A arte da paciência
Publicado em 08.05.2009 por CHRinvestor na(s) categoria(s) Opinião
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Quem opera no curtíssimo prazo sabe que bastam uma ou duas operações bem sucedidas no mês pra fazer algo em torno de 5% de rentabilidade. É pouco? Após alguns anos, com os 5% mensais você terá multiplicado o seu capital muitas vezes. Mas quem consegue esperar pelo momento ideal pra montar posição, o momento perfeito, quando aquela ação que você acompanha bate exatamente onde você queria? As médias móveis e as bandas de bollinger estão na posição ideal, o ativo fez o aguardado candle de reversão sobre forte suporte (para uma compra) ou junto a uma forte resistência (para uma venda) e ainda o Ibov ajudando… tudo como manda o manual…
Pode parecer incrível, mas todos os meses este “alinhamento dos astros” acontece. É só saber aguardar. Não acontece talvez em todas as ações, mas posso apostar que em uma das cinco ou dez selecionadas para acompanhamento isso irá ocorrer ao menos uma vez por mês. Por isso é tão importante não querer olhar dezenas delas. Claro que, com o tempo, seus filtros vão sendo ajustados, e basta uma rápida olhada pra descartar a maioria dos ativos. Assim se pode aumentar o número de ativos analisados. Para o trader iniciante, de cinco a dez estão de bom tamanho. Dessa forma não se deixa passar a oportunidade de ouro.
O problema é que operamos demais e vamos sendo machucados, minados pelo mercado. Não há quem suporte uma sucessão de stops com frieza de monge budista. Isso é da natureza humana. Talvez se fôssemos venusianos como o Dr. Spok (pros mais novos, um personagem sem emoções da série “Jornada nas estrelas”) seríamos imbatíveis. E é no controle emocional que bons analistas se distinguem de bons traders. Paper-trade é uma moleza, operar com dinheiro de verdade é outra história.
Quase todos já assistiram este filme: O trader perdedor entra numa operação. Ela vai contra o planejado, na maioria das vezes a saída nem foi planejada, o stop já ficou pra trás, as perdas vão crescendo, até que o trader finalmente estopa. Que alívio, se livrou desse abacaxi! Nesse momento, o mercado faz um fundo e começa a subir. E o trader está tão castigado de tanto ser stopado que nem consegue se mexer. O mercado sobe com vontade, nos fóruns todos ganhando dinheiro, e ele petrificado, incapaz de agir. Até que ele não agüenta mais e resolve entrar na festa. Mas a festa já está no fim e sobra pra ele arrumar a bagunça, expulsar os bêbados, botar o gato pra fora. E, pior, pagar a conta…
E o movimento se repete. Desliga o stop novamente, quando coloca no automático leva mais uma violinada, só ele fora da festa, o resto ganhando dinheiro, e por aí vai… Um movimento repetitivo até que ele desiste disso tudo e sai do mercado dizendo que os tubas querem comer as sardinhas, que tudo não passa de um jogo, e tem a telegangue, tem os market makers manipulando os preços e mais um monte de desculpas pra justificar seu fracasso.
Se alguém ainda não passou por situação semelhante é porque começou há pouco no mercado, e ainda não deu tempo.
Na verdade, o fracasso ou sucesso depende exclusivamente do próprio trader. De mais ninguém. A longo prazo, não importa se o mercado ajudou ou não. O que define o sucesso do trader é, em primeiro lugar, sua capacidade de sobreviver no mercado. E só se sobrevive admitindo os próprios erros. Em segundo lugar, sua capacidade de se adaptar a diferentes cenários e situações. Por último, sua capacidade de se aperfeiçoar. Estudar, treinar, estudar, treinar.
Curto e grosso, é aprender com as burradas, pois elas são inevitáveis. Todos já fizemos ou ainda iremos fazer. Cabe ao trader decidir por quanto tempo continuará cometendo-as e quando vai começar a levar realmente a sério esse negócio de operar na bolsa.

















8 de maio de 2009 às 17:25
ótimo texto! um dos melhores que ja li a respeito. Incrível como só sentindo na pele o fracasso para os atos humanos se disciplinarem e a sabedoria plena ser conquistada..parece inevitável isso. Existem estudos recentes a respeito disso nos investimentos, a chamada neuroeconomia que estuda como o cerebro humano se comporta diante desse mundo incerto do mercado de capitais…só as mentes treinadas conseguem sucesso nessa modalidade. Somos humanos e as vezes o que parece defesa para nós (como o medo) é negativo para um bom trade. O ato de se reeguer diante de grandes perdas é a conquista da sabedoria…é um processo doloroso mas eficaz dizem os profissionais. Absolutamente fantástico esse mundo.
8 de maio de 2009 às 17:29
Seu artigo está perfeito, Moore.
Acredito que nenhum swing trader nunca passou por isso.
Por isso que acho importantíssimo fazer um diário de trade, pois ficaria com vergonha de colocar um trade que fiz sem nenhum setup de entrada ou saida, só no chutômetro.
Abraços , bom final de semana,
Ricard.
8 de maio de 2009 às 19:33
texto perfeito. Sinto meus trades melhores a cada semana.
Nao tem jeito. Só ficamos bom nisso praticando, e no começo o prejú é inevitável.
Quem tem disciplina e perseverança, consegue ir se adaptando e entendendo o mercado e começa a ganhar dinheiro na bolsa…. isso leva um tempão para acontecer……. mas quando estamos “operando o fino” a bolsa é sem dúvida o melhor investimento.
Já tomei muito prejú e quase desisti da bolsa !
Hoje, estou operando quase o fino.. sinto que estou no caminho certo
abs.
Kristian.
8 de maio de 2009 às 23:07
Como sempre dizem, o primeiro prejuiso é sempre o menor.
9 de maio de 2009 às 12:06
Parabens CRH, isso ai é puramente minha história, porem não desisti ainda, com perdas de 40% fiquei com certo trauma, desde janeiro meu capital esta praticamente parado, resolvi estudar novamente, fiz novamente cursos, e fiquei fazendo trades ficticios, estou aguardando um bom ponto de entrada novamente, ao que tudo parece ibovespa fez teto nos 52K, um bom final de semana!!!
10 de maio de 2009 às 0:04
Obrigado pelos elogios!
Acho que a maioria dos traders gasta muito tempo buscando novos métodos e esquece que não existe um sistema perfeito.
Se eles gastassem este tempo treinando a mente para lidar com os ganhos e perdas e desenvolvessem a disciplina necessária (registrando suas operações, por exemplo) certamente seriam vencedores nessse mercado.
Grande abraço a todos!!!
10 de maio de 2009 às 20:59
Muito bom o artigo. Parabéns!
11 de maio de 2009 às 8:48
Parabéns pelo texto.
Paciência é uma arte que deve ser exercitada diariamente…
Só um detalhe. O planeta do Spock se chama Vulcano e não Vênus.
“Vida longa e próspera para todos”
17 de maio de 2009 às 17:58
OLA MORRE, CARA VC É DOS BONS, VIU, AKI PEÇO FAVOR ME RESPONDA : AS 3 TENDENCIAS QUE DIZ SEGUIR EM ALTA(SE FOR OPERAR NA NA COMPRA É CLARO)É PRIMARIA (GRAFICO MENSAL), SECUNDARIA (GRAFICO SEMANAL), E TERCIARIA (GRAFICO DIARIO), CONSIDERANDO QUE OPERAMOS A PRINCIPIO EM UM UNICO GRAFICO. SE PUDER POR EMAIL HR001@IG.COM.BR HERCULANO, EABRAÇOS.
NOTA: CADE O SEU LIVRO, JA ESTOU AGUARDANDO PRA ADQUIRIR E ESTUDAR.
18 de maio de 2009 às 11:34
Sim, exatamente. as três tendências apontando para o mesmo lado tornam o trade mais seguro e como o que queremos é aumentar nossas chances nos trades… Abraços.
29 de maio de 2009 às 15:26
[...] retorno recebido por conta do artigo “A arte da paciência” foi tão grande que eu resolvi abordar mais uma vez o tema. Percebi que os aspectos mentais [...]
31 de maio de 2009 às 11:38
Moore,
Excelente texto. Vivenciei isso na segunda metada de fev/2009. Estava sendo estopado diretos de todos os ativos que eu entrava. POMO, Aracruz, Vale, Usim…. fiquei emocionalmente abalado e a cada queda eu automaticamente saia ou deixava o stop atuar….. passou-se dois meses e em alguns destes casos até mesmo quesdão de 1 dia no caso da Vale que eu sai no 0×0 e no dia seguinte ela subiu 10%. Emocionalmente influenciado, é muito dificil seguir a estratégia inicialmente traçada…!!!
Parabens pelo artigo!