Aversão ao risco
Publicado em 22.10.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análises, Análises Diárias
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Assim é a vida de um investidor que se aventura a escrever sobre o mercado quase que diariamente. Ontem animado com a perspectiva de que a volatilidade irracional estava perto do final, escrevi um artigo focando na possível trégua que o indicador VIX estaria sinalizando. Mas hoje o mercado, voltou a dar mostras que não pretende facilitar a vida dos analistas.
O VIX voltou a trabalhar próximo do patamar dos 70 pontos, refletindo as quedas das bolsas pelo mundo.
O Ibovespa registrou queda de 10,18%, aos 35069 pontos (menor patamar desde 25 de setembro de 2006). Mais uma vez o circuit breaker foi acionado às 17h18.
O Dow Jones encerrou em baixa de 5,69%, aos 8.519 pontos; o S&P-500 caiu 6,10%, aos 896 pontos; e o Nasdaq declinou 4,77%, aos 1.615 pontos. Na Europa, o dia também foi negativo: o londrino FTSE-100 perdeu 4,46%; o CAC-40, de Paris, -5,10%; e, em Frankfurt, o DAX registrou decréscimo de 4,46%. Na Ásia, mais perdas: na Bolsa de Tóquio, o Nikkei 225 recuou 6,8%.
Além do VIX, outros indicadores deixam claro o aumento da aversão ao risco por parte dos investidores em todo o mundo.
Os treasuries americanos, que representam o principal instrumento de proteção em momentos de pânico, tiveram uma forte queda. Os yelds de 10 anos cairam para 3,60, baixa de 3,20%. A queda nos yelds (rendimento) dos treasuries se deve a procura maior pelos títulos do tesouro americano.
O petróleo, depois que os números dos estoques americanos confirmaram uma demanda menor pela commodity, confirmou a perda do suporte nos 70 doláres, caindo com força mais de 7% e fechando o dia cotado em NY nos 67 dólares.
Risco Brasil disparou e alcançou os 661 pontos, alta de 26% (até as 18:00hs). Lembrando que este indicador representa como o investidor estrangeiro enxerga a conjuntura econômica do Brasil. Aliás por falar em economia brasileira, hoje a dupla dinâmica, formada pelo Sr. Henrique Meirelles e pelo Sr. Guido Mantega, anunciou uma medida provisória (443) que delega poderes ao Banco do Brasil de comprar qualquer instituição pública ou privada que estiver em dificuldade. Essa notícia caiu como uma bomba no mercado. Rapidamente começaram os boatos sobre possíveis quebras de instituições financeiras brasileiras e sobre um possível risco sistêmico eminente.
Diante deste cenário, os juros futuros na BMF acionaram também o seu circuit breaker. Os juros para Janeiro de 2010 bateram nos incríveis 16,22 pontos, alta de 10,19%.
A reunião do Copom sobre a taxa de juros, na semana que vém, promete ser de difícil decisão para os seus membros. Afinal de contas, de um lado temos a recessão batendo na porta e do outro a inflação alimentada por um dólar incontrolável.
Por falar na moeda americana, hoje, mesmo com novas intervenções do banco central, ela voltou a trabalhar próximo dos R$ 2,40, alta de mais de 5%.

















22 de outubro de 2008 às 20:33
Christian,
O mercado não está fácil mesmo. Parece que estamos voltando a aquele carpe diem – cada dia de forma especial.
Como você mesmo já disse, não está fácil analisar ou prever movimentos. Mas, gostaria que você comentasse algo sobre essa resistência no VIX, força enorme a dela… chega a lembrar um triângulo de alta. Você faz alguma projeção sobre uma possível ruptura? Tem idéia de onde estariam os próximos passos do indicador?
Abração
22 de outubro de 2008 às 22:30
Christian,
Parabens pelas analises.
Desde algum tempo acompanho tudo que acontece aqui.
vc ja mencionou sua carteira antes, mas e agora, vc mudaria seu perfil ou investiria como B.Graham
Alias,alguma empresa tem chamado sua atençao ja que em suas analises semanais vc nao as tem mais realizado
um abraço e parabens pela coragem
23 de outubro de 2008 às 7:22
Esse blog tem um diferencial mesmo. A espontâneidade no artigos. Admiro mesmo o todo o conteúdo aqui.
Um bom dia para todos.
Abraços
23 de outubro de 2008 às 9:17
Olá Rafael,
não sei o que pode acontecer com o rompimento dos 70 pontos no VIX. Mas acho que ninguém poderia lhe responder. Afinal de contas o atual patamar é algo inédito.
Estamos vivenciando uma crise financeira sem precedentes.
Pelo menos um lado positivo (se é que ele existe…) = estamos calejando aos mãos.
Grande Abraço
23 de outubro de 2008 às 9:19
Olá Alex,
obrigado pelo elogio e por acompanhar o meu trabalho.
Para a minha carteira de acumulação (longo prazo) não mudei minha estratégia. Muitas oportunidades com esta crise estão sendo criadas. Depende do perfil de cada um, para poder aproveitá-las.
Grande Abraço
23 de outubro de 2008 às 9:23
Olá Herbert,
obrigado pelas palavras.
Eu também agradeço a tua participação freqüente.
Grande Abraço