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Apesar do forte abalo provocado pela crise americana nas cotações das commodities, os números da mineradora brasileira apresentados recentemente demonstram ainda a solidez financeira da companhia.
Com uma receita operacional bruta de R$ 17,9 bilhões no quarto trimestre, ante R$ 15,5 bilhões no mesmo trimestre de 2007, o lucro líquido ficou em R$ 10,4 bilhões. Embora, a margem operacional sem os efeitos de amortização e depreciação do quarto trimestre tenha caído para 37%, ante 41% no mesmo período de 2007.
Se considerarmos o ano de 2008 o setor produtivo da Vale fez bonito. Registrou as maiores vendas na história em nove produtos: minério de ferro (253,6 milhões de toneladas métricas, pelotas (41,6 milhões de toneladas métricas), níquel (276.000 toneladas métricas), cobre (320.000 toneladas métricas), alumina (4,2 milhões de toneladas métricas), cobalto (3.100 toneladas métricas), metais preciosos (2,4 milhões de onças troy), metais do grupo da platina (410.000 onças troy) e carvão (4,1 milhões de toneladas métricas).
Mas nem tudo foram boas notícias… Olhando para o balanço anual, os resultados da Vale foram influenciados pelo ajuste por conta da nova lei contábil, em vigor desde 2008, que obriga a avaliação regular dos ativos das companhias. Desta forma, a Vale reduziu em R$ 2,4 bilhões o valor de sua subsidiária canadense Inco, adquirida em 2006, por US$ 18 bilhões.
Esse impacto é reflexo da adoção de uma das regras da nova lei contábil brasileira, o chamado teste de “impairment”, ou “valor recuperável” dos ativos. Na prática, isso nada mais é do que a companhia provar que ela consegue transformar o valor de seus ativos em lucro, seja com pela operação ou pela venda do negócio. A partir do balanço anual de 2008, as empresas são obrigadas a fazer testes e estudos para verificar a eficiência de seus registros.
Este ajuste teve impacto direto no lucro líquido de 2008 que foi de R$ 21,2 bilhões (R$ 20 bilhões em 2007) com um lucro líquido por ação de R$ 4,08 ante R$ 4,14 em 2007.

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Apesar de uma boa gama de produtos, o minério de ferro continua sendo o carro chefe da companhia. No quadro ao lado, podemos notar como ele compreende 42,8% da receita bruta da companhia.
A Vale já a algum tempo vem demonstrando interesse na diversificação, adquirindo ativos que produzem outras commodities. Assim como ocorreu recentemente com as minas de potássio da Rio Tinto.
Mas diante do cenário global atual é importante muito cuidado com novas aquisições. Vale lembrar que no ano passado a mineradora brasileira quase fechou a compra da Xstrata por US$90 bilhões. Hoje esta mesma empresa está com suas ações sendo negociadas por apenas 10% deste valor. Caso se realizasse e levando em consideração a nova lei do “impairment”, esta aquisição representaria um estrago imenso no caixa contábil da Vale.
Importante: O reajuste do minério de ferro para a China deve ocorrer até Abril. A negociação está entre queda de 10%, oferecido pelas mineradoras, e a queda de 40%, pedido pelas siderúrgicas. A Vale, ao contrário dos outros anos, disse que não vai liderar essas negociações e que dificilmente serão os primeiros a anunciar o preço fechado. A pressão da Vale será de que o diferencial de frete conseguido pelas australianas no ano passado seja devolvido para a mineradora brasileira, já que a diferença do frete caiu muito. A expectativa do mercado é de que o contrato seja fechado com uma queda de 20% nos preços do minério.
Gráfico Diário
VALE5 perdeu o canal de alta, formado desde o fundo vindo de Dezembro/2008. A correção ocorreu com a formação de um pivot de baixa (em rosa) e a configuração de dois gaps. Hoje tivemos o fechamento do primeiro gap, por volta dos 27,30. Para fechar o segundo gap, o papel precisaria alcançar os 28,70, patamar onde se encontra a retração de 61,8% de um possível novo pivot de baixa (em azul claro). O objetivo deste segundo pivot ficaria próximo do suporte horizontal nos 25,20.
Uma retomada da tendência de alta de curto prazo, apenas voltando para dentro do canal e rompendo o topo anterior por volta dos 33,00 reais.
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