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A volta do “Carry Trade”

Publicado em 28.04.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Destaques, Estratégias, Opinião

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A crise financeira mundial ainda está longe de terminar, mas alguns indícios consistentes apontam que os mercados começam a voltar à normalidade.

Um bom exemplo, é o apetite dos investidores estangeiros em reativar as operações de “carry trade” nos mercados emergentes, e em especial no Brasil, que ainda é o detentor do título de país com maior taxa real de juros do mundo.

“Carry trade” são aquelas operações em que investidores tomam empréstimos em países com baixos juros, como Japão, Estados Unidos e zona do euro, para investir o dinheiro em economias com juros mais alto, caso do Brasil, Hungria, Africa do Sul, Nova Zelândia e Austrália. O risco do negócio é a oscilação da cotação entre as moedas dos países, que pode engolir o lucro. Por isso, umas das premissas é que a volatilidade cambial seja baixa.

No ano passado, os “especuladores” abandonaram a estratégia do “carry-trade” quando os BCs do mundo inteiro reduziram as taxas de juros para revitalizar o crescimento e num momento em que as oscilações cambiais aumentaram os riscos.

Apesar de no Brasil os juros apresentarem recentemente uma tendência de baixa,  a operação continua muito atrativa. Para se ter uma idéia, é possível tomar dólares pela taxa Libor, de 1,13% aa, e utilizar estes recursos para comprar reais e ganhar a taxa brasileira de três meses do interbancário, de 10,51%. Esta operação pode render, anualmente, 9,38%, pressupondo-se a estabilidade de ambas as moedas.

É interessante notar, que o a entrada de fluxo de capital estrangeiro no Brasil, teoricamente, valoriza o Real, tornando a operação de “carry trade” ainda mais atraente. Ou seja, estamos diante de um verdadeiro “processo de auto-alimentação”.

O arrefecimento da crise e a volta (parcial) da confiança do investidor, reacenderam o caminho da rota mundial de recursos através das operações de “carry trade” e beneficiando consequentemente a bolsa brasileira. Esperamos que o saldo positivo de recursos estrangeiros visto recentemente na Bovespa ainda persista por um bom tempo.

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3 comentários para “A volta do “Carry Trade””

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  1. Guilherme Ruffini disse:

    Cris, o problema é que a tendência geral é de valorização do dólar, ainda consequência da fuga de mercados, em especial do europeu, e alta procura dos bond americanos.

    O carry trade não tem tanto impacto na valorização do Real, o fluxo aqui ainda é pequeno. Tanto que nem com a entrada de investimentos diretos e recursos de renda variável, não tivemos uma apreciação considerável.

    O Euro e a libra, ja demonstram que a tendência mundial é de valorização do dólar, e aqui dificilmente teremos posição contrária. Posição essa muito problemática pras cotações de commodities, diretamente ligadas ao Brasil.

    O termômetro mais importante é relação dólar – iene, que é o carry trade mais tradicional, devido a baixa taxas de juros reais na economia japonesa.. E essa, ta feia a coisa.. Ainda não sinalizou melhora, apenas fazendo movimentos corretivos. Mas ainda situando-se a níveis históricos de baixa.

    Mas é muito legal te ver abordar o tema, ao meu ver, assim como o comportamento dos Bonds, regem a economia real, e acabam definindo o comportamento futuro dos mercados.

    Se quiseres conversar mais a respeito, me mande um email, terei prazer em discutir o tema, att

  2. CHRistian disse:

    Olá Guilherme,

    obrigado pelo comentário. É muito bom discutir sobre o assunto.

    Sobre a valorização do dólar eu discordo. No longo prazo, após a crise arrefecer totalmente, acredito que a tendência é que a moeda americana comece a refletir as medidas anticrise que vem sendo tomadas pelo governo americano. Os pacotes bilionários americanos e a política fiscal devem causar mais desvalorização da moeda.

    A relação dólar – iene de fato é a operação de carry trade tradicional. Mas com a queda dos juros americanos visando combater a crise de crédito, o que se vê no momento no mercado, é que o dólar vem mudando a ponta de atuação. Ao invés de servir como moeda de investimento, assume o papel de moeda usada para captação de empréstimos.

    O assunto é muito interessante e complexo. Trabalhando no mercado, essa é a visão que eu tenho no momento.

    Esse confronto de idéias é muito importante.
    Obrigado por se dispor a comentar aqui no blog e expor a tua opinião.

    Grande Abraço

  3. Guilherme Ruffini disse:

    Opa,

    Até concordo com a sua opinião sobre a política monetária expansionista x câmbio.. Entre os cenários possíveis temos que considerar tudo, até mesmo uma volta da ameaça de estagflação, inflação alta com retomada do consumo. Mas o comportamento do dólar tem contrariado a enchente de dólares no mercado, pois a procura por títulos está elevada. Em especial nos leilões recordes de bônus de 20, 30 anos. Eles tem financiado parte da crise.

    E ao meu ver, o caso do euro por exemplo, A Europa ou vai mergulhar numa crise similar a americana, ou terá que queimar valores próximos aos queimados pelo FED, no momento, acredito que a piora econômica relativa da zona da Libra e do Euro, tem impactado, fazendo o mercado esquecer até mesmo o spread de juros reais ainda existentes. Pois a moeda parece buscar refúgio.

    E na ponta do iene, o problema é que os juros reais americanos ainda estão elevados, na casa de 4.5% ano na captação imobiliária, e o spread bancário apesar de ter cedido muito pós “crash” dos bancos, ainda está longe dos padrões normais. O Japão acaba sendo o banco mundial por usar de sua poupança agragada recursos pra terceiros, evitando custos de crédito, como o dos americanos.

    Mas de toda forma, antecipar movimentos agora tem tantas variáveis que ficaria mais fácil jogar uma moeda pra cima rs. No desenrolar dessa crise vamos tomar ciência de novos dados sobre o que virá pós ela. Eu acredito que o dever de casa ainda não foi feito, e deve demorar a ser cumprido. Caso melhore antes, teremos outro problema em curso (percebeu como tivemos “viradas” econômicas nesses 2-3 anos, desde volta da inflação, a estagflação, a alta de commodities, bolha, etc), se for “decretada” fim da crise, antes dela realmente ter terminado, teremos algum problema monetário ou inflacionário grave, ao meu entendimento, e aí teremos o teu cenário (se o Brasil sair ileso na balança externa). Mas isso vai depender do desenrolar da crise

    É um prazer discutir.

    Sugiro, se tiver tempo, acompanhar as discussões desta comunidade. http://br.advfn.com/p.php?pid=fbb_thread&bb_id=11&id=893499&from=6701

    Att

    Ruffini

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