatro recuperações fortes.

IBOV

IBOV (1997-1999)

O segundo exemplo, é o período entre 2000 e 2002, quando a bolha da internet estourou e a Nasdaq caiu aproximadamente 80%. No entanto, também ocorreram quatro fases de recuperação no período.

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Nasdaq (2000-2002)

Acredito que estes exemplos nos mostram que existe muita volatilidade em “bear markets” e que uma entrada prematura para investidores afoitos pode ser o caminho mais rápido para a desgraça.

Uma verdadeira tendência de baixa pode demandar muitos meses de ajustes “dolorosos”. Durante esta fase de limpeza dos excessos da bonança, ocorrem recuperações nos mercados que podem iludir os mais otimistas. Saber quando se está diante de um “bear market” rali, ou quando uma nova fase de otimismo sustentável começou, faz toda a diferença no resultado. Acertar com exatidão as viradas dos mercados é praticamente impossível. Mas muitos investidores acabam enganados pelas falsas viradas, fases de acelerada recuperação dos ativos durante um cenário ainda desfavorável.

Em resumo, quando entramos em uma grande e duradoura correção dos preços, várias fases de recuperação e expressivas altas podem coexistir. Sem dúvida, estas oscilações representam uma grande oportunidade para os traders rápidos que não se apegam aos ativos. Mas, por outro lado, representam também um grande perigo para o investidor de longo prazo que passa a acreditar que o pior já passou e que está diante de uma importante virada sustentável, enquanto está apenas verificando uma recuperação dentro de um mercado ainda negativo.

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A visão de longo prazo

Publicado em 26.01.2010 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques, Estratégias

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image Antes de mais nada, me permitam fazer um alerta… Este artigo é voltado para o investidor de longo prazo, que não pensa em se desfazer da carteira nos próximos cinco anos.

É muito interessante observar o comportamento antagônico de muitos investidores durante o ápice da crise do subprime no final de 2008 e agora, apenas  1 ano  e alguns meses depois. No final de 2008 e início de 2009, tive a oportunidade de conversar com investidores que estavam totalmente desiludidos com a bolsa de valores e entregaram para os céus suas carteiras de ações devido à desvalorização. Comentei na época, que fazer isso tem um custo de oportunidade e que ele precisava manter um distanciamento emocional deste contexto e mudar o foco para o lado racional da situação, isto é, para as oportunidades.

Recentemente, encontrei um destes investidores novamente. E sem dúvida, era nítida a sua felicidade de ter permanecido na bolsa (mesmo sem ter decidido isso racionalmente) e recuperado boa parte das perdas da carteira.

Mas e agora, que parece que o mercado novamente vai passar por um momento de correção, como será o comportamento deste mesmo investidor? Terá aprendido com a experiência recente?

Quando mencionamos a estratégia de investimento de longo prazo somos obrigados a citar Benjamim Graham, sem dúvida o mentor do chamado investimento em valor. Graham diz: ”Aquele investidor que se permite ficar preocupado ou até mesmo apavorado com as quedas de seus papéis na bolsa estará transformando sua maior vantagem em sua maior desvantagem. Para este homem seria melhor que não houvesse qualquer cotação na bolsa, para que ele não se deixasse contaminar pela angústia mental causada pelo erro de avaliação de outras pessoas.”

Portanto na próxima correção do mercado, o investidor de longo prazo deve procurar oportunidades. Alguns tópicos são importantes e devem ser observados na empresa que você escolher para compor a carteira:

- Caixa forte (empresa sem dívidas);

- Sendo negociada com múltiplos atrativos. Ações baratas, negociadas abaixo do seu valor de reposição, isto é, o mercado está atribuindo erroneamente que não existe nenhuma perspectiva futura;

- Negócio atrativo (possui vantagens competitivas);

- Gestão da empresa razoavelmente competente e alinhada aos interesses dos acionistas.

Com este pequeno filtro as chances de se escolher uma empresa vencedora são muito maiores. Lembre-se que o investidor de longo prazo não tem pressa e portanto não se preocupa com o timming correto. Para ele, acompanhar o consenso do mercado significa pagar um preço muito alto e portanto fazer preço médio se as ações caírem mais é algo corriqueiro e que pode trazer bons frutos no futuro.

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Russell 2000

Publicado em 19.01.2010 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Estratégias

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O índice Russell 2000 foi criado pela Frank Russell Group e procura identificar o comportamento das empresas de menor liquidez do mercado americano. O calculo deste índice é muito interessante. Inicialmente calcula-se a performance das 3000 ações mais negociadas na NYSE e em seguida se subtrai a performance das 1000 ações mais capitalizadas. O resultado é um apanhado das principais small caps da bolsa americana.

Acompanhar as small caps americanas pode ser bastante interessante. Afinal de contas, muitas vezes é mais fácil perceber anomalias em empresas com menor líquidez do que em cotações de companhias muito grandes.

Na bolsa americana, o Russell 2000 pode ser negociado de diversas formas. Existe inclusive futures e minifutures para o índice. Por este motivo ele é  muito utilizado pelos hedge funds em operações de arbitragem.

Muitos traders e investidores gostam de observar a relação entre o Russell 2000 e o S&P500. Quando o ratio Russell / SP500 está subindo,o risco do mercado também está subindo. Quando o ratio está caindo o risco do mercado está diminuindo.

Olhando para o comportamento dos dois gráficos nos últimos meses, percebemos como as empresas de menor líquidez se valorizaram com mais força do que as blue chips. Isso talvez explique a forte retomada da LAD de NYSE que já superou inclusive o topo do mercado do final de 2007.

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Russell 2000 / S&P500

LAD de NYSE

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Indicador de risco

Publicado em 13.01.2010 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias

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Cada vez mais me convenço que além de ter um eficiente setup de trading, o trader precisa conhecer as condições de risco do mercado. Nestas férias tive a oportunidade de ler a obra de um trader italiano chamado Luca Bagato que apresenta um indicador interessante sobre como captar o humor do mercado mundial. Em seu livro “Gli indicatori anticipatori di Macromarkets”, Bagato descreve o Macromarkets Equity Risk utilizando índices acionários e medidas de volatilidade como o VIX e o VDAX (o equivalente do VIX para o mercado alemão).

Confesso que estou apenas começando a estudar este indicador  e portanto não posso fazer uma avaliação mais minuciosa, mas baseado nas experiências relatadas pelo autor e descritas no livro, estou fortemente inclinado a usá-lo nas minhas análises.

Mas chega de conversa fiada e vamos direto ao conceito do Macromarkets Equity Risk.

O indicador utiliza três fórmulas como parâmetro e dá um peso para cada uma delas.

Primeira fórmula:

Calcular a distância em pontos entre a cotação do Dow Jones e a sua média de 200 dias.

Se o cálculo for >0, ou seja o DJI está acima da MM200, pegar 20% do valor de fechamento do índice . Por exemplo: ontem o DJI fechou nos 10627 pontos e a MM200 nos 9277, portanto temos (10627*0,20)= 2125,40

Se o cálculo for <0, ou seja o DJI está abaixo da MM200, pegamos 20% do valor de fechamento do índice menos a diferença deste valor para a pontuação da média 200 períodos. Por exemplo, no dia 06/03/09, o DJI fechou 6627 pontos e a MM200 nos 9887, uma diferença de 3260 pontos, portanto teríamos (6627-3260)*0,20=673,40

Segunda fórmula:

40% do quociente entre a cotação do S&P500 e o VIX (índice de volatilidade). Por exemplo: ontem o S&P500 fechou nos 1136 pontos e o VIX nos 16,96, portanto temos (1136/16,96)*0,40=26,79

Terceira fórmula:

40% do quociente entre a cotação do DAX (principal índice alemão) e o VDAX (índice de volatilidade do DAX). Por exemplo: ontem o DAX fechou nos 5943 pontos e o VDAX nos 20,33, portanto temos (5943/20,33)*0,40=116,93

Depois do cálculo das três formulas, somamos os resultados e temos o indicador Macromarkets Equity Risk. Neste caso, o valor do indicador ontem foi de 2269,12.

Segundo o autor, valores acima de 2000 pontos representam um mercado com volatilidade reduzida e portanto propício para operações long (comprado). Abaixo deste patamar, o trader deve observar oportunidades para operar vendido. Além disso, Bagato traça resistências e suportes no indicador que também servem como parâmetro operacional.

O interessante deste indicador é o fato de ele  agrupar o comportamento gráfico dos principais índices mundiais juntamente com os índices de volatilidade. Através dele, segundo Bagato, podemos conhecer o momentum do risk equity, fundamental para avaliarmos a hora certa de abrir uma posição no mercado. O autor ainda resalta que o indicador funciona melhor na escala semanal já que capta menos os ruídos da periodicidade diária.

Como já frisei testei pouco esta abordagem, mas resolvi mesmo assim compartilhá-la com vocês. Portanto, comentem e critiquem o que acharam do indicador de Luca Bagato. Pode ser de alguma ajuda para as nossas operações aqui no mercado brasileiro?

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Dow Jones – Gráfico 15 minutos

Publicado em 19.11.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Técnica, Análises, Estratégias

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DJI – Gráfico de 15 minutos

Dow Jones rompe para baixo zona de congestão que já durava 3 dias no gráfico intraday (15 minutos). Segundo a simetria, as zonas de suporte são marcadas pelos fundos em 10230 e 10170. A perda deste último anula a tendência de alta de curto prazo do índice americano e indica um possível período de lateralização.

Agora vejam que interessante… os indicadores apresentados hoje no mercado americano apresentaram sinais positivos:

- índice de indicadores antecedentes +0,3% em Outubro; previsão era +0,4%.

- índice de atividade do Fed da Filadélfia sobe para 16,7 em Novembro; expectativa era uma alta para 12.

- pedidos de auxílio desemprego ficam estáveis; previsão era de +4mil.

Conclusão: quanto menos procurarmos explicação para o movimento de curto prazo nos mercados, mais saudável será a nossa análise. Os mercados são livres e nem sempre eficientes.

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Os treasuries e o ISM

Publicado em 27.10.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Estratégias, Informações, Opinião

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Spread entre Treas. 2Y e 10Y

ISM (Institute Suply Management)

Um interessante medidor econômico é a analise da relação dos treasuries americanos de 2 e 10 anos, juntamente com o ISM (Institute Suply Management).

Quando temos uma aproximação entre os rendimentos dos treasuries de 2 e 10 anos significa que o mercado passa por um momento de calmaria e que portanto a expectativa dos agentes do mercado é de crescimento econômico.

A política de juros do Fed influência diretamente o rendimento dos treasuries. Os notes de 2 anos se ajustam mais rapidamente à variação da taxa de juros do que os notes de 10 anos. Ou seja, em um período de recessão os notes de vencimento mais curto caem juntamente com a taxa de referência mais rapidamente que os notes mais longos.  Já em períodos de expansão econômica, acontece o inverso, ou seja, eles sobem mais rapidamente. No gráfico isso fica bem evidenciado se pensarmos, que em 2007/2008 visando combater a recessão que se avizinhava, o Fed cortou drasticamente a taxa básica de juros americana.

Desta forma, podemos concluir que:

Quando a diferença entre os Treas.10Yr e Treas.2Yr aumenta, a expectativa é que teremos um momento de queda na atividade econômica dos EUA.

Quando a diferença entre os Treas.10Yr e Treas.2Yr diminui, a expectativa é que teremos um momento de crescimento na atividade econômica dos EUA.

Já o ISM é considerado por muitos analistas o indicador mais importante divulgado nos EUA. Estudos comprovam que quando o ISM (seja de produção como de serviços) estiver abaixo de 43 por dois meses seguidos, significa que a economia americana se aproxima de uma recessão. Por outro lado, um ISM acima de 60 por dois meses seguidos, pode representar uma economia super aquecida e com um grande risco inflacionário.

Juntando estas informações podemos criar esta tabela de acompanhamento abaixo e tentarmos identificar em que estágio se encontra a saúde da economia americana e conseqüentemente criar uma estratégia para o mercado acionário:

tabela

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O perigo do IOF

Publicado em 20.10.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Informações, Opinião

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image A resolução: A partir de hoje todo investimento estrangeiro direcionado a aplicações em bolsas e títulos públicos será taxado em 2% de IOF. A medida não afeta os investimentos externos diretos (IED).

A intenção: Segundo o governo há um excesso de aplicações de estrangeiros na bolsa e a medida visa evitar a formação de uma bolha especulativa no mercado brasileiro. Segundo o ministro da Fazenda Guido Mantega, cerca de US$ 20 bilhões entraram no país para investimentos em ações no ano, entre janeiro e o começo deste mês. Além da bolha, com a nova taxação, a intenção dos senhores de Brasília é reduzir a valorização do real que atrapalha as exportações, tornando os produtos brasileiros menos competitivos.

Em um primeiro momento, julgo a medida como positiva. O capital estrangeiro que hoje em dia aporta no país visando aproveitar as oscilações de curto prazo da bolsa sentirá o peso dos 2% do novo tributo. Agora para aqueles que permanecerem por 12 meses ou mais, o IOF vai ser diluído no tempo e portanto não deixarão de investir.

Pensando mais a fundo sobre a questão, percebo que a medida pode afetar drasticamente a nossa bolsa. Os investimentos estrangeiros que ingressam no Brasil para a aquisição de ações e debêntures, apesar de inicialmente parecerem investimentos especulativos, têm um papel fundamental para a evolução do nosso mercado de capitais e para a competitividade das empresas brasileiras. Estes investimentos dão liquidez às ações e às debêntures, atraindo mais investidores para as bolsas e, portanto, fazendo com que a emissão de dívidas por parte das empresas se torne uma opção viável para a captação de recursos. Em um país com um custo bancário tão elevado, estas fontes adicionais de financiamento adquirem um papel relevante para a competitividade das empresas. Sem elas, muitas de nossas empresas não teriam conseguido realizar os investimentos relevantes que se materializaram nos últimos anos. A possível fuga do capital estrangeiro com a nova taxação e a consequente queda no valor das ações das empresas podem gerar um custo pesado para a economia como um todo.

É importante acompanhar como será o fluxo de capital estrangeiro nas próximas semanas. Vale lembrar que existem muitas empresas brasileiras listadas em Nova York, através das ADRs (American Depositary Receipts), o que pode atrair os recursos sem a incidência do novo imposto.

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Novo paradigma ?

Publicado em 13.10.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Estratégias, Opinião

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image O Nobel de economia divulgado hoje causou surpresa na maioria da comunidade econômica. Os ganhadores foram Elinor Ostrom, da Universidade de Indiana, primeira mulher a receber o Nobel de Economia e Oliver Williamson, da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Ostrom estudou como grupos de pessoas conseguem explorar recursos naturais de forma sustentável, mesmo sem regulação do governo ou privatização.

Já Williamson pesquisou como é o processo de decisão dentro das empresas e como, às vezes, isso funciona melhor do que deixar as decisões a cargo do livre mercado.

O interessante dos premiados é que o tipo de pesquisa de ambos não trata de assuntos relacionados a teoria econômica tradicional. Deixando claro que existe uma demanda crescente na sociedade e principalmente nos mercados por novas abordagens. Parece que os erros recentes que deflagraram a crise do subprime começam a ser combatidos. A idéia de conseguir administrar e controlar o risco do mercado apenas através de fórmulas matemáticas começa a perder seu espaço.

Nenhum modelo estatístico está verdadeiramente preparado para apontar a ocorrência de eventos catastróficos, que, como temos visto, ocorrem com certa frequência. Portanto, um conjunto de fórmulas matemáticas, por mais sofisticado que possa parecer, não pode ser a solução quando se fala em controle de riscos, especialmente quando derivativos são utilizados como parte da estratégia.

Cada vez mais saber interpretar a relação entre os agentes do mercado (indivíduos, empresas, mercado e grupos) se torna importante.  O Nobel de economia deste ano pode ser o início de um novo paradigma para as finanças, mais focado no comportamento das massas e menos refém de dogmas do passado.

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Cenários – 62 ou 67?

Publicado em 08.10.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Estratégias

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62 ou 67? Por que os analistas apontam estes patamares

Quero começar através do site a trabalhar alguns textos, que não são necessariamente os tradicionais avisos gráficos. São o que chamo de “cenários”. Gosto de trabalhar com a criação de determinados cenários, que são meus guias ao longo de um determinado período de tempo. Estes cenários fazem com que qualquer movimento que ocorra no curto prazo, esteja de certa forma previsto permitindo que o sucesso operacional cresça.

Nos últimos dois meses, após a melhora de alguns números e do mercado apresentar um bom fluxo de compra, um ótimo cenário foi criado e percebido pelos analistas, que começaram a apontar quais são os objetivos desta alta. Essa tradicional mensuração acaba influenciando emocionalmente muitos investidores. Os números dos gráficos não são números mágicos e suas existências são precedidas de motivos.

Neste texto pretendo mostrar de onde surgem tais números. Serei simplista, até porque irei utilizar o que são em minha opinião as duas maiores teorias gráficas, e sem dúvida, as que mais estudo, utilizo e confio, as duas que mais segurança me dão aos meus investimentos. São as teorias de Fibonacci e de Elliott. Assim pedirei perdão aos entusiastas das duas teorias, mas o objetivo deste texto é agregar um pouco mais de conhecimento e, por que não, de confiança aos jovens investidores, assim não irei me adentrar na complexidade teórica das mesmas.

As projeções se dão seguindo objetivos de alta da teoria de Elliott em suas ondas, Elliott aponta que os ciclos de alta, são tradicionalmente formados por 5 ondas, sendo que as ímpares são ondas altistas e as pares são ondas de queda dentro do ciclo de alta (imagem 1). Mas estas ondas guardam em si propriedades particulares, são recriações de um mesmo movimento, o primeiro. A princípio a onda 1 é a onda que determinará o movimento de praticamente todo o ciclo, determinará os objetivos de alta e por conseqüência objetivos de queda. E para determinar estes movimentos gosto de utilizar Fibonacci.

O objetivo de 62000 pontos

Uma vez que compreendemos a utilização das ondas de Elliott, precisamos compreender as projeções de Fibonacci dentro deste movimento, estipulando assim nossos objetivos. No caso das ondas de alta, a onda 3 tem como objetivo realizar 100% do movimento de alta de 1 e, a onda 5 tem por objetivo realizar os mesmos 100% de 1, porém partindo da onda 3. Observamos assim, nesta segunda imagem, o ciclo de Elliott praticamente completo, as 3 ondas ímpares contêm as mesmas projeções de Fibonacci. A onda 3 conseguiu através da força no fluxo de compra romper o máximo objetivo, o que acaba por sinalizar que o mercado estava fortemente posicionado na compra e que poderíamos esperar uma onda 5 com bom fluxo na mesma posição. É importante salientar aqui, que mesmo que os 62000 sejam o objetivo máximo, isso não necessariamente implica em um recuo do mercado, a onda 5 pode também extrapolar esse objetivo conforme ocorrido na onda 3.

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Imagem 1

Imagem 2

Imagem 3

O objetivo de 67500 pontos.

Nesta terceira e última imagem, utilizamos praticamente todos os mesmos ideais descritos no objetivo anterior. Existe uma única e simples diferença. Neste último caso o analista costuma duplicar o movimento da onda 3, uma vez que está se mostrou mais longa do que o normal, indicando que o mercado estava com ótimo fluxo de compra. Ao duplicarmos a onda 3 e posicionar esta na projeção da onda 5, enxergamos como objetivo os 63333 e o máximo objetivo na casa dos 67500 pontos.

62 ou 67?

A escolha que venho fazendo pelos 62000 é muitos simples. Acabamos de viver uma profunda crise, que sendo ou não marolinha por aqui, precisa ser vista na análise de forma cautelosa. Muitos investidores baseiam-se nas diversas análises, projeções e comentários deste complexo mercado financeiro. Um pouco de cautela não é nada demais. O objetivo de 67500 pontos não é por mim descartado, muito pelo contrário, ele pode sim ser real. E passará a ser a partir do momento que o mercado romper os 63.333 pontos e montar um novo pivô de alta, indicando que buscará os 67500 pontos. E mais, a ruptura dos 67500 não está, de forma alguma, descartada. Cada objetivo de alta alcançado pelo mercado se traduz em um comportamento do mesmo e também no ritmo em que este cumpre e conquista estes objetivos. Assim cada objetivo alcançado dentro de um cenário macro, tem seus significados.

Quero lembrar aos leitores que este tipo de texto, é uma demonstração de como as análises buscam criar cenários de onde partem os estudos e operações de seus utilizadores. A melhor forma do leitor interpretar este texto é entender realmente a existência de movimentos de curto prazo dentro de movimentos de longo prazo. Essa simples compreensão, permite que tenhamos um melhor equilíbrio emocional na gestão de nossos investimentos, resultando em uma melhor performance acompanhada de dias tranqüilos.

Rafael Valim, geógrafo e trader, opera no mercado financeiro e colabora eventualmente com o CHR Investor.

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