As oportunidades existem
Publicado em 11.11.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Destaques, Estratégias
Na atual fase da crise, os noticiários financeiros parecem começar a ressaltar os preços baixos de muitos ativos.
Não resta dúvida, que muitas empresas sólidas sofreram “injustamente” com o pânico que se instaurou. Talvez o método mais conhecido para avaliarmos se uma empresa ou um mercado se encontra subavaliado seja usando o PL, ou seja a relação preço e lucro por ação.
Pensando desta forma, apresento abaixo, um gráfico com o PL médio mensal das principais bolsas do mundo.
O estudo considera dados a partir de Janeiro de 2004 e fica evidente a forte deterioração sofrida pelos mercados nos últimos meses.
Segundo o Citigroup, até a última semana de Outubro, as ações em todo o mundo estavam valendo, em média, 10,3 vezes o lucro das empresas nos 12 meses precedentes, uma relação preço-lucro menor que a dos anos 70, que foi de 11,4.
A queda tem sido pior nos mercados emergentes. Visando recompor posições nos EUA, investidores vendem a qualquer preço suas ações e derrubam as bolsas dos países que dependem do capital externo. No caso do Brasil, a boa liquidez, acaba sendo um fator a mais para a forte volatilidade.
Se pensarmos nos fundamentos, o principal motivo para tamanha depressão nos mercados é que os investidores prevêem um período de resultados ruins nas empresas. Num relatório semana passada, analistas do Citigroup afirmaram que em outras recessões mundiais, os lucros das empresas caíram em média entre 40% e 50%. Até o momento a crise americana já alcançou a metade deste patamar. Ou seja, números piores ainda estão por vir.
Vale a pena lembrar, que quando temos uma queda abrupta no preço das ações o dividend yeld passa a ser bem interessante. Na Europa, por exemplo, a estimativa de rendimento médio com dividendos é de 5,2%aa, enquanto a taxa básica de juros do Banco Central Europeu é de 3,25%aa.
Muitas empresas brasileiras também já apresentam uma rentabilidade com dividendos acima dos títulos públicos federais. Aliás, na semana passada postei um artigo sobre a TLPP4, ressaltando este aspecto. Se considerarmos que o Brasil oferece a maior taxa de juros real do mundo, o investimento nestas companhias pode ser bastante atraente.
Nota: Agradeço ao amigo “Julius Clarence”, pelos dados relativos ao PL dos principais mercados.
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11 de novembro de 2008 às 20:04
Christian,
Tenho uma pergunta relativamente “idiota”. Mas vc poderia comentar a variação do P/L nestes últimos 4 anos. O mercado subiu, as ações se valorizam e o P/L em média vem caindo. Pq isso está ocorrendo? Enfim, o que vem ajudando nesse melhor retorno mesmo com a valorização dos papéis?
Acho que isso pode ser uma dúvida de muita gente, até mesmo para compreender melhor o P/L
Abraços
11 de novembro de 2008 às 21:23
Apenas lembrando que quando olhamos o coeficiente P/L não podemos apenas olhar para as cotações. Algumas vezes o P/L cai por causa do aumento dos lucros e as vezes ele aumenta pela diminuição dos lucros. Então precisamos ter cuidados pois mesmo um ativo que se desvalorize seu P/L pode ficar maior.
Mas a análise ficou muito boa.
Bons negócios.
12 de novembro de 2008 às 12:03
Olá Rafael,
na verdade o Julius, já te respondeu. É importante observar o andamento dos lucros.
Além disso, olhando para o Ibovespa, é interessante notar que a queda atual do PL coincide com a queda dos preços na bolsa iniciada em Maio. Ou seja, neste caso o lucro pouco influenciou. A queda no preço das ações foi o principal motivo para o declíneo do múltiplo.
Grande Abraço