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Olhando o passado

Publicado em 02.02.2010 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Estratégias, Opinião

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Muitos investidores tem se perguntado nas últimas semanas se a atual correção dos preços nos mercados é apenas um ajuste temporário ou se de fato estamos diante de uma nova onda de baixas. Difícil prever o futuro, mas algumas observações podem ser feitas.

Primeiramente,devemos fazer uma distinção entre o pânico e os “bear markets” (mercados com tendência de baixa). A diferença entre pânico e bear market não é o estrago causado nos preços, mas a duração e o impacto na psicologia dos agentes de mercado. Nos mercados financeiros, costuma-se dizer que pânicos devem ser usados como boas oportunidades de compra, enquanto “bear markets”  devem ser vendidos tão logo são identificados. Sem dúvida, o difícil neste caso, é identificar corretamente ambos.

O passado nunca é um guia perfeito para o futuro, que é sempre incerto. Mas ignorar totalmente as lições do passado pode ser um erro fatal para o investidor. Pensando desta forma, resolvi estudar dois exemplos de “bear markets” para saber o que ocorreu durante estas épocas difíceis.

O primeiro exemplo, é o período entre 1997 e 1999 quando o Ibovespa se desvalorizou mais de 70 %. Mas, naquele período, ocorreram pelo menos quatro recuperações fortes.

IBOV

IBOV (1997-1999)

O segundo exemplo, é o período entre 2000 e 2002, quando a bolha da internet estourou e a Nasdaq caiu aproximadamente 80%. No entanto, também ocorreram quatro fases de recuperação no período.

nasdaq

Nasdaq (2000-2002)

Acredito que estes exemplos nos mostram que existe muita volatilidade em “bear markets” e que uma entrada prematura para investidores afoitos pode ser o caminho mais rápido para a desgraça.

Uma verdadeira tendência de baixa pode demandar muitos meses de ajustes “dolorosos”. Durante esta fase de limpeza dos excessos da bonança, ocorrem recuperações nos mercados que podem iludir os mais otimistas. Saber quando se está diante de um “bear market” rali, ou quando uma nova fase de otimismo sustentável começou, faz toda a diferença no resultado. Acertar com exatidão as viradas dos mercados é praticamente impossível. Mas muitos investidores acabam enganados pelas falsas viradas, fases de acelerada recuperação dos ativos durante um cenário ainda desfavorável.

Em resumo, quando entramos em uma grande e duradoura correção dos preços, várias fases de recuperação e expressivas altas podem coexistir. Sem dúvida, estas oscilações representam uma grande oportunidade para os traders rápidos que não se apegam aos ativos. Mas, por outro lado, representam também um grande perigo para o investidor de longo prazo que passa a acreditar que o pior já passou e que está diante de uma importante virada sustentável, enquanto está apenas verificando uma recuperação dentro de um mercado ainda negativo.

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6 comentários para “Olhando o passado”

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  1. Ronaldo disse:

    Caro Christian

    Mas a pergunta continua, e creio que, por enquanto ninguém sabe a resposta: Estamos em um início de bear market ou é uma simples correção? Se é uma simples correção, porque os estrangeiros estão saindo? Por que DJ cai, mesmo quando a economia cresce 5,7%? E porque algumas small caps (HYPE3, por exemplo) vem rompendo máximas históricas, enquanto PETR4/VALE5/CSNA3/USIM5 ou vem caindo ou estão paradas? Alguém tem alguma luz?

  2. Lord Target disse:

    Olá, Christian. Muito interessante sua abordagem sobre o que é o quê, no momento.

    É interessante ver como todo um comportamento pode mudar com um inicio de um recuo, isso depois de 12 meses de plena força compradora.

    Parece que eu já vi essa história. Essa dicotomia agora do ´tem que continuar subindo´, ou ´vai afundar´ parece que se acentuou ainda mais.

    Não tenho dúvidas que isso vem devido ao trauma sofrido pela crise e suas mazelas deixadas no sistema econômico mundial.

    Bom, não vou me estender muito dessa vez. Vou deixar o link de um gráfico trimestral do Dow Jones, com algumas observações.

    Há ainda que ter cautela. O gráfico mostra que, essa queda não foi uma queda qualquer, e que, sem a injeção monumental dos governos, sabe-se lá o que iria acontecer.

    No meu entender, a prova do true bullish market não está tão fácil assim de se concretizar, falando como um grafista.

    Ainda há muito obstáculos pela frente para força bull.

    E, macroeconomicamente falando, falta ainda a etapa maior: o bail-out.

    Esse sim vai mostrar do que o mercado mundial é feito.

    link: http://twitpic.com/113ccr

    abraço

    LT

  3. Lord Target disse:

    *correção: escrevi 12 meses de plena força bull. E, claro, está errado. Foram 9.

  4. Guilherme Ruffini disse:

    Chris, Acho que a grande diferença desse movimento de janeiro, com outras correções ocorridas em 2009. Foi o fato de termos tido uma forte valorização no dólar.

    Muitos analistas se surpreenderam com altas acima de 10% em janeiro da moeda, mas era de se esperar devido a saúde relativa dos EUA e da Europa, as duas principais “majors”.

    Então não é uma simples correção, esta atual, pois houve fuga de divisas, devido a alta do câmbio. Fato que pode ser revertido, com a entrada mais agressiva dos fundos de investimento ou pessoa física, ou se manterá, caso o diferencial de crescimento das economias citadas amplie. HOje tivemos um adp positivo e isso ja animou o dólar. Sexta tem o oficial, vamos ver o comportamento dos estrangeiros na bolsa.

    Mas ressalto duas preocupações, o fechamento do carry trade com a elevação da taxa da cÂmbio (seja retomada, seja ameaça de juros fed), e uma re-alocação de investimentos, pois com a baixa no “Nível da água”, as bolsas principais voltam a respirar e a se tornar interessantes portos para capital especulativo, que na crise migraram para os países mais “altos” pra fugir da água.

    Então podemos ter uma re-alocação e uma mudança de tendência no dólar, que afetará preço de commodities, CRB, e a presença dos estrangeiros no IBovespa, em especial o capital especulativo.

    Esses são meus estudos pra 2010.

    Vamos monitorando.

    Abs

  5. Francisco Zanette disse:

    Olá Christian!

    Não consigo ou não sei com acessar ( enviar textos ) ao teu tweeter. Minha visão pessoal sobre como ser um gestor de sucesso está resumida neste pensamento meu:
    ” Ser um gestor não requer inteligência fora do comum e sim uma combinação de capacidades, tais como: visualizar as oportunidades do mercado, ser rigoroso no manejo de risco nos investimentos, ter liderança sobre a equipe, poder enfrentar a pressões constantemente sempre com racionalidade, suportar a rotina estressante do dia-a-dia e ter a habilidade de apesar de adversidades, apresentar um desempenho dentro de suas metas pré-estabelecidas.”
    Um abraço!

  6. nabuco disse:

    pois é,se o dolar está valorizando, se o capital estrangeiro está volltando ás origens, se a pessoa fisica é apenas uma migalia – 500 mil no pais todo- então não é uma simples correção.

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