Recompra de Ações
Publicado em 19.02.2009 por CHRistian na(s) categoria(s) Destaques, Estratégias, Opinião
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Atualmente mais de 50 empresas listadas na bolsa de valores de São Paulo aderiram à programas de recompra de ações. O principal objetivo destas empresas é sinalizar ao mercado confiança no próprio negócio e indicar que os papéis estão abaixo do valor justo. Essa pelo menos é a alegação mais comum.
Na verdade muitas vezes, operações de recompra ocorrem apenas por alguns dias visando possibilitar a saída de grandes investidores. Empresas com baixa líquidez precisam acionar estes programas para evitar uma queda abrupta dos preços caso algum acionista de peso resolva se desfazer dos papéis.
No Brasil, as empresas podem comprar até 10% da parcela de seu capital negociado em bolsa, pelo prazo máximo de um ano, e guardar essas ações em tesouraria ou cancelá-las. Quando os papéis são cancelados os acionistas assumem um ganho de imediato, já que os lucros por ação aumentam e consequentemente o potencial de retorno dos dividendos também.
Teoricamente portanto, as recompras de ações representam uma ação tranquilizadora para os investidores e ajudam a elevar os preços das ações no curto prazo.
Uma questão porém precisa ser abordada. Será que o atual cenário global é o ideal para usar o caixa da empresa comprando ações ?
Sem dúvida, essa é uma pergunta que depende muito da saúde financeira de cada empresa. Mas pelo boom de recompras visto atualmente, eu desconfio que muitas empresas estão exagerando. Prova disso, são os derivativos vinculados ao desempenho das ações oferecidos por alguns bancos.
Como se já não bastasse todo o estrago provocado pelos derivativos cambiais, a idéia agora é aproveitar a onda de recompras de ações e oferecer às empresas para que façam seus programas sem usar um centavo sequer. Ou seja, a empresa não mexeria no próprio caixa e usaria o dinheiro emprestado pelo banco. Essa idéia é comparável a um investidor pessoa física entrar no cheque especial para aplicar na bolsa !
Portanto, apesar de em linhas gerais os programas de recompra de ações serem interessantes e mostrarem comprometimento da companhia é importante o investidor estar atento a maneira como os recursos necessários para a operação estão sendo levantados e posteriormente aplicados.
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Fala Christian,
esse lance de recompra de ações é complicado mesmo.
No boom da bolsa mtas empresas abriram capital e se capitalizaram bastante. Com essa gigantesca queda, algumas recompraram ações. A LOGin por exemplo que é uma empresa que eu acompanho, tiveram as ações negociadas a 16 reais no IPO e elas chegaram a uns 3 reais no auge da crise. A login anunciou uma recompra de ações e logo depois anunciou outra. Enfim… venderam a 16 e recompraram a sabe lá quanto. Entendo que a ação pode estar desvalorizada e que seja vantagem a empresa recomprar. Mas existe alguma lei que proiba a empresa de, daqui a 5 anos quando houver outra euforia nos mercados e as ações estarem supervalorizadas sendo negociadas a 20, elas relançarem ações para “investimento” na empresa?
Tenho o mesmo sentimento do Bernardo. Fazer IPO a 20, capitalizar 1bi, e recomprar a 5. Mesmo sendo até 10%. Na próxima vez que pipocarem IPOs participo do bookbuilding e saio em no máximo um mês. Hoje vejo que isso foi pra conseguir vender, pelo preço mais no alto possível da euforia, um papel destinado a refinanciar projetos de expanção orgânica( veja construtoras,p.ex.)
Christian
tudo bom?
tem tempo que não escrevo nada…mas estou sempre dando uma olhadinha…
Como ta a familia????
Pra mim mercado perdeu uma figura de queda grande no intraday e acho que volta pelo menos aos 36.500.
Bom deixa eu te fazer um pedido, tem como vc me mandar o grafico(mensal) da NETC4 desde o IPO?
POis o meu programa so tem dados dos ultimos 4 anos.
Desde já…
Obrigado
Abraço
Christiam obrigado mesmo pela informação! Essa recompra alavancada só nos mostra que a crise não tem ensinado muito as grandes instituições e se observar-mos bem, pq não se individar!?…se temos dinheiro público a rodo para recapitalizar nossas jogatinas!? basta ameaçar abrir concordata e enchemos a mão com algum pacote “milagroso” e alavancamos novamente!rsrs acho que os investimentos escritos nos livros onde devemos nos basear nos fundamentos das empresas esta mais arriscado do que comprar opções a seco. =)
Abraços e denovo, obrigado pela informação.
Caros Bernardo e Marcelo,
Por um bom tempo eu pensei como vocês, mas eis que algo me fez enxergar que eu estava errado.
Uma empresa quando faz um IPO ela está buscando no mercado dinheiro para investir em alguma coisa, alguma coisa q no fundo é bom pra eles e acaba sendo bom para os investidores.
Imaginem que uma empresa lance no IPO dela 10% de suas ações para o mercado… Vamos imaginar q cada vez q ela queira fazer uma expansão ela precise lançar 10% de seu capital. Uma hora, essa empresa não tem mais de onde tirar dinheiro, terá que recorrer a bancos, juros e as circunstâncias econômicas… a sua capacidade de captar recursos no mercado será questionada… como alguém que não possuí “nada” de garantia vai pagar essa dívida?
Por isso, qd a empresa recompra ações, ela recompra sim com o intuito fixo de vende-las mais caro, fazem isso pq vão usar dinheiro em novos projetos… e nos acionistas ganhamos dinheiro com isso.
Me desculpe, mas no mercado todo mundo faz isso (compra mais barato e vende mais caro)…. cada um dentro da sua estratégia… se a sua estratégia é diferente da empresa (em prazo – ela faz em ciclo de 5 anos e vc de 50), isso não é culpa dela, você que escolheu ser assim.
Continuando com as desculpas…. Pq vc acha q ela fez errado de vender no auge do mercado?…. Vendem-se as coisas qd todos querem comprar. Qm vai comprar ações agora… todo mundo deveria, mas ngm qr, infelizmente ngm qr. É completamente normal vender quando todos querem comprar e comprar qd todos querem vender. É assim que funciona.
Caros, por favor não me interpretem mal.. as vezes escrevo de forma mais agressiva tbm… Mas reflitam sobre isso, vcs vão perceber q isso é de fato o “mercado”.
Grande Abraço e ótimo Carnaval a todos!!!
Dão,
eu não discordo de nada que vc escreveu. Concordo com tudo. É bom pra empresa e é bom pro investidor.
O grande problema é que no IPO as empresas são superavaliadas. Os preços saem over demais e tem mta gente de fora que entra nessa.
Concordo que todo mundo compra na baixa e vende na alta (essa é a intenção). A grande diferença é que a empresa tem informações privilegiadas sobre seu futuro e ainda tem os bancos formadores de mercado que podem, numa ação de menor liquidez, segurar a cotação pra fazer a recompra. Então, se um investidor pessoa fisíca pode ser punido pela cvn por ter informações privilegiadas, como uma empresa que ,em tese, detém todas as informações privilegiadas pode livremente recomprar suas ações e até cancelar a recompra e tem um prazo enorme pra isso…
Não estou aqui questionando o fato da recompra, mas sim como ela é feita hoje.
Opa Christian
É bom salientar que muitas empresas anunciam recompra de ações, agitam o mercado e não recompram nada.
Já que não são obrigadas a recomprar.
Caro Bernardo,
Entendi seu questionamento. Entendo a linha de pensamento q está seguindo. Concordo com a idéia de que a empresa por conhecer claramente sua estratégia se beneficia muito disso. Mas você não concorda que isso também produz uma onda que pode ser por nós seguida?
Quanto a empresa anunciar recompra e não realizar o movimento… vejo aqui duas posições… primeiro concordo que se ela anuncia ela deveria realizar pelo menos uma parte disso, acho absolutamente errado isso não ocorrer. Mas como especulador, parto do principio que uma vez que o movimento não ocorre conforme o meu planejado a operação precisa ser cancelada.
Por fim, quero salientar apenas mais um ponto… em partes eu discordo que os IPOs seja superavaliado…. o IPO é condizente com o mercado, e o mercado estava superavaliado há um bom tempo… concordo que houveram exageros como no caso da BM&F, que valia praticamente o mesmo que a CME. Mas se pegarmos o IPO da Natura que foi em um momento de mercado subavaliado… o IPO foi idêntico ao mercado, o mesmo acredito que venha ocorrer com os próximos IPOs… uma vez que o mercado está subavaliado e os investidores com um pé atrás com os IPOs… eles provavelmente sairão baratos… pensem nisso, pode ser um bom momento de comprar boas empresas a um preço baixo.
Abraços
Com certeza Dão,
algumas empresas, apesar de segurarem o IPO nesse momento de crise, em breve precisarão abrir para crescer por uma questão de sobrevivencia. E com certeza, seus multiplos não serão tão bem avaliados quanto na época da euforia. A Natura é um bom exemplo e por acaso, foi uma das empresas que menos saiu prejudicada na crise.
Mas é isso aí…. o importante é saber aproveitar as oportunidades. Acho que esse tópico poderia gerar ainda mta discussão e o Christian teria que começar a fazer um encontro semanal com todos os participantes do blog pq vai acabar que em temas polêmicos vamos escrever tanto que vão durar semanas só de troca de idéias.
Grande abraço,
Amigos,
muito boa a discussão.
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Sobre o debate, a opinião colocada é perfeita. Mas confesso, que acho muito difícil alguma empresa abrir o capital neste ano.
Bernardo, sem dúvida, muitas empresas precisarão se capitalizar, mas a bolsa (no momento) talvez seja o meio mais caro (e incerto) para este fim.
Grande Abraço
E quanto ao caso da Redevard que promete lançar mais ações no mercado, qual seria a estratégia, uma vez que o mercado carece de liquidez.
Vejo como uma forma oposta a praticada ultimamente de sacudir o mercado, ou até mesmo de precionar seus sócios a compra uma fatia maior da empresa.
Olá Nogueira,
o caso da Redecard merece atençãO, principalmente com a venda da fatia do Citi.
Talvez essa oferta nem saia.
Parabéns pelo blog.
Grande Abraço
Olá Christian
Obrigado, me referencio em espaços fantasticos como este aqui, que tem contribuido muito com o conhecimento em finanças…
Quero ganhar pelo menos um dos livros, rs