Análise Semanal 02/02
Publicado em 02.02.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análises, Análises semanais
Uma semana no azul. O Ibovespa marcou a volta na casa dos 60000 pontos, fechando a sexta nos 61080, aumulando uma alta na semana de 6,29%. O Dow bateu nos 12743, alta de 4,29%.
Já era esperado
Destaque na semana, o Federal Reserve (Fed) determinou mais uma diminuição, desta vez de 0,5 ponto percentual, na taxa básica de juro dos Estados Unidos, que agora cai para 3%. Muitos analistas haviam antecipado essa decisão, apesar de haver apostas também por uma redução de 0,25 ponto.
Com o corte da semana passada, tivemos um corte brusco de 1,25% em poucos dias. A intenção do governo americano é conter os danos provocados pelo desaquecimento no setor imobiliário americano e a pela crise das hipotecas de alto risco. Ao cortar repetidamente o juro, o Fed tenta estimular o consumo e o investimento, impedindo assim que a economia dos EUA pare de crescer.
Muitos analista começam a duvidar da eficiência das medidas. Chegam inclusive a fazer um paralelo com a crise vivida pelo Japão nos anos 90. Em ambos os casos, existiu um elevado endividamento doméstico, declínio nos preços de ativos e o setor financeiro foi atingido por uma crise.
Deve-se porém salientar, que os japoneses demoraram mais para agir, permitindo que a crise se expandisse. No caso americano, os mecanismos disponíveis vem sendo utilizados, mesmo que com certo grau de desconfiança. Alguns pessimistas fazem questão de lembrar uma frase célebre de John Maynard Keynes: A atual política monetária está “empurrando com um barbante” a economia americana.
Desaquecimento
Números alarmantes sobre as vagas de trabalho criadas em Janeiro (apenas 17mil), refletindo cortes na construção e setor manufatureiro, deixam claro que a desaceleração da economia já está em andamento. Neste cenário, torna-se relevante que o resto do mundo continue crescendo a demanda por produtos americanos. Para isso é importante que os outros países desenvolvidos adaptem as políticas monetárias para a nova realidade.
Outros países
Infelizmente isso não vem ocorrendo. Apesar de a crise subprime afetar também a Europa, o BCE (Banco Central Europeu), resolver não diminuir a taxa básica de juros da região. O BCE alega que não irá financiar os países em desenvolvimento via inflação interna. A postura conservadora do BCE, ao manter sua taxa inalterada, sinaliza que a inflação é uma preocupação e que seu principal componente, as commodities, não poderão manter sua rota de alta. E é nessa ponto que o Brasil pode ser afetado, já que depende muito do andamanento das cotações das commodities no mundo.
Notícias corporativas
Apesar do cenário ainda sombrio, a semana terminou deixando esperanças. Algumas notícias corporativas serviram como justificativa para o bom humor. O lucro recorde da Exxon Mobil, a oferta não-solicitada da Microsoft pelo Yahoo(de US$ 44,6 bilhões) e a compra da americana Alcoa e da chinesa Chinalco de 12% da Rio Tinto (por US$ 14 bilhões), foram o centro das atenções.
Feriado
A próxima semana promete fortes emoções. Não porque teremos o anúncio de algum indicador em especial, mas devido ao feriado na segunda e na terça, a quarta após as 13:00hs promete um movimento forte no índice brasileiro, seja para cima ou para baixo. Será a busca do tempo perdido. Um ajuste natural da defasagem em relação a matriz.
Para ver o vídeo: Clique na imagem. Abrirá uma nova janela e clique no play.
.
















4 de fevereiro de 2008 às 0:48
Excelente análise Christian, foi bom seu toque sobre o dolar futuro, eu iria ter deixado passar essa em branco. Não to com cabeça para Mercado Ultimamente, o que neste momento propricio é péssimo.
Abraços e bom carnaval igualmente
6 de fevereiro de 2008 às 12:30
Christian, supondo que a recessão se confirme, você tem alguma expectativa do que deve acontecer?
Eu imagino que as ações brasileiras vão cair quando tiver a notícia do tipo e depois retomarão ao ritmo normal, ao menos as que não dependem tanto como Bradesco, Vale, Sadia…
O que você acha?
6 de fevereiro de 2008 às 20:00
Obrigado, Felipe.
Espero revê-lo por aqui.
Grande Abraço
6 de fevereiro de 2008 às 20:10
Ricardo,
na verdade, devemos sempre ter em mente que o mercado não é o reflexo do que vem acontecendo. Na maioria das vezes o que vemos nos gráficos hoje são reflexos de perspectivas criadas pelos agentes do próprio mercado.
Ou seja, falando as claras… boa parte da recessão já está precificada nos preços dos ativos. Ainda existe porém a idéia de que o crescimento negativo da economia americana não perdure por muito tempo (apenas este ano… no máximo uns 3 trimestres), por isso na minha visão a formação desse fundo (11600) consistente no Dow Jones.
A perda deste patamar, deixaria a impressão que os grandes players vislumbram uma recessão mais profunda e extensa.
A mesma idéia vale para as ações brasileiras.
Grande Abraço