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Muitos investidores tem se perguntado nas últimas semanas se a atual correção dos preços nos mercados é apenas um ajuste temporário ou se de fato estamos diante de uma nova onda de baixas. Difícil prever o futuro, mas algumas observações podem ser feitas.
Primeiramente,devemos fazer uma distinção entre o pânico e os “bear markets” (mercados com tendência de baixa). A diferença entre pânico e bear market não é o estrago causado nos preços, mas a duração e o impacto na psicologia dos agentes de mercado. Nos mercados financeiros, costuma-se dizer que pânicos devem ser usados como boas oportunidades de compra, enquanto “bear markets” devem ser vendidos tão logo são identificados. Sem dúvida, o difícil neste caso, é identificar corretamente ambos.
O passado nunca é um guia perfeito para o futuro, que é sempre incerto. Mas ignorar totalmente as lições do passado pode ser um erro fatal para o investidor. Pensando desta forma, resolvi estudar dois exemplos de “bear markets” para saber o que ocorreu durante estas épocas difíceis.
O primeiro exemplo, é o período entre 1997 e 1999 quando o Ibovespa se desvalorizou mais de 70 %. Mas, naquele período, ocorreram pelo menos quatro recuperações fortes.
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IBOV (1997-1999)
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O segundo exemplo, é o período entre 2000 e 2002, quando a bolha da internet estourou e a Nasdaq caiu aproximadamente 80%. No entanto, também ocorreram quatro fases de recuperação no período.
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| Nasdaq (2000-2002) |
Acredito que estes exemplos nos mostram que existe muita volatilidade em “bear markets” e que uma entrada prematura para investidores afoitos pode ser o caminho mais rápido para a desgraça.
Uma verdadeira tendência de baixa pode demandar muitos meses de ajustes “dolorosos”. Durante esta fase de limpeza dos excessos da bonança, ocorrem recuperações nos mercados que podem iludir os mais otimistas. Saber quando se está diante de um “bear market” rali, ou quando uma nova fase de otimismo sustentável começou, faz toda a diferença no resultado. Acertar com exatidão as viradas dos mercados é praticamente impossível. Mas muitos investidores acabam enganados pelas falsas viradas, fases de acelerada recuperação dos ativos durante um cenário ainda desfavorável.
Em resumo, quando entramos em uma grande e duradoura correção dos preços, várias fases de recuperação e expressivas altas podem coexistir. Sem dúvida, estas oscilações representam uma grande oportunidade para os traders rápidos que não se apegam aos ativos. Mas, por outro lado, representam também um grande perigo para o investidor de longo prazo que passa a acreditar que o pior já passou e que está diante de uma importante virada sustentável, enquanto está apenas verificando uma recuperação dentro de um mercado ainda negativo.
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