Sustentabilidade Empresarial
Publicado em 27.08.2007 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Destaques, Informações, Opinião
Dando continuidade ao artigo sobre governança corporativa, queria abordar agora a nova coqueluche do mercado não só brasileiro como mundial: a preocupação com a sustentabilidade empresarial.
É inegável que o planeta vem passando por mudanças climáticas expressivas e o mundo empresarial, como não podia deixar de ser, também sofrerá as consequências. A exposição crescente na mídia dos problemas inerentes a saúde do planeta, está formando uma nova geração de indivíduos ( e porque não dizer de investidores ) mais conscientes quanto ao seu papel nesse cenário. Já é possível perceber uma exigência maior para que as empresas tenham um comportamento responsável do ponto de vista sócio-ambiental.
O Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) foi criado a cerca de dois anos pela Bovespa, visando se tornar marca de referência para o investimento socialmente responsável e também indutor de boas práticas no meio empresarial brasileiro. Até o final do mês de Setembro, as empresas interessadas em ingressar no índice, precisam responder a um questionário de 150 perguntas sobre temas relacionados a meio-ambiente, governança, sociedade e compromissos com o desenvolvimento sustentável. Atualmente o ISE é composto por 32 companhias, mas depois do questionário esse número com certeza deverá subir.
Mas o tema ainda não é prioridade para muitas empresas. O Novo Mercado possui atualmente 80 empresas, mas destas apenas 10% delas participam do ISE. O que é de se estranhar, afinal de contas essas empresas por estarem listadas no Novo Mercado, possuem uma gestão com boa governança nas questões societárias e administrativas, ou seja teoricamente mais responsáveis socialmente.
Talvez seja apenas uma questão de tempo. Os especialistas são unânimes em afirmar que governança e sustentabilidade devem andar juntas, pois são complementares. Chegam inclusive a afirmar que as companhias precisam focar seus esforços na “triple bottom line” :
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as questões sociais, ligadas aos funcionários e à comunidade do local de atuação da empresa
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as ambientais, relacionadas aos impactos ecológicos
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e as financeiras, dos resultados obtidos
Por enquanto, assim como foi com a governança no passado, o ISE mostra que os investidores brasileiros ainda não atribuem prêmios a ações de empresas que adotam as melhores práticas do ponto de vista da sustentabilidade (veja o gráfico no artigo de governança). Mas não se engane que isso é uma questão de tempo, pois não há dúvidas sobre as vantagens no compromisso com o tema.
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27 de agosto de 2007 às 20:14
1- ambientais: além da preservação, as empresas consideram também que a geração de poluição constitui desperdício de recursos
2- a preocupação social está ligada a imagem das empresas.
Mas o impacto no público consumidor ainda é muito baixo, só fazer o teste de quantos se lembram dos danos causados por empresas do setor de combustíveis ou químicas, pra ficar nos exemplos mais simples.
18 de setembro de 2007 às 17:17
Christian,
Andei lendo sobre sustentabilidade e o ISE, este índice que a Bovespa criou para dar mais transparência aos negócios das empresas com ações na Bolsa brasileira. Tenho lido um pouco sobre a inclusão de um quarto pilar para a sustentabilidade – a Cultura. Não querendo alongar alguma abordagem sobre a importância da Cultura para nosso país, portanto para as empresas também, você acredita que o ISE poderá em pouco tempo dar um peso maior a ações culturais que passariam a ser apoiadas pelas empresas com ações na Bovespa? No seu entendimento, que peso tem a cultura para as empresas que se classificam como socialmente responsáveis?
Sou jornalista e trabalho com projetos culturais. Estou pesquisando sobre os temas referidos acima para concluir a montagem de um projeto de captação de apoios e/ou patrocínios para uma montagem de teatro-musicado, uma peça que pretende resgatar a música caipira e o circo-teatro, além de homenagear Cornélio Pires, o jornalista, escritor, poeta e compositor que patrocinou, há quase 70 anos, os primeiros discos de 78 rotações com música caipira no Brasil
Um abraço e parabéns pelo seu trabalho
Rogério Viana
41 8803 7626 – 3339 0534
Curitiba – PR
18 de setembro de 2007 às 20:18
Rogério,
obrigado pela visita e pelo comentário.
Até onde é de meu conhecimento o ISE ainda não abrange os aspectos culturais. Sem dúvida a importância da cultura é fundamental e em um país como o nosso, onde a ignorância popular serve de combustível para nossos políticos, ainda mais.
Mas percebo uma grande dificuldade de o atual modelo do ISE ser aceito “de verdade”, pelos investidores. Conforme publiquei aqui no blog, as empresas listadas no índice ainda não tiveram o reconhecimento (em termos de valorização) do mercado.
Muitas empresas promovem projetos culturais, mas o fazem muito mais devido aos incentivos fiscais, do que a uma concientização sobre a importância da cultura na sustentabilidade do país.
Grande Abraço
2 de novembro de 2007 às 11:31
Christian,
Achei muito interessante essa matéria sobre Sustentabilidade Empresarial. Sou aluno de mestrado em Ciências Contábeis e irei fazer um artigo sobre o ISE para disciplina Finanças Corporativas. Fiquei surpreso com o dado: apenas 10% das empresas do Novo Mercado participam do ISE. Queria saber onde posso encontrar material, seja internet ou livros, para que eu possa enriquecer meu estudo.
abs,
Valdério
2 de novembro de 2007 às 15:46
Valdério,
na Internet é possível encontrar muita coisa. Sugiro que dê uma passada no site da http://www.bovespa.com.br
Grande Abraço